Registo da sessão de Role-Play de 28/VII/99 - 1990's

Local: Casa do Luís
Game Master: Ricardo Madeira
Aventura: "Castle Dark", segunda parte
Personagens:
     Magi Clouds [Irina], Sharon Graves [Raquel], Valdemar Phyllis [Luís], Jhonathan Stein [Marc]
NPCs:
     Barao Hauptman.........


A última sessão deixou o grupo de investigadores americanos frente ao possante portão do castelo Hauptman, na Roménia. Está-se na manhã de segunda-feira, 28 de Junho de 1999 e a noite anterior abalou um pouco os nervos às quatro personagens.


28/VI/99 - Segunda-feira

Manhã:
     Uma breve discussão tem lugar entre os elementos do grupo. Decidem bater à porta, e no entanto ninguém se quer oferecer para a tarefa. Sharon, que não está muito pelos ajustes desde o choque da noite passada, dirige-se resolutamente ao portão e pega num dos dos batentes: tem a forma do crâneo de um bicho com cornos.
     Há um compasso de espera um pouco demorado até se ouvirem passos do lado de dentro. A fechadura é destrancada e finalmente abre-se uma fresta no portão. Quem aparece é um dos homens que já antes tínhamos visto na estalagem. ele informa-nos (para nosso espanto e desconfiança) que o Barão está à nossa espera. Entramos de qualquer maneira.
     Encontramo-nos num pátio calcetado. À nossa frente está a residência do Barão, no edifício principal, uma construção quadrada; à direita um estábulo velho e com ar de não ser usado há muito tempo; à esquerda uma torre (a única que se mantém de pé) cuja porta de ferro se encontra fechada.
     Somos conduzidos ao edifício principal e entramos no hall. O interior é de pedra nua. Quatro pares de olhos olham atenta mas disfarçadamente o que os rodeia. À frente, há escadas para o primeiro andar. No tecto, o candelabro de ferro tem velas verdadeiras e não só estão acesas como são a principal fonte de iluminação do hall. À nossa direita, lâmpadas a óleo iluminam melhor junto à parede. O lado esquerdo está mergulhado na penumbra. Conseguimos discernir também duas portas para cada um dos nossos lados, e duas portas de cada lado da escada lá ao fundo. Por baixo da escadaria principal parece haver também uma porta mais pequena.
     Somos levados para a primeira porta à nossa direita e entramos na sala de estar. É grande e tem uma enorme lareira acesa à esquerda de quem entra. Ao lado: prataleiras cheias de livros. Há cadeiras disribuídas pela sala e na outra ponta da sala, uma porta escancarada.
     O homem diz-nos para esperar e desaparece. Sem saber muito bem o que fazer, o grupo distribui-se pela sala. Sharon vai consultar os títulos dos livros do Barão até porque não lhe convém sentar, não vá a forma reveladora da espada por baixo do seu casaco comprido revelar-se inesperadamente. O Professor Phylis também se entretém a ler títulos. Jhonathan senta-se, Magi fica de pé, intrigada pela porta aberta.
     Os livros que se encontram à vista são basicamente livros históricos, alguns deles bem valiosos, em línguas como grego, latim e línguas eslavas. Por toda a sala há escudos, espadas e brasões pendurados. O Prof. Phyllis identifica-os como pertencentes à ordem Teutónica (criada na Palestina durante as cruzadas).
     Magi decide-se finalmente a espreitar a outra sala e dirige-se à porta. De lá vê que a segunda sala tem uma mesa e respectivas cadeiras. Nas paredes estão penduradas tapeçarias com cenas de cavalaria. Do outro lado, mais uma porta fechada. Magi já se dirigia para esta última porta quando ela se abre para dar passagem a um homem, presumivelmente o mordomo, uma vez que traz uma bandeja. Não o reconhecemos, mas é da mesma etnia dos restantes homens do Barão. Na bandeja traz copos de água mineral que nos oferece. Para desgosto de Jhonathan, não parece disposto a trazer qualquer espécie de bolinhos. Ele viera da cozinha.
     Após servir o grupo na primeira sala, regressa à cozinha. Fartos de esperar, o grupo discute se deve ou não dar uma olhadela à casa: afinal seria invasão da privacidade do Barão. Magi decide espreitar devagarinho pela porta de acesso ao hall. Vê um outro homem do Barão entrar vindo da rua e dirigir-se às escadas.
     Magi insiste na necessidade de dar uma espreitadela à casa, portanto Sharon acede a ir com ela. Vão "à procura da casa de banho" na porta imediatamente à frente delas, entrando na penumbra do lado oposto do hall. A porta não está trancada e as raparigas encontram uma sala do mesmo tamanho da sala de estar. É uma sala escura e fria, cuja única iluminação vem da janela. A mobília está a caír de podre, alguma dela coberta por lençóis igualmente podres. Há uma lareira, mas não há outras portas. Talvez a casa de banho seja na sala seguinte...
     Procuram abrir a sala do lado, regresando ao hall em pézinhos de lã. Mais uma vez a porta não oferece resistência e as raparigas entram numa sala parecida com a sala de jantar. Nao tem nenhuma porta, está recheada com mobília podre e contém uma lareira. Magi espreita pela única janela e vê o pátio. Ao virar-se nota uma racha entre a lareira e a parede e avisa Sharon, que imediatamente se junta a ela, curiosa.
     A lareira está separada da parede, como se de uma porta se tratasse. Ambas as raparigas tentam empurrar mas não têm sucesso. Depois de inúmeras (e algumas caricatas) tentativas, Sharon é a felizarda que descobre o mecanismo, ao mexer no atiçador. Com um click, a lareira torna-se subitamente dócil e já mexe quando Magi a empurra.. Por trás da lareira vêem-se umas escadas de caracol, para cima e para baixo. Sharon sai para chamar os outros, mas quando se encontra a meio do corredor ouve passos na escada, de modo que só tem tempo de regressar para o pé de Magi. Os passos desvanecem-se gradualmente, no entanto, sem aparentemente terem notado a fuga de Sharon. As raparigas espreitam o corredor abrindo uma fresta da porta: não se vê vivalma. Magi sai para avisar os outros e Sharon fica de guarda à lareira, mantendo uma mão bem perto do cabo da sua espada.
     Magi regressa com os dois homens e o grupo reunido decide descer. Jhonathan toma a dianteira, seguido de Magi, Sharon e Phyllis. Nas escadas não há luz nenhuma. Os olhos vão-se habituando à escuridão, mas a quase total falta de luz não ajuda nada.
     A escada termina numa divisão minúscula com paredes de pedra e calhau. Apenas uma das paredes é mesmo feita de argamassa e tijolo. Há um suporte para uma tocha ou um candeeiro, mas encontra-se vazio. É Magi, já com experiência acumulada pouco tempo antes, a descobrir a saída secreta ao mexer no suporte. Passamos todos para o outro lado.

Nas catacumbas:
     Estamos num corredor iluminado por lâmpadas a grandes espaços, algumas fundidas. Olhando para a direita, vemos o corredor terminar numa divisão. Para a nossa esquerda, ocorredor continua até ao que provavelmente é uma intersecção lá ao fundo. Mais perto, um corredor sai do túnel para a direita.
     Após uns momentos de indecisão, o grupo segue para a direita. À medida que avançamos, um fedor vai-nos agredindo as narinas. As paredes à nossa volta são de construção mais antiga, feitas de pedra, como se o túnel tivesse sido naturalmente cavado na pedra. Chegamos à sala: é uma divisão quadrada e tem um poço cpm cerca de três metros de diâmetro no centro, rodeado de mosaico com escritos em latim.
     Do poço começam a saír nuvens de vapor. Assaltada por recordações indesejadas, Sharon recua até não poder mais e empunha a sua espada, vigiando fixamente o poço. Como já ninguém liga muito às reacções de Sharon de qualquer maneira, desde que ela foi internada no sanatório, Magi e Phyllis investigam as palavras, descobrindo que parece tratar-se de uma invocação a Nyogtha. Jhonathan fica por perto da porta, repetidamente lembrando aos estudiosos que Sharon é um perigo ambulante com aquela espada.
     Magi e Phyllis partilham o feitiço com o resto do grupo. Sharon insiste para que saiam dali para fora, e que pessoas de bem não deviam estar ali a aprender textos que poderiam servir para trazer demónios. Por fim, o grupo não encontra mais nada de interesse e decide continuar a expedição.
     De novo Jhonathan toma a dianteira, seguido de Magi, Phyllis e Sharon. O grupo volta para trás e depois continua pela parte do túnel ainda inexplorada. Viram logo na primeira esquina à direita. Afinal não dá para outro túnel, mas sim para uma câmara quadrada e muito escura. Tem no tecto uma lâmpada gorda que falha um pouco. O chão e a parede são de pedra. Saltam logo à atenção dos quatro exploradores os instrumentos espalhados pela sala: está cheia de instrumentos de tortura. Na parede apercebemo-nos de diversas celas minúsculas. Estão todas vazias, mas algumas apresentam excrementos.
     Perto da entrada há um gancho que segura um chaveiro. Magi apodera-se dele. Jhon decide armar-se e pega numa 'morning star'. Os outros gostam da sugestão: Magi pega num bisturi e num ferro comprido; Phyllis pega noutro ferro comprido.
     Pela mesma ordem, regressam ao túnel e continuam pelo corredor fora. O corredor acaba numa junção com um segundo corredor que segue tanto para a esquerda como para a direita. Para o lado esquerdo, bem lá ao fundo vemos umas escadas que sobem. Para o lado direito, parece dar a outro corredor. É por aqui que decidimos seguir. Ao chegar ao terceiro corredor espreitamos para ambos os lados. Para a esquerda vemos umas escadas ascendentes e para a direita outro cruzamento.
     Seguimos de novo para a direita. Uns 15 metros depois estamos no cruzamento: para a nossa frente o túnel continua mais uns 20 metros, para a direita existem duas portas de madeira, para a esquerdaum corredor comprido que parece acabar numa parede de tijolo e com uma saída na parede do lado esquerdo.
     Tomamos o caminho da direita e experimentamos as duas portas. Abrem com um ruído arrepiante e conduzem a uma cripta. Quinze caixões estão alinhados, cada um com o brasão da família. Sharon e Phyllis ficam-se pela porta, mas Magi e Jhonathanparecem ter mais estômago e avançam para ver mais de perto.
     Os caixões mais velhos estão bastante podres. Há caixões que datam inclusivamente do séc. XIV, e as datas vão sempre progredindo até "1946-1999". Há uma falah entre os sécs. XVII e XVIII. Todos estão identificados como Barão Hauptman.
     Magi, possuída por uma curiosidade imbatível e incompreensível para os dois que espera à porta, decide abrir um dos caxões e começa por um doa mais antigos, que se abre com facilidade. Lá dentro só existe pó. Insatisfeita, Magi abre um segundo caixão, mais recente. Lá dentro um esqueleto muito comido, com alguns trapos ainda agarrados ao que resta da sua pele. Sharon e Phyllis, enojados, afastam-se para vigiar o cruzamento. Contagiado pela atmosfera, Jhonathan entra na mesma onda e abre o mais recente deles todos. Lá dentro encontra um corpo muito bem preservado, de um homem baixo, musculado e de cabelo escuro. Tem os seus 50 anos e parece ter falecido há poucos dias.
     Finalmente fartos, Magi e Jhonathan juntam-se aos dois que esperavam no cruzamento e seguem em frente, reunidos. Antes de chegarem à parede de tijolo, passam então pelo que de longe parecera uma saída. Trata-se sim de uma reentrância na parede para alojar uma porta. Experimentamos abrir e a porta não oferece resistência. Do outro lado damos de caras com uma espécie de oficina. Por todo o lado existem lentes, prismas, espelhos... Todos os membros se apercebem que o que quer que seja feito naquela oficina se afasta um tanto da óptica tradicional. Há uma bancada pesada junto à parede.
     Levados, como sempre, por uma insaciável vontade de mexer no alheio, o grupo mexe nos objectos que vai encontrando. Magi olha por um dos prismas e, por momentos, parece-lhe ver a cara de uma criança. Cada um espreita pelo mesmo prisma e vê coisas diferentes. Intrigante... excepto para Sharon, que não percebe nada de óptica mesmo, nem se interessa muito. Magi mete o prisma no bolso.
     Sharon compõe o cabelo e óculos escuros no topo da cabeça frente a um espelho. Ficaum pouco confundida quando note que parece uim pouco mais velha. Magi experimenta, movida pela sua natural curiosidade, mas aquilo que vê assuta-a de tal maneira que deixa cair o espelho e este se parte: tinha-se visto sem pele no rosto. Jhon experimenta outro espelho e vê uma paisagem que ele descreve como sendo um screen-saver, com nuvens de vapor púrpura e minhocas. Jhon leva o espelho consigo.
     Deixamos a oficina para trás e seguimos para a esquerda até à parede de tijolo. Parece obra feita apressadamente com tijolo que deve ter os seus 50 anos. Não parece ter qualquer espécie de passagem. Discutimos a hipótese de mandar a parede abaixo, mas desistimos por causa do barulho que ecoaria pelos túneis fora. Sendo assim, retrocedemos no corredor até ao cruzamento e seguimos pela esquerda no cruzamento, para a única hipótese daquele cruzamento que nos faltava explorar.
     O corredor curva um pouco à medida que avançamos, mas no fim vai ter a um laboratório cheio de frascos, tubos, balanças, bicos de Bunsen e todos os utensílios típicos de um laboratório de química. Em cima de uma bancada há um papel em alemão. Sharon traduz. É uma fórmula, mas a receita é muito invulgar por exigir certos gestos durante a preparação.
     Magi investiga os tubos de ensaio, entretanto. Parecem conter sonoríferos de um amarelo viscoso. Sharon entretanto aprende o feitiço e parece muito satisfeita consigo mesma. Magi continua a investigar tubos enquanto os outros mostram um interesse mais vago pela divisão. Os tubos restantes parecem coisas tiradas de livros de alquimia.
     Mais uma vez o grupo discute opções, mas desta vez as opiniões dividem-se de modo que o grupo também se divide: Magi e Jhonathan querem investigar a parede de tijolo e dirigem-se para lá, pedindo o tubo de ferro do professor emprestado; Sharon e Phyllis dirigem-se às primeiras escadas ascendentes que o grupo encontrara. Ouvem-se as marretadas deferro contra tijolo à medida que Sharon e Phyllis se afastam pelos corredores fora. Quando eles chegam às escadas já Magi e Jhonathan passaram através da primeira camada de tijolo e começam a trabalhar na segunda.
     Entretanto, Sharon e Phyllis sobem os 20 degraus da escada, que termina num alçapão. Sharon consegue abri-lo e ambos o passam.

O grupo separado:
     Estão na Torre. Há escadas em hélice até ao tecto, que é bem alto, com os seus 20 a 25 metros de altura e outro alçapão lá bem em cima.. O alçapão de onde saíram fica numa das pontas; noutro lado há uma porta de ferro. Já que este andar não revela nada de interessante, ambos se decidem a subir as escadas, Sharon ainda empunhando a espada à sua frente, pronta para o que der e vier. Tentam abrir o alçapão superior, mas este encontra-se fechado. Demasiado tarde para pedir chaves emprestadas à Magi, não? Phyllis tenta abri-lo e finalmente consegue, quebrando a fechadura no processo.
     Entram os dois numa sala circular onde há três janelas, um telescópio numa zona de observação, uma mesa, um pódio pequeno e uma escada embutida na parede que vai ter a um terceiro alçapão. Sharon dirige-se em primeiro lugar para a mesa, onde está espalhada uma data de papelada, livros de astronomia, cartas, papéis... Phyllis dirige-se ao pódio, onde um livro muito velho está aberto em exposição. Intrigada pelo ar fascinado de Phyllis, Sharon aproxima-se para ver: é um livro em Latim. As margens da página estão marcadas com runas e símbolos estranhos. Olham ambos para o título: "De Vermis Misteriis"
     Phyllis começa a devorar o livro com um ataque de interesse académico, mas Sharon não se sente inclinada a partir a cabeça com tanto latim e regressa à mesa. Remexe em todos os papéis à vista. Alguém, presumivelmente o Barão, tem estado a observar os movimentos de uma estrela chamada Xoth durante os últimos séculos.
     Sem mais nada para fazer, Sharon decide investigar o alçapão do tecto. Phyllis agarra no livro. O amor pelo alheio de Magi parece ser contagiante... Sobem as escadas e abrem o alçapão, que não está trancado para darem de caras com um bonito céu estrelado.

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     Magi e Jhonathan continuam a escavacar a parede, através de tijolo, pedra e cimento, sem desistir, apesar da indecisão de Jhonathan. Afinal, a parede podia estar ali para impedir qualquer coisa de entrar... Conseguem finalmente dar cabo de uma porção da parede.
     Do outro lado há uma câmara selada, e dentro dela mais de duas dúzias de soldados mortos. Estão vestidos em trapos podres, capacetes em forma de penico. Lá dentro também está um pouco alagado, sem dúvida a água entrou pelo outro lado, onde há uma parede um pouco abatida. Jhonathan é o primeiro a entrar. Do lado de dentro há marcas de facas na parede. Magi segue-o. as armas dos soldados estão ferrugentas. Descobrem uma caixa de madeira. Jhon vai espreitar a parte onde a parede abateu e descobre lá por trás mais um túnel. Ambos abandonam a câmara dos soldados.
     Seguem o túnel para a direita e andam dezenas de metros por uma escuridão crescente. Por fim, alguma luz lhes chega da frente, embora ténue. Acabam por desembocar ao ar livre, na base do penhasco, uns bons 40 metros abaixo do castelo.

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     Sharon e Phyllis descem de volta ao observatório. Preparavam-se para tentar voltar para junto dos seus companheiros quando Sharon ouve mexer na fechadura da porta de ferro. Apressados, ambos fecham o alçapão e correm a esconder-se no telhado da torre.

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     Magi e Jhon exploram o túnel, voltando a entrar nas catacumbas. Na outra extremidade dão com uma porta que tentam abrir mas parece bloqueada do outro lado. Com muito esforço empurram e acabam por ir ter à oficina.

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     Na Torre, os dois americanos assustados ouvem alguém chegar ao observatório e andar apressado, sem dúvida notando a falta de um certo item. Há sinais de ira e ruído de coisas a partir. Uma janela abre-se. Há mais movimentos por baixo deles e ouvem-se agora palavras em Latim. É um cântico que Phyllis reconhece do livro que tem nas mãos. O cântico acaba com um enorme urro e depois tudo fica silencioso.
     Um vento passa por cima dos dois escondidos no telhado e as estrelas por cima deles parecem escurecer ligeiramente, por um instante.
     Intrigada pelo silêncio, Sharon decide descer o alçapão, levando o livro de Phyllis na mão para protecção extra (ainda é um volume pesado...) Phyllis fica atrás a cantar um feitiço acabado de aprender e que ele pensa ser útil nesta situação. Ouve-se um silvo e Sharon imediatamente foge pelo alçapão abaixo.
     Algo dá um encontrão ao professor, que se vê atirado para as ameias da Torre, ficando atordoado mas consegue continuar a cantar. O ser volta a atacar. Phyllis desvia-se, sem parar de cantar. O ser esmaga-o contra as ameias e parte-lhe uma costela. Phyllis sente as garras a entrar-lhe na pele.
     Sharon entretanto desce as escadas e encontra um homem loiro encostado à janela, espreitando os céus nocturnos. Assustada pelos ruídos do topo, Sharon age impulsivamente e empurra o homem antes que ele dê pela presença dela. Ele cai, mas não há nenhum som além da surpresa inicial.
     Lá em cima, Phyllis sente o seu sangue ser chupado pela criatura que vai ganhando forma à sua frente.
     Sharon vai espreitar para se certificar do destino do homem. Ela inclina-se para o lado de fora da janela e uma mão agarra-lhe o pescoço. Ela deixa cair o livro no chão e luta, esgrimindo logo por instinto, mas sem muito sucesso por causa da posição difícil. Uma segunda mão agarra Sharon e ela esgrime com mais convicção ainda. Finalmente acerta no homem, fazendo-o deitar imenso sangue na parte de trás do pescoço. Ele continua a formar palavras e por trás dele surge uma massa vermelha cheia de bocas e tentáculos. Sharon grita e entra em pânico, esgrimindo às cegas.
     A criatura eleva-se no ar levando o homem loiro com ela. Sharon fica obviamente abalada, mas um cantinho da mente dela ainda se apercebe que a criatura nao parece tencionar voltar tão depressa e ela respira de novo. Ntando o silêncio, Sharon recupera algum sangue frio, pega no livro e volta ao telhado.
     Encontra o professor, branco que nem cal a um canto. Ele parece morto, mas a certa altura abre um olho.

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     Jhonathan e Magi regressam à câmara dos soldados e arrombam a caixa de madeira. Está recheada de granadas, das quais tiram algumas. Então ouvem passos apressados. Não têm resposta quando chamam pela Sharon e pelo professor. Espreitam pela esquina do corredor mas já só vão a tempo de ver os calcanhares de alguém a desaparecer em direcção à Torre.
     Seguindo pelo túnel, ouvem o homem invocar Nyogtha no cruzamento. Espreitam por trás da esquina e vêm três homens virados para a sala do poço. Chamam-nos e eles viram-se e, sem aviso prévio, disparam. Jhonathan e Magi atiram-se para o chão, mas Jhonathan ainda é atingido na perna. Magi efectua uns primeiros socorros muito à pressa.
     Agindo por impulso, Magi atira uma granada para o cruzamento, mas esta bate na parede. Jhonathan atira a sua logo de seguida, para ver a primeira a rebolar de volta ao sítio onde eles se encontram. Oops! Tentam correr com quantas pernas têm. A granada explode. A terra treme, pó cai, luzes apagam-se... ficam um bocadinho surdos, mas não o suficiente: ouvem ainda os homens a fugir. De regresso à oficina, tudo está silencioso.

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     Sharon embrulha as feridas de Phyllis o melhor que pode, mas a verdade é que a vicação dela não é enfermagem... Sem saber bem o que fazer, Sharon decide ir a correr buscar os seus companheiros. Sem eles, Sharon não consegue ajudar Phyllis de certeza. Quando Sharon descia a escada, ouve o estrondo das granadas. Assustada com este novo desenvolvimento, mas apressada por causa de Phyllis, Sharon abre o primeiro alçapão e vê os três homens saír dos subterrâneos e fugir pela porta fora com muita pressa. Ela desce, mas entretanto, no andar térreo o alçapão de acesso aos túneis abre-se sozinho e de lá saem vapores fétidos.

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     Jhon e Magi querem fazer explodir a oficina com as granadas da caixa. Querer é poder. Desta vez, ficam mesmo surdos.

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     Sharon fica nauseada com os vapores e quase cai pelas escadas abaixo. Fica estendida nos degraus. O chão desaparece... só se vê negro. A "coisa", o que quer que ela seja, começa a subir as paredes. Sharon grita com todas as forças que lhe restam... (e lá se foi a sanidade por completo...)

--- " ---

     Jhonathan e Magi correm pelos corredores fora. A escuridão está também no encalce deles. Jhonathan não consegue resistir a olhar para trás, e perde as reacções quando o faz, ficando especado no meio do túnel, a sua mente em branco. Magi nem nota e continua a correr, contando já a fórmula para banir que lera na sala do poço. A escuridão rodeia-a por todos os lados, mas Magi continua a banir corajosamente. Levanta os olhos e vê Nyogtha. Cai de joelhos e consegue dizer as últimas palavras, sílaba por sílaba...

(...)

     Magi abre um olho... Está tudo escuro. Ela retoma consciência no túnel. Sente-se enjoada, moída, deitada no chão do túnel.
     Jhonathan não consegue mexer absolutamente nada, incluindo os olhos. Geme e volta a perder consciência.
     Magi não se lembra de muita coisa. Levanta-se, anda para trás e tropeça num corpo. Magi baixa-se para sentir: a pele está toda aos altos e baixos, como se fossem bolhas, e ela consegue-lhe sentir os ossos todos. Magi arrasta-o para o exterior, passo a passo. Lá fora ainda é de noite. Descansa um pouco na saída do túnel, onde vê nascer os primeiros raios de sol.

28/VI/99 - Terça-feira

Madrugada:
     Sem alternativas que queira considerar duas vezes, Magi arrasta-se até à aldeia, levando Jhonathan de rojo pelo chão atrás de si. A viagem é penosa e ela só encontra vivalma já bem perto da povoação. Os locais ajudam a transportar Jhonathan até à pensão. Todos se benzem quando os vêem passar. A única palavra que escapa pelos lábios de Magi é "Hauptman". O médico chega, dá uma olhada a Jhonathan e chama de imediato uma ambulância.
     Enquanto esperam, Magi recupera alguma iniciativa e vai falar com o padre. Juntos, levam alguma população até ao castelo.

Manhã:
     As portas do castelo estão entreabertas quando os populares lá chegam. Os aldeões entram, com Magi na dianteira do pelotão.

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     Phyllis acorda no topo da Torre. Tem sol a bater-lhe na cara. Arrasta-se devagar até ao alçapão e espreita. Vê a multidão invadir o castelo e Magi entre eles. felizmente, Magi também o vê e corre até lá acima. Por mais que ela pergunte por Sharon, o professor não lhe sabe dar resposta. Magi consegue que alguns dos populares levem o professor a braços para a aldeia.
     Magi, entretanto, corre todo o edifício principal à procura de Sharon. No quarto principal um vulto está por baixo dos lençóis. Magi chama por Sharon, na esperança de alguma reacção. De súbito um dos aldeões pega fogo à cama.
     A última sala que vê é um estúdio cheio de livros e com uma secretária cheia de papelada. No topo, está um livro chamado "Fraternitas Bestiae", fechado à chave. Magi pega no livro para levar, mas antes de saír ainda tem tempo de revistar as gavetas onde encontra mais chaves e uma caixa de madeira. Leva tudo consigo. Na lareira há papéis queimados e as prateleiras estão cheias de cadernos, alguns quase desfeitos de tão velhos. São diários.
     Magi é obrigada a desistir das buscas pelo crescente fumo provocado pelos fogos que os aldeões vão ateando pelo castelo fora. Ela segue com a multidão de regresso à aldeia. O castelo arde pelo dia fora, atrás deles.


Citações do dia:

Irina - "Bolso!" (cada vez que a sua personagem encontrava algum objecto de aspecto vagamente portátil, como chaves, prismas, livros...)

Sharon Graves [Raquel] - "Mas este gajo [Jhon] é doido!"
Irina - "Pensava que eras só tu."


Registo escrito por Raquel Correia

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