Capítulo 6 – Dose tripla

 

Ao contrário das expectativas do jovem Mestre de Poções, os três garotos mal agüentaram brincar durante uma hora depois que chegaram aos aposentos. O dia inteiro de atividades e brincadeiras deixou os três mortinhos. Eles nem quiseram jantar. Foram para a cama, brincar de barraca, e uns 50 minutos depois, quando não havia mais barulho no quarto de Harry, Severus encontrou os três adormecidos na cama, juntos. Ajeitou-os, pôs um feitiço de monitoramento e deixou uma luz indireta, para os outros dois não se sentirem temerosos de acordar num lugar escuro.

 

– E então? – perguntou Remus, já na cama.

 

– Como você previu: os três apagaram totalmente. Pensei que eles fossem resistir um pouco mais, depois de todo o açúcar que ingeriram. Mas não. Eu os cobri, e ninguém acordou.

 

– Eles devem dormir direto até amanhã cedo. Fez um feitiço só para a gente ficar tranqüilo?

 

– Sim. Se um deles levantar, saberemos.

 

– Eles dificilmente vão acordar durante a noite – garantiu Remus, enquanto Severus trocava de roupa para entrar na cama. – Mas de manhã cedo vão acordar cheios de energia.

 

– Amanhã lidaremos com isso – Severus se enfiou embaixo das cobertas. – Aparentemente, a festa foi um sucesso.

 

– Sim – Remus se abraçou a ele e beijou-o. – Graças a meu marido talentoso.

 

– Você também merece elogios. Reparou como Harry estava feliz?

 

– Ele estava positivamente radiante. E a carinha dele quando recebeu a vassoura?

 

– Valeu a pena todo esse trabalho, não?

 

– Totalmente. Você tem as melhores idéias, Severus. Nunca vi Harry tão feliz.

 

– Podemos começar a pensar no aniversário do ano que vem.

 

– No que está pensando?

 

– Em economizar para viajarmos para fora do país. Férias bruxas. Talvez para aquele santuário de dragões na Romênia.

 

– Albus ficará decepcionado se não tiver festa.

 

– Podemos dar uma, então. Mas uma pequena.

 

– Sem pressa, Severus. Temos um ano para organizar. Agora por favor, vamos dormir. Algo me diz que amanhã, com esses três, será um longo dia.

 

 

Severus e Remus não tinham prática de tomar conta de três crianças ao mesmo tempo, mas até que se saíram muito bem em vestir e alimentá-los. Combinaram de tomar conta deles em turnos: Severus pegaria a parte da manhã, e Remus ficaria à tarde.

 

O trio mal podia esperar para chegar até lá fora. A brincadeira era voar de vassoura, e eles queriam brincar no grande gramado perto da quadra de Quidditch. Severus levou um livro. Um livro grosso.

 

– Vocês têm que ficar na minha vista o tempo todo. Lembrem-se: se eu posso vê-los, vocês podem me ver. Então, se não me virem, é porque estão errados, entenderam?

 

– Sim, Prof. Snape.

 

– Então podem ir.

 

Os três saíram correndo, Harry gritando:

 

– Corrida! Quem chegar primeiro perto do estádio ganha!

 

Severus ergueu uma sobrancelha. Seu filho era mesmo muito competitivo. Mas os outros dois aceitaram o desafio e lá se foram, correndo, os gritinhos chegando como música a seus ouvidos.

 

Ele abriu o livro e olhou o sol de verão. Até que não era uma tarefa ruim, cuidar de crianças que sabiam como se entreter.

 

 

– Podemos voar em turnos – sugeriu Harry. – Eu vou primeiro!

 

– Mas até você voltar, a gente fica parado! – reclamou Ron.

 

– Podemos correr! Apostar uma corrida.

 

– Contra uma vassoura? – Neville não acreditou. – Não temos chance!

 

– Essa vassoura não é de gente grande – explicou Harry. – Acho que dá para apostar corrida com ela. Aí quem ganhar pode dar uma volta na vassoura!

 

Eles brincaram durante um tempo assim, mas Harry começou a achar sua vassoura muito lenta. Ele tinha na mente as imagens das partidas de Quidditch, com as vassouras cortando o céu, lá em cima no alto. A sua vassoura nem chegava perto do céu. O menino estava frustrado e tentava fazer a vassoura ir mais alto.

 

– Puxa!... Eu queria voar que nem o Charlie e o Bill...

 

– Mas eles são grandes! – argumentou Ron. – Têm 14, 16 anos. Ainda falta muito tempo até a gente ficar daquele tamanho.

 

– Aí a gente vai poder voar de vassoura grande, que vai lá bem alto! E vou poder entrar no time de Quidditch! – Harry tentou dar um mortal, mas a vassoura não obedeceu. – Droga. Ela não vai mais alto.

 

Ron sugeriu:

 

– Dá para fazer oitos. Sabe, assim, tipo ziguezague!

 

Neville deu uma risada e cobriu a boca:

 

– Eu fico tonto!

 

Harry tentava ir mais alto, sem sucesso. Ele olhava os passarinhos voando e imaginava que um dia poderia apostar corrida com eles. Ou ir tão alto que ia dar para ver as árvores da Floresta Proibida!

 

– Ia ser legal – falou em voz baixa.

 

Neville notou uma coisa e observou:

 

– Harry, você tá indo para longe. Seu pai vai brigar.

 

– Ele ainda pode me ver! – gritou Harry, fazendo um oito acima dos amigos.

 

Mas Harry estava arriscando e ele sabia disso. Eles estavam mesmo longe, e dali a qualquer minuto, seu Papai Severus iria berrar para eles ficarem mais perto. Ele olhou para os arbustos ali perto e imaginou estar voando acima da Floresta Proibida, bem alto, pertinho do céu, como se fosse grande que nem Bill Weasley.

 

Harry ficou de olho nos arbustos e de repente dois olhos que pareciam ser amarelos o encararam de volta. O garoto piscou, e uma cabeça preta imensa pareceu emergir de dentro dos arbustos, pulando num corpo ágil e preto, de músculos treinados e pêlo emaranhado, uma bocarra cheia de presas se abrindo, ele podia ver a saliva dos grandes dentes.

 

Harry não teve tempo de gritar.

 

Harry não teve tempo para coisa alguma antes que o animal atacasse.

 

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