O sangue j� escorria por seu rosto. As palavras pesavam. O som pesava. O burburinho pesava. A algazarra na rua. Os sons, as palavras, os significados... Tudo desordenado. Certo momento olhou para a janela de seu quarto e parecia que ela, a janela, falava-lhe algo. Parecia que a janela emitia algum som... N�o! Gritou Roda-Mundo. O vento levantou o len�ol que lhe abrigara e Roda-Mundo escutou o seu len�ol falar, emitir algum som. O travesseiro parecia gritar, rosnar, serpentear alguma coisa.

Um fio de sangue mui brilhante corria por seu car�o. Ele debatia-se no ch�o. Corria para um e outro lado do quarto em espiral. �Mario, vem tomar o caf�! Roda-Mundo chorava. �Mario, vem tomar o caf�! Roda-Mundo... Roda-Mundo... Roda-Mundo parecia escutar a voz, o grito, o som, o rugido de sua pr�pria consci�ncia. A porta de seu quarto gritava. Seus chinelos bramiam. Sua cama cascalhava qualquer coisa.

Roda-Mundo... Roda-Mundo... Roda-Mundo... �Mario, vem tomar o caf�! �Oi�, �Jesus est� voltando�. �Ave-Maria cheia de gra�a�. �Ai�. Roda-Mundo caiu no ch�o vermelho e frio de seu quarto e n�o se levantou mais. Caiu, morreu e o sil�ncio zumbia g�lido... Zuum... Zuum... Zuum...

<<P�gina anterior

Hosted by www.Geocities.ws

1