Capítulo 5 – Possuidor de um coração solitário

 

 

– Seu bilhete me surpreendeu – Severus olhou por cima dos ombros na mesa reservada do Hog's Head. – Não acha que está arriscando muito com uma aparição pública?

 

– Trago um recado. Talvez você precise ser lembrado de suas lealdades.

 

Severus ficou branco de ódio, mas não alterou a voz.

 

– É esse o recado? – Ele teve o cuidado de não usar nomes. Hog's Head, afinal de contas, estava longe de ser um lugar seguro.

 

– Em essência, sim – O disfarce de Lucius o fazia estranho aos olhos de Severus, com um cabelo curto castanho e olhos pretos. – Mas você pode querer tomar medidas preventivas revelando informações inéditas.

 

– Eu continuo de olho no garoto. Ele está agindo de modo suspeito, mas ainda não consegui descobrir por quê.

 

– Meu filho suspeita que ele tenha arranjado um interesse romântico. Há certas informações que circulam com mais facilidade entre adolescentes e não chegam ao conhecimento dos adultos.

 

– Seja como for, isso pode ser vantajoso. O garoto pode ficar descuidado, facilitando uma ação direta.

 

– Passarei o recado. É possível que seja uma informação bem-recebida.

 

– Ótimo – Severus ia se levantando, mas Lucius o deteve. – Algo mais?

 

– Por que a pressa? Amanhã você não trabalha. Podíamos nos dedicar a assuntos mais amenos.

 

– Este lugar não é seguro.

 

– Com assuntos mais amenos não haverá problema. Eu reservei um dos quartos do segundo andar para podermos... conversar.

 

Severus ficou ainda mais sem cor.

 

– Ainda assim, talvez não seja seguro.

 

– Ora, meu caro – um meio sorriso – Não há necessidade de gastarmos muito tempo na nossa... er, conversa.

 

– Não acha que poderíamos deixar isso para uma outra ocasião?

 

– Ora, velho amigo – O sorriso de Lucius não deixou dúvidas sobre suas intenções e Severus ficou ainda mais gelado por dentro. – Por que deixar passar essa oportunidade de renovar nossos antigos laços de amizade? Relembrar os velhos tempos? Não será divertido?

 

Severus sentiu o estômago se revoltar.

 

– Francamente, eu não me sinto inclinado.

 

Os olhos de Lucius adquiriram um conhecido tom gelado na inédita cor marrom:

 

– Francamente, velho amigo, espero que não esteja se esquecendo do passado. Recebi garantias de que nossa conversa seria... prazerosa. Seria lamentável ter que relatar que você tenha procedido de maneira diferente. Além do mais, meu caro, é inútil você tentar negar seu passado. Não pense por um minuto que você poderá ser algo diferente do que você sempre foi e sempre será.

 

Severus sentiu a dor de cada farpa com sensibilidade renovada. Ele era o que ele era. O envolvimento com Harry o tinha feito esquecer aquela verdade tão clara e presente. Mas Lucius estava ali para lembrá-lo do inevitável.

 

– Quarto 213 – Lucius ergueu-se, altivo e confiante. – Não demore.

 

Ele saiu sem sequer olhar para trás, indo em direção à escada dos fundos. Ele não se virou para ver se Severus o seguiria porque não precisava fazer isso.

 

Dois minutos mais tarde, humilhado, derrotado e com o coração em pedaços, Severus subiu as escadas.

 

 

Severus estava tão perturbado ao voltar para Hogwarts, que mal notou estar sendo observado. Sua Legilimência o deixou saber que uma pessoa estava no corredor, mas ele passou tão rápido que não verificou quem era, absorto em se trancar do mundo.

 

Lupin observou-o tomar o corredor para as masmorras e não teria lhe dedicado um segundo pensamento se não fosse o intenso cheiro de sexo que exalava do Mestre de Poções, tão forte que ele captara mesmo àquela distância.

 

O normalmente pacato licantropo sentiu uma onda de ódio a lhe inflamar o corpo. Como Severus podia fazer isso com Harry, traindo-o dessa maneira descarada e impudente? Ele tinha que falar com o rapaz. Severus não podia evitar ser o que era, mas ele ao menos devia pensar um pouco em Harry.

 

Por isso, na primeira aula que se seguiu, Lupin pediu a Harry que permanecesse após o final. O rapaz esperou a sala esvaziar-se e nem deixou Lupin falar, avançando sobre ele, agressivo:

 

– Espero que esteja contente agora.

 

– O que quer dizer?

 

– Ele terminou comigo. Não era isso que queria? – Harry parecia devastado e revoltado. – Agora você pode dormir descansado. O Death Eater grande e mau não vai mais me machucar.

 

– Está dizendo que a iniciativa foi dele?

 

– Isso mesmo! Faz quase uma semana! – Harry mal conseguia se controlar. – Ele cortou todo o contato comigo! Não quer nem que sejamos amigos! O que você disse para ele para ele fazer isso comigo?

 

Lupin mordeu o lábio. Se eles estavam rompidos há uma semana, então Severus não tinha traído Harry. Pelo menos isso. Pelo menos ele não tinha acumulado seus pecados e agira corretamente para com o rapaz. Severus fizera a coisa certa.

 

Pena que Harry estivesse tão envolvido na própria dor para perceber isso.

 

– Acredite, Harry, eu não tive nada a ver com isso, mas foi melhor assim. Sei que não pensa desta maneira, mas com o tempo você vai perceber que essa é a melhor solução. Olhe, se quiser conversar, ou se houver alguma coisa que eu possa fazer...

 

– Não, obrigado – Harry o interrompeu friamente. – Você já fez o suficiente.

 

E saiu, dando a conversa por encerrada e enxugando as lágrimas. Contudo, ao sair ao corredor, ele deu de cara com Ron e Hermione, que o estavam esperando do lado de fora da sala. Eles pareciam muito magoados.

 

– Você não ia contar nada para a gente? – perguntou Ron.

 

– Vocês ouviram a conversa?

 

– Um pouco – Hermione deu de ombros. – O suficiente para confirmar que você está nos escondendo coisas.

 

Harry suspirou. Ele não queria ter de lidar com os amigos sensíveis numa hora em que ele estava tão vulnerável e tão carente.

 

– Olhem, desculpem. Não escondi porque quis, as coisas simplesmente aconteceram. Mas acho que agora nada mais importa.

 

– O que você queria que nós fizéssemos? Você não fala com a gente, tá com uma cara horrível nos últimos dias, seu treino de Quidditch tem sido péssimo, teve outra briga com Snape... Só assim a gente ficou sabendo que você estava namorando.

 

– Harry, fala para gente o que está acontecendo – pediu Hermione, preocupada. – O que Lupin tem a ver se você e seu namorado terminaram?

 

– Aqui não. Vamos para um lugar seguro.

 

 

 

 

 

 

Capítulo 6 – O tempo sólido da mudança

 

 

Exausto emocionalmente, deprimido e solitário, Harry Potter fez seus dois melhores amigos jurarem solenemente jamais contarem o que estavam para ouvir. Só depois dessa promessa é que Harry lhes contou tudo. Tudo mesmo, sem esconder coisa alguma. Ele chorou muito no processo, mas descobriu que o desabafo o aliviara um pouco.

 

Por sua vez, Ron e Hermione estavam atônitos e perplexos com o que ouviram. E – no caso específico de Ron – também repugnados.

 

– Ew! – Ele fez uma careta. – Mas Harry, o morcegão sebento?

 

– Eu o amo – Harry sentiu a irritação crescer. – Você também vai me dizer que ele não serve para mim por causa do passado dele?

 

– Não é isso. É que ele é tão feio, tão nojento, tão seboso, tão velho...

 

– Ron! – Hermione deu-lhe um tapa no braço. – Não fale assim. Não tá vendo que o Harry gosta dele?

 

– É, mas ele terminou sendo um idiota, não foi? Deu um chute no Harry – Ron parecia revoltado. – Se ele gostasse mesmo do Harry, não teria feito isso. Lupin fez bem, se é que ele falou com a peste. Você pode arranjar coisa muito melhor que o Snape, Harry, e sem fazer muito esforço. Foi bom para um verão, mas acabou. Se você vai sair com um homem, que pelo menos seja um bonito.

 

– Vocês não entendem – Harry estava infeliz. – Para mim não foi coisa só de um verão. Eu sinto tanta falta dele.

 

– Mas ele disse que depois da formatura vocês iam poder se ver, não disse? Você só tem que esperar.

 

– Não sei se eu vou agüentar, 'Mione – choramingou.

 

– Veja o lado bom da coisa: você não tem mais Poções. Não precisa mais cruzar com ele todos os dias.

 

Harry não tinha certeza se isso era bom ou ruim: poupar-se da dor de ver Severus apenas de longe ou sofrer a saudade de nem vê-lo.

 

 

 

Os dias passaram a se arrastar, e Severus viu com pavor e preocupação a chegada das mudanças inevitáveis. Sua ausência no café da manhã passou a ser costumeira, e se os alunos notaram alguma coisa nada comentaram. Mas aquele dia, em particular, ele estava se sentindo especialmente drenado. Tudo lhe pesava: o segredo que carregava, os alunos néscios, o trabalho de espionagem, as exigências de Dumbledore, a separação de Harry... Sua vida lhe parecia uma lista longa de infortúnios.

 

Quando ele deu por encerrada a última aula do dia, seu corpo estava lento e pesado, e ele ansiou por um banho relaxante antes do jantar. Mas um aluno ficara para trás. E não era nem seu aluno, constatou.

 

Harry.

 

Ele evitou olhar o rapaz, fingindo juntar alguns papéis na sua mesa.

 

– Esta não é sua sala, Mr. Potter. Está perdido?

 

– Estou. Sem você, estou completamente perdido, Severus.

 

A afirmação provocou uma reação física em Severus, que chegou a tontear. Mas disfarçou:

 

– Não tinha percebido seu pendor para o drama. Ou será uma tentativa de humor?

 

– Isso não é piada. Precisa me dar mais uma chance.

 

A tontura persistiu.

 

– Mr, Potter, nós já discutimos isso. Se esse é todo o seu assunto, por favor, queira deixar o recinto.

 

– Vamos conversar, por favor. Ao menos sobre as aulas de Poções. Tenho dificuldades em algumas delas.

 

Severus passou a fingir que verificava os caldeirões, andando entre as mesas para não ter que encarar Harry, ainda combatendo a tontura:

 

– Seu instrutor de Poções é o Prof. Dumbledore. Deve falar com ele.

 

– É sua disciplina. Eu deveria estar tendo aulas com você.

 

– Isso não é possível – A tontura agora estava acompanhada por uma incômoda falta de ar. – Por favor, Mr. Potter, saia agora.

 

– Severus, por favor, ao menos olhe para mim.

 

Mas a visão dele começou a turvar-se, e a sala, a girar. Ele se apoiou na mesa, ofegante:

 

– Não gosto de me repetir, Mr. Potter... Vá, antes que eu... tire pontos...

 

Harry soou distante:

 

– Severus, tudo bem?

 

A cabeça começou apesar de forma irresistível, o suor brotando-lhe na testa:

 

– Vá embora, Potter... Me deixe...

 

– Severus? Severus!

 

Os joelhos se dobraram e ele foi ao chão, os sentidos se fechando e transportando-o para o universo tranqüilo e aconchegante da inconsciência.

 

 

 

 

Quando foi chamado para se apresentar à enfermaria, Harry sabia que o assunto era Severus, mas ele não fazia a menor idéia das implicações envolvidas. Ele se apresentou esperando receber um simples relatório médico. Ele deveria ter adivinhado que a presença do Prof. Dumbledore era uma evidência das complicações que o esperavam.

 

– Como ele está?

 

– O Prof. Snape ainda está descansando, sob o efeito de sedativos – esclareceu o diretor. – Eu o chamei porque precisamos conversar sobre ele, Harry. Madame Pomfrey fez um exame completo no Prof. Snape e veio com um diagnóstico surpreendente: ele está grávido.

 

Harry arregalou os olhos:

 

– Grávido?... Como pode ser?

 

– Aparentemente, aquele acidente com poções há algumas semanas não foi totalmente inofensivo. A combinação das poções produziu uma Poção de Fertilidade, que foi absorvida pela pele do Prof. Snape e assim passou a agir. Normalmente, uma poção dessas por si só não assegura a gravidez, mas o Prof. Snape carreava dentro de si tecidos vivos do outro pai. E ele é você, Harry. Madame Pomfrey fez o teste e não dúvida. O filho é seu.

 

– Não pode ser – Harry disse. – Não havia Poção da Fertilidade no laboratório. Eu fazia uma Poção de Clareamento e Severus examinava outras, eu me lembro disso.

 

– Elas se combinaram e resultaram nessa Poção de Fertilidade por puro acidente – esclareceu Dumbledore. – Harry, o que aconteceu não foi culpa de ninguém.

 

– Será que ele sabe disso?

 

– Tenho certeza de que sabe.

 

– Então por que não me disse nada? Por que me escondeu isso?

 

– Por causa das conseqüências – Dumbledore estava grave e sombrio. – Veja você, Harry, que o Prof. Snape é solteiro. Pela lei, uma pessoa grávida e solteira deve ser devolvida ao pai, mãe, tutor, guardião ou responsável.

 

– Isso não é só para menores?

 

– Não, isso se aplica a todos os solteiros. É uma lei em desuso, mas eu não tenho dúvidas de que o pai de Severus vai lançar mão dela para ter poderes sobre o filho.

 

– O pai dele? Pensei que ele tivesse morrido.

 

– Sevinus Snape está bem vivo e se ele tomar conhecimento da condição de Severus, poderá reclamar os direitos sobre o filho. E ninguém poderá impedir.

 

– Isso é um absurdo – Harry se lembrou das aulas de Legilimência e das memórias de Severus, dos abusos sofridos nas mãos do pai. – E se Severus se recusar? Ou fugir?

 

– A lei está do lado de Sevinus. Severus seria caçado e entregue ao pai – Dumbledore parecia estar dando a notícia de um falecimento. – Enquanto ele for solteiro e estiver grávido, a lei está do lado de seu pai.

 

– Então... ele só precisa se casar. Eu me caso com ele!

 

A expressão de Dumbledore suavizou-se um pouco. Ele queria sugerir isso mesmo, mas não podia impor uma responsabilidade tão grande como essa ao rapaz, tão jovem. Mas Harry terminara sugerindo por si mesmo. De qualquer forma, ele tinha que alertar:

 

– Harry, essa é uma decisão muito séria. Ela implica um compromisso para a vida toda, pois não são muitas as chances de divórcio. Divorciados não são bem-vistos na sociedade bruxa. Pense bem.

 

– Está tudo bem, senhor. Eu o amo. Ele disse que não queria nada comigo até a formatura, mas agora não precisamos mais esperar, e eu estou feliz.

 

– Então está certo, se é o que você quer realmente. Vamos esperar que Severus concorde com essa solução.

 

– Por que ele não concordaria?

 

– Você conhece Severus. Ele pode ser... complicado.

 

Harry pensou e teve que concordar com o diretor.

 

 

 

 

Pela segunda vez em poucas semanas, Severus acordou desorientado na enfermaria de Hogwarts. E pelo mesmo motivo. Desta vez, porém, ao ver Pomfrey, Dumbledore e Harry a encará-lo, ele imediatamente percebeu o ocorrido.

 

– Bem-vindo de volta, Severus – Dumbledore sorria. – Espero que se sinta melhor.

 

– Estou ótimo – ele disse automaticamente, mas constatou que era verdade, para sua surpresa: o mal-estar tinha passado e a cabeça não girava, embora ele ainda estivesse muito pálido. – Suponho que tenham me examinado e descoberto minha condição.

 

– Exato! – Madame Pomfrey parecia mais furiosa do que nunca. – Posso lhe dizer dos riscos que correu ao esconder sua gravidez esse tempo todo? Os riscos não eram só seus, mas também da criança, Severus! Uma gravidez masculina precisa ser cuidadosamente acompanhada, e desde o começo. Foi um milagre você não ter tido algo mais sério.

 

– E o que foi que eu tive?

 

– Só uma queda de pressão, por ter ficado muito tempo de pé. Você vai precisar cuidar disso.

 

Severus suspirou. Ele pensou que poderia manter sua gravidez em segredo por mais tempo, mas isso não tinha sido possível. Ele olhou para Harry e indagou:

 

– O que ele está fazendo aqui?

 

– O pai do seu filho está aqui para remediar a situação. Harry quer se casar com você.

 

Gelo substituiu-lhe o sangue nas veias. Ele demorou a achar a voz:

 

– Diretor... Não pode permitir... Ele é apenas um menino!...

 

Harry se adiantou:

 

– A idéia foi minha, Severus. Agora poderemos ficar juntos!

 

– Harry está ciente das alternativas – garantiu Dumbledore. – Ele concordou de livre e espontânea vontade.

 

– Não pode permitir que ele destrua sua vida desse jeito – insistiu Severus, grave, praticamente ignorando Harry. – Ele não pode se casar com uma pessoa como eu. Haverá protestos, muitas pessoas podem protestar. Além do mais, ele não deveria ser obrigado a fazer esse sacrifício.

 

– Não é sacrifício nenhum! Severus, eu te amo e nós vamos ter um bebê. Por que eu não me casaria com você?

 

– Eu repito: uma pessoa como eu...

 

– Eu sei o que vai acontecer se você ficar solteiro, e não vou deixar seu pai ter qualquer poder sobre você e sobre nosso filho.

 

Severus ficou ainda mais pálido, mas fechou a cara.

 

– Falou como um verdadeiro Gryffindor. Nobre e inconseqüente.

 

– Mas esse lance com seu pai não é o mais importante. Eu amo você, Severus e me casaria com você mesmo que não houvesse essa ameaça. Mas pela sua insistência, estou começando a achar que você é que não quer se casar comigo.

 

A idéia horrorizou Severus, que suavizou o rosto:

 

– Claro que não é isso, Harry. Longe disso. Eu só...

 

– Então diga sim – interrompeu Harry de novo. – Diga que vai se casar comigo.

 

Severus apertou os lábios. Ele não tinha muitas alternativas – a não ser as desesperadas (suicídio, fuga) – e sabia disso. O problema é que ele estava certo de que não merecia se casar com Harry. E Harry tinha o direito de saber por quê.

 

– Eu aceito SE você prestar atenção no que tenho a lhe mostrar antes do casamento. Se depois disso você ainda quiser se casar comigo, eu não protestarei mais.

 

– Severus... – começou Dumbledore.

 

– Não, Albus, eu vou bater pé nisso. Harry merece saber.

 

Sorrindo diante da insistência do homem que amava, Harry pegou a mão de Severus:

 

– Nada poderá me fazer mudar de idéia, Severus. Nós vamos nos casar.

 

– Excelente! – Dumbledore bateu palmas. – A prudência recomenda que isso seja providenciado o mais breve possível. Poppy, quando Severus será liberado da enfermaria?

 

A enfermeira respondeu:

 

– Ele na verdade está muito bem, mas depois do que aconteceu, eu vou mantê-lo aqui por essa noite, para ter certeza de que ele vai dormir a noite toda. Assim a pressão dele vai se estabilizar mais rápido.

 

Antes que Severus pudesse protestar, o diretor o interrompeu:

 

– Está muito bem. Vou anunciar hoje mesmo no jantar que vocês dois se casarão amanhã, antes do almoço, e que haverá um banquete especial de comemoração. Está bem assim?

 

Harry concordou, feliz. Severus deu de ombros, mas tinha que admitir estar experimentando algum alívio. Em breve, tudo estaria resolvido, de um jeito ou de outro.

 

Madame Pomfrey retirou Harry e Dumbledore da enfermaria, alegando que Severus precisava descansar. No corredor, Harry indagou ao diretor:

 

– Senhor, tem certeza de que estamos fazendo a coisa certa?

 

– Está tendo dúvidas, Harry? Veja bem, eu não estou condenando, afinal essa é a hora de ter dúvidas, e não depois do casamento.

 

– Não, não tenho dúvidas sobre o casamento. Não é isso. É que não acho que Severus deva estar afastado da família. Ele não tem ninguém além do pai, e os dois deviam tentar fazer as pazes. Não acha?

 

– É melhor não pensar nisso, Harry – Dumbledore olhou-o com severidade. – A distância entre Severus e seu pai é tão física quanto emocional, e só a boa vontade de ambos poderá ser capaz de encurtá-la. Mas a iniciativa deve partir deles.

 

– Ele mora muito longe?

 

– Ao sul, na residência da família no condado que leva o seu nome. Bem longe de Hogwarts – Dumbledore olhou Harry. – Mas eu insisto e repito: é melhor esquecer isso.

 

– Está bem – o rapaz concordou. – Agora vou fazer os preparativos para o casamento. Tenho permissão para ir a Hogsmeade comprar as alianças?

 

– Claro, meu rapaz. Agora, se me der licença, tenho um banquete e uma cerimônia para preparar!

 

Harry sabia que estava com a cabeça cheia. Em menos de duas horas, ele saíra de uma severa depressão para uma espécie de euforia quieta. Em menos de 12 horas, ele seria um marido e um pai de família. Do homem que amava.

 

Mas antes ele precisava cuidar de uma coisinha.

 

 

 

 

 

Hosted by www.Geocities.ws

1