Registo da sessão de Role-Play a 15/V/99. 1990's campaign
Local: Casa do Luís
Game
Master: Ricardo Madeira
Aventura: "The Thing in the Well"
Personagens:
Magi Clouds [Irina], Sharon Graves [Raquel], Valdemar Phyllis
[Luís Rodrigues], Jhonathan Stein [Marc]
NPCs:
Um padre, Sarah Cornwallis, um rapaz sardento, alguns velhotes.
Prólogo:
Retomamos a acção onde fora cortada na sessão anterior, com
Sharon a dar de caras com uma aparente tentativa de suicídio da
sua colega de quarto.
12/IV/99 - Segunda-feira
Noite:
Chrissie nao reage aos apressados esforços de primeiros socorros
por parte de Sharon, que corre então a chamar o 115.
13/IV/99 - Terça-feira
4am:
Sharon deixa Chrissie no hospital. Aparentemente ela vai ficar
bem, mas está a dormir quando o médico dá a notícia a Sharon.
Esta regressa ao dormitório sem grandes problemas.
Manhã:
Jhon faz a sua vida normal; Sharon acorda com o despertador de
Chrissie mas volta para a cama. O Prof. Phyllis encontra Magi e
Jhon pelo caminho, no campus, e conversa um pouco com o último.
O professor despede-se e Magi conversa c/ Jhon; Jhon encontra
Frederick, um seu amigo o qual lhe conta que Chrissie se teria
atirado de uma ponte e tb que o Tom tinha morrido. Jhon fica
mal-disposto.
No hospital, Magi informa-se, e afinal a Chrissie está ainda lá. Sharon acorda pouco depois, e decide ir à escola de equitação. Pelo caminho evita Jhon. Este não sabe como falar com ela, por causa de Chrissie, portanto também não o tenta fazer.. Sharon tem equitação, almoça e depois tem aula de História com prof. Phyllis - religiões medievais.
Noite:
Depois de jantar, Sharon tenciona visitar Chrissie, mas pelo
caminho encontra um vulto no campus. Ela afasta-se mais depressa,
mas ele segue-a. Por fim ele chama-a, e ela pára no caminho,
espantada por ele conhecer o seu nome. Ele é alto, pálido, de
cara alta também. Diz-lhe que andava à procura dela e dos
"amigos" há vários dias, e mais uma data de coisas
acerca de uma besta e das criancas em Boston. "Sonhei
contigo", diz ele e desmaia. Sharon procura identificação
primeiro, só depois vê sinais vitais. Encontra uma carta. Ao
ver os sinais vitais, ele abre os olhos, e agarra-lhe as mãos,
dizendo que precisa de falar com ela, e desmaiando de seguida.
Sharon chama ambulância após tentativas frustradas de o
acordar.
No hospital, dizem-lhe que ele aparenta um estado de choque. Chrissie está a recuperar e elas conversam. Sharon promete ir ao enterro do Tom com Chrissie.
O regresso ao campus é normal.
O prof. Phyllis vai ao bar de noite.
14//V/99 - Quarta-feira
A vida segue o seu curso normal. De manhã um anúncio do reitor avisa que os alunos estão dispensados das aulas da tarde por causa do enterro. Magi e Sharon encontram-se e conversam acerca da própria Sharon e de Chrissie e Tom. Magi decide ir ao enterro por falta de algo útil para fazer (folga). Jhon encontra Fred.
Phyllis aborda as raparigas. Outro colega de Jhon se aproxima do grupo dele. Mostra jornal e menciona um psíquico, LeMond, que foi encontrado em Arkham. Segundo o jornal, ele está morto. Tinha sido encontrado desmaiado, de onde Sharon depreende ter sido o estranho alto. Revela-o aos outros e conta apenas coisas vagas acerca da conversa. Mostra-lhes a carta.
Discutem a carta um pouco. Depois Jhon diz que não tenciona ir ao funeral por não se sentir a vontade. Sharon vai às aulas.
Magi aproveita e vai ao hospital para ver o LeMond. Ele está na ala psiquiátrica a ser avaliado. Magi entrevista-o, dizendo ser amiga de Sharon. Ele não consegue falar, mas levanta-se e olha-a nos olhos. Agarra-lhe no ombro e diz "A Besta, as crianças... têm de ser impedidos" Depois desmaia. Antes que algo mais aconteça, uma enfermeira entra que acaba por expulsar Magi. Pelos vistos não era suposto ele ter visitas.
Tarde:
Sharon vai buscar Chrissie para o enterro, rigorosamente de
preto. Magi conta a sua aventura a Sharon. O enterro prossegue e
depois Sharon acompanha Chrissie ao dormitório. Jhon manteve a
promessa de não aparecer e em vez disso passa o tempo perto do
rio.
Magi vai para a biblioteca, e pouco depois Jhon aparece lá tambem. Magi consulta os jornais à procura de informação acerca do misterioso vidente e, aparentemente, ele tinha desaparecido de NY depois de ter visitado a namorada. Era um medium bastante conhecido. Tocando num objecto de alguém, conseguia comunicar com o espírito da pessoa. Tinha desaparecido há uma semana e a família oferecia recompensa. Ele tinha quase 30 anos.
Decidem tentar contactar a família, mas não aparece nada na lista telefónica, nem encontram nada na internet.
Vários dias se passam, em que a vida decorre normalmente.
17/IV/99 - Sábado
Nas notícias ou jornais, alguns do grupo - Jhonathan e Sharon - descobrem que três crianças de bairros pobres tinham sido encontradas mortas em Boston. Tinham estado na rua à noite quando tudo acontecera. Uma teria sido morta na própria noite, a outra na noite anterior e a outra num noite diferente.
Jhon investiga as bancas.
Sharon vai à biblioteca e encontra um artigo de Setembro de 1971. Relata a morte de crianças, em Boston, ao longo de duas semanas, perto da mansão Cornwallis. Nesta, no início do mês, tinha havido duplo homicídio de Dr. Ambrose Cornwallis e a sua mulher Emily. A polícia não achava que estivessem relacionados. Não havia suspeitos nem pistas.
O Prof. Phyllis investiga a caixa de papelada que recebera no RP anterior. O conteúdo intriga-o o suficiente para se dirigir à biblioteca e investigar mais a fundo. A caminho da biblioteca encontram-se Jhon, Magi e dr. Phyllis. Este ia investigar uma Besta e coisas...
Entram e dão de caras com Sharon por entre pilhas de jornais. Trocam impressões. Phyllis mostra aquilo que vinha investigar. Os rapazes investigam Nophur-Ka. As raparigas esperam. Phyllis encontra: era um sacerdote egípcio separatista, conhecido como Faraó Negro, que fizera parte da 14ª dinastia e que tentara destronar o faraó da altura que era Khasekhemre Neferhoteb 1º. Fora assassinado por homens fiéis ao faraó no seu templo secreto nos desertos ocidentais.
A caixa em forma de sarcófago com o insecto de uma aventura anterior tinha estado em posse de Nephru-Ka. Os seus seguidores tinham fugido do Egipto e nunca mais se soubera nada deles.
Almoço juntos na cantina. Alguma conversa.
Tarde:
Magi decide investigar mais na biblioteca. Sharon estuda no
jardim.
Magi encontra obituário de 4/VII/71 no Boston Globe, referente a Jeremy Cornwallis, um rapazinho nado-morto, filho do Dr, e da Sra. Cornwallis. Diz que o corpo seria enterrado na cripta da família no cemitério All Hearts. Outro artigo é acerca do duplo homicídio de 15 de Setembro de 71. Tem poucos detalhes e muita especulação: talvez o nascimento do nado-morto tenha conduzido a tal tragédia, sendo aparente que o casal se tivesse morto um ao outro. Seriam enterrados na cripta da família. Da família do doutor sobra Sarah, a irmã dele. Um terceiro artigo de 16 de Novembro de 71 diz que um homem fora preso quando tentava forçar a entrada na cripta da família. A polícia especula que o motivo fosse roubo apesar das declarações do suspeito que declarava que o recentemente-falecido doutor seria um bruxo e que a sua unica intenção era virar o corpo de face para baixo. (Procedimento que impediria bruxos de voltar a vida)
Magi partilha toda esta informação com os dois rapazes, já que Sharon ainda está no jardim. Jhon e Magi tentam convencer os outros dois a ir a Boston. Acabam por convencê-los, embora com algum esforço.
Antes de mais nada, Magi e Sharon dirigem-se ao hospital para ver o outro, mas já lá não estava, tendo sido transferido para NY. Em grupo decidem ir para Boston, apesar de Sharon claramente preferir ir a NY, onde tinha família.
18/IV/99 - Domingo
Partida para Boston. O grupo vai todo no carro do professor, não confiando muito na condução de Sharon, o que a aborrece um pouco. Na bagagem, Sharon leva os seus floretes. No bolso do casaco o .38.
Chegam a Boston mesmo a tempo do almoço. O grupo almoça e depois saca do mapa de Boston. Encontram a mansão Cornwallis. O prof. Phyllis conduz-nos lá e estacionam nas ruas estreitas de prédios baixos e um pouco degradados. A mansão fica ao fundo de uma rua, rodeada por um muro de quase três metros de altura. Tem um portão, que se abre à medida que o grupo se aproxima. Um rapaz de 13 anos, ruivo e com muitas sardas sai de lá e fecha o portão.
Interpelado pelo grupo, o rapaz disse que tinha vindo fazer uma entrega para a Sra. Cornwallis. Phyllis é quem faz as perguntas.
Após breve discussão das opções, decidem tentar entrar. O portão abre-se quando alguém o empurra. Do outro lado há uma mansão em decadência, um pátio com ervas daninhas. A mansão tem uma torre de três andares e janelas em forma de losango que olham para a cidade. Há uma estradinha que leva a mansão, e que passa por um poço abandonado no centro do pátio. Um antiga garagem já abateu, num dos lados da mansão.
O Prof. toca a porta. Algum tempo depois, passos arrastados e aparece uma velhota. O grupo mente com todos os dentes e diz que foi Paul LeMond quem os mandou. Ela nega conhecê-lo, mas convida o grupo para chá e bolinhos. Todo o primeiro andar está atulhado de panos e pilhas de revistas velhas.
Quando ela regressa com as iguarias, Sharon acaba por pedir para ir ao WC e investiga a casa. Não há nada de especial até chegar perto da cozinha de onde vem um mau cheiro. Há uma pilha de pratos imundos no lavatório. Na mesa um saco de compras com vários items, incluíndo 7 galinhas mortas. Debaixo da mesa um saco idêntico a apodrecer, que é de onde vem o cheiro.
Na sala, o grupo distrai a velha com conversa acerca da casa, da família... Ela diz que o seu irmão já há muito tinha morrido, morto juntamente com a mulher que era louca desde que o filho morrera. Jhonathan enche-se em chá e bolinhos.
No segundo andar, nada de especial. O quarto da velha é o que tem menos pó, mas tem tudo um ar de abandono. Num dos quartos papel de parede arrancado, e uma frigideira com restos nojentos.
Ao fim de um corredor, uma porta já de aspecto um pouco apodrecido. Sharon consegue abri-la e trepa até ao último andar onde descobre um laboratório estranho. Entre as suas descobertas está um diário em latim, de dr. Corwallis, e duas cartas em alemão, das quais ela reconhece a assinatura. Consegue decifrá-las, mas não ao diário, que é demasiado complicado para as suas habilidades. De uma caixa rouba também uns óculos cujas lentes são prismas, referidos numa das cartas.
De regresso a sala, acabamos por nos despedir. Do lado de fora partilham informações. Phyllis lê o diário, e partilha connosco. Há referência aos óculos e a Edward.
Sharon e Phyllis, desconfiados com tanta informação estranha, conseguem entrar pela janela da cozinha e descem à cave. Há pilhas de tudo e mais alguma coisa sem interesse. Há uma porta trancada que em conjunto conseguem abrir.
A porta dá para uma pequena sala com uma grande banheira de porcelana, com uns depósitos castanhos e estaladiços no fundo. Não encontrando mais nada, saem pelo mesmo caminho e depois pelo portão fora.
Decidem ir ao cemitério, depois.
Final de
tarde:
O grupo encontra o mausoléu. Há uma porta com uma inscrição a
toda a volta "To father, to son, to father, to son..."
O cadeado está um bocado velho. Aos primeiros abanões nao abre.
À segunda tentativa com uma chave de fendas do carro de prof.
Phyllis conseguem abrir.
O ar lá dentro esta poeirento. Ha cerca de 20 caixões. Sharon já vai de pistola em punho. Um dos caixões é mais pequeno. Abrem-no e não tem mais do que pedras. Era o de Jeremy.
Saímos e planeamos cravar à Miskatonic uma viagem de estudo à Roménia - talvez sob o tema de "cultos de Vampiros."
Phyllis investiga entre os velhotes do bairro pormenores sobre os homicídios. As crianças tinham marcas pelo corpo todo, de chupões grandes, e tinham sido encontradas cobertas de um muco que secara rapidamente sob a luz do sol.
Depois de muita discussão que não leva a lado nenhum, regressam ambos à mansão da velha, decididos a confrontar a senhora. No carro ficam Magi e Jhon.
Batem à porta. Ela acolhe-os da mesma maneira simpática. Prof. Phyllis expõe os nossos motivos com delicadeza. À menção de Jeremy ela modifica-se completamente, ficando um pouco taralhouca e assustando ambos: levanta-se de repente e vai falado sozinha, sem prestar a mínima atenção aos seus visitantes. De mão perto da pistola seguem os movimentos da velha, que prepara uns frangos a pressa, cortando mesmo um dedo no processo. Depois corre ao poço e atira com tudo lá para baixo, regressando a correr à cozinha, e mal reparando nos dois elementos estupefactos e um bocadinho assustados.
De volta à casa, o telefone não dá sinal. A senhora continua com os olhos grandes, e não nos liga pêva de todo. Sharon tenta parar a velha a todo o custo enquanto Phyllis vai espreitar ao poço. Este está cheio de pedras grandes, nao se vê água, mas vêem-se os pedaços de frango que a velha atirara.
Phyllis põe os óculos e vê um mundo estranho de formas em permanente mutação, azul escuro e violeta, com ângulos impossíveis. É uma coisa enlouquecedora, mas Phyllis olha fascinado e vê um súbito clarão rosa, que ilumina uma forma ameaçadora, meio aracnídea, que anda entre uns cristais espinhosos, que vem na direcção dele. Tem uns 2 metros de altura, ou mais, com braços e pernas enormes.
A coisa é muito rápida, mas Phyllis tira os óculos a tempo. Espreita de novo para o poço, mas não vê nada de novo.
Entretanto, na cozinha, a mulher continua só a pensar no frango e nas facas. Sharon chama Phyllis, começando a entrar em pânico, ele regressa, e a mulher continua a não ligar nada.
Seguem-na até ao poço, onde ela chama Jeremy, e aí então algo emerge das profundezas, por entre os blocos de pedra. É uma mancha branca viva, que brilha sob a luz da lua, e se move como uma amiba. Tem algures a cara de uma criança e está constantemente a projectar pseudópodes com pequenas bocas com que chupa os pedaços de frango. A cabeca humana chora e queixa-se.
Sharon e o Prof Phyllis olham com um misto de fascínio e nojo. Sharon afasta-se, mas os sons nao páram e são arrepiantes.
Phyllis dá-lhe um tiro, acerta em algo, mas não parece fazer muito dano: só lhe salta um bocado de gelatina. Ele chora e esconde-se nas pedras.
Phyllis lembra-se de queimar o monstro. Com mais calma aparente do que real, ambos procuram uma bomba de gasolina e trazem 15 litros de combustível que prontamente despejam pelo poço dentro. Phyllis acende o fósforo, atira...e FWOOOOM!!
Ouvem-se guinchos e choros de Jeremy. Os dois incendiários fogem a sete pés, metem-se no carro, queimam borracha e afastam-se bem depressa.
O grupo regressa a Arkham sem mais demoras.
Registo escrito por Raquel Correia.