Registo da sessão de role-play a 26/VIII/99. 1990's campaign.
Local: Casa do Luís
Game Master: Ricardo Madeira
Aventura: "Thoth's Dagger" 1ª parte
Personagens:
Magi Clouds [Irina], Véronique D'Arcy [Raquel], Random Greene [Raquel], Sam Phyllis
[Luís], Valdemar Phyllis [Luís].
NPCs:
Boutros Al-Qusi, Clifton Jorgensen, Prof. Fredericks, vários polícias, leiloeiros,
DiVita, Edward Chandler, Clara Phyllis, Christine Parker, inúmeros paramédicos.
26/VIII/99 - Quinta-feira
Manhã:
DArcy começa o dia como é costume, abrindo a loja
antes dos empregados lá chegarem.
Sam Phyllis passeia pelo Campus da Miskatonic sob o sol
matutino de Agosto.
Magi tem passado os dias, desde que chegou da Roménia e
meteu férias, a estudar os cadernos que de lá trouxera. São alguns volumes apenas, do
extenso diário do Barão Hauptman. Quase todos os textos se encontram escritos em Latim,
incluíndo o livrinho que vinha fechado à chave. Como Magi trouxera também as chaves,
já o livro há muito se tinha aberto às suas mãos. Lá dentro descobrira além dos
escritos uma folha de veludo. Na caixinha de madeira, mas uma das coisas roubadas ao
Barão, Magi descobrira um pedaço de pele com escritos arábicos, de aspecto medieval.
Algumas das entradas do livro da fechadura estavam escritas em Chinês, as outras em
Latim.
Entretanto, na Miskatonic University, pouca gente marca
presença todos os dias. No departamento de Biologia, no entanto, há pelo menos uma
pessoa que lá continua a aparecer todos os dias como se nem se apercebesse do facto de
ser época de férias. Num dos laboratórios do departamento de Biologia, uma das
professoras conta bicharocos em amostras de fezes, ao microscópio. O seu aspecto
descuidado e andar vagamente desconjuntado são bem conhecidos dos estudantes de Biologia:
trata-se de Random Greene (mais comummente conhecida como Randy mesmo). Só levanta os
olhos do seu trabalho quando um dos poucos funcionários aparece com a correspondência.
Randy põe de lado a amostra, espreguiçando-se, e verifica se tem mensagens para ela.
Basicamente só comunicações da faculdade. Entre elas, uma respeitante aos alunos cujos
trabalhos Random terá de orientar no próximo ano lectivo. Entre os nomes, um chama-lhe a
atenção: Christine Parker. Ou bem se enganava ou já conhecia a rapariga de algumas
aulas de Zoologia. Dez minutos depois Randy esquece o assunto para se embrenhar de novo
nas amostras.
Noutra ponta da cidade, Magi está entretida com o caderno
da fechadura e a respectiva folha de veludo. O caderno revela ter o título de Fraternitas
Bestiae. Nele constam um rascunho de mapa e imensas e complexas árvores genealógicas,
abarcando tempos desde o Antigo Egipto até ao séc. XIX. A já referida folha de veludo
parece conter uma invocação.
A Fraternidade da Besta, segundo o livrinho, for a fundada
pelo Barão Hauptman e por um tal de Lang-Fu no séc. XII com a intenção de
fazer cumprir a profecia de Nophru-Ka. O livro também assegura que Lang-Fu possuía um
fragmento de um livro chamado Al-Azif, supostamente trazido por um ser escuro e alado de
uma cidade enterrada algures nas areias da Arábia.
O Barão e Lang-Fu teriam viajado muito e encontrado
descendentes de Nophru-Ka que tinham trazido para a costa mediterrânica. O Barão tinha
estabelecido quartel-general na Europa enquanto Lang-Fu voltara à China. O plano inicial
de ambos era o de formar uma pequeno reino na Europa de Leste, mas tinham falhado por duas
vezes. Da primeira vez, uma revolução política na Polónia impedira a concretização
dos planos, da segunda vez, uma criatura invocada matara acidentalmente a criança
escolhida. Segundo o caderno, ambos ainda se encontram à espera da um novo candidato.
O mapa contém a localização do túmulo secreto de
Nophru-Ka
Ao remexer tanto papel, os olhos de Magi caem acidentalmente
numa folha de jornal bem mais recente que noticia um leilão de antiguidades egípcias em
Boston, sendo alguns dos artigos do leilão relacionados com o oculto. Sendo assim, Magi
decide ir espreitar o leilão, nunca tendo ido a nenhum.
28/VIII/99 - Sábado
Manhã:
DArcy acorda bem cedo e escolhe o guarda-roupa com
cuidado. Ela própria recebera notícia do leilão e tencionava ir não como curiosa, mas
como antiquária. Coloca um fato conservador: saia preta travada, camisa branca, casaco
preto e uma mala de senhora também preta. Ela sai de casa e mete-se no seu BMW Z3 azul
metalizado. Com a capota descida, dirige-se calmamente para Boston.
Sam, que como egiptólogo também está interessado no
leilão, também se veste a rigor, de fato, e mete-se na sua Harley-Davidson a caminho de
Boston.
Magi tem de se resignar a ir de comboio, o que até tem as
suas vantagens, pois dá-lhe tempo para ir pensando nas descobertas dos últimos dias.
Segundo o que lera nos diários do Barão, este for a
fundador da Ordem Teutónica, a qual serviria apenas de fachada para as suas actividades.
No entanto ele não for a suficientemente discreto e for a expulso da sua própria Ordem.
Então construíra o castelo de Montelui-Mare e ali residira desde essa altura. Em 1542
ajudara Ludvig Prinn a contrabandear o seu manuscrito para for a da prisão onde se
encontrava: manuscrito esse cujo título era De Vermis Misteriis. Pouco
depois, Ludvig fora executado. No final de séc XVI, o Barão Hauptman
fora visitado pelo Dr. John Dee, que traduzira a cópia grega do Necronomicon
para Latim e voltara para Inglaterra com essa tradução. A Cópia do Barão desaparece no
séc XVII.
John Dee, entretanto, tornara-se um médico/alquimista muito
respeitado na corte inglesa. Aparecem nos diários também referências obscuras a trocas
de corpo entre o Barão e pessoas com as quais ele se cruzasse.
Em tempos mais recentes, o diário testemunha que ambos o
Barão e Lang-Fu estão à espera do Dia da Besta, que seria quando a
irmandade poria em acção o seu plano de libertação de terroristas e anarquistas um
pouco por todo o mundo. Existem referências a uma N.W.I e a uns templos de Rhon-Paku,
espalhados por muitas cidades no mundo e apoiados secretamente pela organização de
Lang-Pu. Mais referências vagas mencionam Edward Chandler, de algum modo responsável
pelo N.W.I., e também de viagens dos três homens ao Egipto, mais concretamente ao
planalto de Gizé.
A chegada do comboio a
Boston corta o fio dos pensamentos à Magi, que se apeia para procurar um táxi e se
dirigir ao leilão.
DArcy é a primeira a chegar. Estaciona, compõe o
cabelo despenteado pela deslocação do ar no seu descapotável olhando-se no retrovisor.
Ao sair, repara bem nas redondezas. A mansão está num sítio bem jeitoso. Enquanto se
dirige à entrada, nota a chegada quase simultânea de mais duas pessoas. Em primeiro
lugar uma sonora Harley-Davidson e o seu condutor bem parecido, depois uma jovem de
aspecto mais modesto, saindo de um táxi.
Sam, pois é ele na mota, repara apenas na Magi e fica com a
impressão de a conhecer de algum lado. Talvez seja a enfermeira do pai. Pelo menos
corresponde à descrição. Ele aproxima-se e apresenta-se. De facto tratava-se da
enfermeira que acompanhara o seu pai, Valdemar Phyllis, numa viagem à Roménia, da qual
ele voltara muito mal de saúde.
Ambos vão entrando na mansão. Sam tenta logo convencer
Magi a jantar com ele.
Com o seu olhar de lince, Sam cedo descobre mais jovens
atraentes no leilão: lá mais à frente, procurando já panfletos, encontra-se a jovem de
cabelo negro, muito bem arranjada.
DArcy, ignorando estar a ser alvo de tal escrutínio
por parte de Sam Phyllis, lê o panfleto com atenção. A leilão vão estar bastantes
peças, mas as que mais lhe prendem a atenção são uma jóia em forma de escaravelho no
primeiro lote, uma versão do Livro dos Mortos em papiro com anotações nas margens, tudo
escrito em egípcio no segundo lote, vários objectos de arte no terceiro lote, uma
gramática egípcia no quarto lote, um pote de cerâmica no quinto lote, um busto de um
faraó desconhecido no sétimo lote. . . Mas, sem qualquer dúvida, toda a atenção de
DArcy fica colada ao sexto lote, que promete conter uma tal de Adaga de Toth.
Procurando pormenores, DArcy descobre que consta de um cabo de bronze em forma de
cabeça de flamingo e uma lâmina em prata com hieróglifos gravados.
Ao desviar finalmente o olhar do seu panfleto, DArcy
repara no homem bem parecido que viera de mota. Ele, bem como outros candidatos a
licitadores, aproxima-se da frente para examinar os objectos.
Sam mostra interesse pelas anotações nas margens do Livro
dos Mortos e para tal mete conversa com um senhor de estatura mediana, nos seus 45 anos
que já mostra indícios de calvície. Chama-se Fredericks e é professor de História.
Não conseguem chegar a conclusão nenhuma quanto às anotações.
Então a sua atenção volta-se para a adaga, junto da qual
se tem vindo a demorar DArcy. O objecto tem cerca de 30 cm de comprimento, sendo 20
deles para a lâmina fina. Sam Phyllis continua a puxar pela opinião do prof. Fredericks.
Um outro homem se junta ao grupo em redor da adaga: é
pálido, está nos seus 30 anos, é bem constituído e tem cabelo escuro. Um segundo
desconhecido junta-se ao grupo frente à adaga: é alto e de bigode, vem num fato às
riscas e tem o cabelo impecavelmente puxado para trás. Tem ar de ser latino e está nos
seus 30 anos.
O grupo continua em frente para observar os outros items.
Magi, embrenhada na multidão e sempre relativamente perto de Sam, ouve a conversa entre
dois homens que comentam a falta de parafusos do falecido Von Petersdorf e o seu trabalho.
Magi apercebe-se que o Sr. se tinha dedicado a um trabalho baseado em deuses muito
antigos, talvez ainda mais do que o Egipto.
Entretanto, entram no
salão os criados servindo cocktails e convidando as pessoas a tomarem os seus lugares.
DArcy aceita logo um cocktail e senta-se numa cadeira, parecendo ela própria
habituada ao meio em que se mexe. Sam Phyllis toma um lugar à esquerda dela, e o tal
senhor pálido o lugar à direita. Ele tem aspecto de pessoa muito rica. DArcy cruza
as pernas e beberrica o seu cocktail enquanto os últimos se sentam.
Na fila atrás de DArcy e Sam sentam-se Magi e o prof.
Fredericks. Magi, simpática como sempre mete conversa com ele. Fredericks revela que o
objecto que mais o interessa é o papiro, mas confessa que a adaga também parece
interessante, palavras que injectam logo adrenalina no sistema de DArcy, a qual
está determinada a levar o objecto para a sua loja. Sam até chega ao ponto de propor ao
professor fazerem uma vaquinha para comprar o pergaminho, caso a licitação chegue a
valores muito altos.
Começa então o leilão.
Em primeiro lugar surge o escaravelho, com uma base de
licitação nos $500. O valor vai rapidamente subindo. O milionário ao lado de
DArcy pede logo $1500, mas alguém o suplanta. Nenhum dos outros membros do grupo
parece muito interessado no objecto. A licitação termina nos $2500.
Segue-se o papiro do Livro dos Mortos egípcio. A
licitação começa nos $500, que Sam logo cobre. Vários outros licitam mais alto, com
Sam sempre a concorrer. No fim é mesmo Sam Phyllis quem consegue a aquisição por $3000.
Em terceiro lugar vem um lote com várias coisas sem grande
interesse, excepto pela gramática egípcia. A licitação começa nos $5. DArcy
cobre, para começar a entrar no espírito do leilão. Magi, inspirada por um sentimento
semelhante, bate a proposta de DArcy e acaba por conseguir o lote por $15.
O quarto lote também não traz nada de especial, sendo o
mais valioso uma tradução do Livro dos Mortos já adquirido por Sam. A licitação
começa nos $5, que DArcy logo cobre. Magi, entusiasmada com o sucesso da tentativa
anterior, concorre com DArcy, mas é Magi quem vence, por $22.
O quinto lote contém a peça de cerâmica. A licitação
começa nos $100. Ninguém no grupo licita, excepto o milionário, que a compra por $700.
Por fim, o momento que DArcy tanto ansiava chega: o
sexto lote, a Adaga de Toth, aparece e a licitação começa nos $1000. De súbito,
propostas vão saindo de todos os cantos da sala. DArcy e Sam, os primeiros a
licitar entram em competição. Após os momentos iniciais, junta-se-lhes um homem lá de
trás, com pele escura, baixo e de uma barba muito comprida, negra. Está com um fato
muito conservador. Ele põe a licitação nos $5000. O milionário também junta as suas
propostas. Sam desiste durante algum tempo, tomando o milionário a tarefa de pôr os
nervos em franja à jovem francesa. DArcy insiste sempre, subindo a licitação
sempre o mínimo possível.
Por fora relativamente impassível, DArcy está uma
pilha de nervos e escrevinha frases pouco simpáticas em francês no seu panfleto. No
final é mesmo DArcy quem consegue a aquisição por $28500, arriscando um grande
rombo nas suas economias.
O anti-clímax do leilão segue-se: o sétimo lote que é
composto apenas pelo busto de um faraó. A licitação começa nos $500. Alguns dos
presentes sobem a parada e alguém acaba por comprar por $2000.
Acabado o leilão
propriamente dito, DArcy chega-se lá à frente para assinar a papelada e consumar a
mudança de dono da adaga. Os outros compradores fazem o mesmo. Quando DArcy se
encontra a assinar papéis, o tal senhor de ar latino aproxima-se da adaga e retira-a
mesmo por baixo dos narizes de toda a gente. DArcy não dá por nada, mas Sam e Magi
vêem-no e perseguem-no até ao exterior, tendo, infelizmente de passar por uma parede de
corpos maior do que o ladrão.
Quando conseguem chegar lá fora, Magi e Sam já só
conseguem ver o homem a arrancar no seu carro e a desaparecer. Sam tem a presença de
espírito para apontar a matrícula.
Entretanto, lá dentro, a segurança apercebe-se do
acontecido e um dos homens sussurra ao ouvido do mestre de cerimónias quando DArcy
se preparava para assinar o cheque. Informam-na do sucedido e DArcy começa por
rasgar o valioso cheque, passando a queixar-se ruidosamente. Entretanto a polícia chega,
tendo sido logo chamada pela organização. Alguns detectives vêm falar com os vários
membros do grupo, que prestam declarações, conseguindo descrever o ladrão ao pormenor,
entre todos. O facto de terem a matricula é um trunfo importante.
Vexada, a organização oferece almoço enquanto se espera
que a polícia dê notícias. DArcy aceita, mas o seu humor parece ter desaparecido,
e ela ostenta um semblante carregado, especialmente quando fala com a organização.
O ricaço que se sentara à direita de DArcy decide
então aproximar-se e apresentar-se ao grupo com palavras de simpatia. Aproveitam todos
para trocar apresentações mais formais. O ricaço chama-se Clifton Jorgensen e é
coleccionador de arte. Ele convida o grupo para um almoço num sítio melhor, à conta
dele. DArcy aceita, na esperança de ainda conseguir salvar alguma pequena parte do
seu dia.
Clifton dá boleia a Magi e oferece aos outros também, mas
DArcy prefere seguir só com o seu mau humor, enquanto Sam não perde a oportunidade
de mostrar a sua mota às raparigas.
O restaurante a que chegam fica realmente num sítio
simpático e é obviamente de boa escola. Sentam-se os quatro numa mesa à janela.
Clifton começa então a contar as suas inúmeras e
exóticas viagens, e a falar das suas colecções. DArcy fica especialmente
impressionada com a menção da sua colecção de armas. Sam não se deixa ficar muito
atrás e começa também a contar episódios das suas viagens. DArcy descobre
inclusivamente que Sam fala Francês, embora com um terrível sotaque.
Almoço:
O tempo vai passando entre a boa comida e o bom vinho.
Clifton prova ser bastante conhecedor na matéria do oculto, o que muito interessa Magi, e
refresca a conversa. E a propósito de viagens, Magi menciona muito de leve a Roménia e o
pai de Sam.
A discussão passa depois para o tema da adaga. Clifton
partilha com os outros o seu conhecimento de que Nyarlathotep é o mensageiro dos Deuses,
ele próprio considerado o Deus da escrita, um paralelo a Hermes dos Gregos.
No meio da conversa, o telemóvel de DArcy toca: era a
polícia a informar que tinham encontrado a adaga, mas sem darem pormenores. A polícia
predispõe-se a levar a adaga lá ao restaurante, de modo que o grupo se deixa estar na
conversa.
Cerca de uma hora depois, aparece a polícia, trazendo a
organização do leilão a reboque. A polícia mostra-lhes a adaga. Naturalmente o grupo
enche o detective de perguntas e ele vai contando a sua história enquanto DArcy
assina de novo mais papéis para a organização do leilão.
O polícia conta que o ladrão tinha sido um mafioso que
não passava de arraia miúda e que for a facilmente reconhecido pelo seu colega Kennedy
face à excelente descrição fornecida pelo grupo. Vários carros da polícia tinham
seguido até ao apartamento do DiVita, o ladrão, e tinha sido Kennedy a mandar a porta
abaixo e a entrar em primeiro lugar. Tinham encontrado DiVita morto no chão, com a parte
da frente do corpo completamente queimada, tornando-o difícil de identificar. No meio da
sala, algo meio tostado cheirava mal. Melhor ainda: tinham encontrado $5000 espalhados
pela sala.
Do lado de fora, a patrulha vira alguém fugir, de modo que
os polícias correram todos atrás do fugitivo, deixando apenas fotógrafo e médico
legista no apartamento. Tinha havido a típica perseguição de carros, que terminara com
um tiro nos pneus dos fugitivos, provocando o descontrole deles e acabando num desastre. O
condutor fugira em direcção às linhas de comboio e às docas e Kennedy tinha-o
perseguido com três colegas, mas ele escapara enquanto Kennedy tivera um ataque de
coração. O segundo passageiro morrera com o impacto do desastre. A adaga tinha sido
encontrada no porta-luvas, embrulhada num lenço, tal como a polícia a entregara a
Darcy.
Com muitos agradecimentos por parte da orgulhosa dona, a
polícia vai embora, e a organização também, levando mais um chorudo cheque no bolso.
Sam, agora verdadeiramente intrigado com uma história tão
rocambolesca, pede uma lista telefónica e procura informações acerca do dr. Von
Petersdorf. Entre vários contactos, tenta descobrir algo acerca do trabalho do professor
ou então amigos seus que conhecessem o seu trabalho.
Como verdadeiro egiptólogo, Sam quer ver a adaga mais de
perto e pega-lhe, sob o olhar vigilante de DArcy. De súbito as mãos começam-lhe a
tremer, os seus olhos ficam baços e reviram-se. As raparigas tentam pará-lo, mas ele
fica inconsciente.
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Sam vê-se numa paisagem vasta, semi-tropical. À sua frente há um rio largo, ladeado por tiras de vegetação.
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No restaurante, Magi
tenta ajudar, mas não tem grande sucesso: Sam continua com ligeiros tremores nas mãos e
as suas pupilas estão contraídas.
Ao fim de algum tempo em que os seus companheiros se mostram
preocupados e sem saber muito bem o que fazer, Sam abre um olho, ainda transpirando. Sob
as perguntas insistentes do grupo, Sam só deixa escapar que tinha sido transportado
para um sítio estranho, mas não dá pormenores. DArcy fica convencida que
alguma coisa no almoço lhe caíu mal.
DArcy embrulha então a adaga cuidadosamente num
guardanapo e guarda-a na sua malinha.
O grupo decide dirigir-se à Universidade local, numa
tentativa de encontrar mais dados acerca do trabalho de Von Petersdorf. Sam vai no carro
de DArcy uma vez que não se encontra em condições de conduzir ainda.
Na biblioteca da Universidade, mais tarde, encontram o livro
de Von Petersdorf referenciado nos motores de busca internos, mas o livro não se encontra
nas prateleiras. Magi pede ajuda a uma das funcionárias. Voltam a percorrer exactamente
os mesmos passos para chegar à conclusão que alguém deve ter levado o livro sem o
registar à saída.
Noite:
Entretanto fez-se tarde e o grupinho sai à procura de um
restaurante para jantar. Mais uma vez reunidos a uma mesa, o grupo discute as actividades
do dia. Sam aproveita a espera para dar a primeira olhada à sua nova posse. Não tem, no
entanto, tempo suficiente para decifrar nada.
À sobremesa trocam-se números de telefone e depois do
jantar deixam Clifton para trás e regressam a Arkham, Sam de novo na sua mota e as
raparigas no carro de D'Arcy.
De volta a Arkham, DArcy deixa Magi em casa, mas antes
de seguir para a sua própria casa passa pela loja para deixar a adaga no cofre do
escritório. Sam, ao chegar tão tarde a casa, ainda consegue levar um raspanete da irmã,
apesar de ele já ter idade para governar a sua vida sem intervenção da mana velha. Sam
põe-se a estudar o manuscrito pela noite fora no estúdio da vivenda.
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Sam vê de novo a paisagem semi-tropical com o seu rio largo e a vegetação na margem. O seu ponto de vista eleva-se e ele vê um deserto para além da vegetação.
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Sam acorda todo suado e consulta o relógio. São 00:01. Cansado, Sam volta a adormecer.
29/VIII/99 - Domingo
Manhã:
Magi dá as suas voltas matutinas de bicicleta e depois
regressa ao estudo dos cadernos do Barão Hauptman.
Noutro ponto da cidade, Sam Phyllis consegue finalmente
decifrar o pergaminho...
Mas entretanto Magi, cuja televisão se encontrava ligada
enquanto ela se debruçava sobre os escritos do Barão, vê uma notícia que ainteressa
especialmente: a abertura de uma nova ala no St. Marys Teaching Hospital. Um homem
nos seus 40 anos mas ainda jovem, aperece na imagem a inaugurar a ala com o seu nome.
Trata-se de Edward Chandler, presidente da New World Incorporated, presidente da
fundação Chandler, ligada a obras de caridade (como medicamentos e roupas para zonas
mais desfavorecidas do planeta). Munida de máquina fotográfica, Magi dirige-se ao
hospital.
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A paisagem semi-tropical estende-se mais uma vez à frente de Sam, com o mesmo rio, ladeado pela mesma vegetação nas margens e com o mesmo deserto por trás desta. Sam flutua ao longo da margem do rio. Vê uma cidade de casas feitas com tijolos de lama aparecendo no horizonte. Alguns dos tijolos são grandes, pintados de branco e com hieróglifos pintados.
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Sam levanta a cabeça
do trabalho subitamente com a irmã a chamá-lo para o almoço.
No hospital, Magi chega a tempo de ver o homem saír na sua
limousine. Há imprensa por todo o lado. Magi limita-se a tirar umas quantas fotografias.
Quanto a DArcy, essa passa a manhã toda entretida nas
limpezas semanais da sua pequena loja de antiguidades.
Tarde:
Intrigada, Magi pesquisa jornais e revistas à procura de
mais informação acerca do mediático Chandler. Fora um rapaz de saúde muito fraca,
quando criança, flagelado por várias doenças. Aos 10 anos for a mandado pelos pais para
a Europa, estudar com preceptores pagos pelo pai (dono de uma empresa bem sucedida de
ferramentas). Edward vivera em reclusão até aos 18 anos por causa da sua precária
saúde. Voltara aos EUA bem melhor de saúde, ao ponto de ingressar na universidade e
frequentar a Business School. For a muito popular. A sua saúde melhorara a olhos vistos e
ele acabara mesmo por fazer parte da equipa de futebol americano. Acabara o curso e
trabalhara na empresa do pai, começando por baixo e subindo rapidamente por mérito
próprio.
Em Julho de 1988, já vice-presidente da
empresa do pai, os pais morrem-lhe num trágico acidente de barco em S. Francisco. Aí ele
tomara as rédeas da empresa e internacionalizara-a. Anos depois, formara a Chandler. Nos
últimos anos, vários partidos se têm aproximado dele com vista a convencê-lo a ser
candidato à presidência e ele quase chegara a ser um terceiro candidato, mas recusara no
último momento. For a também nomeado uma vez para o prémio Nobel da Paz.
DArcy passa a tarde inteira no escritório da loja,
consultando listas de clientes e contactando possíveis compradores para a sua pequena
caixa egípcia.
Sam entra em contacto com Magi e convida-a para jantar num
restaurante fino. Ela aceita.
Entre dois telefonemas a possíveis compradores, DArcy
recebe uma chamada no seu telemóvel. É Clifford, em Boston, contando-lhe de maneira algo
misteriosa que tem com ele alguém que deseja muito falar com ela. Diz encontrar-se em
Arkham, de modo que DArcy combina ir ter ao Campus da Miskatonic, um sítio bem
arejado e de horizontes largos, não vá alguém querer pregar-lhe uma partida.
Uma vez lá, DArcy apercebe-se que conhece o senhor de
barba escura que acompanha Clifford lá do leilão em Boston. Clifford apresenta-o:
Boutros Al-Qusi, que veio especialmente do Egipto para falar com Von Petersdorf, mas que
chegara demasiado tarde para tal. Nesse caso, o senhor oferece-se para comprar a adaga.
Diz ser um monge Cóptico e pergunta ainda se Sam tem sido assolado por visões.
DArcy obviamente não sabe de tal coisa, e diz apenas que ele se sentira mal por
causa de algo ingerido ao almoço, sem dúvida.
Assolado por questões de uma DArcy muito desconfiada
com as circunstâncias daquele encontro, o Sr. Boutros confessa querer destruír a adaga
por esta ser um objecto venerado por um culto satânico, e oferece por ela $35000.
DArcy acaba por aceder, tendo pouca esperança de encontrar negócio melhor do que
aquele assimtão cedo. Combinam encontro no dia seguinte para efectuar a troca no banco.
Magi e Sam, entretanto, já se encontram a jantar. Ela pede
pormenores ao egiptólogo acerca de palavras que o seu pai possa ter dito em relação à
recente viagem à Roménia, em que Magi também estivera presente. Sam dá-lhe respostas
vagas e tenta por meio de falinhas mansas convencê-la a passar a noite com ele. Magi, no
entanto, esquiva-se. Por insistência de Sam, ela acaba por contar muito vagamente os
acontecimentos da Roménia, mas separam-se sem que mais nada aconteça.
DArcy, que entretanto regressara já a casa, recebe um
telefonema de Sam que, por qualquer razão se sente muito pouco inclinado a ficar sozinho,
de modo que se encontram para o cafezinho.
23:30 - DArcy chega ao café e o seu sorriso é logo revelador. Ela
conta que arranjara um comprador para a adaga e Sam mostra-se mais aliviado e menos alegre
do que ela esperara. Ele conta-lhe, por sua vez, o que descobrira.
De súbito, DArcy nota que a mão dele começa a
tremer, o seu olhar fica baço e os olhos reviram-se-lhe. Sam cai inconsciente perante o
olhar estupefacto de DArcy.
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Sam está de novo no
meio da paisagem que já se vai tornando familiar, com o rio e a vegetação na margem e o
deserto para além desta. O ponto de vista de Sam sobe ainda mais. Ele vê a cidade no
horizonte, e as suas casas de tijolos peculiares, alguns com hieróglifos pintados.
Desta vez, ele vê pessoas de pele escura carregando
instrumentos primitivos de pedra, trabalhando os campos... Sam nota aves brancas, as Ibis,
curiosamente parecidas com o cabo da adaga.
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DArcy dá um
valente estalo a Sam, mas nem assim ele reage. Ao nome então muito menos. Junta-se em
redor deles uma multidâo de curiosos, cada um mandando o seu palpite. DArcy pede
para que chamem o 115, e a ambulância não tarda a chegar. Sam acorda momentos depois, e
o diagnóstico acaba por ser de epilepsia.
Por insistência de DArcy, em casa de quem Sam já se
queria habilitar a ficar, os paramédicos levam-no para o hospital. DArcy regressa a
casa sozinha, depois de pagar a conta. Sam, a caminho do hospital reganha miraculosamente
todas as suas faculdades e, depois de brevemente examinado pelo médico, volta para a sua
casa. Pela noite adentro, Sam continua os seus estudos, adormecendo antes do sol nascer.
30/VIII/99 - Segunda-feira.
7:58 - DArcy abre a loja e prepara-se para o negócio.
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A mesma paisagem familiar estende-se frente aos olhos de Sam Phyllis, com o seu rio, a vegetação, o deserto, a cidade e as pessoas. Volta a ver os pássaros brancos. Um coluna de homens caminha pela cidade até uma série de edifícios de pedra perto do centro, vestidos com robes maginificamente decorados.
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Sam acorda de repente,
cabeça apoiada na secretária, ao som da voz da irmã, chamando-o do andar de baixo. Uma
poça de saliva formara-se onde ele apoiara a cabeça.
Magi faz a sua vida normal: os passeios de bicicleta e
depois estudando os cadernos do Barão.
11:00 - DArcy retira a adaga do cofre no escritório da loja, dá-lhe
uma breve olhada e enfia-a na sua mala à tiracolo. Dirige-se depois para a porta do City
Bank. Boutros mantém o acordo e, apesar a desconfiança inicial de DArcy, não
parece ter segundas intenções. Trata-se da transferência dos $35.000.
Com o negócio concluído, Boutros volta a fazer perguntas
relativas ao bem-estar de Sam. Tal intriga uma DArcy já muito mais bem disposta,
que o enche de perguntas. Por insistência de Boutros, ambos saem para o exterior, onde
ele fala de uma maldição associada com a adaga, para espanto de DArcy. Seja como
for, o Sr. Al-Qusi revela que está de regresso marcado para o Egipto, de modo que a jovem
francesa lhe deseja boa viagem e segue o seu próprio caminho.
Tarde:
Sam telefona à DArcy com um convite para jantar e
dizendo ter notícias em relação ao tal Nyarlathotep mencionado na adaga. Aconselha-a
vivamente a desfazer-se da adaga, ao que ela responde com a boa notícia. Combinam
encontro para as 20 horas.
Entretanto, Magi está estudando o mapa do túmulo de
Nophru-Ka, quando se lembra de referências a uma expedição da Miskatonic que procurava
o local desse mesmo túmulo e que estava a ser um falhanço já há seis meses. A
Miskatonic estava a pensar conrtar os fundos à expedição.
20:00 - Sam e DArcy encontram-se num restaurante de comida francesa, algo caro. Ele confessa-lhe ter tido pesadelos e DArcy revela-lhe as preocupações de Boutros.
23:00 - Darcy deixa o restaurante com a desculpa de se ter de levantar cedo no dia seguinte. Sam acompanha-a a casa, mas DArcy certifica-se que ele nem sequer sobe com ela. Ela caminha pela confusão que é a sua casa até à cama, enquanto Sam se tem de resignar a caminhar sozinho pela rua nocturna. Eis quando se começa a sentir mal. Encosta-se a um carro...
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Sam passa com o mesmo vagar de sempre pela paisagem ao mesmo tempo familiar e exótica: o rio, a vegetação, o deserto, as cabanas de tijolo com os seus hieróglifos, as pessoas, os pássaros, a coluna de homens... Frente a um dos edifícios estão duas estátuas com 5 a 6 metros de altura representando animais agachados: babuínos.
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31/VIII/99 - Terça-feira
00:30 - Sam acorda quase deitado na sarjeta, encostado a um carro. Cansado, levanta-se e dirige-se para casa.
Manhã:
Magi dá a sua volta diária de bicicleta. Ao passar no
Campus da Miskatonic, ouve alguém chamá-la. Dá de caras com Christine Parker [vide
Mix-a-Tonic], que lhe pergunta por Sharon Graves. Para grande espanto de Magi,
conta que Sharon lhe aparecera no quarto de ambas na noite passada para ir buscar as suas
coisas. Não dissera palavra e limitara-se a olhar Christine com ódio, e no entanto,
deixara as roupas atrás. Magi confessa que a julgava perdida na Roménia. Christine conta
que a vira pelas 21 horas.
A jovem enfermeira sobe ao quarto das raparigas, após pagar
um cafézinho à Christine, e põe-se a investigar as posses de Sharon. Não há nada de
especial excepto a correspondência, que inclui uma carta de uma tal Vivian Mayfair que
Magi não tem grandes escrúpulos em abrir. Trata-se então de um pedido de ajuda da mãe
de Daphne Mayfair, a melhor amiga de Sharon, já dos tempos de infância em New Orleans.
Segundo a carta, Daphne nunca regressara a casa após visitar Sharon no sanatório em
Boston.
DArcy passa a manhã enfiada no seu escritório
revendo contas.
Sam acorda de manhã a tempo do pequeno-almoço, após o
qual ele sai com a irmã para ir buscar o pai ao hospital. Encontra Magi por instantes.
Clara, a irmã, ajuda Valdemar Phyllis a entrar no carro e arranca. Sam, segue à frente
deles na sua Harley. A certa altura, sente a mota abanar... e às tantas já nem sabe bem
o que está a fazer...
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...porque se vê de novo na paisagem exótica. O rio e a vegetação e o deserto. A mesma cidade e as mesmas pessoas e a mesma procissão que entra num dos edifícios de pedra onde há um enorme hall com colunas. Trata-se de um templo cujas paredes e colunas estão cobertas de hieróglifos pintados a cores vivas.
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Sam abre os olhos e vê
tudo branco em seu redor. Felizmente, trata-se das paredes de um hospital. A irmã e o pai
estão a seu lado. Parece que Sam tivera um acidente: passara um vermelho, subira
passeios, caíra. A mota, a grande preocupação de Sam, ficara toda esfarrapada e
entortara alguns ferros. A irmã mandara a Harley para uma garagem, mas recusa-se a dizer
qual.
Magi, entretanto, anda pelas docas à procura do
Zephyr Pirate e encontra-o. Por for a não vê ninguém, portanto retrocede e
consulta o segurança, o qual lhe diz que Sharon ainda hoje lá tinha estado no barco, bem
como no dia anterior. Não lhe sabem dizer se ela se encontra lá nesse preciso momento.
Sendo assim, Magi regressa ao barco, decidida a investigar.
Assegura-se de que faz barulho quando salta para o convés. Com cautela, Magi entra na
cabine através da porta que estava apenas no trinco: está escuro lá dentro e parece
vazia. Magi acende a luz e chama, mas mais uma vez fica sem resposta. Ao investigar o
compartimento, encontra no cubículo que serve de quarto à navegante um livro: nada mais
nada menos que o De Vermis Misteriis, que acaba na mochila de Magi.
Na cabine propriamente dita, Magi apercebe-se de cera de
velas em vários sítios e desenhos a giz na parede. No tapete, uma mancha parece ter sido
causada por uma queimadura e tem também cera.
Magi acha por bem partir, de modo que regressa ao cais e diz
ao segurança que Sharon não estava no barco. Diz também que queria mesmo muito falar
com ela e consegue que o guarda concorde em avisá-la assim que Sharon regresse depois de
alguma persuasão.
Sam acaba por ter alta, quando os resultados das análises
chegam e se vê que não tem nada de grave.
Tarde:
Magi mete-se na tarefa de decifrar o livro e fica
completamente absorvida. As luzes parecem esmorecer, a sua atenção desvia-se...
parece-lhe que o vento sopra. Com medo, Magi sai à rua para o café, onde espera que a
presença de muita gente seja confortante, e levando consigo o livro. No entanto, todas as
caras lhe parecem estranhas pelo caminho, e até o criado que a serve e sorri tem um
aspecto estranho... parece falar com ironia na voz. Quando ele regressa com o café de
Magi, ela tem a sensação de ser subrepticiamente observada. Agarra-se bem ao livro e
sente o mal irradiar dele.
Procurando refúgio, Magi abre o livro. O próprio livro
troça dela, parece gritar-lhe que ela não será capaz de o ler até ao fim, tentando-a
ao mesmo tempo. A caligrafia do século XVI é hipnotizante e ela lê sem parar o
conhecimento proibido
Sam Phyllis está de regresso a casa e descansa, por ordem
do médico.
DArcy está na sua loja, tratando das armas quando o
telefone toca. Ela atende ao mesmo tempo que continua a sua tarefa. É Sam, que lhe diz
precisar urgentemente do contacto do tal Boutros, por causa do acidente. DArcy
combina passar por casa dele quando encontrasse o contacto na sua caótica loja. Como se
tratava de um cartão adquirido há pouco tempo, DArcy não demorou assimtanto a
encontrá-lo e cedo seguiu para a casa de Sam no seu carro.
Noite:
DArcy estaciona frente à vivenda dos Phyllis. É
Clara quem lhe abre a porta e a conduz ao andar de cima. DArcy bate à porta do
quarto de Sam, mas não tem resposta. Então abre a porta cautelosamente: Sam está
deitado, de costas para ela, e geme um pouco. DArcy aproxima-se e vê-lhe os lábios
a tremer. Com a prontidão do medo misturado com a prática recente, DArcy dá-lhe
uma estalada e chama mais alto, mas como não tem resposta, corre ao andar de baixo para
avisar a família.
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Sam está de novo
frente à familiar paisagem do rio com a sua vegetação escondendo o deserto próximo. As
mesmas imagens se seguem fielmente como dantes, com os camponeses, os pássaros, a cidade,
a coluna de homens e o templo...
Os hieróglifos no templo têm imagens de Deuses demónicos.
O grupo de sacerdotes entra e dirige-se à parede oposta no templo, onde um painel secreto
se abre para os deixar passar. No interior, ficam face a face com um guarda armado, de
cara similar à das estátuas. O seu corpo é peludo e as mãos têm garras. Embora esteja
de pé, tem uma postura encurvada. Os seus pés são deformados.
A procissão continua por uma escadaria que desce a um
labirinto de túneis...
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Clara fica muito
preocupada ao encontrar Sam naquele estado. Chama-se logo uma ambulância que aparece
apenas dez minutos depois. Sam continua sem reacções, mesmo nas mãos mais experientes
dos paramédicos. Os Phyllis seguem todos para o hospital e DArcy segue-os de perto
no seu BMW.
Que o café está para fechar é uma noção que apenas
gradualmente se infiltra na mente de Magi, mas quando ela o nota, sai para a rua em
direcção ao hospital. Chega mesmo a tempo de ver a ambulância chegar, seguida não
muito longe pelo carro de DArcy. Esta última estaciona e nota Magi do lado de for a
do edifício, agarrando compulsivamente um livro. Enquanto Magi entra no hospital,
DArcy deixa-se ficar encostada ao carro, tentando contactar Boutros Al-Qusi no seu
telemóvel.
Magi dá de caras com os Phyllis nas emergências e Valdemar
imediatamente a reconhece. Conversam em tons baixos, um pouco aparte de Clara. Entre
outras coisas, Magi conta-lhe do misterioso aparecimento de Sharon em Arkham.
Do lado de fora, DArcy telefona tarde demais para
apanhar Boutros, mas o recepcionista do hotel informa-lhe que ele tinha feito reserva com
a British Airways, de modo que o telefonema seguinte de DArcy foi para a companhia
aérea, onde lhe informam que o avião se deve encontrar nesse momento em Lisboa.
Conseguem até fazer-lhe uma ligação para lá, face à gravidade que transparece na sua
voz.
Entre as quatro paredes do hospital, Valdemar Phyllis
consegue finalmente pôr os olhos em cima do livro de Magi e reconhece-o como o livro que
ele próprio tirara do pedestal, na Roménia.
Entretanto, DArcy consegue finalmente falar com o
Egípcio e conta-lhe o que acontecera. Ele insiste na urgência em levar Sam ao mosteiro
de S. Pakómius, no Egipto. Demora algum tempo até que ele convença uma DArcy um
pouco incrédula, mas uma vez persuadida, ela trata de tudo, telefonando logo à British
Airways para reservar três passagens no próximo avião com o mesmo trajecto - avião
esse que parte às 6 da manhã.
Feitas as reservas, DArcy entra então no hospital
onde a informam que o estado de Sam não se alterou. DArcy conta então o sucedido a
Magi e convence-a a vir com eles ao Egipto como enfermeira de Sam. Entre as duas completam
planos até as avisarem que Sam retomara consciência.
1/IX/99 - Quarta-feira
1:00 - O médico não autoriza visitas, mas Magi conhece os cantos à casa
e consegue esquivar-se com DArcy até ao quarto de Sam. Entre eles os três
discute-se mais uma vez o plano e limam-se arestas.
Sam, ansioso por acabar com os pesadêlos quer saír do
hospital o mais depressa possível, de modo que se separam todos para preparar as malas,
mesmo Sam, que consegue uma alta inesperadamente rápida craças aos esforços de Magi.
Magi está com um medo deveras surpreendente, para quem a
conheça mais de perto, de regressar a casa. Propõe-se a levar apenas o livro e o cartão
de crédito consigo, mas depois lá se decide a pedir roupas emprestadas à DArcy.
Esta resmunga com óbvia relutância em aceder, mas acaba por concordar e ambas seguem
para casa da antiquária.
DArcy prepara a mala com mudas de roupa e cartão de
crédito, como se fosse ao Egipto em turismo, mas adiciona também a sua Besta mais leve,
na esperança de conseguir vendê-la nalgum sítio onde a polícia não se lembre de
procurar.
Sam assegura-se que inclui na sua bagagem o seu equipamento
habitual de exploração.
Todos seguem até ao aeroporto no carro de DArcy.
5:00 - Os três estranhos companheiros de viagem fazem o check-in
6:00 - O avião parte à tabela com os três a bordo. DArcy dorme durante o voo, recuperando a noite perdida. Magi espreita para o livro antes de adormecer, como se se tratasse de uma simples colecção de contos inofensivos. Sam adormece com o cansaço das suas provações.
O sol nasce... Os três de Arkham dormem
pacificamente... ou talvez não.
Sam sonha com um rio largo que corre pregiçosamente. É um
sonho recorrente, mas cada vez que o tem, mais uma peça entra no puzzle. Para lá das
plantas está o deserto, e para além deste a cidade, com a sua procissão e o seu templo.
O painel secreto abre-se mais uma vez perante os olhos de
Sam e lá está o guarda, vagamente lembrando um babuíno. Segue-se o labirinto. O
altar... Por trás há uma estátua do homem com a cabeça de Ibis, e a cerimónia decorre
em egípcio antigo. No altar há um corpo.
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14:00 - DArcy acorda e nota Sam inconsciente, de modo que se vira para Magi na intenção de a acordar para que ajude. Magi acorda com um grito, sentindo o livro no seu colo a arder.
15:00 - O Atlântico por baixo de nós acaba. Depois de muitos esforços,
Sam acaba por acordar por si mesmo.
O avião aterra e os três americanos passam pelos
procedimentos normais de saída naquela escala. Um anúncio nos altifalantes avisa que o
avião retoma viagem dentro de uma hora para uma segunda escala em Atenas.
No terminal, à espera deles, está Boutros, que se inteira
rapidamente do estado de Sam. Al-Qusi diz que os irmãos dele saberão o que fazer. O que
inquieta o grupo é o facto de ele confessar não saber pessoalmente o que é necessário
para ajudar Sam. Para somar ao desconforto dos viajantes, ele pede ainda que um deles
guarde a adaga com a própria vida. É Magi quem se oferece para a tarefa.
Boutros dirige-se aos lavabos e Sam segue-o face a uma certa
desconfiança das raparigas, que concerteza viram demasiados filmes de espionagem. Quando
Sam se encontrava a espreitar pela abertura inferior das portas, um tipo entra,
embaraçando o egiptólogo, que tenta disfarçar.
DArcy, entretanto, parece impermeável ao ambiente de
intriga e deambula pelas lojas DutyFree comprando postais para mandar aos empregados da
loja.
Os dois homens regressam aparentemente ilesos, e então o
grupo, acrescido de Boutros, embarca no avião. DArcy já segue a comer um
pastelinho de nata.
16:30 - Descolam em direcção a Atenas. Entre as faces no avião notam-se passageiros novos e algumas caras conhecidas.
(To be continued)
Citações do dia:
Sam Phyllis [Luís] - "Gosto de cavar: sou arqueólogo" (apresentando-se à Magi no leilão)
Sam Phyllis [Luís] - "Perdi o meu número de telefone. Podes-me dar o teu?" (segunda tentativa para cativar a atenção de Magi no leilão)
Sam Phyllis [Luís] - "[Valdemar Phyllis] Foi atacado por um animal
selvagem..."
Luís (acrescentando off-character) - "[O animal] Chamava-se
Sharon"
Sam Phyllis [Luís] - "Você também é de Arkham?" (para Magi)
Magi Clouds [Irina] - "Não..." (pausa embaraçada)
Irina - "Sou de onde?" (para o Game Master)
Véronique D'Arcy [Raquel] - "Ô non, outrro chilique!" (face a mais um dos ataques de Sam)
Luís - "'Lavabos' parece o nome de um povo. Tipo: 'Os Lavabos invadiram a Europa'"
Registo escrito por Raquel Correia