O bordão, repetido aos gritos em 1989 pelo então desconhecido candidato à Presidência da República, hoje é a marca registrada do eterno presidenciável Enéas Carneiro.
Naquele ano, o Prona (Partido da Reedificação da Ordem Nacional) de Enéas dispunha de apenas 17 segundos do tempo de televisão no horário eleitoral gratuito. Mesmo assim, o candidato Enéas conseguiu arrebanhar mais de 360 mil votos e terminou as eleições em 12 º lugar entre os 21 candidatos.
O salto de Enéas e do Prona, que havia sido fundado meses antes do pleito de 1989, se daria nas eleições presidenciais seguintes. Em 1994, com 68 segundos diários, Enéas conseguiu mais de 4,6 milhões de votos.
O resultado foi notável, pois Enéas foi o terceiro candidato mais votado do país, derrotando políticos tradicionais como Leonel Brizola e Orestes Quércia, e ficando atrás apenas de Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva.
Na campanha de 1998, com mais tempo de TV (70 segundos), Enéas passou a explorar mais as suas idéias nacionalistas.
A mais polêmica delas era a defesa da fabricação ”pacífica“ da bomba atômica pelo Brasil. "A bomba atômica é fundamental. Não para jogar em ninguém, mas para sermos respeitados", afirmou.
Com a ascensão de Ciro Gomes, Enéas acabou em quarto lugar, novamente atrás apenas de FHC e Lula, mas superado pelo ex-governador do Ceará.
Em 2000, contrariando sua antiga promessa de disputar somente a Presidência, concorreu à Prefeitura de São Paulo. Apesar de derrotado, viu a candidata do Prona, Havanir Nimtz, obter a segunda maior votação entre os vereadores eleitos, com mais de 87 mil votos.
Enéas Ferreira Carneiro, casado e com três filhas, nasceu em Rio Branco, no Acre, em 5 de novembro de 1938. De família muito pobre, perdeu os pais quando tinha 9 anos de idade.
Em 1958, mudou-se para o Rio de Janeiro. Cursou a Escola de Saúde do Exército e, em 1959, graduou-se como terceiro-sargento auxiliar de anestesia. Deixou o Exército em 1965 e, no mesmo ano, formou-se na Faculdade Fluminense de Medicina, com especialização em cardiologia.
Em 1980, foi admitido por concurso público no hospital do Câncer do Rio de Janeiro, de onde pediu demissão em 1994. De 1990 até a data de sua saída da instituição, Enéas ficou em disponibilidade.
Sua especialidade hoje são os cursos de eletrocardiografia que ministra em São Paulo e no Rio de Janeiro. Escreveu, inclusive, um livro sobre o assunto: "O Eletrocardiograma".