Entristeci-me. Chorei e senti vontade de morrer novamente. Deitei-me na velha cama de hospital para ver se morria outra vez. A morte n�o me queria mais. Talvez, eu lhe tivesse dado muitos problemas.

    Mam�e acordou. Declamou alguns versos a minha cabeceira. Mas sua l�ngua n�o era um novelo de l�. Passou sua m�o por sobre minha cabe�a e eu pude sentir seu calor. Pusera-me ao peito, como se ainda eu fosse menino. Ast�cia de m�e. Cantou.

    Senti que o meu mundo tinha se transformado. Os tr�s meses que eu passara morto pouca coisa havia mudado. A mudan�a tinha sido devastadora. Pessoas vinham me visitar e traziam flores. Criancinhas brincavam no sop� de minha cama. Uns me chamavam de titio, e outras me chamavam de papai. Algumas velas me iluminavam um caminho onde eu n�o lhes saberia dizer que ia parar.

    Caminhei pelos corredores de minha casa e todos pareciam me acompanhar. A velha banguela me sorria, freneticamente. Meu corpo estava estendido. Eu gozava.

    O domingo ia passando. O rel�gio de parede a cada hora que passava tocava uma m�sica. O dedilhar de um viol�o entediava-me. Percebi alguns amigos sentados � beira de minha cama. Choravam alguns. Outros apenas estavam consternados.

    Mam�e era uma barata. E todo mundo que entrasse em meu quarto se enojaria dela. O impulso imediato a que sentiam era de mat�-la e proteger-me. Mam�e tornou-se uma amea�a.

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