LIBERDADE NATURAL

Gosto da poesia
que nasce na alma !
Nervosa ou calma,
rimada ou sem rima,
cantada ou em prosa,
pobre, rica ou preciosa,
mas . . .
que seja a poesia !

N�o gosto da m�trica
nem da dial�tica,
palavras medidas,
bem pouco sentidas,
rimas encontradas,
emparelhadas
ou perdidas . . .

Gosto do verso livre
sem exig�ncias
nem medidas . . .
Do sentimento profundo
capaz de atravessar o mundo !
Do r�tmo quente,
coerente,
convincente,
manhoso,
dengoso
ou mesmo gostoso !
Daquele que mexe com a gente,
diz o que sente
e n�o mente.

Naturalmente,
gosto da poesia.
N�o importa que seja em prosa !
Gosto da prosa iluminada,
nas vestes de uma poesia.
Gosto da poesia !

LI��ES DE VIDA

Quis correr . . .
E uma for�a me diz:
P�ra. Aquieta-te !

Quis voar . . .
E esta mesma for�a
me ensina a caminhar
por �rdua estrada,
de espinhos e pedras,
sem ter, nem mesmo,
a luz do luar !

Quis falar . . .
E uma voz firme,
calma e decidida,
agu�a-me os ouvidos
e me ensina a calar. . .
a ouvir. . . a escutar. . .

quis amar. . . um amor intenso,
inflamante e flamejante !
E esta for�a estranha,
conhecedora dos meandros de minhalma,
arrebata-me com ardor,
elevando-me ao Infinito !

Na eterna escurid�o,
entre o brilho das estrelas,
de relance, olho os mundos;
ofuscada, vejo os s�is.
Em v�o, procurando
o amor que buscava;
ou melhor, nem procurava;
pois, deslumbrada com o que via,
eu amava !
E n�o sabia . . .

QUADRIDIMENSIONAL

Sinto !
Voc� est� a meu lado.
Presente. Invis�vel. Intoc�vel .
Como a Quarta Dimens�o
a inspirar-me palavras
que devo dizer
sem preocupa��o.

� t�o bom sentir Voc�
sem paix�o,
simplesmente como uma coisa
que se ama
que se quer
e se abandona . . .

Neste abandono da vida,
talvez, aqui, a meu lado,
Voc� escreve comigo.
E juntos, estamos pensando
e juntos estamos sonhando
com um mundo todo de paz
e uma vida repleta de luz,
em perfeita comunh�o,
harmonizados . . .
numa Quarta Dimens�o !

O TEMPO E EU

Nos meus dias de crian�a,
passava pelo tempo, a correr !
E o tempo. . .
a passo lento . . .
n�o conseguia, sequer,
seguir-me os passos ligeiros,
para ser meu companheiro,
no viver s� na alegria !

Cresci !
O tempo andava comigo;
era meu grande amigo;
ombro a ombro, bem querido,
nas noitadas de ver�o,
nas tardes quentes de sol,
nas valsas da meia noite,
no despertar �s serenatas,
nos loucos anseios de amor,
nos del�rios da paix�o !

Enquanto caminhava na vida,
trope�ando. . . trope�ando. . .
fui cansando . . . fui cansando . . .
E o tempo,
mais esperto e veloz que eu,
foi andando. . . foi andando . . .

Envelheci,
sem senti-lo por mim passar . . .
Onde estar� o amigo tempo
que tanto me fez esperar ?

Quero v�-lo - j� n�o o vejo.
Quero ouvi-lo - n�o escuto mais.
Quero sentir-lhe a presen�a
e ele, mais que eu, corre mais !
Quero gritar - Por que foge ?
Oh! s�o fracos sons guturais !
Correr, n�o vale a pena,
tudo me d�i e demais. . .

L� vai o tempo ligeiro,
e ao longo da vida se esvai;
mais veloz que o pensamento. . .
Que importa a ele meus ais ?
Outros ser�o seus amigos,
aliados da corrida,
na longa estrada da vida,
em busca de que trof�u ?

Mestre tempo que se foi
meu amigo e companheiro !
Foi com voc� que aprendi
amar o amor verdadeiro !
Cada vez que trope�ava,
sua m�o apoiava a minha:
"Levanta, querida amiga,
continua ! N�o se amesquinhe !"

E de tanto me levantar,
o tempo ensinou-me a andar !
Mas. . . correu e foi-se embora !

. . .

Um dia, tamb�m irei.
Espere ! Virei novamente
para correr com voc�,
bem feliz . . . e eternamente !

SENTIMENTO GRATO

Obrigado, Cora��o,
por este pulsar constante
que me faz t�o confiante
neste Eu que vive em mim !

Obrigado, Cora��o,
pela linfa lubrificante,
criadora e t�o pensante,
que a ti - d� for�a;
e a mim - Vida !

Obrigado, Cora��o,
pelos t�neis que em ti, abrigas !
Conduzindo o sangue, irrigas
o objeto de meu ser !

Obrigado, Cora��o,
por acolheres, em profundo,
o que ningu�m, neste mundo,
dominar pode, ou vencer:
a energia movendo o Universo,
a poesia que canto em verso,
a fonte sublime do Amor !

DESPERTAR DO UNIVERSO

Mente C�smica, infinita,
do pensamento fez a��o
criando o rel�gio da vida !

Rel�gio imortal, lan�ado a esmo,
desperta a alegria do Homem,
marca o tempo sem limite,
sem dar conta de si mesmo !

. . .

Tranq�ilamente. . .
este Homem - Cria��o
e ato do Criador,
segue o destino da vida,
continuando a obra de amor,
em grande lida !. . .

Dotado de livre arb�trio,
escolhe o pr�prio caminho
em alegria e em dor !
Sua alma reluzente
� seu espelho refletor !

Homem - Cria��o,
Homem - Criador !
Rel�gio de luz
que reflete o Absoluto !
Desperta !
Liberta a Humanidade
desta bandeira de luto !

Trabalha ! Trabalha, Homem,
trabalha sem descansar.
Trabalha pelo Criador
que te ensinou a criar !

No tic-tac da vida,
abre do surdo, os ouvidos
que n�o mais sabem escutar !

No sil�ncio do viver,
ensina, aos homens, calar !

Tira a cegueira dos olhos
dos que v�em, sem enxergar !

Aquece o cora��o dos sofridos
se j� se esqueceram de amar !

Trabalha, trabalha, Homem,
trabalha sem descansar !
Trabalha pelo Criador
que te ensinou a criar !

Trabalha, trabalha, Homem,
a vida n�o pode parar !

O NASCER DO POETA

Mina primeira poesia
nasceu, - que doce ironia !
num leito macio,
ap�s alguns dias
de uma tr�gica cirurgia,
em um Hospital Espanhol.

Apesar da dor, n�o sofria. . .
cabe�a raspada,
por m�os divinas
perfurada,
mente vazia
voava,
buscava,
sentia,
sonhos aqui,
outros ali,
at� que. . .
num passe de magia
encontrou
seu jeito maroto
de fazer poesia
que at� ent�o,
desconhecia.

Mente em desalinho,
buscando lembran�as perdidas,
palavras soltas, sentidas,
outras tantas esquecidas,
em atropelo se encontrando,
se juntando, se formando,
sensa��es brotando,
pululando,
e a primeira poesia,
sem pressa,
foi assim,
aos poucos, se compondo:

SER FELIZ

SER FELIZ

Certo dia,
despertei-me a chorar
sem ter explica��es
e nem raz�es. . .

As luzes me cercavam,
o mundo era t�o lindo !
Mas, tudo dentro de mim,
trancado, escuro
e sem fim.

Na curva da caminhada,
algo estranho aconteceu:
Era uma enorme represa
de �guas paradas, presas. . .

Um pequeno grande homem
abre as comportas, sem medo. . .
Buscando o clar�o,
vejo a luz!
Espargindo amor,
vi o tesouro !

Hoje, sou tranq�ilo rio,
puro, limpo e cristalino;
um rio muito bonito
que se lan�a todo ao mar,
� procura do Infinito !

Suas �guas correm livres,
claras e transparentes,
pela estrada desta vida,
sem trope�o nem grilh�o.

E o mundo � todo e s� luz !
Paz, Amor e Ora��o.

. . .

. . .

Corre, rio,
esse � teu destino:
joga na areia branca de teu leito,
toda a sujeira das enxurradas !
passa por cima das pedras
dos troncos
e dos barrancos
e, claro e l�mpido,
puro e transparente,
lan�a-te na imensid�o do mar,
� procura do Infinito !

No meio de tanta grandeza,
sentir�s o brilho deste pequeno eu
ao encontro de teu Deus !

ENERGIA

A integra��o de dois "quantuns"
em energia e calor
gera a luz - uma s� alma
em plena explos�o de Amor !

. . .

Somos um "quantum"de energia,
somos um "foton"de luz
no aqui e no agora !
Num tempo que n�o existe,
num espa�o indefinido . . .
buscando o Absoluto
potencializado em
Realidade e Atualidade.

. . .

Em resumo:
Somos energia condensada.
Somos TUDO !
Somos NADA !

VAMOS INDO . . .

As gotas de minha vida
como l�grimas orvalhadas,
v�o caindo,
sumindo,
espalhadas,
espelhadas,
isoladas,
vertidas,
vividas,
perdidas,
absorvidas,
engolidas,
quase sugadas
e devoradas
pelo abismo
da eternidade !

Perseguidos pela morte
meus dias v�o se acabando,
findando,
fugindo,
sumindo,
fingindo nada temer.

Onde estarei amanh�
quando o alento da vida
sinalizar-me a partida ?
Onde estar�o meus amores !?
Os afetos !? tantas dores !
Para onde caminhamos ?
Aonde vamos ?

Nada importa !
Vamos indo,
vivendo,
sofrendo,
amando,
sonhando
e sorrindo,
mas. . .
Vamos seguindo. . .

Passos firmes, decididos,
por esta estrada t�o bela,
estrelas brilhando em tela
numa longa caminhada,
ou, talvez, numa corrida
que nunca teve princ�pio
e jamais se findar�
na maratona da vida !

Nada importa !
Vamos indo . . . Vamos indo . . .

FLOR AMARELA

Olha esta flor amarela
que balan�a, t�o singela,
no portal de nosso lar !

Deixa-me assim, fascinada !
Amanh�. . . triste coitada,
murcha, ca�da no ch�o.

Nem mesmo sei o seu nome.
Nem o sol, nem a chuva a consome
e seu perfume � sutil.

O beija-flor a procura
e as abelhas, em loucura,
buscam-lhe o favo de mel.

Olha esta flor amarela,
mire-se nela e
sente a vida em esplendor !

Deixa que os passarinhos,
venham fazer belos ninhos
na tua alma em flor !

E que as abelhas, em loucura,
vivam � tua procura
na do�ura do querer !

Olha esta flor amarela,
t�o agreste, mas t�o bela,
enfeitando teu viver !

AS DUAS TEREZAS

Uma - colega Tereza.
Outra - Tereza da inf�ncia.

Uma - singela beleza.
Outra - pureza de santa.

Todas duas - muito bonitas !
Todas duas - a mesma desdita !

Tereza - hero�na sagrada.
Tereza - por todos amada.

Uma - sacrif�cio e amor.
Outra - doa��o na pr�pria dor.

Tereza - rosa de luz
desabrochando no meio da Cruz !

Todas duas - exemplo de vida !
Todas duas - morte sofrida !

Grande amiga - TEREZA CERQUEIRA.
Jamais esquecida - TEREZA OLIVEIRA.

POETA

Clic !

Solid�o. . .
Madrugada. . .
Turbilh�o. . .

Dia ou noite. . .

Uma id�ia. . .
Uma flor. . .
Pensamento. . .
Emo��o. . .

O poeta.
L�pis na m�o !

Tudo flui
e desliza
e transforma-se
em palavras. . .

Ilus�o ? . . .

Leio tudo o que escrevi.
Onde busquei tais id�ias ?
Por que estes pensamentos
al�m do meu pensar
a brotar t�o de repente ?

Algu�m, por certo, pensou
e sussurrou-me � mente,
id�ias, id�ias, id�ias,
que as colhi com amor
e transformei em sementes !

GRANDE LUZ

� Grande Luz
que em eletricidade me revelas !
� Luz
que n�o rel�mpagos em trevas
mas, lua que se levanta
em clara noite estrelada,
permeias minha vida
e minha estrada !

Em claridade constante,
est�vel e radiante,
irradiante,
enches de tra�os luminosos
o espa�o vazio
de meu mundo flutuante !

Em clara noite
de medita��o e paz,
envolves meu jardim
com fa�scas luminosas
a circular. . .
Noite clara de luar !

Em viagem te vejo,
� Grande Luz,
como uma tocha de branco sol
a brilhar em meu caminho !

Mas. . .
do caminhante, fugiste. . .
deixando-o errante e triste
a buscar, em v�o, seu ninho.

Ser� que em meu peito ainda existes ?
ou pr� minhalma transferiste
fa�scas de teu brilhar ?

. . .

Est�s comigo, bem sei !
Sinto no ser, teu fulgor !
Inundaste-me o ego profundo
e transformaste tudo em amor !

Esta presen�a que � �nica
presen�a que se faz:
for�a e poder,
vislumbra-me o Tu eterno !
� Tu, Grande Luz !
Luz do verbo
que ilumina meu viver !

CONFISS�O A MAAT

Voc� desnudou
meu corpo inocente,
fazendo-o quente,
vibrando pr� vida !

E nem se lembrou
de minhalma esquecida,
dormente, perdida,
buscando o Amor !

Mundo ! Ch�o ! Ilus�o !
Vida ! Ess�ncia de Luz ! Cora��o !

MESTRE BEIJA-FLOR

Aprendo contigo, li��es de vida:
tu me ensinas escolher as �guas doces,
penetrar no nectar das flores
e voar, voar pelo infinito !

Tu me indicas o caminho da liberdade,
do v�o livre, sem opress�es.

E me ensinas a vibrar. . .
vibrar intensamente,
explodindo as energias do meu ser
no Alvorecer,
no Entardecer,
no Anoitecer !

�s uma li��o de amor
quando, na palma de minha m�o,
em plena liberdade,
desprezas a imensid�o !
N�o voas. Sentes o carinho
e sabes qu�o grande � meu amor por ti !

Teus olhinhos se fecham, lentamente,
e tu te acalmas. . .
Sou eu, ent�o,
Mestre Beija-Flor,
que, em sintonia com a Natureza,
sentindo no peito
pulsar forte o cora��o,
ponho-me a vibrar,
a vibrar intensamente,
tonta de emo��o !

REGISTROS AKH�SICOS

Ontem,
fui um rio
que se lan�ava ao mar,
buscando, ansioso, o Infinito.

Hoje,
sou metade de uma alma,
inteira por ser s� tua !

Amanh�,
quem sabe ? um reflexo
que, na inquietude da vida,
busca sua fonte de origem.

Afinal,
serei a luz !
Energia que absorve e irradia,
potencialmente presente,
no Ontem,
no Hoje
e no Amanh� !

MOTORISTA DE TAXI

Preto ou branco,
velho ou mo�o,
sempre na luta,
forte guerreiro !
Motorista de taxi,
meu amigo e companheiro !

Eu me sento a teu lado,
bem pertinho. . . e te amo !
Sem sequer saber meu nome,
meu pecado ou meu passado,
est�s presente quando o chamo !

Sem tamb�m te conhecer,
tu me levas ao destino !
Circulando na cidade,
vais me contando
tua vida,
tua hist�ria,
teus problemas
e teus sonhos,
como a cantar um hino !

Um hino de louvor,
ou uma can��o de amor,
palavras de calor,
outras tantas de horror,
de medo ou destemor !

Hist�rias de vidas
ouvidas,
de uns e outros,
com o sorriso nos l�bios
ou l�grimas no cora��o !

Hist�rias de fam�lia,
pais, irm�os, ou de filhos.
Todas elas quase iguais,
todas t�m o mesmo brilho !

Motorista de taxi,
meu amigo e companheiro.
Obrigada, eu te agrade�o
a bondade, o carinho,
o descanso de meu cansa�o!
A Ave Maria, � tardinha,
quando os ouvidos entediados
da barulheira da rua,
do corre-corre do dia,
retornam ao lar, relaxados,
ao som do hino calmante
que sobe aos c�us, numa prece,
louvando a Virgem Maria !

Motorista de taxi,
amigo e companheiro !
Eu te agrade�o o sorriso,
sabendo que est�s cansado !
Eu te agrade�o o Bom-Dia
forte, sincero ou calado.

Amigo de alguns minutos,
viageiro lado a lado.
Tuas palavras escuto
sem embara�o ou enfado.
Nessa permuta de ajuda,
sou companheira analista
que te absorve os problemas
mas . . .
a paz, tamb�m, conquista !

M�E

Como � dificil
fazer uma poesia
para Voc� !

Se na simplicidade
de seu viver
se esconde o mais belo poema,
e me sinto pequena
para sab�-lo escrever !

A pureza de sentimentos
a iluminar-lhe o semblante,
a bondade sem limites,
o amor puro e sublime
e tantas, tantas coisas mais . . .

s� mesmo versos de ouro
formando o mais belo soneto !
E eu . . .
sou pequena demais . . .

Sabe, M�e,
estando assim, a seu lado,
sou p�ssaro agasalhado
sem fome,sem frio ou sem dor !
Sou crian�a pequenina
que s� sabe o que � o amor !

Sou lembran�as esquecidas
do aconchego de seus bra�os,
de seus beijos, seus abra�os,
de uma vida que vivi !

E assim se passam os dias,
meses, anos, desenganos,
a vida assim, vai passando . . .
E eu . . .
esque�o que envelheci !

QUINZE ANOS

Iara menina,
menina Iara !
Como te amei !
Aconcheguei-te nos bra�os,
menina !

Iara sereia,
sereia Iara !
Quanto te amo !
Sigo o despertar
de tua vida
para o mundo,
para a lida !

Olho esta linda garota
envolvente,
t�o faceira
e companheira !

Assim como
meus olhos,
s�o muitos
os olhos,
que buscam
teus olhos,
no teu doce olhar !

S�o tantos
os olhos
que v�em
teus olhos
abrir num sorriso
a car�cia de amar !

E, apenas, dois olhos
olhando teus olhos,
desejam guard�-los.
� s�. . . esperar. . .

AMOR EM ORA��O

Toda vez que te busquei,
encontrei
o Deus que � luz
permeando-me o caminho !

E de tanto te buscar,
aprendi a encontrar
esse Deus - Amigo,
sozinho !

Aprendi a perceber
que o Amor n�o se difere,
mas que a vida interfere
no seu diversificar:
projetando. . .
sublimando. . .
elevando sua ess�ncia. . .
espalhando seu perfume. . .
no vibrar de um cora��o !

Qual incenso perfumado
que sobe. . . sobe. . . enlevado,
transmutando, transformando
o Amor em ora��o !

L E M B R A N � A S

Valsa que me faz lembrar
arroubos da mocidade !
Faces rubras a queimar,
cora��o palpitante,
ardendo no peito,
sonhando desejos,
loucuras de amar !

Linda valsa !. . .
Rostos colados,
olhos brilhantes,
m�os g�lidas,
p�s ligeiros
no sal�o, a rodopiar . . .

. . .

Como nuvens que se esvaem,
assim se v�o
as v�rias valsas, Maria !
Valsando e vagando vazias,
na vasta praia sombria,
do mar de minha ilus�o . . .

S�o s� lembran�as vadias
de anos, meses e dias,
romance, suspiros, gemidos,
l�grimas, s�plicas, pedidos
de um grande amor . . .
Ilus�o. . . que se findou !

ETERNO VIVER

Quando nos encontramos,
vejo no ar
fagulhas de luz.

Quedo-me a sonhar. . .
Quem � voc�, afinal ?
Alguma rosa perdida
ou, talvez, da cruz,
desprendida !?

Um jardineiro ambulante
colhendo as flores mais belas !?
ou, qui��, pintando-as em telas
para exp�-las, num s� lance ?

Quem sabe, voc� seja o Mestre
que de si, sempre esquece
pois que vive a dividir
o seu "Eu" com outros "Eus",

crescendo sem perceber,
fazendo aos outros crescer
na ilus�o - que chamo Vida !
na poesia - bem sentida !
na melodia - esquecida
de um Eterno Viver !

M O M E N T O

Salve !
Ainda h� borboletas no jardim !
Sobrevoando flores perfumadas,
vejo-as, ao entardecer,
quando, ao regar meu mundo verde,
sinto a Natureza derramar
toda sua pureza e harmonia, em mim !

Nesse momento sublime
de encantamento e comunh�o,
de troca de energia
e, tamb�m, de sensa��o;
as borboletas coloridas,
saltitando de flor em flor,
alegram-me o cora��o,
despertando-me para o Amor !

Borboleta colorida,
tu �s vida !
Uma vida t�o fugaz,
t�o passageira !
Teu pouso tranq�ilo
d�-me vislumbres de paz
nesta lida !
Teu v�o incerto,
despreocupado,
faz-me pensar
numa crian�a feliz,
a sorrir e a brincar,
sem cuidado . . .

Voa, minha linda borboleta !
Vive o mundo presente!
Abre tuas asas azuis,
leva tua alegria �s mentes !

Os homens, minha amiga,
presos � tecnologia,
j� n�o sabem mais voar !
Esqueceram que tu existes !

Mas, tu, minha linda borboleta !
Tu fugiste pr� teu mundo,
pr� teu mundo de ilus�o,
ilus�o bem colorida !

Oh! Borboleta de meu jardim,
qu�o bela e fascinante � tua vida !. . .

DEUS - AMOR

Assim como o Mestre,
em um c�rculo,
assim, tamb�m,
busquei meu Deus !
Andei por mundos estranhos,
voei qual gaivota perdida,
senti o pulsar do universo
e nada vi que, t�o sublime,
t�o poderoso e t�o forte,
me trouxesse o assombro,
a euforia da vida
ou o segredo da morte !

Nada vi . Por�m ouvi.
Escutei uma s�bia voz
segredando-me aos ouvidos:
Que fazes aqui ?
Volta de imediato !
O tesouro que procuras,
o Deus que, em anseio, buscas,
est� totalmente em ti !

Mergulha profundamente
no teu eu que est� carente
de tua presen�a, de teu afeto !
Neste mergulho profundo,
ir�s encontrar outro mundo
de vibrantes emo��es !

Ver�s que o Deus que buscavas,
em teu peito se alojava,
aguardando teu apelo,
teu chamado imergente,
para fluir, docemente,
em teu mundo de ilus�es.

Saber�s que Tu e Ele
s�o a for�a do Universo !
S�o dois elos que se fundem
no reflexo dos reflexos,
no equil�brio dos diversos !
O fiel de uma medida
sem pesos, nem distorcida,
mas, comedida,
na justa medida
do Amor !

O AMARELO DO TEMPO

Com vontade de chorar,
n�o sei se procurando
encontrar felicidade . . .
Com vontade de gritar,
n�o sei se desabafando
o vazio que me invade . . .

Neste estado em que me encontro,
minha filha, em gesto tanto,
entrega-me nas m�os,
um papel amarelado,
pelo tempo resguardado
e que me faz voltar atr�s. . .

Um pedido de casamento
em carta ! - um documento!-
exig�ncia do velho pai
que, na sua no��o de �tica,
com sua alma po�tica,
nem sequer usou a m�trica
pr� saber se, entre n�s,
no burburinho da vida,
ou mesmo, estando a s�s,
gritava forte - o Amor !

. . .

Muitos anos se passaram. . .
Muitas l�grimas rolaram . . .
E o Amor ?
Onde ficou ?

PINHEIRO DE NATAL

Tenho um enorme pinheiro
plantado em um xaxim
na varanda de meu lar.
E tanto se agiganta
que j� me incomoda,
despertando o desejo de
dele me libertar.

Quero d�-lo de presente
a parentes ou amigos,
mas, ningu�m quer aceitar.
Quero vend�-lo ou, quem sabe ?
troc�-lo por flores outras
que me embelezem o lar.

Uma manh� . . . Que surpresa !
Ao regar esse pinheiro,
dois passarinhos, em algazarra,
saltitavam nos seus galhos .
Quedo-me a observ�-los:

Estavam felizes,
cantando can��es de amor,
saltitando de alegria,
vibrando de emo��o !
Escolheram o mais alto galho
pr� construir a mans�o !

. . .

M�e Natureza !
Tu me falaste aos ouvidos,
mas . . . escutou-me o cora��o:
N�o desprezes teu pinheiro !
Se ele se agigantou,
foi porque muito te amou

Se os pequenos p�ssaros
nela fizeram seu ninho,
escolheram teu pinheiro
para te dar seu carinho !
Ama, pois, tua bela �rvore,
como amas os passarinhos !

Amar, sim, minha bela �rvore;
com ela me harmonizar
na sinfonia do Universo !

Enfeitei-a de algod�o e
folhas secas de bambu.
E as aves do c�u
com seus biquinhos ligeiros,
pegavam daqui, dali e acol�
e . . . de repente,
montaram , tranq�ilamente
com toda sabedoria,
o aconchegante e novo lar,
na mais perfeita harmonia !

Oh ! meu pinheiro gigante !
Como te amo agora !
Lavei-te com �gua pura,
beijei-te os galhos de espinhos,
pus avenca e adubo a teus p�s,
cuidei-te com muito carinho !
Mas . . . se fiz tudo isso,
confesso-te, envergonhada:
aprendi com os passarinhos.

Toda noite, ao me deitar,
vou saudar-te em ora��o.
Cantar uma can��o de amor
para a feliz amiguinha
que dorme no ninho branco
de algod�o, muito quentinha. . .
sonhando com os filhotes
que em breve, ir�o chegar !

Sim ! Presente de Natal
pr� nosso aben�oado lar !

V O C �

Coisa que n�o entendo
e nem � f�cil entender.

Sonho que n�o quero lembrar
mas n�o consigo esquecer.

Presen�a que me acompanha
e me ensina a viver.

Aus�ncia que aniquila
toda a raz�o de meu ser.

Distante - est� sempre presente.
Presente - est� distante de mim.

Por qu� ? Anseio compreender:
Por que Voc� � assim ?

REFLEX�O II

Sou uma ponte
por onde Voc� vem e vai
na busca incessante
do PAI.

Quero ser de granito !
Bem forte e resistente
pr� levar-te ao
INFINITO !

Sem pressa . . . sem correr . . .
aguardando uma vida nova,
assim como se espera o
ALVORECER !

SER CRIAN�A
(Para voc�, Iara)

Ser crian�a � engolir o Sol
e ver as pedrinhas cintilantes
como as estrelas brilhantes
dentro do seu cora��o.

Ser crian�a � amar sem limites. . .
sem barreiras, sem preconceitos. . .
� abra�ar o caracol
como o faz ao rouxinol.

� ver o arco-�ris
em um p�ssaro colorido
ou no chuvisco do regador.

� beijar o besourinho
porque � seu amiguinho.

� identificar-se com algu�m
em total plenitude:
seja crian�a, velho ou mo�o,
em altitude ou longitude.

� ser amor verdadeiro !
� ser beija-flor,
ou peixinho ligeiro,
ou um sapinho a coaxar
na "Sapol�ndia"do jardim.

� irmanar-se com a Natureza,
beijar seu belo c�o,
ver tudo em transpar�ncia,
sentir no outro, um irm�o.

� chorar por n�o poder voar.
E sorrir, pois sabe sonhar . . .

� ser borboleta na floresta,
� ser jasmim, num jardim.

Ser crian�a �. . .
ser mesmo assim !

AMOR

Fui buscar em Arist�teles
uma defini��o para o Amor:
"Dois corpos em uma s� alma"
eis a filosofia do autor.

Plank foi mais al�m
sem sentir o que dizia
quando falava de "quantum"
e de sua grande energia.

O "Princ�pio da Incerteza",

HARMONIUM

Viver � ser dual !
Vida ! �s uma balan�a.
Tens num prato - o positivo
e no outro - o negativo.

Deixa que eu seja
teu fiel,

colhendo . . .
ora rosas ora espinhos
e vivendo . . .
em tristeza e alegria
mas . . .
em completa harmonia.

V I D A

Solta teu Eu numa poesia !
Lembra que a vida � fantasia
feita de sonho e ilus�o,
de encontro e emo��o,
de desencontro e paix�o.

Chorar ? Por qu� ?
O amor que arde em teu peito
como a chama, pode ser desfeito
num sopro, num vendaval,
ou numa bolha de cristal.

Quem sabe ?
Este braseiro todo
pode se transformar num lodo
ou numa ta�a de luz !

Dist�ncia - j� n�o existe.
Amor, sim ! Este persiste!
Como um raio, percorre o mundo
e � eterno e � profundo !

Um grande amor n�o se finda !
Est� presente onde quiseres,
onde sentires . . .
e onde puderes crer
que a vida seja real !

CAMINHADA

� t�o longa a caminhada . . .
t�o dif�cil e t�o �rdua !
E essa for�a renitente,
insistente
e persistente
continua, lentamente,
me arrastando at� voc� !

Os espinhos furando os p�s;
o calor a abrasar-me;
os atalhos a desviar-me
dessa estrada t�o comprida,
t�o bonita e t�o sofrida
que me leva, lentamente,
insistente
e persistente
ao encontro de voc� !

Sei que tudo � ilus�o
de uma mente em desalinho.
Mas, tamb�m tenho a certeza
de que esse � o caminho !

Minha rota de venturas,
de amor e de amarguras,
de tristeza e alegria,
de luz e escurid�o !

Escolho pequeno desvio,
e nele jogo o esquecimento . . .
Retorno: coesa e forte,
buscando sempre em voc�,
meu eterno alimento !

Para a troca de energias,
para um regresso feliz,
em busca de uma verdade:
Amor - identidade.
Retorno - felicidade.
Ilus�o - esse � o caminho !

PALAVRAS VIVAS

Um dia,
n�o sei quando . . .
Se a velhice n�o chegar
e se poss�vel for
me transformar
numa crian�a feliz . . .

Estarei de m�os dadas
a ti,
olhando o nascer do sol,
vibrando na mesma harmonia,
cantando com os passarinhos,
colhendo os l�rios do campo,
plantando flores e frutos,
brincando s� de amar !

De amar de verdade,
em tamanha intensidade
a ponto de nos fundirmos
em um s� foco de luz !

Um dia . . .
n�o sei quando . . .
Se a velhice n�o chegar
e a vida me transformar
numa crian�a feliz !

B A H I A

Crian�a vadia
que s� pensa em Carnaval !
Vive de cabe�a vazia,
esquecendo o grande problema
or ga ni za ci o nal !

Tens enorme cora��o
e um c�u azul, azul sem fim.
Um mar que a ele se iguala
e a grande f� de um povo irm�o.

Bahia !
Como eu te amo !
Trago teu mist�rio em mim.
Tamb�m sou crian�a vadia,
meu cora��o saltita e brinca
e cr� no Senhor do Bonfim !

Somos juntas
mist�rio e amor !
Sofrer e viver !
Sorrir e cantar !
Somos um mar agitado,
de lindas praias
em tanta brancura
que inveja, o luar !

Somos pura energia
que irradia no espa�o !
Se a cabe�a � vazia,
mente e corpo s�o de a�o !

Energia que � Amor !
Amor que � Infinito !
Infinito que nos leva � Gl�ria !
Gl�ria ! - o pr�mio bendito !

TRANSI��O

Ouve, menino,
o que vou te dizer:

Quando eu morrer,
n�o consintas
que me lancem � terra fria
para o pasto dos vermes !
retalha-me o corpo inerte
e reparte o que puderes.
Lan�a o resto ao fogo ardente;
dever� ser queimado,
pois o amor que nele existe,
precisa e deve ser cultivado.

As cinzas ser�o tuas.
S� tuas !
Pois sei que continuas. . .

Planta no teu jardim
ou no teu cora��o,
uma roseira sem espinhos,
cujas rosas bem vermelhas,
certamente encontrar�o
teus carinhos.

Ama-as ! Com o amor deveras puro,
como aquele que me ofertaste
em nossa caminhada sem muros

Uma crian�a que chora,
um jovem sem esperan�a,
um adulto sem amor
ou um velho sem carinho,
receber�o de ti, certamente,
uma rosa vermelha, sem espinho !

Estarei presente nela,
tanto quanto em teu viver:
no perfume desta flor,
na certeza de um amor,
na poesia de um ser !

ESCALADA

Quando voc� me machuca,
eu subo um degrau na minha vida.

Mas, quando sou eu quem te piso
�s tu que est�s em subida.

Assim . . .
somos duas escadas
em constante escalada,
procurando o Infinito !

Enfim . . .
o que � bom nesta vida
� buscar a subida
sem pranto nem grito !

DO RIO PARA O MAR

Tuas �guas s�o salgadas.
As minhas, doce ilus�o.
�guas que se encontram
se misturam
e se fundem
num grande abra�o
de amor e emo��o.

Seguem, juntas, a caminhada . . .
Para onde v�o ?

� infinito misterioso,
onde a energia das �guas
se transforma em plena luz !

Elas vagam sem destino;
seguem apenas a trajet�ria
que a vida lhes ofertou.
Quem sabe ? buscam a luz
que sua pr�pria energia
gerou !

MISS�O

Sou uma ponte
por onde Voc� vem e vai
na busca incessante
do PAI.

Quero ser de granito !
Bem forte ! Bem resistente !
pr� levar-te
ao INFINITO !

Sem pressa . . . sem correr . . .
aguardando vida nova,
como se espera
ALVORECER !

VOC�
Ontem e Hoje

N�o � mais coisa - � energia
bem mais f�cil de entender !
Sonho ?. . . n�o importa lembrar.
Presen�a ?. . . n�o mais total.
Como um raio, vem-me � mente,
agora, querendo aprender
as s�bias li��es de vida,
da vida de bem viver !

Aus�ncia ?. . . j� n�o existe.
A luz que o ilumina,
a outros, tamb�m, faz brilhar.
Lembre-se: o cora��o da gente
foi s� feito para amar !

Voc� me tirou do sonho;
das trevas, levou-me � luz !
Descendo a seu encontro,
encontrei o que buscava:
o tudo, o nada !
o amor e a alegria,
o prazer de ser feliz
onde quer que agora esteja,
com quem quer que possa estar:

Com os jovens e a crian�ada,
as flores e a passarada,
sempre, sempre a rodopiar . . .
e fluir, perenemente,
nesse vem - e - vai,
nesse vai - e - vem
que me faz viver contente !

Obrigada, bom amigo,
por fazer-me encontrar .

B U S C A

Desabafa, cora��o !
Procura tualma g�mea.
For�as assim, bem unidas,
mesmo sendo perseguidas,
encontram velocidade,
descobrem amor e coragem
para salvar o irm�o !

N�o estanques o caminhar
onde a luz se faz presente !
Anda; mesmo que lentamente . . .
Rasga teu peito sofrido,
abre as asas, solta o gemido,
tua miss�o � doar !

Doar amor e ternura,
sonho, carinho e viver !
Iluminar mentes carentes,
na avidez do conhecer !

Abrir caminhos escusos,
sorrir, sem ningu�m notar
que, no profundo do Ego,
triste cora��o - vive a chorar !

Chora ! L�grimas, assim, unidas,
rolando qual gotas de orvalho,
regam ger�nios de vidas
e realizas teu trabalho !

RENASCER

Quinze anos de um renascer . . .
Quero falar com voc�;
d�-me sua m�o,
vamos juntos, aos sal�o,
dan�ar a valsa mais linda,
de amor e felicidade,
sem idade . . .

Quero lhe dizer
que amo voc�
por toda a eternidade !

Adolescer � viver !
Descobrir, conhecer
o sentimento mais puro
que se esconde
tr�s do muro social
da ilus�o !

� sentir no cora��o
a chama do amor perfeito !
e esconder dentro do peito
o fogo que n�o queima
e que a gente teima
conserv�-lo, em v�o !

Quinze anos !
Quanta quimera !
Que eterna primavera
reabrindo rosas de amor !

Quinze anos - uma vida !
uma exist�ncia florida
arquivada para sempre;
e nem o tempo desmente
esses momentos sagrados
com tanto amor, resguardados
no profundo cora��o !

Passam os anos,
correm os dias,
passa a vida
e a poesia,
passa o nada,
passa o tudo,
resta. . .
o sentimento mudo
alojado em plena alma,
que d� paz,
amor e calma,
tudo o que se precisa
pr� viver feliz, a vida !

FLORES DO LAJEDO

Come�am a brotar
nas duras pedras
do lajedo de minhalma,
muitas e belas flores
que, em prece,
elevo aos c�us.

N�o h� chuva.
O sol escaldante
f�-las brilhar
em luminesc�ncia tanta
que a pr�pria Natureza
se p�e a perscrutar:

Que segredo t�m essas flores ?
Que mist�rio elas trazem
nesse luminoso orvalhar ?
Onde tal resist�ncia encontraram
nascendo em dura laje,
vivendo intensamente,
curtindo a felicidade
dos amores, ao luar ?

Oh! As flores do lajedo
s�o almas a suspirar.
Iluminam os caminhantes
e vivem no mundo a penar.
S�o fortes e resistentes,
belas como o luar.
T�m o brilho das estrelas,
a energia do raio solar.

Como s�o belas tais almas !
Como as flores do lajedo,
balan�am aos ventos fortes,
tombando em forma de cruz
de onde, depois. . .
desabrocham,
orvalhadas,
em f�tons de plena luz !

QUERO FALAR, MAM�E

Cale a boca, mam�e;
deixe eu falar, tamb�m.
Quero ter algum espa�o
e sentir que sou algu�m.

Por que voc� critica
o proceder de meu amigo ?
Voc� nem sabe, mam�e,
tudo isto � um perigo !

Voc� fala da Maria:
-Gasta dinheiro demais !
esquecendo as festas e feiras
que furam o bolso do papai !

Voc� condena o Crist�v�o
pelo seu mal proceder.
E nem se lembra, mam�e:
Que serei eu, quando crescer ?

Voc� fala da Liginha
que se veste muito mal !
Mas n�o sabe que a vizinha,
de seu vestir, fala igual !

E briga tanto comigo,
com meus irm�os, bem se v� !
Queria ter nascido antes
pr� ver vov� brigar com voc� . . .

Desculpe, m�ezinha querida,
no seu dia, dizer coisas tais.
� que, bem dentro de mim. . .
amo Voc� ! Muito ! Demais !

MEU PAI
(A Francisco Uzeda)

Quando nasci, pai,
foste tu, o primeiro
a levantar-me do ber�o,
beijar-me a face nascente,
a sorrir-me abertamente,
espalhando o seu querer
naquele pequeno ser
que vinha a este mundo viver,
totalmente incipiente !

Tu choravas . . .
e nas l�grimas derramadas,
de pura alegria e enlevo,
eu, menino, me banhava
chorando tamb�m,
mas. . . de pejo !

A teu lado, cresci,
sempre amigo e companheiro.
Tuas li��es aprendi.
E um foste um pai verdadeiro !

E quando te foste, pai,
para nunca mais voltar,
foram estes bra�os amigos
deste teu filho querido,
que te ergueram do leito
e te apertaram no peito,
pr� com eles,
te aninhar !

Tu partias - a sorrir !
Eu te beijava - a chorar!

REFLEX�O III

O corpo me prende � terra;
a alma me leva ao infinito !
Insustent�vel leveza,
at� quando resistir�s
a esta batalha da vida ?

Negativo: Agu�ado espinho
a perfurar;
pleno gozo de alegria
que me faz chorar !

Positivo: Perfume de rosas
a fluir,
doce odor de tristeza
que me faz sorrir !

Equil�brio: Fiel desta balan�a,
em v�o te procuro,
cansada de esperar.
Responde, se me escutas,
onde estar�s ?

SOLID�O

Por que cantas solid�o ?
Sabes bem que n�o �s s� !
Tens o mundo a teu redor,
tens a for�a do Universo,
tens a chave do sucesso
e a chama do Amor !
Nos livros, tens o progresso,
na poesia, j� tens o verso,
no cora��o, tens calor !

Dos p�ssaros, tens a alegria;
da natureza, o frescor;
tens a m�sica, a poesia
e na bondade, o valor !

Dos amigos, a lealdade;
deles, tamb�m, o calor.
Dos pobres, tens o carinho
e dos velhos, tens o amor !

Tua beleza � t�o grande
e a sabedoria, maior !
Minha amiga:
n�o ocultes teus valores;
eles s�o os teus pendores
desabrochando quais flores,
aos raios da luz do sol !

Amigo:
eu te agrade�o
palavras de cora��o.
Sabes bem melhor que eu,
a raz�o de meu viver;
meu viver sempre a cantar,
e a cantar a solid�o !

INFINITO

D�-me tuas m�os.
Na ternura deste afeto,
vem comigo
desvendar os caminhos
do misterioso infinito !

Viajar por uma estrada
iluminada e reta,
entre nuvens e estrelas,
onde, um sinal luminoso
nos indica
um recanto de paz.

Adiante, o al�m.
Nosso mundo ser�
somente luz e amor !
A vida - apenas um sonho
para dois,
num encontro feliz !
Em um dia feliz !

VIVER

Meu lar, doce ninho,
meu para�so perfeito !
No jardim, perfume de flores
e um bom livro, ao p� do leito !

Na janela de meu quarto,
os p�ssaros fazem a festa.
Pequeninos beija-flores
voam r�pido e pousam � sesta.

Os cambacicas ciumentos,
imitam-lhe o v�o ligeiro;
espadanam-se nas �guas
de seu banho costumeiro.

Trabalhando . . . cantando . . .
dan�ando . . . brincando . . .
sorrindo e sonhando . . .
Assim � o meu viver !
Refletindo . . .meditando . . .
v�o passando os desenganos,
passo os anos, sem saber !

No af� do dia a dia
sem sentir o tempo passar,
a velhice, a passos largos,
de mansinho . . . vem chegando . . .
sem, sequer, me perturbar . . .

S� s�bio

Nosso tempo � todo hoje !
Hoje! Hoje! Hoje!

O amanh� n�o existe hoje;
e se toda a vida vivermos,
n�o existir�, jamais . . .

O ontem que j� se foi,
p�r um momento - foi hoje
e no hoje - sempre ser�!
Hoje! Hoje! Hoje!

S� s�bio! S� s�bio!
Vive em profundo
o momento, a mudan�a,
a passagem, a inconst�ncia,
o v�o alto ou rasante
de teu instante atual!
Hoje! Hoje! Hoje!

Faze o bem enquanto o podes!
mas. . . que seja hoje, hoje !

Ama! se no peito, o ardor te clama!
mas . . . que seja hoje, hoje !

Chora, se a dor te aflige agora,
mas . . . que seja hoje, hoje !

Sorri, gargalha, s� feliz !
mas . . . que seja hoje, hoje !

Aprende com o bem que fazes
e com os espinhos da dor!

com o brilho da l�grima quente
que rola na face em rubor!

com as flores do sorriso
e o gargalhar das emo��es;
com a do�ura dos sonhos
e com as amargas ilus�es !

S� s�bio ! S� s�bio !
mas . . . que seja
Hoje! Hoje! Hoje!

SUBLIME ORQUESTRA��O

Inicia-se o espet�culo:
Algu�m levanta a batuta!
� a mais bela sinfonia
da orquestra de muitas vozes
cantada pelo Universo!

O mundo est� em acorde:
alguns emitem o grave,
outros tantos, o agudo;
um grupo de componentes
soa forte, os tons de base.

Muitos cantam a melodia!
A nota dominante
s� os c�lebres Carusos
ou tenores decididos,
s� eles sabem cantar!
O poeta em vig�lia, sonha...
O fil�sofo, encantado,
se resume a ouvir...
perceber... e escutar...

E se ele ambicionar
sentir forte a impress�o
da unidade em harmonia,
� preciso viajar...
viajar pelo espa�o,
viajar... e viajar...

Concentrado, em aten��o,
certamente ouvir�
tons que soam como a harpa,
ricos de belezas tais
que em tudo se diferem
das notas mais definidas
de outros instrumentais.

Cada planeta, em seu tom,
sua harmonia expressa
na perfei��o dos acordes
desta m�sica das esferas!

� a ess�ncia da Vida
falando...
� a pr�pria Vida
cantando...
a mais sublime can��o
da orquestra��o do Universo!






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