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Arquivo de atualizações Imprensa CE - Fevereiro/2006

ATUALIZAÇÃO N.º 304 - 06/02/2.006

DESVIANDO – Estrategicamente o governador Lúcio Alcântara e a maioria dos veículos de comunicação locais estão dando um grande destaque à cobrança que o chefe do Executivo está fazendo sobre carros pipas, focando no governo federal. É fato que não apenas o Ceará mas praticamente todos os estados do Nordeste sofre com a falta de chuvas, mas é, no mínimo, curioso a manifestação de cobrança do governador ocupar um espaço muito maior do que outros assuntos, como a onda de assaltos a carros blindados e os R$ 500 mil que Lúcio Alcântara quer enviar, via Secult, para a escola de samba Estação Primeira de Mangueira, do Rio de Janeiro.

DESVIANDO – Tão ou mais importante do que as cobranças do governador a população quer saber se o Executivo vai continuar inerte diante da onda de assaltos a carros blindados, bem como se realmente os R$ 250 mil que ainda restam serem enviados para a escola de samba carioca de fato sairão dos cofres públicos. Esse dinheiro poderia – e deveria – ser empregado para reforçar o combalido orçamento do aparelho policial do Estado, ou ainda ajudar a amenizar o flagelo da seca dos cearenses. Um ou outro veículo de comunicação reportou-se a esses fatos, mas de maneira tímida e sem dar o devido destaque e continuidade. Mas a prioridade de assuntos da mídia local é outra. Curiosamente convergente com a oficial.

DESVIANDO – A imprensa local nem mesmo se debruçou sobre a interveniência do ministro da integração nacional, Ciro Gomes, para a liberação desse dinheiro para a Mangueira. Não houve aprofundamento nesse fato. Ex-governador do Estado, Ciro já tem antecedente nesse tipo de “incentivo” ao carnaval carioca. Em sua gestão o contribuinte também teve dinheiro tomado de seu suado bolso enviado para uma escola de samba carioca. Pior: ainda bancou a vinda de parte da escola para o Fortal, um evento privado, onde desfilou com o samba enredo que fazia menção ao Ceará. O contribuinte mais uma vez vai assistir a Mangueira entrando sem nada poder fazer... Se é que entendem...

EXTRAPOLOU – A TV Cidade resolveu dedicar quase uma edição do Jornal da Cidade para puxar o saco do embaixador do Brasil em Portugal, Paes de Andrade. Foram dois longos blocos com uma enfadonha e descabida entrevista com o embaixador. A intenção foi claramente de bajular o ex-deputado federal que, ao assumir interinamente a presidência da República, no governo Sarney, por ocupar a presidência da Câmara dos Deputados, fez uma viagem no avião da presidência, o aposentado “sucatão”, para sua cidade natal, Mombaça. Por osmose foi intenção, também, de puxar o saco do presidente estadual do PMDB, deputado federal Eunício Oliveira, genro do embaixador.

COMÍCIO – Continuam os eventos que semanalmente a TV Cidade promove na periferia de Fortaleza, sempre nas noites de sexta-feira, com a presença de bandas de forró e pagode, além da presença do apresentador do programa Cidade 190 e o comentarista da atração, Vitor Valim. No programa televisivo, o apresentador diz que é um evento para que a população possa reclamar dos problemas que lhe afligem. Na verdade se tratam de comícios, onde o apresentador Edson Silva – que não esconde sonhar com uma cadeira na Assembléia Legislativa – faz sua campanha antecipada, de maneira ilegal. Nesses comícios travestidos de festas populares também sobe ao palanque o deputado federal Moroni Torgan (PFL), com o qual Edson Silva vai fazer dobradinha nas eleições de outubro.

COMÍCIO – Trata-se de propaganda eleitoral antecipada. A Procuradoria Regional Eleitoral precisa coibir esse tipo de artifício, que fere a lei. A legislação eleitoral é clara quanto aos períodos em que é permitida a campanha eleitoral, sendo vedada antes que ocorram as convenções partidárias e os candidatos definidos e registrados. O procurador eleitoral Oscar Costa Filho necessita agir quanto a essa ilegalidade. A proximidade entre a emissora de TV e Moroni não é de hoje nem é sequer escondida. Nas eleições municipais de 2004 o então candidato do PFL à Prefeitura de Fortaleza utilizava um caminhão de som do Grupo Cidade em sua campanha. Esse tipo de distorção é anética.

PÉROLA I – Essa foi publicada em manchete na capa do jornal O Povo, edição do dia 31/01: “Morto policial do serviço secreto”. Ora, não existe serviço secreto nas polícias Civil e Militar. Na primeira existe o departamento de inteligência policial, comandado pelo delegado Dantas. Na segunda, existe a 2ª Secção, que alguns profissionais e falsos de imprensa gostam de denominar de “serviço reservado” e “P-2”. Nenhum dos dois, entretanto, com característica de “serviço secreto”. Tomara que não seja preciso, nessa escalada de violência na qual os policiais estão sendo vítimas, o jornal noticiar a morte de um policial do FBI, da ASN ou da CTU, do Jack Bauer.

PÉROLA II – Título de matéria publicada na edição do dia 02/02/2006 do jornal O Povo: “Foragido da delegacia de Pacajus é recuperado”. Infelizmente não se tratava de nenhum bandido que da delegacia de Pacajus que havia sido regenerado, mas de um fugitivo que havia sido recapturado, não recuperado.

PÉROLA III – Essa foi proferida pelo filósofo e falso profissional Ely Aguiar (TV Diário): “a diferença entre eu e ele é que eu torço Botafogo e ele Flamengo”.  Talvez a diferença não seja de preferência clubística, mas de alfabetização mesmo. O correto seria o moço ter usado "entre mim e ele". Aliás, o próprio rapaz já declarou publicamente que fala errado mesmo e que quem quiser que se preocupe com isso, repetindo o velho jargão de que "fala do jeito que o povão entende". Mas será que esse povão realmente fala dessa maneira e, pior, se orgulha de falar dessa forma?

CRISE – A TV Diário explicita de forma muito clara como carece de uma linha editorial coerente entre os programas de sua grade de programação.  Enquanto no programa noturno Rota 22 o apresentador Marcos Lima adota uma linha de análise social para a compreensão da violência que cada dia aumenta, fazendo comparações, analogias – muitas equivocadas – com o estado de miséria em que vive a maior parte da população com os índices de criminalidade, no início da tarde seu companheiro de emissora, Ferreira Aragão, utiliza a “tática zagueiro xerifão”, repetindo sempre que “do pescoço para baixo é canela”. O discurso do dublê de apresentador e vereador é de que bandidagem é um desvio de caráter.

CRISE – Essa dicotomia acaba por explicitar o autêntico “samba do crioulo doido” editorial e a forma pessoal como cada apresentador quer dar ao programa que comanda, preterindo uma análise mais real, concisa, sem extremismos. Não se pode atribuir erroneamente o aumento dos índices de violência à condição social da população. Pobreza, miséria não é sinônimo de marginalidade, de bandidagem. Caso esse conceito procedesse, a violência seria ainda maior, pois a maioria esmagadora da população vive na pobreza, e dentre esses muitos abaixo dessa linha, na miséria mesmo. Nem por isso se tornam bandidos.

CRISE – Trata-se de uma análise simplória, superficial e que não reflete o que realmente se verifica. Marcos Lima procura claramente se contrapor ao colega de emissora, fazendo desse posicionamento sua assinatura. Comete o pecado de generalizar e jogar na mesma vala pessoas adversas. Pobreza, miséria não são sinônimos de bandidagem. Afinal, quem acaba roubando milhões não vem das camadas pobres e miseráveis da população. A postura de Ferreira Aragão, também, não é das mais apropriadas. O apresentador tem uma postura truculenta, irascível, que prioriza a punição como forma de combate à violência. A punição é necessária e precisa ser firme, forte e pesada, mas não para combate, mas punição. As causas são desprezadas e o foco é direcionado apenas para o castigo.

CRISE – Infelizmente essa forma como os dois se portam, um se contrapondo ao outro, ainda que inconsciente ou involuntariamente, acaba por distorcer ainda mais o que já tem uma natureza distorcida: os programas policiais.

DISPUTA – A busca por novos clientes provocou situações inusitadas aos dois maiores jornais impressos do Estado. De um lado o Diário do Nordeste oferece revistas, dvd e até prancha para alisamento de cabelo se o cidadão resolver assiná-lo. Do outro, O Povo também oferece duas assinaturas de revistas como apêndice, e para quem comprar avulso, dá até pão carioquinha – o circo provavelmente vai em algumas de suas páginas –. Os produtos oferecidos aos potenciais clientes superam o valor da assinatura do jornal, na estratégia de que o consumidor acabe assinando o jornal não pelo seu valor, mas pelos produtos que receberá de maneira agregada.

DISPUTA – Infelizmente o chamariz para que o consumidor se decida por assinar um ou outro jornal não é seu conteúdo, ou sua carga de informações e opinião. O jornal é vendido pelo que de extra ele proporciona ao cliente. Seria como, por exemplo, uma fábrica de pneus fizesse uma promoção na qual o consumidor que comprasse um jogo de cinco pneus novos – os quatro para uso e um do estepe – ganhasse o veículo zero quilômetro para que os pneus fossem colocados. Caso a política redacional dos dois jornais continue a atual, a tendência é esse tipo de “promoções” cada vez mais serem reforçadas e, não será surpresa, se num futuro hipotético, a teoria do carro não se aplique aos pneus, mas aos jornais.

CONCURSO – Recentemente dois concursos públicos com ofertas de vagas para graduados em comunicação social com habilitação em jornalismo foram realizados, um pela Procuradoria Geral de Justiça do Estado (PGJ) e outro pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT). Os dois certames foram eivados de irregularidades, o primeiro por questões não constantes do programa de provas e “coincidência” de respostas. O segundo por uma incrível série de irregularidades que vão desde a alteração do edital inicial, passando por descumprimento do edital e provas incrivelmente mal elaboradas.

CONCURSO – O concurso da PGJ, executado pela Empresa de Seleção Pública e Privada Ltda. (ESSP), teve uma curiosidade: a prova de informática teve todas suas dez questões como quesito correto a proposição “a”. Na prova de conhecimentos específicos, algumas pérolas, como a questão que indagava do candidato o que expressa o editorial de um veículo de comunicação. Uma outra perguntava o que significava diagramar. Havia, ainda, questão que indagava a quem era responsável, no rádio, pela locução.

CONCURSO – A prova do concurso dos Correios foi elaborada e executada pela Conesul, a mesma que elaborou e aplicou o concurso para o Programa de Saúde da Família (PSF), realizada pelo governo do Estado no final do ano passado, que acabou por ser anulado devido à péssima formulação de quase duas dezenas de questões e neste domingo, 05/02, mais uma vez foi a causadora de nova anulação do concurso, por absoluta incompetência e irresponsabilidade. Novamente a Conesul primou pela má elaboração das provas. Na prova de conhecimentos específicos novamente a tradicional questão sobre o significado do editorial. Uma outra perguntava qual nome se dava à entrevista em que a personalidade atende aos repórteres interessados, respondendo às perguntas formuladas por todos. Também indagava como se denomina o prazo de fechamento de um jornal ou telejornal.

CONCURSO – Noutra questão solicitava do candidato a definição do primeiro anúncio de um acontecimento, imediatamente difundido. Também perguntou o significado de editorial, edição, editor e editoria. Apenas duas das cinqüenta questões de conhecimento específico versaram sobre teoria da comunicação. Mas uma questão caracterizou com maestria o absurdo no qual o concurso dos Correios foi aplicado. Uma questão indagava ao concorrente o que o jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho não conseguira se consagrar em 2005, oferecendo como opções ser eleito craque do ano pela FIFA; craque do ano pela revista France Football; campeão espanhol pelo Barcelona ou campeão da liga dos Campeões da Europa.

CONCURSO – Para a Conesul – e para os Correios também – é mais importante que o candidato ao emprego público de técnico em comunicação social júnior saiba sobre as premiações conseguidas pelo jogador Ronaldinho Gaúcho do que tenha conhecimento, ou pelo menos noção, de direito administrativo. Tratou-se de uma pantomima que, infelizmente, demonstra não apenas a incompetência patente da Conesul em executar concursos públicos com seriedade e responsabilidade, mas a irresponsabilidade dos Correios quanto à seleção de seus empregados. A Conesul tem um vasto currículo de concursos mal elaborados e anulados, o que muito provavelmente acabará acontecendo também com este.

CONCURSO – A EBCT negou, peremptoriamente, todos os recursos administrativos interpostos contra as alterações introduzidas no edital original. Como tentativa de livrar-se da ação dos candidatos ofereceu aos inscritos que manifestassem o desejo formalmente, a opção de ter de volta o dinheiro pago pela inscrição no concurso, muito embora o edital vetasse a devolução em qualquer circunstância. O desgaste para a Conesul será apenas mais um, mas a EBCT sairá com sua imagem profundamente arranhada com esses fatos.

CONCURSO – O fato toma mais um peso por ocasião da anulação, mais uma vez, do concurso para o PSF. A Conesul simplesmente reproduziu a prova de conhecimentos específicos de enfermagem para os candidatos às vagas de médicos. Nesse episódio, além da patente incompetência e irresponsabilidade da empresa encarregada de executar o certame, há em mesmo grau culpa do governo do Estado, que deveria ter rescindido o contrato com a Conesul e cobrado o ressarcimento do dinheiro pago, logo na primeira anulação. Adversamente disso o governo manteve a Conesul à frente do concurso, com a desculpa de que já havia sido feita uma licitação, etc. Ora, melhor passar por um outro processo licitatório do que por um de desgaste provocado pela Conesul.

CONCURSO – Os concursos públicos – que se transformaram numa mina de dinheiro para o Poder Público e para toda uma rede que sobrevive disso, formada por cursos preparatórios e empresas como essa Consesul – são financiados pelos concorrentes, não são custeados pelos cofres públicos. Pelo contrário, se houvesse uma fiscalização nesses concursos se verificaria que há uma margem bastante lucrativa entre o que os candidatos pagam pela inscrição e os custos do concurso. Não apenas a empresa responsável pela realização do concurso mas o governo do Estado precisa dar explicações. Aos candidatos cabe acionar por perdas e danos o Estado, que, numa ação de regresso, também pode acionar a Conesul. Mas pelo que se pode perceber a postura do governo estadual será a de "tirar da reta", com o discurso de que a culpa é da empresa responsável pela realização do concurso.

CONCURSO – Lamentável nos episódios dos concursos da PGJ e dos Correios é a total omissão do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará. Não se teve notícia de nenhuma mobilização da Entidade para que o direito dos jornalistas fossem preservados. Infelizmente o Sindjorce apresenta uma agilidade impressionante para algumas coisas – como arregimentar diversos sindicalistas para manifestação em frente à sede de empresa de comunicação para protestar contra a demissão de alguns jornalistas – mas uma má vontade, uma omissão injustificável em outras. É dever institucional do Sindicato a defesa da categoria, mas o que se verifica é outra realidade.

AJUSTES – Que Bidu kawasaki é um ícone do rádio cearense, isso ninguém discute. A voz desse mineiro, radicado há muito tempo aqui é marcante para quem curtiu o surgimento do rádio FM cearense, na década de 70, com a pioneira Verdes Mares FM, a atual FM 93. O programa "Dancing Night" que ele apresentava nas noites de sábado, com as melhores músicas da então febre mundial das discotecas, era obrigatório para os que viveram a época. Numa época em que a TV ainda não tinha a força quase absoluta de hoje, grupos se reuniam para escutar o programa. Mas a forma como ele apresenta o programa de Flash Back que o radialista apresenta na TV União não está em sintonia com a proposta da emissora. Quem tem um pouco mais de, digamos, experiência, fecha os olhos e logo lembra do Dancing Night, ao assistir o programa. Seja como for, Bidu é disparado o que se destaca na emissora, recheada por programas e VJ abaixo da crítica. Com alguns ajustes o programa ficará excelente.

APELANDO – E como todo "bom" programa que se preza da TV Diário, o Noite e Cia., apresentado pelo radialista Beto Guerra, resolveu enveredar pela apelação para tentar conseguir audiência. Agora o rapaz apresenta um quadro com a surrada e saturada fórmula da "câmera escondida", submetendo populares às situações mais vexatórias. Na semana passada o quadro resolveu apelar mais um pouco: colocou uma loira com uma minissaia, na Praça do Ferreira, pedindo ajuda aos transeuntes para que segurassem um cavalete a fim de que colasse um cartaz numa das colunas da praça. Como se não bastasse o péssimo exemplo de sujar a praça, closes generosos e ginecológicos da moça com uma calcinha microscópica. Bem no nível de João Kleber.

ESPERADO – A queda do treinador Ferdinando Teixeira, do Ceará Sporting, já era fato esperado se qualquer outro resultado fosse que não uma vitória no jogo em que o alvinegro tomou outra "doidinha" no campeonato cearense. Desta vez o Ceará caiu de quatro para o Ferrão, em pleno estádio PV. A "imprensa esportiva" local ficou fazendo olhos e ouvidos de mercador para o mau desempenho do técnico e da penca de ruindades que ele e a diretoria rebocaram para jogar no time. Primeiro, para não despertar a ira de uma parcela sem cérebro da torcida alvinegra que pensa com o músculo cardíaco, não com os neurônios, e não aceita quem critica seu time.

ESPERADO – Segundo para fazer média com o presidente do clube, Eugênio Rabelo, um dos executivos e irmão do proprietário da rede de lojas que leva seu sobrenome, que patrocina o time. A rede de lojas é um forte anunciante local e, colocando o interesse pessoal acima do compromisso com o mister de informar sem parcialidade ou paixão clubística – o que aqui é coisa extremamente rara – a maioria esmagadora preferiu se fazer de omissa para não melindrar o anunciante. Agora, com a situação vexatória, muitos surgem como críticos mordazes, mas poupando o presidente.

ESPERADO – Ora, não era preciso ser nenhum pai de santo ou vidente para saber o que aconteceria com o alvinegro. Montado numa diretoria inexperiente, irresponsável e cercada do pior rebotalho anético e mau caráter, nada poderia ter sido diferente. Contratou de maneira errada e ainda patrocinou episódios dignos de comédia pastelão, como o do jogador Juninho, que aqui veio, foi anunciado como nova contratação, treinou e depois foi embora, simplesmente porque não havia nenhum contrato assinado entre ele e o clube. Correu para onde acenaram com uma proposta financeira maior. Teve também o caso Clodoaldo, que de rasteira se transformou num imbróglio sem tamanho. Ah!, teve ainda o caso de Gian, anunciado como grande contratação mas que só por aqui chegou e estreou após mais de um mês embromando, dando desculpas para não vir.

ESPERADO – Como há males que vêm para o bem, o positivo desse caô que se instalou há muito tempo em Porangabuçu é que oportunistas como o deputado estadual Gomes Farias e o deputado federal André Figueiredo terão que buscar outra plataforma para tentar suas reeleições, pois com o previsível fracasso do Ceará no campeonato cearense e o prenúncio de meses da torcida alvinegra realizando cálculos e debulhando terços para não cair para a terceira divisão, o plano de contar com o votos dos descerebrados torcedores que insistem em confundir urna com penico vai por água abaixo. André, inclusive, resolveu assumir a presidência do Conselho Deliberativo do alvinegro e desde o ano passado vem intensificando as jogadas de marketing para associar sua imagem á do clube.

ESPERADO –  Foi assim quando da contratação do jogador Clodoaldo, foi assim até em sua festa de posse. A torcida precisa ter consciência e purgar de vez de suas mentes esse tipo de político, estilo "Eurico Miranda", que teima em se utilizar da paixão dos torcedores para conseguir lucros pessoais. Afinal, político não tem como função representar nas casas legislativas onde atuam nenhum time de futebol, mas seus eleitores. Quem sabe em outubro parte dessas pessoas que vêm fazendo essa confusão em suas cabeças não aclare suas idéias e recobre o bom senso.

LAMENTÁVEL – O jogo Ferroviário 4 x 0 Ceará proporcionou fatos lamentáveis, notadamente envolvendo a torcida alvinegra e a Polícia Militar. Torcedor não deve invadir campo, tampouco utilizar a violência, que é o recurso dos imbecis, mas realizar todo e qualquer protesto que não signifique violência. Xingar jogador, técnico, diretoria, pode. Não pode invadir o campo, muito menos agredir ninguém. Muitos assim agiram e alguns deles, inclusive, incitando para que outros o imitassem. Nas arquibancadas, uma pequena parcela da torcida, mas uma grande fatia da torcida organizada Cearamor mais uma vez protagonizou episódios de selvageria. De lançamento de todo tipo de objeto no campo e nos demais torcedores, além de agressões aos companheiros de sofrimento alvinegro, tudo ocorreu.

LAMENTÁVEL – Em contrapartida uma parte da Polícia Militar também agiu de maneira errada. Os confrontos entre torcedores e PM proporcionou uma cena no mínimo inusitada: enquanto policiais do patrulhamento habitual agiam no sentido de pedir calma aos torcedores, para evitar que mais pessoas que não tinham absolutamente nada a ver com o peixe – aí sem o sentido de Tubarão da Barra – sofressem violências, com atitudes prudentes e adequadas, o Choque da PM utilizava da truculência para combater truculência, jogando bombas de efeito moral e atirando com balas de borracha contra os torcedores. Foi com tanta sede ao pote que acabou por atingir até companheiros de farda. Nesse flagrante, captado das imagens veiculadas pela TV Diário, pode se ver um policial militar com a arma empunhada, nas arquibancadas, mirada para um alvo civil. O PM da foto não tinha a intenção de atirar para cima para dispersar a turba. Felizmente não realizou o disparo que, muito provavelmente, teria vitimado algum torcedor. Da mesma forma que invadir o campo, agredir quem quer que seja não é papel de torcedor, mas de bandido, esse não é papel de um agente da lei, servidor público pago pelo contribuinte para dar segurança, não para gerar pânico.

ERRO – Mais uma vez o apito amigo entrou em campo e dessa vez para ajudar mais um time grande que jogava contra um pequeno. No jogo que terminou empatado entre Limoeiro e Fortaleza, na cidade interiorana, o árbitro Wladiérysson Oliveira anulou um gol absolutamente legítimo do atacante Zezinho, do Limoeiro. A partida terminou em 3 x 3, com o tricolor do Pici conseguindo o empate aos 48 minutos do segundo tempo. A situação da arbitragem do futebol cearense está cada vez pior e nem sinal da Federação Cearense de Futebol questionar a Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol (CEAF) sobre esses erros. Mais um que se junta aos árbitros Manoel Moita e Almeida Filho no grupo de "edilsons" do apito cearense.

NEPOTISMO – A luta para a extinção do nepotismo se enraíza, felizmente, nas diversas esferas do Poder Público. Os ministérios públicos Estadual e Federal já tomaram medidas para a exoneração de parentes de promotores e procuradores que ocupavam cargos comissionados nas instituições. O poder Judiciário resiste, mas terá que acabar por dobrar-se ao que deseja a maioria esmagadora da população. Nesse sentido a prefeita Luizianne Lins tem que tomar atitudes para evitar essa nefasta prática no Executivo Municipal. Através da portaria 370/2005, assinada pela prefeita e por Eduardo de Patrício Ribeiro Júnior, presidente da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania de Fortaleza (AMC), foi nomeada para o cargo em comissão de Chefe da Central de Atendimento Ana Maria Mindêllo Rocha, sendo parente de um dos titulares de Secretaria Executiva Regional, Paulo Mindêllo.

CUSTO – A Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Fortaleza, comandada por José de Freitas Uchoa alugou, sem licitação – até aí não há muito de irregular, pois está dentro do limite para dispensa – e pagará, por seis meses, R$ 2,4 mil por três aparelhos de ar condicionado. Serão seis parcelas de R$ 400,00. Com R$ 2,4 mil poderiam ser comprados esses aparelhos. Seria mais econômico para o munícipe.

CRITÉRIOS – Num edital de retificação da licitação vencida pela empresa Trapézio, para a locação de centenas de veículos com motorista e o combustível, a Prefeitura de Fortaleza dispensou que a empresa que vencesse o certame apresentasse a documentação dos veículos e dos motoristas que irão dirigir os carros. Ou seja: a PMF não acha condição sine qua non que os condutores possuam habilitação para o tipo de veículo que terão nas mãos. Estranhamente os dois documentos são obrigatórios aos permissionários de transporte alternativo – topiqueiros e mototaxistas – por ocasião do recenseamento que será feito do setor. Mas que critérios são esses?

EXCELENTE – Em contrapartida, a prefeita Luzianne Lins merece os parabéns pela ação que visa liberar calçadas ocupadas por mesas e cadeiras de bares, restaurantes e ambulantes, bem como produtos de estabelecimentos comerciais, retirando-os. Isso era um clamor antigo de todos os que desejam, acima de qualquer coisa, o cumprimento da lei, que proíbe a obstrução da calçada. Num bar na Varjota um grupo de pessoas vaiou fiscais da Prefeitura que determinaram a retirada de mesas e cadeiras da calçada. São pessoas que não tem qualquer noção de cidadania e do que determina a lei, podendo-se, no máximo, dar um desconto por um possível estado de excitação alcoólica no qual se encontravam. Em vez de vaias os fiscais e a prefeita merecem aplausos. Aplausos também para a realização do carnaval na Praça do Ferreira. Com pequenos ajustes a programação ficará praticamente perfeita.

PARA REFLETIR "Todo o nosso descontentamento por aquilo que nos falta procede da nossa falta de gratidão por aquilo que temos". (Daniel Defoe)

 

ATUALIZAÇÃO N.º 305 - 13/02/2.006

IMPROBIDADE – O Ministério Público Estadual anunciou, semana passada, que encetará uma ação para que os R$ 500 mil que o governo do Estado enviou, através da Secult, para a escola de samba carioca Estação Primeira de Mangueira, sejam ressarcidos aos cofres públicos, considerando ilegal o repasse do dinheiro. Esse dinheiro, com efeito, nem deveria ter saído dos cofres estaduais para ajudar a escola de samba a colocar seu desfile no sambódromo, mas já que foram enviados, devem ser devolvidos para o erário estadual.

IMPROBIDADE – O problema é que o MPE está agindo pela metade. Além da ação para o ressarcimento, teria que ser movida uma ação de improbidade contra a titular da Secult, Cláudia Leitão e contra o governador Lúcio Alcântara. O motivo é bem simples e básico: se houve o repasse ilegal, na ótica do MPE, comete crime de improbidade quem o liberou. Afinal, o dinheiro não saiu “andando”, tampouco “decidiu por si próprio” se dirigir à escola de samba carioca. Alguém o liberou e, nesse caso, respondem por esse ato ilegal a secretária da cultura e o governador.

IMPROBIDADE – Infelizmente o MPE não tem demonstrado uma vontade maior de agir contra feitos ilícitos cometidos pelo chefe do Executivo. Desde o governo Tasso Jereissati dormita nas gavetas da PGJ pedido para que seja encetada ação contra o governador, por exemplo, pelo descumprimento da norma constitucional estadual que determina a instalação de delegacias policiais especializadas do meio ambiente. O pedido para que a ação fosse intentada foi encaminhada ainda na gestão da procuradora Socorro França, mas a solicitação foi socada numa gaveta e de lá não tem saído nem a pau.

IMPROBIDADE – Não há qualquer desculpa para que uma ação de improbidade não seja ajuizada contra Lúcio e Cláudia. É esquisito o MPE se empenhando apenas em repatriar os recursos e não se preocupando em acionar quem autorizou a saída da verba pública dos cofres para destino não permitido. Não se pode aceitar que haja esforços apenas para que o dinheiro seja ressarcido, mas cobrar que os responsáveis por essa sangria injustificável sejam punidos.

EDITORIAL – Sobre o fato, o jornal O Povo publicou, na edição do dia 11/02, editorial sob o título “Miopia e irresponsabilidade”, onde condena os que defendem o ressarcimento do dinheiro ilegalmente enviado à Mangueira. O editorial tenta polemizar com o Conselho Federal da OAB: “A sociedade cearense acompanha a nova controvérsia que toma conta dos meios políticos em decorrência de o governo do Estado ter contribuído financeiramente para o enredo da Escola de Samba Estação da Mangueira, que trata da transposição do rio São Francisco. Estranhamente, isso ocorre no preciso momento em que o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) toma a lamentável decisão de aliar-se aos adversários do projeto, postando-se contra os interesses da população do semi-árido nordestino, como foi condenado por este jornal, neste mesmo espaço”.

EDITORIAL – Ora, não se vislumbra nenhuma ligação entre a tentativa de justificar o ilícito ato governamental e o posicionamento do Conselho federal da OAB. Continua o texto: “Como se sabe, o carnaval carioca tornou-se, nos últimos tempos, a grande vitrina, através da qual os grandes problemas nacionais ganham uma visibilidade privilegiada através dos sambas-enredo apresentados pelas escolas de samba. Faz parte da lógica desse sistema que as escolas busquem financiadores para o tema que escolhem. Estes podem ser da área privada ou pública. Não há nada de ilegítimo ou ilegal nisso”. Há sim. Ilegítimo porquê não cabe ao Poder Público financiar evento particular e o carnaval carioca é uma promoção da Liga das Escolas de Samba (Liesa) do Rio de Janeiro, com o apoio estrutural do Poder Público daquela Cidade, através dos serviços que lhe é de sua competência prestar.

EDITORIAL – Seria como, analogicamente, o governo do Estado financiasse os custos – ou parte deles – de eventos como o Fortal, muito embora já tenha feito isso de maneira acintosa. Afinal, o jornal não lembra que em 2004 o contribuinte cearense pagou passagem, hospedagem e diárias para que um procurador do Estado fosse à Brasília intentar ação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que o Fortal se realizasse, uma vez que se encontrava suspenso por decisão do TRF-5ª Região? O contribuinte pagou para que a então promotora do evento, a Click Promoções, pudesse realizar seu evento privado e obtivesse lucros. Com um detalhe: na ação movida pela Procuradoria da República no Ceará o Estado não era citado, portanto não poderia ter atuado nem como litisconsorte. O Povo não se reportou ao fato na época.

EDITORIAL – Afirmou o editorial: “A verba de R$ 500 mil é irrisória diante do retorno positivo para os interesses estratégicos do povo do Ceará. É uma soma comparável a qualquer outra empregada em campanhas de divulgação de causas de interesse público. As críticas poderiam ser justas, se se fugisse do princípio do interesse público, isto é, se fosse para a promoção pessoal de um administrador ou de uma administração específica. Não é esse o caso, pois o objetivo é por em relevo um projeto de vital importância não só para o povo do Ceará, mas para toda a população do Nordeste Setentrional, eterna refém de uma fatalidade geográfica e de uma estrutura social e econômica destorcida em decorrência dessa condicionalidade fisiográfica. E não se deveria perder a oportunidade, única - em que todos os brasileiros formam uma grande platéia para acompanhar o espetáculo do carnaval carioca - de lhes repassar informações da mais alta relevância sobre o projeto, pois é imprescindível que todos os concidadãos o assumam como seu”.

EDITORIAL – Não se teve notícia de manifestação similar d’O Povo, por exemplo, quando o então governador Ciro Gomes – o mesmo que intermediou a liberação dos R$ 500 mil para a Mangueira – não apenas não se contentou em usar o dinheiro do contribuinte para financiar um desfile de outra escola que fazia referência ao Estado, como trouxe parte de seus integrantes para aqui desfilar durante o Fortal. A mídia, quase totalmente, manteve-se silente diante da extravagância ilegal do então governador. Também não se consegue lembrar de manifestação do jornal e da maioria da mídia local quando Ciro despendeu dinheiro do erário estadual para a concretização de sua megalomania, através do financiamento da ópera Don Giovani. Enquanto o governo utilizava o dinheiro tirado do suado bolso do contribuinte para bancar os delírios de grandeza do hoje ministro da Integração Nacional.

EDITORIAL – “Colocar-se contra a iniciativa do governo do Ceará pelo fato de não ter privilegiado o carnaval local, ou de não ter aplicado essa verba em algum investimento social, é de uma tacanhez política sem conta, já que despreza outros elementos estratégicos importantes utilizados por uma administração pública em defesa dos interesses gerais de seus cidadãos. É o mesmo tipo de crítica formulado pelos que se dizem contrários ao fato de o governo Lula ter perdoado a dívida de um país miserável da África, ou de financiar projetos de países vizinhos, sob a alegação de não ter resolvido ainda os problemas sociais do Brasil”, asseverou o editorial. Tacanhez é fazer esse tipo de analogia. Não se trata de proselitismo ou demagogia, mas existem problemas muito mais emergentes que necessitam da ação tão rápida quanto a do governo de liberar dinheiro público para a escola de samba carioca.

EDITORIAL – “O que existe, na verdade, por trás dessa visão míope é uma articulação desesperada dos inimigos de um Nordeste munido de instrumentos capazes de colocá-lo em pé de igualdade com outras regiões tradicionalmente monopolizadoras das decisões nacionais. Por outro lado, há os bem-intencionados mas, infelizmente, equivocados, que se deixam seduzir por um canto de sereia ardiloso. Mas estão fadados ao fracasso: agora mesmo os bispos católicos do Nordeste fazem questão de expressar unidade em torno do projeto de transposição, sem deixar de incluir outras recomendações importantes: revitalização do rio (que já está sendo feita) e a inclusão de projetos para as populações situadas fora do alcance das bacias interligadas. Assim, já basta de tergiversação e de diversionismo político irresponsável”, trouxe o editorial. Canto de sereia ardiloso pode ser interpretado, também, como o tilintar de verbas públicas. Sobre esse assunto publicamos, no final dessa atualização, mensagem enviada por Fernandes Filho, presidente do Ceará Tour (www.cearatour.com.br).

MATÉRIA – O dinheiro público que o governo do Estado destinou à Mangueira foi destaque em diversos órgãos da imprensa nacional. Embora não seja um modelo de jornalismo e imparcialidade, a revista Veja publicou uma matéria sobre ato similar praticado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que, segundo a revista, doou R$ 1 milhão para a escola de samba Unidos de Vila Isabel, que vai desfilar com o enredo "Soy loco por ti America", citando a atitude do ministro Ciro Gomes de ter intermediado com Lúcio Alcântara a "doação" do dinheiro do contribuinte cearense. O título da matéria é: "O que Hugo Chávez e Ciro Gomes têm em comum? Compram o Carnaval para fazer propaganda".

MATÉRIA – A revista publicou declaração atribuída à subsecretária de Cultura, Lúcia Cidrão, que confirmou ter sido o ministro o autor do pedido para a liberação de dinheiro público para a Mangueira, afirmando, ainda, que a solicitação lhe foi repassada pelo vice-governador do Estado, Maia Júnior. Em qualquer país onde o interesse público fosse colocado, sine qua non, acima de qualquer outro, esse episódio seria punido com o rigor que a lei brasileira prevê, mas que dificilmente é aplicada, principalmente se tratando de quem tem a chave desse mesmo cofre que sofreu a sangria e, ainda por cima, conta com uma eficiente e complexa tropa de choque na mídia.

CIDADELEZA – Num lampejo de muita criatividade e originalidade, a TV Cidade fez uma vinheta para o carnaval, onde uma mulata com o corpo coberto por uma pintura artística, samba tendo no efeito, como pano de fundo, o logotipo da emissora. Qualquer semelhança com a vinheta que a Globo faz há quase duas décadas não é mera coincidência, mas plágio mesmo.

PERDIDO – No programa Jangadeiro Esporte Clube (TV Jangadeiro), semana passada, foi exibida uma matéria onde o repórter Celso Tomaz aparece fazendo um trabalho de “detetive”, mostrando que o time do Ceará não estava treinando na sede, em Porangabuçu, saindo com a equipe em busca de localizar a equipe. A reportagem teve direito até a música do seriado “missão impossível”. Mostrou o repórter aqui e ali, tentando localizar o time, até que, finalmente, o encontrou treinando no estádio do vizinho município do Eusébio, após “conseguir uma informação quente”.

PERDIDO – Nada demais se, minutos antes da veiculação da matéria, o Globo Esporte local (TV Verdes Mares) não tivesse veiculado uma matéria onde era mostrada a atitude da diretoria de transferir o treino de Carlos de Alencar Pinto para o estádio municipal do Eusébio. Teve direito até a entrevista com o atacante Vinícius, antes de embarcar no ônibus que conduziria os jogadores ao local do treino, afirmando que preferiria treinar lá mesmo na sede do clube e enfrentar a cobrança da torcida.

PERDIDO – Bastaria que o repórter da TV Jangadeiro não tivesse dormido de touca, pijamão e chinela que não seria preciso procurar o time ao som da trilha sonora de missão impossível, pois estava muito mais para Maxwel Smart, o agente 86.

RODÍZIO – Vem causando questionamento o fato do inspetor de polícia civil Isac, lotado há mais de uma década na Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF) permanecer naquela especializada, mesmo a SSPDC realizando, vez por outra, um salutar rodízio entre os delegados. Sai titular, entra titular e o inspetor não é removido para outra delegacia. O policial em questão é companheiro da falsa profissional Marilena Lima.

CONCURSO – Termina nesse dia 13/02 o prazo para que os Correios preste esclarecimentos à Procuradoria da República sobre as irregularidades praticadas no concurso para o preenchimento da vaga de técnico em comunicação social júnior. A empresa pública federal terá que explicar porquê resolveu modificar as regras do concurso, quais as fundamentações, etc. Caso não consiga se explicar perante o MPF – o que deverá acontecer – os Correios sofrerá o desgaste de ter o certame anulado. Será apenas mais um na longa ficha de imbróglios da Conesul, contumaz envolvida em concursos sob suspeita. Aliás, sobre essa empresa, mais uma vez se verificou irregularidades nas provas do concurso para o Programa de Saúde da Família do governo do Estado, que em Fortaleza foi realizado pela terceira vez por absoluta incompetência, irresponsabilidade e má fé da empresa promotora e dos que insistem em mantê-la à frente do processo de execução do concurso.

CONCURSO – Mais uma vez é lamentável o posicionamento do Sindjorce perante esse episódio. Enquanto, por exemplo, o Conselho Regional de Medicina se mobilizou e participou efetivamente das ações para a anulação das provas do concurso para médico do Programa de Saúde da Família (PSF), o Sindjorce tem se mantido omisso em todo o processo de investigação da PR-CE. Não é dessa maneira que a Entidade deveria se portar, se esquivando de participar do esforço que o MPF está fazendo para que nenhum tipo de ilicitude cometida pelos Correios e pela Conesul fique impune.

CONFLITO – A dificuldade do relacionamento dos integrantes do BP Choque da Polícia Militar com os demais companheiros de farda tem ficado cada vez mais evidente, após os incidentes ocorridos no jogo entre Ferroviário x Ceará, onde alguns torcedores invadiram o campo após o terceiro gol da equipe coral, seguido do arremesso de todo tipo de objeto no gramado. Enquanto os PM do patrulhamento normal tentavam – e estavam quase conseguindo – contornar o problema na base da conversa, eis que surgiu o BP Choque e imediatamente lançou uma bomba de efeito moral que acabou por detonar a revolta da torcida.

CONFLITO – Um oficial da PM, que obviamente solicitou que não fosse divulgado seu nome, informou através de correio eletrônico que muitas vezes o oficial comandante do policiamento no estádio transmite suas ordens para o oficial que comanda a tropa do BP Choque para que sejam repassadas, não fazendo isso diretamente ao efetivo. A tropa do Choque não sai em comboio junto com os demais policiais para o estádio, mas isoladamente de seu quartel base, onde funcionava o extinto BPTran. Saem isoladamente e dessa forma chegam no estádio e retornam para sua base.

CONFLITO – Segundo a fonte não há um problema mais grave porque muitas vezes os PM do patrulhamento diário relevam algumas atitudes dos colegas de farda. Mas os ocorridos no estádio PV podem ter feito esse limite ser transposto. Alguns dos que sofreram a ação do Choque se revoltaram, mas a hierarquia militar falou mais alto e as rusgas acabaram por serem sufocadas. Mas não esquecidas. Isso pode acabar resultando num conflito que não será interessante nem para a Corporação, muito menos para a sociedade.

PADRINHO – Quem tem padrinho forte, não morre pagão. O professor Francílio Dourado deixou o Instituto de Pesquisas Américo Barreira (IPAB), da Câmara Municipal de Fortaleza, dirigido pela mãe da prefeita Luizianne Lins, Luiza Lins. Mas não ficou sem gancho no serviço público: foi imediatamente nomeado pelo presidente Tim Gomes para compor a Comissão Permanente de Licitação daquela Casa, através do Ato 865/2005. O professor é o mesmo que comandou o projeto Novo Vestibular durante a administração Juraci Magalhães.

POMPA – Tim Gomes também nomeou, através do Ato 863/2005, Antônia Ticianny Marcelino Coelho como Agente de Apoio (de quê?) da pomposa “Comissão de Concessão de Títulos Honoríficos”. Mais um penduricalho para sangrar o suado dinheiro tomado do bolso do munícipe.

CONTRATO – Falando em dinheiro tomado do munícipe, R$ 880.827,61 irão para a Poligonal Engenharia, contratada sem licitação pelo titular da Secretaria Executiva Regional IV, Francisco Pinheiro, para a limpeza da Lagoa de Parangaba, com a retirada de aguapés e capim e da complementação dos serviços de drenagem, terraplenagem e pavimentação do canal do sangradouro da Lagoa. Pode até, de fato, tratar-se de uma situação emergencial, mas o histórico da PMF nas dispensas de licitação faz com que se questione, efetivamente, mais uma contratação sem licitação.

CARO – Em dezembro de 2005 a Prefeitura de Fortaleza firmou convênio – nº 189/2005, mais uma vez sem licitação – com a Associação Shalom de Promoção Humana, via Secretaria Municipal de Educação e Assistência Social (Sedas), para a entidade, durante um mês, atendesse dez adolescente usuários de substâncias psicoativas. Valor do repasse: R$ 60 mil. Ou seja: a Associação – que foi representada por Moysés Louro de Azevedo Filho – recebeu uma média de R$ 6 mil por assistido, para atender aos 10 menores por um mês. É muito mais do que o custo médio/mês, por exemplo, do que despende o Desafio Jovem com seus internos.

CARO – No mesmo mês, a Sedas, através do convênio 182/2005, também firmou compromisso com a Associação Comunitária da Maraponga, a fim de que fosse prestado atendimento a 50 idosos, com encontro semanal e atividades sociais, de lazer, desportivas e informativas. Para tanto, recebeu um repasse de R$ 1.336,50. Ou seja: para os, digamos, da terceira idade, a PMF repassou a “fortuna” de R$ 26,73 por assistido. Um critério muito, mas muito difícil de entender. Também é difícil entender, por exemplo, por qual motivo a PMF contratou, via IPEM e através de pregão presencial, o Centro de Incentivo à Vida (CINV), sediado no Pirambu, para a cessão de 18 trabalhadores terceirizados – 04 zeladores, 04 para serviços burocráticos, 06 motoristas, 02 secretárias, 01 telefonista e 01 jardineiro – ao custo médio de R$ 988,72 mensais cada. Trata-se de um valor excessivamente alto.

DESPREPARO – Um exemplo de que a escalada militarista ilegal que o diretor da Guarda Municipal de Fortaleza, o "coronel" Arimá Rocha tem sido prejudicial foi o fato ocorrido no último final de semana, por ocasião dos desfiles dos blocos pré-carnavalescos na Praia de Iracema. Quando do intervalo, quando os blocos se encontram no trecho que vai de frente à igreja de São Pedro até o largo ao lado do extinto La Trattoria, cerca de dez guardas municipais – entre masculinos e femininos – abordaram um grupo de rapazes que estavam sentados nos bancos em frente ao largo. Sem possuir poder de polícia, os guardas determinaram que o grupo se levantasse, colocasse as mãos na cabeça e deram uma "geral" nos rapazes. Dois deles sacaram suas armas e apontaram para o grupo enquanto um terceiro não tirou a arma do coldre, mas ficou com a mão no cabo da arma pronto para sacar.

DESPREPARO – A forma como o grupo de guardas se dirigiu ao grupo – correndo – e a abordagem atraiu a atenção de todos que estavam no local, submetendo os "suspeitos" à uma situação de constrangimento à qual a GMF não poderia ter feito. A Constituição é bem clara quando se refere à função das guardas municipais, definindo-as como guardas patrimoniais, não de segurança pública, que é dever do Estado e da União. Os guardas também não podem portar armas. Não havia nada de errado com os abordados, tampouco estavam armados ou em situação suspeita. Mesmo que estivesse, não é papel, função nem competência da GMF fazer esse tipo de trabalho.

SEM NOÇÃO A Constituição garante o direito de ir e vir e todo cidadão é livre para ir onde quiser. No carnaval, então, as pessoas costumam tomar os mais diferentes rumos, denotativa e conotativamente falando. As declarações da assessora de imprensa de uma das secretarias executivas regionais da Prefeitura de Fortaleza, Ulyara B. de Sena, publicadas no jornal O Povo, de que iria passar o período momino – é o novo! – no estado de Pernambuco, mais precisamente na cidade de Olinda, foi para queimar o filme. No momento em que a Prefeitura de Fortaleza se esforça para oferecer festas populares no carnaval, descentralizadas, nas áreas de jurisdição das regionais – de onde a moça é assessora de uma das SER – ela surge dizendo que vai se mandar. É o caso da prefeita informar à sua equipe que, se não querem ajudar, que pelo menos não atrapalhem. Como apelar para que os fortalezenses prestigiem o carnaval da Capital se nem mesmo os envolvidos na organização da festa irão ficar?

CORREIO ELETRÔNICO – Do internauta Fernandes Filho <[email protected]>, recebemos a seguinte mensagem:

"Fortaleza, 09 de Fevereiro de 2006.

Ao Sr.
Lúcio Alcântara
Governador do Estado do Ceará

Senhor Governador, perdoe a ignorância deste que aqui o escreve...

A despeito de eu não acreditar mais na Secretaria de Cultura de seu governo que, no meu ignorante modo de pensar, gasta mais dinheiro para trazer a cultura de outros povos que a promover nossos artistas locais e levar nossa cultura para outros lugares além do Ceará; a despeito de ter sido a sua Secretaria de Cultura que desonrou a palavra dada na edição primeira do Catálogo da Cultura Cearense - Ceará Arte Show* e que arquivou os poucos recursos da lei Jereissati conseguidos por nós (R$ 8.000,00) mas, posteriormente afirmando por documento oficial não ter recursos para apoiar um projeto que, segundo suas palavras, vêm colaborar com o movimento cultural do Estado levando nossa cultura ao cenário nacional; a despeito de nem mesmo os apelos feitos por nossa entidade à Sr.ª Primeira-Dama do Estado e ao seu gabinete, apesar de eu ter perdido toda esperança de que projetos feitos por cearenses não envolvidos na “panelinha” da Sr.ª Cláudia Leitão atual Secretária de Cultura do Ceará, possam vir a ter a atenção devidamente merecida, me deixou perplexo e sem voz, o que li recentemente...

Seria verdade que a Secult enviou a quantia de R$ 500 mil através de um convênio feito com a escola de samba Estação Primeira de Mangueira do Rio de Janeiro? Pensei comigo, não é verdade, não o Sr. Governador Lúcio Alcântara, homem de conduta política responsável, está passivo de erros sim todo homem público, mas esta é uma natureza que faz parte do ser humano.

Não, eu não acredito que o Sr. Governador permitiria que a Sr.ª Cláudia Leitão mentisse quando nos deu um documento oficial da secretaria alegando não ter dinheiro para ajudar o projeto Catálogo da Cultura Cearense. Eu não acredito que o Sr. Governador tenha uma servidora tão mascarada a ponto de permitir que vários pedidos e solicitações de artistas e grupos culturais do Estado fiquem sem apoio por falta de verba e que a escola de samba  Estação Primeira de Mangueira tenha recebido R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).

Pensei comigo, este povo fala muitas coisas principalmente em ano eleitoral. E defendi o governo perante algumas pessoas como homem crédulo que sou. O sertanejo cearense está com sede, mas o que se ouve dizer é que o exército até suspendeu a entrega de água nos carros-pipas por falta de verbas, então,  a tal mangueira que falam deve ser a mangueira dos carros-pipas, o Governador deve ter destinado este dinheiro para que não faltasse água aos cearenses – defendi – Deve ser esta mangueira, a dos carros-pipas que as pessoas devem estar falando, ou se é de escola que estão falando deve ser porque a verba foi em parte destinada às escolas e outra para as mangueiras dos carros-pipas, daí a razão da mistura escola-mangueira.

Infelizmente me parece que era tudo verdade, e o dinheiro que está faltando para os carros-pipas, para segurança pública e também nas escolas, nos hospitais, em nossos projetos culturais e nos eventos foi para o Rio de Janeiro e está lá no caixa da Estação Primeira de Mangueira que nem mesmo é escola de samba cearense.

Fiquei a pensar, será que alguma escola de samba do Ceará recebeu incentivo cultural de mesmo valor alguma vez?

Isto é que é uma Secretária de Cultura, parabéns! Sr.ª Claudia Leitão, esta competência em lidar com nossa cultura talvez ninguém no Ceará a tenha.

Mas na minha ignorância, posso estar equivocado e até admito que seja um pouco rancoroso com a Secretária Claudia Leitão por não ter cumprido com sua palavra e lançado o Catálogo da Cultura no Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura simplesmente porque um servidor de lá, terceirizado, um tal Luiz Sabadias disse que não queria a imagem do catálogo vinculado ao Dragão do Mar, pareceu-me na época que o rapaz mandava mais que a própria Srª Claudia Leitão, Secretária de Cultura. Talvez eles, coitadinhos, desconheciam o fato de que o Senhor mesmo foi defensor deste projeto ainda quando era Senador. Agora, Sr. Governador eu tenho um problema, tenho aqui em minhas mãos uma matéria publicada na internet onde afirma que a Secult já enviou os R$ 500.000,00 para a escola de samba Estação Primeira de Mangueira que pelo que sei e já comentei acima, não é escola de Samba Cearense. Pior, é o próprio Ministério Público quem está pedindo a devolução do recurso.

Que absurdo! Sr. Governador já que a Sr.ª Cláudia Leitão não dispunha de verbas para o Catálogo da Cultura Cearense, já que não há recursos para segurança, já que outras secretarias também dispõem de pouquíssimos recursos para apoio a projetos de cearenses, de onde teria saído os R$ 500 mil, uma vez que tanto se alega a inexistência desses recursos em caixa.

Falando sério! Eu faço o sinal da cruz toda vez que tenho que passar em frente à Secult, mas sou um sujeito ranzinza e jurei que enquanto a Srª. Cláudia Leitão lá estiver como secretária jamais entregaria qualquer projeto, porém, ela deve ter tido lá suas razões para os tais R$ 500 mil e deve ter sido um excelente negócio para o Ceará, se não for pedir muito, será que o senhor poderia perguntá-la quanto vai ser destinado para o carnaval aqui no Ceará e será que o senhor poderia perguntá-la qual o retorno cultural em destinar uma verba que falta a tantos outros projetos para uma escola de samba que nem é cearense? E já que todos os meus pedidos são recusados, será que o governo também através da Secult poderia patrocinar uma passagem aérea para que eu pudesse assistir ao vivo o desfile da Mangueira, e assim quando voltasse teria condições de explicar a minha equipe, aos artistas que ficaram sem o Catálogo da Cultura Cearense por falta de verba, aos artistas que não conseguem apoio para lançamento de suas artes, as vítimas da falta de segurança e a população sedenta do interior que nossa Secretária de Cultura, Sr.ª Claudia Leitão é uma mulher que se preocupa com a nossa cultura sim, pois o retorno foi garantido e o desfile com a ajuda dela ficou belíssimo.

Mas apelo para que desconsidere tudo que eu falei se por acaso tudo não passar de uma invenção da mídia em tempos eleitorais, pois como já disse posso ter interpretado erroneamente os fatos, contudo, se estes fatos forem verídicos, Senhor Governador exijo como cearense e eleitor que, honre o compromisso com a nossa cultura começando por demitir tão insensata secretária juntamente com sua equivocada equipe. Lembrando-lhe que a pasta é Secretaria de Cultura do Estado do Ceará e não Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.

Com todo meu respeito ao Sr. Governador Lúcio Alcântara.

Atenciosamente,

FERNANDES FILHO
Presidente ANDI/Ceará Tour
www.cearatour.com.br"

PARA REFLETIR – "Somente os mortos verão o fim da guerra". (Platão)

 

 

 

 

ATUALIZAÇÃO N.º 306 - 20/02/2.006

CONSEQÜÊNCIA – Semana passada o Em Off abordou um episódio envolvendo cerca de dez guardas municipais e um grupo de três jovens que se encontrava sentado nos bancos do largo localizado ao extinto restaurante La Trattoria, na Praia de Iracema, onde ocorre o encontro dos blocos pré-carnavalescos daquele bairro. Os guardas correram em direção ao grupo, dois deles com armas apontadas para os jovens, um terceiro ficou com a arma no coldre, mas com a mão no cabo, pronto para sacar, enquanto os demais revistavam os rapazes.

CONSEQÜÊNCIA – Na ocasião voltamos a lembrar que, constitucionalmente, a Guarda Municipal tem função apenas de vigilância patrimonial, não tendo atribuição de segurança pública, obrigação do Estado e da União. Também ressaltamos que os guardas municipais não podem andar armados, pois não têm formação militar, tampouco são treinados para isso. Chamamos a atenção da sanha militarista do diretor geral da GMF, Arimá Rocha, o “coronel”, que imprime uma feição de polícia à Guarda desde que assumiu o posto, com o início da administração da prefeita Luizianne Lins.

CONSEQÜÊNCIA – Infelizmente, como num vaticínio do que essa postura iria acabar acarretando mais cedo ou mais tarde, eis que, cinco dias depois, o pior aconteceu. Durante uma desocupação de terra realizada na favela Rosalina, no Itaperi, Francisco Gonçalves de Sousa Júnior, de 21 anos, foi baleado e morreu quando recebia socorro no IJF-Centro. A desocupação era promovida por funcionários da Secretaria Executiva Regional (SER) VI, comandada por Paulo Mindêllo. A ação visava a derrubada de 30 casas construídas, segundo o titular da SER VI, irregularmente. Não havia, segundo consta, nenhuma determinação judicial para que a derrubada fosse feita. Alguns juristas, entretanto, interpretam que o poder de polícia é autoaplicável nesse caso, defendendo que a Prefeitura tem o poder de demolir, embargar construções que não estejam adequadas à legislação. Trata-se de uma boa discussão acadêmica, mas os fatos falam mais sobre o ocorrido. Os moradores do local resistiram e a GMF atacou com bombas de efeito moral, de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Nesse confronto Francisco foi baleado.

CONSEQÜÊNCIA – Revoltados com a morte de um morador, um grupo de pessoas fez um protesto, queimando galhos de árvore, pedaços de pau e placas de trânsito, fazendo duas barreiras na avenida dos Expedicionários, defronte à entrada da favela. Segundo declarou o diretor geral da Guarda Municipal ao jornal Diário do Nordeste, não houve desalojamento, mas destruição de construções irregulares. Mas era o que aquela gente pobre chamava de casa, ou simulacro. Justificou que um dos guardas também foi baleado.

CONSEQÜÊNCIA – Há muito tempo Arimá vem transformando a GMF numa milícia, de maneira ilegal. Comprou coletes a prova de bala, cartuchos, armas, capacetes, escudos, coturnos, criando uma espécie de batalhão de choque dentro da Guarda. Isso não é papel do Órgão. Cabe ao organismos policiais o trabalho de segurança pública e, caso houvesse uma determinação judicial numa ação de reintegração de posse, seu cumprimento garantido pela Polícia Militar. Não à Guarda Municipal de Fortaleza. Ao Diário do Nordeste, Arimá declarou: “Cabe à Polícia apurar quem matou esse rapaz, pois nossas equipes não usam armas de fogo. Apenas material autorizado pelo Ministério da Defesa, pois não causa letalidade”. Mentira. O diretor da GMF nunca viu guardas municipais armados com revólveres? Então não conhece o Órgão que dirige.

CONSEQÜÊNCIA – O comandante da PM, coronel – aí sim, de direito, não de fato ou de vontade – Deladier Feitosa afirmou ao DN que os quatro policiais que acompanharam a desocupação não efetuaram disparos. Quem estava na linha de frente com os moradores da área eram os guardas municipais, não os policiais militares. Seja como for, basta que sejam submetidos todos os guardas municipais que participaram do confronto e os policiais militares a exame residuográfico de parafina. Além do mais, que entreguem as armas que utilizam para o exame de balística. Ao diretor da Guarda Municipal de Fortaleza, Arimá Rocha, que procure andar pelos locais onde os guardas municipais atuam para ver se usam ou não armas – verá que muitos usam – ou, então, não se utilize de mentiras para fugir da responsabilidade que sua irresponsabilidade provocou.

CONSEQÜÊNCIA – Na versão publicada pelo jornal O Povo foi atribuído a policiais militares a autoria do disparo que acabou por tirar a vida de Francisco Gonçalves. Em declarações ao jornal, o vereador Guilherme Sampaio (PT), líder da prefeita na Câmara Municipal, também preferiu jogar a culpa na Polícia Militar, atribuindo a essa a responsabilidade pela morte do morador. Deveria, pelo menos, tido a prudência de esperar que o inquérito policial que apurará o homicídio aponte o culpado, antes de tentar tirar a GMF da reta. O Em Off não está acusando a Guarda Municipal de ter sido a responsável pela morte do morador, mas não a descarta e, pela posição de confronto que se registrou entre guardas municipais e moradores, diretamente, a probabilidade da bala ter saído do revólver de um componente da Guarda Municipal é muito grande, não obstante o diretor geral do Órgão insista em dizer que nenhum deles use arma de fogo.

CONSEQÜÊNCIA – Guilherme Sampaio acusou os que se rebelaram contra a derrubada de suas casas de agirem com interesse de especulação imobiliária. Com efeito, no meio de inúmeras pessoas necessitadas de moradia, existem os que utilizam a situação para aferirem lucros. Entretanto, cabe à Prefeitura separar o joio do trigo, fazendo com que apenas os reais necessitados sejam contemplados. O parlamentar não pode atribuir essa pecha. Precisa admitir que muitas pessoas temem ficarem alijadas do processo de cadastramento e entrega das casas de construção anunciada, pois moradia é uma forte moeda eleitoral. Exemplos – inclusive recentes e de vereadores que estão no exercício do mandato – estão aí para provar.

CONSEQÜÊNCIA – O titular da SER VI, Paulo Mindêllo, também deveria ter tido mais prudência na ação. Primeiro, deveria ter solicitado da Justiça uma determinação para a derrubada das casas – ou barracos, ou casebres, como desejarem –. Ao Diário do Nordeste, Mindêllo também optou por tentar isentar a Guarda Municipal de responsabilidade na morte do morador. Disse que durante todo o dia do confronto não recebeu informação sobre feridos graves ou mortos no confronto. Também pudera, no clima agradável do gabinete refrigerado seria difícil tomar conhecimento. Enquanto se refestelava em sua poltrona no gabinete, a tragédia acontecia. Mindêllo utilizou a mesma estratégia de Guilherme Sampaio e Arimá Rocha: jogou a culpa pela morte do morador na Polícia Militar.

CONSEQÜÊNCIA – A morte de Francisco Gonçalves é fruto de uma série de equívocos que vem sendo abordada há tempos pelo Em Off: a fixação em militarizar a Guarda Municipal por parte de seu diretor geral, o reflexo desse posicionamento nos guardas municipais, o despreparo da totalidade do efetivo e, principalmente, a maneira ilegal como essa transformação em milícia vem sendo feita. Talvez agora, com a morte de um cidadão, Arimá Rocha resolva abandonar esse desejo latente de comandar uma tropa. Quando a situação se agravou, apressou-se em lançar mão de mentiras, afirmando que nenhum guarda municipal usa arma de fogo. Usa sim. Além disso, os coletes à prova de bala, os coturnos, os escudos transparentes, capacetes e cassetetes que o diretor da GMF adquiriu com o dinheiro do munícipe durante todo o ano passado. E continua armando sua “tropa”. Talvez se esse episódio não tivesse ocorrido, quem sabe Arimá se apresentasse, num futuro bastante próximo, vestido com a farda da GMF, de boina e com insígnias nos ombros do uniforme. Estrelas, talvez... Quem sabe vermelhas.

CONSEQÜÊNCIA – A mídia local ou nunca atentou para a escalada militarista que se instalou na GMF com a chegada do atual diretor geral ou fez vista grossa. Bastaria que tivesse acompanhado, através do Diário Oficial do Município, as compras sem licitação que o Órgão fez. Em se concluindo o inquérito pela responsabilidade da GMF pela morte do morador, que o diretor geral e a prefeita Luizianne não fujam de sua parcela de culpa. A prefeitura teve que ser evacuada por volta do meio-dia da sexta-feira, dia seguinte ao confronto, quando um grupo de moradores das Rosalina se encaminhou para a sede do Executivo Municipal, para protestar pela derrubada das casas e pela morte de Francisco Gonçalves. Mais uma vez chegou ao local Arimá Rocha com seu “batalhão de choque”. Para defender a sede da Prefeitura a GMF tem respaldo legal – sem o uso de armas de fogo – mas não para efetuar operações de desocupação de terreno e de segurança pública.

ESQUEMA – O assassinato do ex-assessor de informática do Instituto de Previdência do Município na administração de Rose Mary Maciel, Paulo Afonso Aguiar Regadas Júnior pode trazer à tona um intrincado esquema de desvio de dinheiro que se verificou na gestão do prefeito Juraci Magalhães e que envolve muitas outras figuras públicas. Regadas foi encontrado morto com um tiro na cabeça no último dia 13/02 na Lagoa Redonda e seu carro, queimado, localizado na Barra do Ceará. O ex-assessor de informática do IPM foi o último a depor na CPI instalada pela Câmara Municipal de Fortaleza para apurar o prejuízo de R$ 30 milhões pela aplicação de recursos do IPM no falido Banco Santos. Durante as investigações, foram descobertas outras irregularidades, como o desvio de dinheiro descontado dos contracheques dos funcionários municipais e não repassados ao Instituto.

ESQUEMA – Regadas – entre outras pessoas – era o encarregado de intermediar serviços de informática entre o IPM e o Cetrede (Centro de Treinamento e Desenvolvimento), ligado à Universidade Federal do Ceará (UFC). Serviços, diga-se de passagem, superfaturados. O próximo a depor na CPI é também um ex-assessor do IPM, que realizava também intermediação de contratos de prestação de serviços em informática ao Órgão, cujo primeiro nome é Neirobson. O homem, como não poderia deixar de ser, está se pelando de medo de prestar depoimento, depois do ocorrido com Regadas. Mas as ligações de Neirobson levam a diversas ilações e questionamentos.

ESQUEMA – O próximo depoente era assessor do hoje secretário especial do Centro da Prefeitura de Fortaleza, Francisco Caminha – deputado estadual licenciado e presidente nacional do PHS – quando ele ainda era vereador e integrante da base de sustentação e posteriormente apoio na Assembléia, do então prefeito Juraci Magalhães. Deixou o posto pouco tempo antes do término do mandato do ex-prefeito. Existe um detalhe que acrescenta um ingrediente a mais nesse imbróglio: o titular da SECE tem um irmão que é proprietário de empresa prestadora de serviços de informática.

ESQUEMA – Como arremate, o Cetrede é dirigido por um amigo pessoal de Francisco Caminha. Têm toda a razão para estarem “cortando prego” os vereadores José Maria Pontes (PT) (foto) e Elpídio Nogueira (PSB), respectivamente relator e presidente da CPI do IPM. O esquema é pesado e desviou R$ 30 milhões – dos quais apenas R$ 800 mil foram recuperados, das operações com o Banco Santos – pelo menos, segundo foi apurado pelas investigações, e o assassinato de Regadas, muito provavelmente numa “queima de arquivo” não são fatos para serem desprezados. José Maria está propenso a pedir proteção policial não apenas para si e para o presidente, mas para alguns depoentes.

ESQUEMA – O fato é que o secretário Caminha (foto) tem esclarecimentos a prestar à CPI. Resta saber se a Comissão terá força política para convocar o deputado estadual licenciado. Além de integrar o primeiro escalão do Executivo Municipal, de ter assento na Assembléia, Caminha preside nacionalmente o PHS, maior bancada de apoio da Prefeitura na Câmara, tendo inclusive o presidente do Legislativo Municipal como filiado. Convém ressaltar que Francisco Caminha acabou desaguando na equipe da Prefeitura como parte do quinhão da composição de forças que a prefeita realizou para alojar seus aliados.

ESQUEMA – O assassinato de Regadas foi apenas mais um componente do desdobramento desse esquema criminoso que assaltou os cofres municipais durante a gestão Juraci Magalhães. A imprensa local, infelizmente, continua se atendo apenas ao factual. Caso tivesse se empenhado em aprofundar os fatos, juntar peças, pesquisar, buscar fontes, já poderia estar um passo bem à frente do factual, não apenas restrita à reprodução do que acontece ou repercussão. Mas opta pelo caminho inverso, por comodismo ou por incapacidade.

SAÍRAM – O jornalismo da TV Verdes Mares perdeu os repórteres Cezar Menezes e Fábio Pizzato. Ambos receberam convites da Rede Record/SP. O primeiro conseguiu, trocando a TV Verdes Mares pela Globo/SP uma compensação financeira que o fez não ir para a emissora da Igreja Universal. O segundo se mandou de mala e cuia para a Record e já integra a equipe esportiva da emissora.

IBOPE – Falando em jornalismo da TV Verdes Mares embora o Jornal do Meio Dia não concorra diretamente com o Jornal Jangadeiro, esse último ultrapassou os números do Ibope do primeiro em janeiro. A emissora fez até festa para comemorar o resultado. O JMD tem como concorrente o Na boca do Povo (Jangadeiro) e o Cidade 190 (TV Cidade), e teve seus índices, efetivamente, diminuídos, principalmente pelo crescimento do policial Cidade 190. Não concorre no horário com o JJ. Portanto, a comemoração foi um pouco sem sentido. Serviu para anunciar também que comercialmente também avançou sobre o telejornal da TVM.

IBOPE – Com o fim do horário de verão, os dois telejornais poderão se digladiar diretamente. Mas isso será possível, pois a TV Jangadeiro modificou novamente sua programação local em virtude do término do horário de verão. O JJ deverá ir ao ar quase no mesmo horário do JDM. O Barra Pesada vai se confrontar, por cerca de meia hora, com o Cidade 190 e com o Comando 22 (TV Diário). Sobrou para o risível Na boca do povo, que será dividido em duas partes: uma no final da manhã e outra no início da tarde.

IBOPE – A qualidade do JDM – que já não era das melhores – vem em gráfico descendente há muito tempo, mas por outro lado o crescimento do JJ não se deve ao inverso. O telejornal da TV Jangadeiro deu uma guinada às suas origens e voltou com força total ao jornalismo chapa-branca. As presenças do Executivo estadual e seus aliados têm sido cada vez mais fortes. Triste constatar que os telejornais não concorrem entre si priorizando uma elevação em sua qualidade.

SUGESTÃO – O governo do Estado está com uma campanha publicitária no ar, um comercial de TV onde as “realizações” do Executivo são entrecortadas pelo chatíssimo bordão “maaaaais”. O texto poderia ser: Ceará, estado com aparelho policial sucateado e sem condições de enfrentar a bandidagem... “maaaaais”... R$ 500 mil do contribuinte enviados para financiar o desfile da escola de samba Mangueira... “maaaaais”... Governo do Estado faz de tudo para impedir instalação da CPI das dispensas de licitações e da terceirização dos presídios... “maaaaais”... Trapalhadas e suspeita de fraudes em concursos públicos estaduais... “maaaaais”... Governo sobretaxa “supérfluos” como combustíveis e telecomunicação, mas deixa de fora da alíquota extorsiva de ICMS os essenciais “refrigerantes”... “maaaaais”... e por aí vai.

PRESEPADA – Um grupo de profissionais e falsos profissionais do jornalismo – além de “personalidades” do meio político local e “atrações artísticas cearenses” – foi levado à Espanha por causa do lançamento da nova rota da empresa aérea Air Madrid. Muitas presepadas, mas o destaque ficou, sem dúvida, ao dublê de bon vivant/playboy/falso profissional/don Juan Pompeu Vasconcelos. O rapaz passou os seis dias na capital espanhola para cima e para baixo e, além de tirar fotografias com uma máquina digital, para alimentar sua fútil coluna publicada no caderno Buchicho (jornal O Povo), mais uma vez exercitou sua faceta de inconveniente.

PRESEPADA – O moço resolveu cantar tudo que era mulher que passava à sua frente, brasileiras e espanholas, e ao dar uma de engraçadinho para uma moça casada, que estava com o marido e que compunha a delegação cearense, o tempo fechou. A jovem senhora deu uma “enquadrada” federal no engraçadinho, na frente de todos da delegação, no hotel Trip Cibelles. Não é a primeira vez que o moço se mete em enrascadas por seu costume de se considerar “o irresistível”. Quando ocupava seu tempo como diretor da TV União, Pompeu protagonizou um dos mais delicados casos de assédio, que culminou com sua saída da emissora.

PRESEPADA – Existem versões de ambas partes para o episódio, mas uma que traduz o que realmente ocorreu. Recém aprovada no concurso de VJ da emissora, a hoje “ex-BBB” Natália Nara acabou por envolver-se com o então diretor, com a promessa de que seu programa seria colocado no ar. Ao ser concretizada a promessa, a moça resolveu colocar um ponto final na relação, sendo então submetida à pressão para que continuasse. A ex-BBB então tratou de gravar uma conversa com o diretor, onde recebia mais pressão para continuar o relacionamento, inclusive com a menção de tirar o programa do ar. Apresentou a gravação aos donos da emissora e disse que se não fosse tomada providência iria divulgar a fita. Pompeu tentou negar, mas diante das evidências não teve como continuar negando. Acabou por sair da emissora.

LIBERADO – Após anos de veto por uma questão pessoal da família Queiroz, eis que o ministro da integração nacional, Ciro Gomes, finalmente surgiu em matérias locais nos veículos de comunicação do Sistema Verdes Mares. Primeiro Ciro surgiu em entrevista no Jornal do Meio Dia, da TV Verdes Mares, com direito, inclusive, a puxar o saco da emissora. Depois o ministro foi entrevistado no programa Questão Aberta, da TV Diário. Da mesma forma como foi incrível o veto por uma picuinha pessoal é a liberação para que Ciro libere sua verborragia diarréica. Para não perder o costume, no Questão Aberta, criticou duramente a oposição ao governo Lula, notadamente o PSDB, mas se desmanchou em elogios ao ex-governador e senador Tasso Jereissati, por sinal presidente nacional do PSDB. Acendeu uma vela para o diabo e outra para o irmão gêmeo dele.

NEPOTISMO – O STF confirmou a constitucionalidade da decisão do Conselho Nacional de Justiça, que determinou o fim do nepotismo, com a determinação de demissão dos parentes de juízes e desembargadores até o terceiro grau de cargos comissionados no Judiciário. Atitude louvável que deveria ser imitada pelo meio jornalístico, até mesmo para que suas críticas e cobranças quanto ao cumprimento dessa determinação sejam mais consistentes e levadas a sério.

NEPOTISMO – Por aqui nepotismo é algo em alta. No Sistema Verdes Mares, o diretor Edilmar Norões tem um filho e uma nora empregados – Paulo César Norões e Simone Morais –. Na TV Diário, Tom Barros é pai de Vítor Hannover, que por sua vez tem a ex-esposa empregada na emissora – Luzyânia Xavier – e a atual na TV Verdes Mares – Letícia Amaral –. O arrendatário da equipe esportiva, Gomes Farias, encaixou seu sobrinho, Bosco Farias, na narração das partidas do campeonato cearense pela TVM.

NEPOTISMO – Na TV Cidade tem o comentarista Vítor Valim, marido da diretora Margarida Souza – que é filha do dono da emissora –. Muitos são os exemplos. Para que veja o cisco no olho do próximo é preciso, antes, enxergar a trave que está no próprio olho.

GASTANÇA – Com a chegada do carnaval, inúmeras prefeituras cearenses gastam dinheiro com a contratação de atrações artísticas, muitas conhecidas nacionalmente, sempre com a desculpa de incrementar o turismo, mas tendo como pano de fundo a promoção pessoal do prefeito de plantão. No carnaval desse ano vai ter de tudo, até funkeiro. Um contraste para municípios que se queixam estarem de pires na mão. Com a conivência dos meios de comunicação locais, que, afinal de contas, lucram com a verba publicitária dessas prefeituras. Optam por fechar os olhos para esse desperdício do dinheiro do contribuinte.

SEDENTO – O ECAD provocou a retirada dos rádios instalados nos ônibus urbanos de Fortaleza, por causa de cobrança de direitos autorais sobre as músicas executadas através das emissoras de rádio sintonizadas. Abstraindo-se da discussão jurídica sobre a legitimidade ou não da cobrança - a cobrança possui, sim, respaldo legal – há de se fazer uma pergunta: para onde vai o dinheiro arrecadado sobre direitos autorais de músicas que na verdade nada mais são do que versões – plágios – de músicas internacionais, gravadas pelas inúmeras bandas de forró que pululam nos quatro cantos?

PÉROLA I – A transmissão do jogo entre Guarany x Ceará, pela TV Verdes Mares, a “equipe esportiva” caprichou e produziu pérolas maravilhosas. A primeira foi proferida pelo repórter Mário Costa, comentando sobre a contratação de jogador pelo alvinegro: “o jogador foi contratado para a temporada 2006”. Ora, e por acaso algum clube iria contratar um jogador para a temporada do próximo ano, com a atual apenas começando?

PÉROLA II – Depois foi a vez do colega de transmissão e também repórter Alysson Oliveira soltar a dele. No intervalo do jogo, entrevistou o jogador Reinaldo Aleluya, autor do primeiro gol do Ceará, e perguntou: “como foi o gol?”, mesmo as câmeras tendo mostrado o primeiro tento do Vozão. Aleluya respondeu, com diplomacia: “tentei cruzar, a bola bateu na minha canela e foi direto para o gol”. Não contente, o rapaz ainda mandou outra: “a bola entrou?”. Não, Pedro Bó, a bola não entrou... Foi gol, mas a bola saiu pela linha de fundo...

PÉROLA III – Sentindo-se inferiorizado, o narrador Bosco Farias resolveu dar sua contribuição. Afinal, não poderia ficar de fora desse ranking que a cada dia se avoluma nos meios de comunicação locais. Após a marcação de um impedimento do centroavante Vinícius, ele lascou essa: “o Vinícius estava completamente impedido”. Ora, e por acaso algum jogador pode ficar parcialmente impedido? Ou o indivíduo estava em situação de impedimento ou não.

CORREIO ELETRÔNICO Do internauta Paulo Rocha <[email protected]> recebemos a seguinte mensagem:

LB BOM DE TV & OUTRAS NOTAS – Em maio atinjo decididamente 44 anos de televisão só interrompidos por dois breves períodos de hibernação, um deles provocado por aquele sinistro senhor e agora que sou tão veterano, acho que posso dizer que levo jeito pra coisa, senão, não teria durado tanto tempo, pois pra aparecer na telinha e conquistar público verinte é preciso algo mais que carinha bonita ou fluência, talvez aquilo que comumente se chama de carisma”. Lúcio Brasileiro elogiando o próprio, na sua coluna de 19.02.06 do jornal O POVO.

Como diria Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) o programa do Sr. Brasileiro - apresentando em uma emissora meia-boca e com inexpressivo ou quase inexistente índice de audiência – é um verdadeiro FEBEAPÁ, Festival de Besteiras que Assola o País.

O “& Outras Notas”, que ele também se considera o bom, deve ser em razão do uso do espaço que ele tem no jornal O POVO utilizado para puxar o saco de falsos ricos que sobrevivem de sobrenomes de famílias tradicionais e para defender interesses pessoais como é o caso do seu restaurante Ugarte localizado no Cumbuco.

Paulo Rocha"

RESPOSTA – Lúcio Brasileiro é um dos muitos adeptos do vitupério na imprensa local.

PARA REFLETIR – "Quando tudo esta perdido sempre existe um caminho; quando tudo esta perdido,sempre existe uma luz........ quando chegar a noite, cada estrela parecerá uma lágrima; queria ser como os outros e rir das desgraças da vida ou fingir estar sempre bem.......ver a leveza das coisas com humor....... mas não me diga isso, não me dê atenção e obrigado por pensar em mim....." (Renato Russo).

 

 

ATUALIZAÇÃO N.º 307 - 27/02/2.006

MESMICE – Como de costume, a falta de criatividade foi a tônica nos meios de comunicação locais na cobertura do carnaval. Sempre mais do mesmo: matérias sobre a movimentação nas estradas, na rodoviária, no aeroporto, nas cidades que pagaram para terem suas festas divulgadas – que as emissoras insistem em veicular achando que o telespectador não detecta tratar-se de matéria paga travestida de editorial –, as vendas de adereços para a festa, etc.

MESMICE – E não faltaram, claro, as chatíssimas matérias com as recomendações para os irresponsáveis/depravados/foliões, sempre no foco da prudência ao volante, nos enésimos apelos para que não se misture bebida alcoólica com direção e a eterna recomendação de usar camisinha sempre. Tudo bem que a função do Poder Público é realizar campanhas preventivas, mas qualquer ser humano com discernimento suficiente para saber que é gente sabe que se beber e for dirigir vai colocar várias vidas em risco – além da dele, principalmente –, se resolver fazer sexo sem se prevenir está propenso a contrair DST, enfim.

MESMICE – Até para que o resultado fosse mais efetivo, as tais matérias que os veículos de comunicação veiculam deveriam ser mais explícitas, como mostrar as vítimas dos acidentes de trânsito ocorrido por imprudência causada pela bebida, ou os que teimaram em fazer sexo sem se prevenir. Do jeito que as matérias são feitas, todos os anos, o resultado não pode ser satisfatório. Aliás, se os meios de comunicação quisessem, poderiam apenas reprisar as matérias e republicar os textos.

PÉROLA I – Essa foi publicada pelo Diário do Nordeste, edição do dia 21/02. Trata-se de material de agência, mas com o recibo devidamente passado pelo jornal local: “A diretoria do Ipatinga divulgou ontem, a contratação do veterano atacante Camanducaia como reforço para o ataque da equipe no Campeonato Mineiro e na Copa do Brasil. O anúncio da contratação do atleta, campeão brasileiro em 1995 com o Santos e ex-Ceará, foi feito pelo vice-presidente de futebol do clube, Amarildo Ribeiro”. Ocorre que, em 1995, o campeão brasileiro foi o Botafogo Futebol e Regatas (RJ), que disputou as finais com o Santos, que ficou com o vice-campeonato.

PÉROLA II – Essa foi proferida pela repórter (?) da TV Cidade, Ana Paula Lustosa, no Jornal da Cidade, edição do dia 20/02: “23 presos fugiram na madrugada de sábado para domingo”. Madrugada de sábado para domingo? Com certeza foi a maior madrugada já registrada na história do mundo. Não existe madrugada de sábado para domingo, mas madrugada de sábado e madrugada de domingo.

PÉROLA III – Essa foi publicada pelo jornal O Povo, edição do dia 25/02, em matéria assinada por Erivaldo Carvalho: “A administração Luizianne Lins (PT) não esteve na pauta da reunião do bloco partidário que poderá se formar entre o PT, PSB, PMDB e PCdoB. Enquanto os líderes se reuniam numa sala, a deputada Iris Tavares (PT), uma espécie de líder informal da Prefeitura de Fortaleza na Assembléia, fazia um pronunciamento com os feitos da gestão petista na Capital para um plenário quase vazio”. Ora, e a prefeita Luizianne Lins precisa de “líder”, ainda que “informal” na Assembléia. Não há bancada de sustentação da prefeita ou qualquer competência da PMF na Assembléia. Existem parlamentares do mesmo partido ou do mesmo arco de sustentação em nível municipal, que, certamente, não necessitam ou precisam de um “líder”, muito menos “informal”.

CONTINUA – E continua a sanha belicista da Guarda Municipal, sob a direção do “coronel” Arimá Rocha. No domingo de carnaval, na Domingos Olímpio, um grupo de cinco guardas chegou de maneira truculenta na esquina com a rua Assunção, onde populares se aglomeravam. Não precisava: além de não terem a competência para atuar em questões de segurança pública, já estava no local um grupo de policiais militares atendendo a ocorrência.

CONTINUA – Mas os guardas chegaram empurrando todos, cassetetes na mão, empunhados, chegando a derrubar copos e latinhas de cervejas de populares. Tomaram uma sonora vaia e saíram tão logo perceberam que a Polícia Militar estava no local, fazendo seu trabalho institucional. Pelo jeito o episódio da morte do morador da comunidade Rosalina não surtiu muito efeito na Guarda Municipal, tampouco serviu para que a prefeita Luizianne Lins desse um puxão de orelha – ou um bilhete azul – ao belicoso diretor geral da Guarda Municipal.

ABAFADO – A mídia local deu pouca – quase nenhuma – divulgação à decisão da juíza Maria do Socorro Montezuma Bulcão, titular da 107ª Zona Eleitoral, que concedeu liminar proibindo a Prefeitura Municipal de São Luís do Curu de utilizar dinheiro do erário para a realização de eventos carnavalescos. A ação está sendo movida pelo promotor da Justiça Nestor Rocha Cabral, com a alegação de que a Prefeitura passa por diversas dificuldades financeiras, comprometendo, inclusive, os serviços públicos essenciais. A Prefeitura daquele Município deve mais de R$ 51 mil de débitos de telefone, água e energia elétrica.

ABAFADO – A argumentação do promotor foi de que a Prefeitura não poderia utilizar dinheiro público para promover festejos carnavalescos com dívidas que ameaçam o funcionamento da máquina pública. Muitas foram as prefeituras que optaram por utilizar o dinheiro do contribuinte para bancar os festejos carnavalescos e, na verdade, fazer promoção pessoal. Muitas prefeituras contrataram “artistas” de peso para animar o carnaval. Mas a pouca divulgação da mídia local se deveu ao fato de que parte desse dinheiro retirado do financiamento dos serviços públicos essenciais acaba parando na conta das empresas de comunicação, mediante publicidade.

DESCONVITE – Falando em show no carnaval, pegou mal, mas muito mal a atitude da Prefeitura de Fortaleza, que havia acertado verbalmente com o cantor Ednardo para que ele fizesse um show na Domingos Olímpio, em seguida “desconvidando” o autor de Pavão Misterioso pelo fato de ter contratado o baiano Moraes Moreira. Além de ter sido uma atitude descortês, a Prefeitura de Fortaleza optou por prestigiar um artista de fora em detrimento de um cearense.

CONFUSO – Em matéria sobre o cenário político, eleições, segundo turno, publicada sob o título “Partidos podem garantir 2º turno no Ceará”, assinada por Érico Firmo, há uma confusa explicação sobre a realização de segundo turno. Escreveu o repórter: “Para que haja 2º turno, nenhum candidato pode ter mais votos que todos os outros adversários somados. Assim, mesmo com dois candidatos com votações expressivas, o número de votos obtidos por outros candidatos precisa ser pelo menos igual à diferença de votos entre o primeiro e o segundo colocados. Por exemplo, em uma eleição com três candidatos, se o primeiro colocado tiver 45% dos votos e outro tiver 40%, o terceiro colocado precisa ter no mínimo 5% dos votos - brancos e nulos são desconsiderados - para que haja 2º turno. Se tiver até 4%, o vencedor é eleito no primeiro 1º turno”.

CONFUSO – Para a totalização dos votos para efeito de classificação final em relação a um possível segundo turno, são desprezados votos nulos e em branco. Portanto, consegue eleger-se no primeiro turno o candidato que obtiver metade mais um dos votos válidos. Na hipótese utilizada pelo repórter – como destacou que brancos e nulos não são computados para efeito de voto válido – e se havia três hipotéticos candidatos, se o primeiro colocado teve 45% dos votos e o segundo 40%, o terceiro não poderia ter recebido, em hipótese alguma, apenas 5% dos sufrágios. A explicação é matemática: 45 + 40 + 5 = 90. Portanto, quem teria recebido esses 10% de votos válidos se a eleição imaginária do repórter contou com apenas três candidatos?

CONFUSO – Depois de um exemplo hipotético, o repórter partiu para a utilização de um exemplo real. E errou ainda mais. Escreveu Érico Firmo: “Foi o que ocorreu em 1994, a mais acirrada eleição no Estado a terminar em um turno só desde que foi instituído o 2º turno, em 1988. Na época disputando pelo PMDB, Juraci Magalhães obteve 29,7% dos votos, contra 43,8% de Tasso Jereissati. Como nenhum dos outros três candidatos chegou a 3% dos votos, Tasso foi eleito para o 2º mandato já no 1º turno”. O moço escreveu a matéria consultando os dados do TRE-CE, mas não quis ou não soube fazer os cálculos. Acabou piorando o samba do crioulo doido.

CONFUSO – Na eleição para o governo do Estado em 1994, de fato, Tasso Jereissati recebeu 1.368.757, equivalente a 43,80% do total de votos. Juraci Magalhães recebeu 930.407, perfazendo 29,78% do total de votos daquela eleição. Joaquim Cartaxo (PT) obteve 75.753 – 2,42% do total de sufrágios –, Rosa da Fonseca (PSTU) 72.395 – equivalente a 2,32% do total de votos – e Evaldo Costa Lins recebeu 26.819 – ou seja, 0,86% do total de votos –. O problema é que houve 486.445 votos brancos – que representaram 15,57% do total de votos – e 164.209 votos nulos – que significaram 5,26% do total de sufrágios –. Naquela eleição houve um total de 3.124.785 de votos.

CONFUSO – Caso tivesse tido o trabalho de realizar os cálculos, Érico Firmo não teria dado uma mancada homérica como a que foi publicada. Tasso Jereissati não foi eleito governador no primeiro turno da eleição em 1994 por ter tido 43,8% dos votos, o que não lhe daria o respaldo legal para ser declarado vencedor. Na eleição daquele ano, houve 2.474.131 votos válidos. Portando, Tasso Jereissati foi eleito por ter recebido exatos 55,32% dos votos válidos daquela eleição. Juraci Magalhães obteve 37,6% dos votos válidos. Cartaxo teve 3,06% dos votos válidos; Rosa 2,94% dos votos válidos; Evaldo conseguiu 1,08% dos votos válidos. Os votos recebidos pelo candidato do PSDB foi superior à soma dos votos de todos seus adversários. Garantiu-lhe maioria simples de votos.

CONFUSO – Infelizmente Érico Firmo preferiu escrever sua matéria colhendo apenas os dados absolutos do TRE-CE e esqueceu, ou não se deu ao trabalho ou, ainda, teve preguiça para fazer os cálculos que iria proporcionar-lhe escrever uma matéria correta, não desinformaria o leitor e, principalmente, não se transformaria num texto quase ininteligível. O autor poderia, ainda, ter lido a legislação eleitoral para que não incorresse em erro tão primário. Optou pelo comodismo. Penalizou o leitor, que não recebeu um texto claro, conciso, correto.

PARA REFLETIR – “Faz o que for justo. O resto virá por si só”. (Goethe)

 

 

 

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