Registo da sessão de Role-Play de 28/VII/99 - 1990's
Local: Casa do Luís
Game
Master: Ricardo Madeira
Aventura: "Castle Dark", segunda
parte
Personagens:
Magi Clouds [Irina], Sharon Graves
[Raquel], Valdemar Phyllis [Luís], Jhonathan Stein [Marc]
NPCs:
Barao Hauptman.........
A última sessão deixou o grupo de investigadores americanos frente ao possante portão do castelo Hauptman, na Roménia. Está-se na manhã de segunda-feira, 28 de Junho de 1999 e a noite anterior abalou um pouco os nervos às quatro personagens.
28/VI/99 - Segunda-feira
Manhã:
Uma breve discussão tem lugar
entre os elementos do grupo. Decidem bater à porta, e no entanto
ninguém se quer oferecer para a tarefa. Sharon, que não está
muito pelos ajustes desde o choque da noite passada, dirige-se
resolutamente ao portão e pega num dos dos batentes: tem a forma
do crâneo de um bicho com cornos.
Há um compasso de espera um pouco
demorado até se ouvirem passos do lado de dentro. A fechadura é
destrancada e finalmente abre-se uma fresta no portão. Quem
aparece é um dos homens que já antes tínhamos visto na
estalagem. ele informa-nos (para nosso espanto e desconfiança)
que o Barão está à nossa espera. Entramos de qualquer maneira.
Encontramo-nos num pátio
calcetado. À nossa frente está a residência do Barão, no
edifício principal, uma construção quadrada; à direita um
estábulo velho e com ar de não ser usado há muito tempo; à
esquerda uma torre (a única que se mantém de pé) cuja porta de
ferro se encontra fechada.
Somos conduzidos ao edifício
principal e entramos no hall. O interior é de pedra nua. Quatro
pares de olhos olham atenta mas disfarçadamente o que os rodeia.
À frente, há escadas para o primeiro andar. No tecto, o
candelabro de ferro tem velas verdadeiras e não só estão
acesas como são a principal fonte de iluminação do hall. À
nossa direita, lâmpadas a óleo iluminam melhor junto à parede.
O lado esquerdo está mergulhado na penumbra. Conseguimos
discernir também duas portas para cada um dos nossos lados, e
duas portas de cada lado da escada lá ao fundo. Por baixo da
escadaria principal parece haver também uma porta mais pequena.
Somos levados para a primeira porta
à nossa direita e entramos na sala de estar. É grande e tem uma
enorme lareira acesa à esquerda de quem entra. Ao lado:
prataleiras cheias de livros. Há cadeiras disribuídas pela sala
e na outra ponta da sala, uma porta escancarada.
O homem diz-nos para esperar e
desaparece. Sem saber muito bem o que fazer, o grupo distribui-se
pela sala. Sharon vai consultar os títulos dos livros do Barão
até porque não lhe convém sentar, não vá a forma reveladora
da espada por baixo do seu casaco comprido revelar-se
inesperadamente. O Professor Phylis também se entretém a ler
títulos. Jhonathan senta-se, Magi fica de pé, intrigada pela
porta aberta.
Os livros que se encontram à vista
são basicamente livros históricos, alguns deles bem valiosos,
em línguas como grego, latim e línguas eslavas. Por toda a sala
há escudos, espadas e brasões pendurados. O Prof. Phyllis
identifica-os como pertencentes à ordem Teutónica (criada na
Palestina durante as cruzadas).
Magi decide-se finalmente a
espreitar a outra sala e dirige-se à porta. De lá vê que a
segunda sala tem uma mesa e respectivas cadeiras. Nas paredes
estão penduradas tapeçarias com cenas de cavalaria. Do outro
lado, mais uma porta fechada. Magi já se dirigia para esta
última porta quando ela se abre para dar passagem a um homem,
presumivelmente o mordomo, uma vez que traz uma bandeja. Não o
reconhecemos, mas é da mesma etnia dos restantes homens do
Barão. Na bandeja traz copos de água mineral que nos oferece.
Para desgosto de Jhonathan, não parece disposto a trazer
qualquer espécie de bolinhos. Ele viera da cozinha.
Após servir o grupo na primeira
sala, regressa à cozinha. Fartos de esperar, o grupo discute se
deve ou não dar uma olhadela à casa: afinal seria invasão da
privacidade do Barão. Magi decide espreitar devagarinho pela
porta de acesso ao hall. Vê um outro homem do Barão entrar
vindo da rua e dirigir-se às escadas.
Magi insiste na necessidade de dar
uma espreitadela à casa, portanto Sharon acede a ir com ela.
Vão "à procura da casa de banho" na porta
imediatamente à frente delas, entrando na penumbra do lado
oposto do hall. A porta não está trancada e as raparigas
encontram uma sala do mesmo tamanho da sala de estar. É uma sala
escura e fria, cuja única iluminação vem da janela. A mobília
está a caír de podre, alguma dela coberta por lençóis
igualmente podres. Há uma lareira, mas não há outras portas.
Talvez a casa de banho seja na sala seguinte...
Procuram abrir a sala do lado,
regresando ao hall em pézinhos de lã. Mais uma vez a porta não
oferece resistência e as raparigas entram numa sala parecida com
a sala de jantar. Nao tem nenhuma porta, está recheada com
mobília podre e contém uma lareira. Magi espreita pela única
janela e vê o pátio. Ao virar-se nota uma racha entre a lareira
e a parede e avisa Sharon, que imediatamente se junta a ela,
curiosa.
A lareira está separada da parede,
como se de uma porta se tratasse. Ambas as raparigas tentam
empurrar mas não têm sucesso. Depois de inúmeras (e algumas
caricatas) tentativas, Sharon é a felizarda que descobre o
mecanismo, ao mexer no atiçador. Com um click, a lareira
torna-se subitamente dócil e já mexe quando Magi a empurra..
Por trás da lareira vêem-se umas escadas de caracol, para cima
e para baixo. Sharon sai para chamar os outros, mas quando se
encontra a meio do corredor ouve passos na escada, de modo que
só tem tempo de regressar para o pé de Magi. Os passos
desvanecem-se gradualmente, no entanto, sem aparentemente terem
notado a fuga de Sharon. As raparigas espreitam o corredor
abrindo uma fresta da porta: não se vê vivalma. Magi sai para
avisar os outros e Sharon fica de guarda à lareira, mantendo uma
mão bem perto do cabo da sua espada.
Magi regressa com os dois homens e
o grupo reunido decide descer. Jhonathan toma a dianteira,
seguido de Magi, Sharon e Phyllis. Nas escadas não há luz
nenhuma. Os olhos vão-se habituando à escuridão, mas a quase
total falta de luz não ajuda nada.
A escada termina numa divisão
minúscula com paredes de pedra e calhau. Apenas uma das paredes
é mesmo feita de argamassa e tijolo. Há um suporte para uma
tocha ou um candeeiro, mas encontra-se vazio. É Magi, já com
experiência acumulada pouco tempo antes, a descobrir a saída
secreta ao mexer no suporte. Passamos todos para o outro lado.
Nas
catacumbas:
Estamos num corredor iluminado por
lâmpadas a grandes espaços, algumas fundidas. Olhando para a
direita, vemos o corredor terminar numa divisão. Para a nossa
esquerda, ocorredor continua até ao que provavelmente é uma
intersecção lá ao fundo. Mais perto, um corredor sai do túnel
para a direita.
Após uns momentos de indecisão, o
grupo segue para a direita. À medida que avançamos, um fedor
vai-nos agredindo as narinas. As paredes à nossa volta são de
construção mais antiga, feitas de pedra, como se o túnel
tivesse sido naturalmente cavado na pedra. Chegamos à sala: é
uma divisão quadrada e tem um poço cpm cerca de três metros de
diâmetro no centro, rodeado de mosaico com escritos em latim.
Do poço começam a saír nuvens de
vapor. Assaltada por recordações indesejadas, Sharon recua até
não poder mais e empunha a sua espada, vigiando fixamente o
poço. Como já ninguém liga muito às reacções de Sharon de
qualquer maneira, desde que ela foi internada no sanatório, Magi
e Phyllis investigam as palavras, descobrindo que parece
tratar-se de uma invocação a Nyogtha. Jhonathan fica por perto
da porta, repetidamente lembrando aos estudiosos que Sharon é um
perigo ambulante com aquela espada.
Magi e Phyllis partilham o feitiço
com o resto do grupo. Sharon insiste para que saiam dali para
fora, e que pessoas de bem não deviam estar ali a aprender
textos que poderiam servir para trazer demónios. Por fim, o
grupo não encontra mais nada de interesse e decide continuar a
expedição.
De novo Jhonathan toma a dianteira,
seguido de Magi, Phyllis e Sharon. O grupo volta para trás e
depois continua pela parte do túnel ainda inexplorada. Viram
logo na primeira esquina à direita. Afinal não dá para outro
túnel, mas sim para uma câmara quadrada e muito escura. Tem no
tecto uma lâmpada gorda que falha um pouco. O chão e a parede
são de pedra. Saltam logo à atenção dos quatro exploradores
os instrumentos espalhados pela sala: está cheia de instrumentos
de tortura. Na parede apercebemo-nos de diversas celas
minúsculas. Estão todas vazias, mas algumas apresentam
excrementos.
Perto da entrada há um gancho que
segura um chaveiro. Magi apodera-se dele. Jhon decide armar-se e
pega numa 'morning star'. Os outros gostam da sugestão: Magi
pega num bisturi e num ferro comprido; Phyllis pega noutro ferro
comprido.
Pela mesma ordem, regressam ao
túnel e continuam pelo corredor fora. O corredor acaba numa
junção com um segundo corredor que segue tanto para a esquerda
como para a direita. Para o lado esquerdo, bem lá ao fundo vemos
umas escadas que sobem. Para o lado direito, parece dar a outro
corredor. É por aqui que decidimos seguir. Ao chegar ao terceiro
corredor espreitamos para ambos os lados. Para a esquerda vemos
umas escadas ascendentes e para a direita outro cruzamento.
Seguimos de novo para a direita.
Uns 15 metros depois estamos no cruzamento: para a nossa frente o
túnel continua mais uns 20 metros, para a direita existem duas
portas de madeira, para a esquerdaum corredor comprido que parece
acabar numa parede de tijolo e com uma saída na parede do lado
esquerdo.
Tomamos o caminho da direita e
experimentamos as duas portas. Abrem com um ruído arrepiante e
conduzem a uma cripta. Quinze caixões estão alinhados, cada um
com o brasão da família. Sharon e Phyllis ficam-se pela porta,
mas Magi e Jhonathanparecem ter mais estômago e avançam para
ver mais de perto.
Os caixões mais velhos estão
bastante podres. Há caixões que datam inclusivamente do séc.
XIV, e as datas vão sempre progredindo até
"1946-1999". Há uma falah entre os sécs. XVII e
XVIII. Todos estão identificados como Barão Hauptman.
Magi, possuída por uma curiosidade
imbatível e incompreensível para os dois que espera à porta,
decide abrir um dos caxões e começa por um doa mais antigos,
que se abre com facilidade. Lá dentro só existe pó.
Insatisfeita, Magi abre um segundo caixão, mais recente. Lá
dentro um esqueleto muito comido, com alguns trapos ainda
agarrados ao que resta da sua pele. Sharon e Phyllis, enojados,
afastam-se para vigiar o cruzamento. Contagiado pela atmosfera,
Jhonathan entra na mesma onda e abre o mais recente deles todos.
Lá dentro encontra um corpo muito bem preservado, de um homem
baixo, musculado e de cabelo escuro. Tem os seus 50 anos e parece
ter falecido há poucos dias.
Finalmente fartos, Magi e Jhonathan
juntam-se aos dois que esperavam no cruzamento e seguem em
frente, reunidos. Antes de chegarem à parede de tijolo, passam
então pelo que de longe parecera uma saída. Trata-se sim de uma
reentrância na parede para alojar uma porta. Experimentamos
abrir e a porta não oferece resistência. Do outro lado damos de
caras com uma espécie de oficina. Por todo o lado existem
lentes, prismas, espelhos... Todos os membros se apercebem que o
que quer que seja feito naquela oficina se afasta um tanto da
óptica tradicional. Há uma bancada pesada junto à parede.
Levados, como sempre, por uma
insaciável vontade de mexer no alheio, o grupo mexe nos objectos
que vai encontrando. Magi olha por um dos prismas e, por
momentos, parece-lhe ver a cara de uma criança. Cada um espreita
pelo mesmo prisma e vê coisas diferentes. Intrigante... excepto
para Sharon, que não percebe nada de óptica mesmo, nem se
interessa muito. Magi mete o prisma no bolso.
Sharon compõe o cabelo e óculos
escuros no topo da cabeça frente a um espelho. Ficaum pouco
confundida quando note que parece uim pouco mais velha. Magi
experimenta, movida pela sua natural curiosidade, mas aquilo que
vê assuta-a de tal maneira que deixa cair o espelho e este se
parte: tinha-se visto sem pele no rosto. Jhon experimenta outro
espelho e vê uma paisagem que ele descreve como sendo um
screen-saver, com nuvens de vapor púrpura e minhocas. Jhon leva
o espelho consigo.
Deixamos a oficina para trás e
seguimos para a esquerda até à parede de tijolo. Parece obra
feita apressadamente com tijolo que deve ter os seus 50 anos.
Não parece ter qualquer espécie de passagem. Discutimos a
hipótese de mandar a parede abaixo, mas desistimos por causa do
barulho que ecoaria pelos túneis fora. Sendo assim, retrocedemos
no corredor até ao cruzamento e seguimos pela esquerda no
cruzamento, para a única hipótese daquele cruzamento que nos
faltava explorar.
O corredor curva um pouco à medida
que avançamos, mas no fim vai ter a um laboratório cheio de
frascos, tubos, balanças, bicos de Bunsen e todos os utensílios
típicos de um laboratório de química. Em cima de uma bancada
há um papel em alemão. Sharon traduz. É uma fórmula, mas a
receita é muito invulgar por exigir certos gestos durante a
preparação.
Magi investiga os tubos de ensaio,
entretanto. Parecem conter sonoríferos de um amarelo viscoso.
Sharon entretanto aprende o feitiço e parece muito satisfeita
consigo mesma. Magi continua a investigar tubos enquanto os
outros mostram um interesse mais vago pela divisão. Os tubos
restantes parecem coisas tiradas de livros de alquimia.
Mais uma vez o grupo discute
opções, mas desta vez as opiniões dividem-se de modo que o
grupo também se divide: Magi e Jhonathan querem investigar a
parede de tijolo e dirigem-se para lá, pedindo o tubo de ferro
do professor emprestado; Sharon e Phyllis dirigem-se às
primeiras escadas ascendentes que o grupo encontrara. Ouvem-se as
marretadas deferro contra tijolo à medida que Sharon e Phyllis
se afastam pelos corredores fora. Quando eles chegam às escadas
já Magi e Jhonathan passaram através da primeira camada de
tijolo e começam a trabalhar na segunda.
Entretanto, Sharon e Phyllis sobem
os 20 degraus da escada, que termina num alçapão. Sharon
consegue abri-lo e ambos o passam.
O grupo
separado:
Estão na Torre. Há escadas em
hélice até ao tecto, que é bem alto, com os seus 20 a 25
metros de altura e outro alçapão lá bem em cima.. O alçapão
de onde saíram fica numa das pontas; noutro lado há uma porta
de ferro. Já que este andar não revela nada de interessante,
ambos se decidem a subir as escadas, Sharon ainda empunhando a
espada à sua frente, pronta para o que der e vier. Tentam abrir
o alçapão superior, mas este encontra-se fechado. Demasiado
tarde para pedir chaves emprestadas à Magi, não? Phyllis tenta
abri-lo e finalmente consegue, quebrando a fechadura no processo.
Entram os dois numa sala circular
onde há três janelas, um telescópio numa zona de observação,
uma mesa, um pódio pequeno e uma escada embutida na parede que
vai ter a um terceiro alçapão. Sharon dirige-se em primeiro
lugar para a mesa, onde está espalhada uma data de papelada,
livros de astronomia, cartas, papéis... Phyllis dirige-se ao
pódio, onde um livro muito velho está aberto em exposição.
Intrigada pelo ar fascinado de Phyllis, Sharon aproxima-se para
ver: é um livro em Latim. As margens da página estão marcadas
com runas e símbolos estranhos. Olham ambos para o título:
"De Vermis Misteriis"
Phyllis começa a devorar o livro
com um ataque de interesse académico, mas Sharon não se sente
inclinada a partir a cabeça com tanto latim e regressa à mesa.
Remexe em todos os papéis à vista. Alguém, presumivelmente o
Barão, tem estado a observar os movimentos de uma estrela
chamada Xoth durante os últimos séculos.
Sem mais nada para fazer, Sharon
decide investigar o alçapão do tecto. Phyllis agarra no livro.
O amor pelo alheio de Magi parece ser contagiante... Sobem as
escadas e abrem o alçapão, que não está trancado para darem
de caras com um bonito céu estrelado.
--- " ---
Magi
e Jhonathan continuam a escavacar a parede, através de tijolo,
pedra e cimento, sem desistir, apesar da indecisão de Jhonathan.
Afinal, a parede podia estar ali para impedir qualquer coisa de
entrar... Conseguem finalmente dar cabo de uma porção da
parede.
Do outro lado há uma câmara
selada, e dentro dela mais de duas dúzias de soldados mortos.
Estão vestidos em trapos podres, capacetes em forma de penico.
Lá dentro também está um pouco alagado, sem dúvida a água
entrou pelo outro lado, onde há uma parede um pouco abatida.
Jhonathan é o primeiro a entrar. Do lado de dentro há marcas de
facas na parede. Magi segue-o. as armas dos soldados estão
ferrugentas. Descobrem uma caixa de madeira. Jhon vai espreitar a
parte onde a parede abateu e descobre lá por trás mais um
túnel. Ambos abandonam a câmara dos soldados.
Seguem o túnel para a direita e
andam dezenas de metros por uma escuridão crescente. Por fim,
alguma luz lhes chega da frente, embora ténue. Acabam por
desembocar ao ar livre, na base do penhasco, uns bons 40 metros
abaixo do castelo.
--- " ---
Sharon e Phyllis descem de volta ao observatório. Preparavam-se para tentar voltar para junto dos seus companheiros quando Sharon ouve mexer na fechadura da porta de ferro. Apressados, ambos fecham o alçapão e correm a esconder-se no telhado da torre.
--- " ---
Magi e Jhon exploram o túnel, voltando a entrar nas catacumbas. Na outra extremidade dão com uma porta que tentam abrir mas parece bloqueada do outro lado. Com muito esforço empurram e acabam por ir ter à oficina.
--- " ---
Na
Torre, os dois americanos assustados ouvem alguém chegar ao
observatório e andar apressado, sem dúvida notando a falta de
um certo item. Há sinais de ira e ruído de coisas a partir. Uma
janela abre-se. Há mais movimentos por baixo deles e ouvem-se
agora palavras em Latim. É um cântico que Phyllis reconhece do
livro que tem nas mãos. O cântico acaba com um enorme urro e
depois tudo fica silencioso.
Um vento passa por cima dos dois
escondidos no telhado e as estrelas por cima deles parecem
escurecer ligeiramente, por um instante.
Intrigada pelo silêncio, Sharon
decide descer o alçapão, levando o livro de Phyllis na mão
para protecção extra (ainda é um volume pesado...) Phyllis
fica atrás a cantar um feitiço acabado de aprender e que ele
pensa ser útil nesta situação. Ouve-se um silvo e Sharon
imediatamente foge pelo alçapão abaixo.
Algo dá um encontrão ao
professor, que se vê atirado para as ameias da Torre, ficando
atordoado mas consegue continuar a cantar. O ser volta a atacar.
Phyllis desvia-se, sem parar de cantar. O ser esmaga-o contra as
ameias e parte-lhe uma costela. Phyllis sente as garras a
entrar-lhe na pele.
Sharon entretanto desce as escadas
e encontra um homem loiro encostado à janela, espreitando os
céus nocturnos. Assustada pelos ruídos do topo, Sharon age
impulsivamente e empurra o homem antes que ele dê pela presença
dela. Ele cai, mas não há nenhum som além da surpresa inicial.
Lá em cima, Phyllis sente o seu
sangue ser chupado pela criatura que vai ganhando forma à sua
frente.
Sharon vai espreitar para se
certificar do destino do homem. Ela inclina-se para o lado de
fora da janela e uma mão agarra-lhe o pescoço. Ela deixa cair o
livro no chão e luta, esgrimindo logo por instinto, mas sem
muito sucesso por causa da posição difícil. Uma segunda mão
agarra Sharon e ela esgrime com mais convicção ainda.
Finalmente acerta no homem, fazendo-o deitar imenso sangue na
parte de trás do pescoço. Ele continua a formar palavras e por
trás dele surge uma massa vermelha cheia de bocas e tentáculos.
Sharon grita e entra em pânico, esgrimindo às cegas.
A criatura eleva-se no ar levando o
homem loiro com ela. Sharon fica obviamente abalada, mas um
cantinho da mente dela ainda se apercebe que a criatura nao
parece tencionar voltar tão depressa e ela respira de novo.
Ntando o silêncio, Sharon recupera algum sangue frio, pega no
livro e volta ao telhado.
Encontra o professor, branco que
nem cal a um canto. Ele parece morto, mas a certa altura abre um
olho.
--- " ---
Jhonathan
e Magi regressam à câmara dos soldados e arrombam a caixa de
madeira. Está recheada de granadas, das quais tiram algumas.
Então ouvem passos apressados. Não têm resposta quando chamam
pela Sharon e pelo professor. Espreitam pela esquina do corredor
mas já só vão a tempo de ver os calcanhares de alguém a
desaparecer em direcção à Torre.
Seguindo pelo túnel, ouvem o homem
invocar Nyogtha no cruzamento. Espreitam por trás da esquina e
vêm três homens virados para a sala do poço. Chamam-nos e eles
viram-se e, sem aviso prévio, disparam. Jhonathan e Magi
atiram-se para o chão, mas Jhonathan ainda é atingido na perna.
Magi efectua uns primeiros socorros muito à pressa.
Agindo por impulso, Magi atira uma
granada para o cruzamento, mas esta bate na parede. Jhonathan
atira a sua logo de seguida, para ver a primeira a rebolar de
volta ao sítio onde eles se encontram. Oops! Tentam correr com
quantas pernas têm. A granada explode. A terra treme, pó cai,
luzes apagam-se... ficam um bocadinho surdos, mas não o
suficiente: ouvem ainda os homens a fugir. De regresso à
oficina, tudo está silencioso.
--- " ---
Sharon embrulha as feridas de Phyllis o melhor que pode, mas a verdade é que a vicação dela não é enfermagem... Sem saber bem o que fazer, Sharon decide ir a correr buscar os seus companheiros. Sem eles, Sharon não consegue ajudar Phyllis de certeza. Quando Sharon descia a escada, ouve o estrondo das granadas. Assustada com este novo desenvolvimento, mas apressada por causa de Phyllis, Sharon abre o primeiro alçapão e vê os três homens saír dos subterrâneos e fugir pela porta fora com muita pressa. Ela desce, mas entretanto, no andar térreo o alçapão de acesso aos túneis abre-se sozinho e de lá saem vapores fétidos.
--- " ---
Jhon e Magi querem fazer explodir a oficina com as granadas da caixa. Querer é poder. Desta vez, ficam mesmo surdos.
--- " ---
Sharon fica nauseada com os vapores e quase cai pelas escadas abaixo. Fica estendida nos degraus. O chão desaparece... só se vê negro. A "coisa", o que quer que ela seja, começa a subir as paredes. Sharon grita com todas as forças que lhe restam... (e lá se foi a sanidade por completo...)
--- " ---
Jhonathan e Magi correm pelos corredores fora. A escuridão está também no encalce deles. Jhonathan não consegue resistir a olhar para trás, e perde as reacções quando o faz, ficando especado no meio do túnel, a sua mente em branco. Magi nem nota e continua a correr, contando já a fórmula para banir que lera na sala do poço. A escuridão rodeia-a por todos os lados, mas Magi continua a banir corajosamente. Levanta os olhos e vê Nyogtha. Cai de joelhos e consegue dizer as últimas palavras, sílaba por sílaba...
(...)
Magi
abre um olho... Está tudo escuro. Ela retoma consciência no
túnel. Sente-se enjoada, moída, deitada no chão do túnel.
Jhonathan não consegue mexer
absolutamente nada, incluindo os olhos. Geme e volta a perder
consciência.
Magi não se lembra de muita coisa.
Levanta-se, anda para trás e tropeça num corpo. Magi baixa-se
para sentir: a pele está toda aos altos e baixos, como se fossem
bolhas, e ela consegue-lhe sentir os ossos todos. Magi arrasta-o
para o exterior, passo a passo. Lá fora ainda é de noite.
Descansa um pouco na saída do túnel, onde vê nascer os
primeiros raios de sol.
28/VI/99 - Terça-feira
Madrugada:
Sem alternativas que queira
considerar duas vezes, Magi arrasta-se até à aldeia, levando
Jhonathan de rojo pelo chão atrás de si. A viagem é penosa e
ela só encontra vivalma já bem perto da povoação. Os locais
ajudam a transportar Jhonathan até à pensão. Todos se benzem
quando os vêem passar. A única palavra que escapa pelos lábios
de Magi é "Hauptman". O médico chega, dá uma olhada
a Jhonathan e chama de imediato uma ambulância.
Enquanto esperam, Magi recupera
alguma iniciativa e vai falar com o padre. Juntos, levam alguma
população até ao castelo.
Manhã:
As portas do castelo estão
entreabertas quando os populares lá chegam. Os aldeões entram,
com Magi na dianteira do pelotão.
--- " ---
Phyllis
acorda no topo da Torre. Tem sol a bater-lhe na cara. Arrasta-se
devagar até ao alçapão e espreita. Vê a multidão invadir o
castelo e Magi entre eles. felizmente, Magi também o vê e corre
até lá acima. Por mais que ela pergunte por Sharon, o professor
não lhe sabe dar resposta. Magi consegue que alguns dos
populares levem o professor a braços para a aldeia.
Magi, entretanto, corre todo o
edifício principal à procura de Sharon. No quarto principal um
vulto está por baixo dos lençóis. Magi chama por Sharon, na
esperança de alguma reacção. De súbito um dos aldeões pega
fogo à cama.
A última sala que vê é um
estúdio cheio de livros e com uma secretária cheia de papelada.
No topo, está um livro chamado "Fraternitas Bestiae",
fechado à chave. Magi pega no livro para levar, mas antes de
saír ainda tem tempo de revistar as gavetas onde encontra mais
chaves e uma caixa de madeira. Leva tudo consigo. Na lareira há
papéis queimados e as prateleiras estão cheias de cadernos,
alguns quase desfeitos de tão velhos. São diários.
Magi é obrigada a desistir das
buscas pelo crescente fumo provocado pelos fogos que os aldeões
vão ateando pelo castelo fora. Ela segue com a multidão de
regresso à aldeia. O castelo arde pelo dia fora, atrás deles.
Citações do dia:
Irina - "Bolso!" (cada vez que a sua personagem encontrava algum objecto de aspecto vagamente portátil, como chaves, prismas, livros...)
Sharon
Graves [Raquel] -
"Mas este gajo [Jhon] é doido!"
Irina - "Pensava que eras só
tu."
Registo escrito por Raquel Correia