O SOLDADINHO DE CHUMBO
Livre adapta��o para teatro da obra hom�nima de Hans Christian Andersen, por Carolina Garcia e Paulo Balardim.
Chegan�a
Licen�a, Senhoras, Senhores,
Permitam fazer esta casa brilhar
Com todas as pedras preciosas
Das belas hist�rias que vamos contar


Fazer as palavras viajarem
Cantando pro sonho acordar
Para ouvir as hist�rias
Basta nos acompanhar
S�o tantas hist�rias que temos
Queremos ouvidos e imagina��o
Dar asas e at�  fantasia
No embalo das rimas desta can��o
Fazer as palavras viajarem
Cantando pro sonho acordar
Para ouvir as hist�rias
Basta nos acompanhar
Encantadora
Dentro da loja de brinquedos est� a caixa de papel�o.
Nela, vinte e cinco soldadinhos. Todos irm�os,
Feitos do mesmo cano velho de chumbo,
formando um valoroso pelot�o.
At� que, um dia, a caixa � dada de presente para um menino:
Encantador
-�ba! Soldadinhos de chumbo!
Encantadora
Mas havia um  que era perneta,
Faltou chumbo na sua fundi��o!
L� na casa do menino tem brinquedos de mont�o.
Tem uma caixa com soldados e castelo de papel�o.
Tem carrinhos, bonecos, bola e...
Encantador
...skate,
Mamulengo,
Livros com hist�rias...
Encantadora
...espalhados pelo ch�o.
No alto do castelo erguido, com lantejoula no vestido,
Uma bailarina de papel.
Equilibrada num s� pezinho, aponta o outro para o c�u.
Encantador
Pra brincar o menino coloca enfileirados os soldadinhos,
Assim, �: O soldadinho perneta, sempre o �ltimo.
Mas � de l� que ele consegue ver a bailarina na ponta do p�.
O amor pinta o retrato que a gente quer!
Por v�-la assim equilibrada pensa que ela � perneta,
Como ele �.
Encantadora
Ela tamb�m troca olhares com ele.
Mas, embora ele queira, nenhuma palavra diz.
Fica quieto, caladinho...
Encantador
...� porque ele acha ela muito nobre...
E sente-se t�o pobre, morando com vinte e cinco irm�os Numa caixa de papel�o.
Encantadora
...o menino brincou o dia inteiro, e, ao cair da noite, recolheu os seus brinquedos.
Encantador
O que ningu�m pode imaginar
� que na hora que a gente sonha
Os brinquedos sozinhos come�am a brincar.
Encantadora
Est� come�ando a festa! Bonecos, em baile, a dan�ar.
O can�rio faz seresta e o quebra-nozes a rodopiar.
L�pis de cor saem riscando e o polichinelo...sempre aprontando!
Encantador
Os soldados est�o alvoro�ados, pois ficam na caixa guardados.
Encantadora
Somente um soldadinho resta esquecido.
Perto da cigarreira, pensa aproximar-se da bailarina
De qualquer maneira. Neste instante,�
Surge da cigarreira um geniozinho enfezado:
Encantador (imitando o geniozinho)
-Ei, voc� a�, por que n�o est� na caixa com seus irm�os?
Encantadora
O soldadinho continua calado, olhando com paix�o pra bailarina.
Encantador
-Espere s� at� amanh� e voc� vai ver como isso termina!
Encantadora
E pula pra dentro da cigarreira, de supet�o.
Encantador
Manh� seguinte, o menino vem brincar.
Tira os soldados da caixa e os come�a a enfileirar,
Acrescenta o soldadinho de uma perna s� no final da fila.
P�e todos de frente pra rua, no peitoril da janela.
A bailarina ainda olha o soldadinho, e ele pra ela.
Encantadora
De repente, a janela se abre e arremessa o soldadinho perneta.
Com um p�-de-vento, ou por culpa do geniozinho,
Nosso her�i vai parar dentro da sarjeta.
Se, ao menos o soldadinho gritasse, talvez o menino o achasse!
Encantador
Mas ele n�o grita, acha que n�o fica bem para um soldado.
Depois, pr� piorar, come�a a chover e tudo se transforma num agua�al!
Brincando, ap�s o temporal, vem uma moleca molhada:
Encantadora
-Um soldadinho de chumbo, que legal! Vou faz�-lo dar a volta ao mundo!
Encantador
E assim, p�e o soldadinho num barco feito de folha de jornal.
Barquinho de papel / m�sica para pandeiro e voz
Corre o barquinho na sarjeta
Se equilibra o perneta
Sem saber onde vai dar
Corre devagar vai de mansinho
Acelera d� um pulinho
Onde � que vai parar?
Esse barco que corre que faz caminho
No bueiro vai sozinho
Ser� que vai afundar?
Corre o barquinho no bueiro
Opa! Escutei um berreiro
De um rato a me olhar
Ele pede autoriza��o
Responder eu n�o vou n�o
Rato n�o p�ra de gritar!
Esse barco que corre que faz caminho
No bueiro vai sozinho
Ser� que vai afundar?
Pl�ct, pl�ct, pl�ct, pl�ct, pl�ct
Pl�ct, pl�ct, pl�ct, pl�ct, pl�...
Pl�ct, pl�ct, pl�ct, pl�ct, pl�ct
Pl�ct, pl�ct, pl�ct, chu�, chu�...
Encantadora
Acontece que esse barco chega ao rio,
dissolvendo-se o papel jornal.
O soldadinho � engolido por um peixe e fica preso
Nas tripas do animal, em total escurid�o.
Encantador
Mas o soldadinho continua firme e forte.
N�o p�ra de pensar em sua paix�o
E culpa o geniozinho pela sua m� sorte
Encantadora
Mas que coisas extraordin�rias
que podem acontecer nesse mundo!
Encantador
Acontece que esse peixe � fisgado,
Pescado no rio por um pescador.
Encantadora
Transportado at� o mercado,
Vendido para um comprador.
Encantador
Comprado por uma cozinheira
Que leva o peixe para prepar�-lo... no vapor!
Encantadora
Ao chegar em casa e abrir o peixe,
O soldadinho de chumbo se surpreende:
Est� na mesma casa, com aquela mesma gente!
Encantador
Levam-no para o menino que faz a maior festa ao rev�-lo
E lava-o, para tirar o cheiro de peixe, com �gua e sab�o
Endireita seu fuzil, colocando-o no mesmo lugar de sempre.
Tudo est� igual: a casa, os empregados,
A cozinheira com seu avental...os brinquedos, o castelo de papel�o...
E a bailarina, mais bela do que nunca,
Ela olha curiosa para o soldadinho...
E ele olha para ela com paix�o.
Palavras? Nenhuma, apesar dele querer contar toda a confus�o.
Encantadora
De repente, sem nenhuma raz�o aparente,
...Talvez o tal geniozinho tenha a ver com isso,
Encantador
O menino que brinca agarra o soldadinho
E atira-o na lareira, onde o fogo arde intensamente.
Encantadora
Sua �nica perna amolece e o fuzil pende para o lado.
Ele sente seu cora��o de chumbo derretendo.
N�o s� pelo calor, mas pelo amor que arde nele.
O soldadinho lan�a um �ltimo olhar para a bailarina
Que retribuiu com sil�ncio e tristeza.
Encantador
Ent�o, a porta escancara-se com viol�ncia
E uma rajada de vento faz voar a bailarina de papel,
levando-a para dentro do fogo, junto ao soldadinho.
Encantadora
Basta uma labareda e ...ela desaparece.
O soldadinho tamb�m se dissolve completamente.
Depois do fogo acabar, ao limparem a lareira,
Encontram entre as cinzas
Uma pequena lantejoula, aquela no vestido da bailarina.
Encantador
E encontram tamb�m,
Um pequenino cora��o de chumbo :
Foi tudo que restou do soldadinho,
Fiel at� o �ltimo instante ao seu grande amor.
Saideira / instrumental
FIM
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