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POSTERS Coordenador - Clauberson Rios – UNIFOR/LABIO/CLIO
Prof. Orientador: Henrique Carneiro
Uma reflexão sobre a guerra à luz dos conceitos de Freud e Nietzsche
Introdução O presente trabalho discorre sobre a problemática da guerra a partir dos escritos freudianos e nietzschianos, abordando os questionamentos, as hipóteses e a angústia decorrente da desilusão e do luto ocasionado durante tais acontecimentos. Procurarei dialogar dentre os conceitos construídos por Freud e Nietzsche, sempre procurando uma interlocução no que se refere aos seus conceitos que evidenciam as forças dicotômicas que movem o humano: Eros e Tanatos; Apolíneo e Dionísio. O trabalho fundamenta-se em Freud nos seus escritos que datam de 1915 em “Reflexões para os tempos de guerra e morte”, bem como os mais desenvolvidos propostos em 1931 como “Mal estar na civilização” e em 1936 com “Por que a guerra?”. Em Nietzsche, fundamentei com sua obra “O nascimento da tragédia” de 1871 e “Assim falou Zaratustra” de 1885. Penso que o tema descrito ainda continua pertinente em nossa sociedade contemporânea, uma vez que tais fatos continuam presentes e que ainda nos causa tanto sofrimento, pois nos põe diante do incompreensível e nos confronta com a nossa condição existencial de sujeito faltoso.
Metodologia Utilizei como recurso metodológico à pesquisa qualitativa sob o viés freudiano e nietzschiano, relacionando aspectos de suas teorias, seja numa vertente mais social, abordando alguns impasses da civilização, seja numa vertente mais singular do sujeito, analisando seus aspectos paradoxais.
Desenvolvimento Articulei as questões pertinentes da obra de Freud e Nietzsche no que diz respeito aos atos perversos proferidos no período de guerra, sendo este gerador de questionamentos e incompreensão frente ao processo civilizatório, caracterizado por fatores externos sustentados pela educação, pela lei, pela ordem, e pelos tabus que restringem e que direcionam as pulsões destrutivas para tendências altruístas, culturais e sociais. Freud, em 1922, reformula sua teoria das pulsões, apresentando em Além do principio do prazer, a contraposição pulsional presente em cada sujeito, a pulsão de vida, sendo representada por Eros, promove coesão, ligação e preserva a vida. A pulsão de morte, representado por Tanatos, promove uma força disruptora, de desligamento e que visa em última instância o retorno a um estado inorgânico. Em Nietzsche, vimos que toda civilização foi construída a partir de uma barbárie,ou seja, o ser humano vive sob um choque de tensões, um combate em que Dionísio.representa o lado sanguinário e cruel da vida, enquanto Apolíneo representa a harmonia,a paz e o equilíbrio.Freud e Nietzsche não apresentam soluções e nem respostas prontas e acabadas e sim nos leva a refletir sobre os vínculos e os laços que a civilização promove, tendo estes influência direta sobre os impulsos agressivos e destrutivos em cada sujeito.
Conclusão Diante do que foi exposto na presente pesquisa, não cheguei a uma conclusão encerrada acerca dos sentimentos e desejos implicados nos períodos de guerra.Diante de um levantamento bibliográfico de Freud e Nietzsche, pude perceber a complexidade de nossas relações com o Outro e dos laços que nos sustentam. O que pude constatar, a partir dos escritos freudianos e nietzschianos, foi que a agressividade e o sentimento destrutivo são inerentes a natureza humana e que precisam ser mobilizadas para outros fins através da cultura, por meio da criação de vínculos promovedores de uma “consciência moral” norteadora de nossas relações sociais.
Referências Freud, Sigmund. (1996a). Artigos sobre a metapsicologia e outros trabalhos. (Obras completas). Rio de Janeiro: Imago editora. Freud, Sigmund. (1996b). O Mal-estar na civilização e outros trabalhos. (Obras completas). Rio de Janeiro: Imago editora. Freud, Sigmund. (1996c). Novas conferências introdutórias sobre psicanálise e outros trabalhos. (Obras completas). Rio de Janeiro: Imago editora. Freud, Sigmund. (1996d). Além do princípio do prazer. (Obras completas). Rio de Janeiro: Imago editora. Roudinesco, E. (1998). Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. Nietzsche, F. O nascimento da tragédia. ( Trad. J. Guinsburg). São Paulo: Companhia das letras. Nietzsche, F. (1995). Assim falou Zaratustra. (Trad. Ciro Mioranza). São Paulo: Ed.Escala. |
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