ROTEIRO

                          EMMANUEL

         A Terra

   A terra é um magneto enorme, gigantesco aparelho cósmico em que fazemos, a pleno céu, nossa viagem evolutiva.

    Comboio imenso. A deslocar-se sobre si mesmo e girando em torno do sol, podemos comparar as classes sociais que o habitam a grandes vagões de categorias diversas.

    De quando em quando, permutamos lugar com os nossos vizinhos e companheiros.

    Quem viaja em instalações de luxo volta a conhecer os bancos humildes em carros de condição inferior.

    Quem segue nas acomodações singelas, ergue-se, depois, a situações invejáveis, alterando as experiências que lhe dizem respeito.

    Temos ai o símbolo das reencarnações.

    De corpo em corpo, como quem se utiliza de variadas vestiduras, peregrina o Espírito de existência em existência, buscando aquisições novas para o tesouro de amor e sabedoria que lhe constituirá divina garantia no campo da eternidade.

     Podemos, ainda, filosoficamente, classificar o planeta, com mais propriedade, tomando-o por nossa escola multimilenária.

     Há muitos aprendizes que lhe ocupam as instalações, na expectativa inoperante, mas o tempo lhes cobra caro a ociosidade, separando-os, por fim, de paisagens e criaturas amadas ou relegando-os à paralisia ou à cristalização, em largos despenhadeiros de sombra.

     Outros alunos indagam, dia e noite... e, com as perquirições  viciosas,perdem os valores do tempo.

     Imaginemos um educandário, em cuja intimidade comparecessem os discípulos de primária iniciação, exigindo retribuições e homenagens, antes de se confiarem ao estudo das primeiras lições.

     O menino bisonho não poderia reclamar esclarecimentos, quanto à congregação que dirige a casa de ensino onde está recebendo as primeiras letras.

     E, ante a grandeza infinita da vida que nos cerca, não passamos de crianças no conhecimento superior.

     Vacilamos, tateamos e experimentamos, a fim de aprender e amealhar os recursos do Espírito.

     Compete-nos, assim, tão-somente, um direito:

- o direito de trabalhar e servir, obedecendo às disciplinas edificantes que a Sabedoria Perfeita nos oferece, através das variadas circunstâncias em que a nossa vida se movimenta.

     Ninguém se engane, julgando mistificar a natureza.

     O trabalho é divina lei.

     Pesquisar indefinidamente, na maioria das vezes é disfarçar a preguiça intelectual.

      A vida, porém, é ociosa dos seus segredos e somente responde com segurança aos que lhe batem à porta com o esforço incessante do trabalhador que deseja para si a coroa resplendente do apostolado no serviço.

            Finalidades 

    O homem permanece envolto em largo oceano de pensamentos, nutrindo-se de substância mental, em grande proporção.

    Toda criatura absorve, sem perceber, a influência alheia nos recursos imponderáveis que lhe equilibram a existência.

    Em forma de impulsos e estímulos, a alma recolhe, nos pensamentos que atrai, as forças de sustentação que lhe garantem as tarefas no lugar em que se coloca.

    O homem poderá estender muito longe o raio de suas próprias realizações, na ordem material do mundo, mas, sem a energia mental na base de suas manifestações, efetivamente nada conseguirá.

    Sem os raios vivos e diferenciados dessa força, os valores evolutivos dormiriam latentes, em todas as direções.

    A mente em qualquer plano, emite e recebe, dá e recolhe, renovando-se constantemente para o alto destino que lhe compete atingir.

    Estamos assimilando correntes mentais, de maneira permanente.

De modo imperceptível “ingerimos pensamentos”, a cada instante, projetando, em torno de nossa individualidade, as forças que acalentamos em nós mesmos.

    Por isso, quem não se habilite a conhecimentos mais altos, quem não exercite a vontade para sobrepor-se às circunstâncias de ordem inferior, padecerá, invariavelmente, a imposição do meio em que se localiza.

   Somos afetados pelas vibrações de paisagens, pessoas e coisas que nos cercam.

   Se nos confiamos às impressões alheias de enfermidade e amargura, apressadamente se nos altera o “tônus mental”, inclinando-nos à franca receptividade de moléstias indefiníveis.

   Se nos devotamos a convívio com pessoas operosas e dinâmicas, encontramos valioso sustentáculos aos  nossos propósitos do trabalho e realização.

     Princípios idênticos regem as nossas relações uns com os outros, encarnados e desencarnados.

    Conversações alimentam conversações.

    Pensamentos ampliam pensamentos.

    Demoramo-nos com quem se afina conosco.

    Falamos sempre ou sempre agimos pelo grupo de espíritos a que nos ligamos.

    Nossa inspiração está filiada ao conjunto dos que sentem como nós, tanto quanto a fonte está comandada pela nascente.

   Somos obsediados por amigos desencarnados ou não, e auxiliados por benfeitores  , em qualquer plano da vida, de conformidade com a nossa condição  mental.

   Daí, o imperativo de nossa constante renovação para o bem infinito.

  Trabalhar incessantemente é dever

  Servir é eleva-se.

  Aprender é conquistar novos horizontes.

  Amar é engrandecer-se.

  Trabalhando e servindo, aprendendo e amando, a nossa vida íntima se ilumina e se aperfeiçoa, entrando gradativamente em contacto com os grandes gênios da imortalidade gloriosa.

  

   Nos Círculos        da   Matéria

     Superando as vulgaridades que lhe assinalam a romagem na carne, o Espírito reconhece a sua posição de internado nos círculos da matéria que, a seu turno, é simplesmente o conjunto das vidas inferiores, suscetível de ser examinado pela nossa capacidade de apreciação.

      Em seus múltiplos estados, a matéria é força coagulada, dentro de extensas faixas dinâmicas, guardando a entidade mental de tipos diversos, em seu longo roteiro evolutivo.

     Corpos sólidos, líquidos, gasosos, fluidos densos e radiantes, energias sutis, raios de variadas espécies e poderes ocultos tecem a rede em que a nosso consciência se desenvolve, na expansão para a imortalidade gloriosa.

     O Homem é um gênio divino em aperfeiçoamento ou um anjo nascituro, no grande império das existências microscópicas em cujo âmbito é escravo natural das ordenações superiores e legitimo senhor das potencias menores.

     Em torno dele tudo é movimento, transformação e renovação. No seio multifário  da natureza em que se agita, tudo se modifica no embate turbilhonário das energias que lhe favorecem a experiência e a ascensão.

     Embora a ordem dominante nos elementos infra-infinitesimais, tudo ai se desfaz e se refaz incessantemente,oferecendo ao Espírito fases importantes de materialização e desmaterialização, dentro de leis sistemáticas que funcionam em igualdade de condições para todos.

     Mas, além, dos elementos químicos analisados, entre o hidrogênio e o urânio, que se agrupam no planeta, através de infinitas combinações, jazem as linhas de força do mundo subatômico, geradas pelos potenciais elétricos e magnéticos que presidem a todos os fenômenos da vida e, por trás dessas linhas positivas, neutras ou negativas, que constituem a matéria, verdadeira aglomeração de sistemas solares microscópios e de nebulosas infinitesimais, permanece o pensamento que tudo cria, renova e destrói para refazer.

     A energia mental é o fermento vivo que  improvisa, altera, constringe, alarga, assimila, desassimila, integra, pulveriza ou recompõe a matéria em todas as dimensões.

     Por isso mesmo, somos o que decidimos, possuímos o que desejamos, estamos onde preferimos e encontramos a vitória, a derrota ou a estagnação, conforme imaginamos.

     A história da criação, no livro de Moisés, idealizando o senhor diante do abismo, simboliza a força da mente perante o cosmo.

    “Faça-se a luz – determinou a Divina vontade – e a luz se fez sobre as trevas”.

     Por nossa vez, cada dia, proclamamos com as nossas idéias, atitudes, palavras e atos: - “faça-se o destino!”  a vida nos traz aquilo que dela reclamamos.

     Os acontecimentos obedecem às nossas intenções e provocações manifestas ou ocultas.

     Encontraremos o que merecemos, porque merecemos o que buscamos.

 A existência, pois, para nós, em qualquer parte,será invariavelmente segundo pensamos.

  

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