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Arquivo de atualizações Imprensa CE - Abril/2006
ATUALIZAÇÃO N.º 312 - 03/04/2.006
QUESTIONAMENTOS
– Alguns internautas enviaram questionamento sobre o fato da revista Época ter
sido o instrumento de divulgação do extrato bancário do caseiro Francenildo dos
Santos Costa, que garantiu ter visto o agora ex-ministro Antônio Palocci na
famosa mansão que disse não ter estado, obtido de maneira ilegal e que acabou
por provocar a queda de Palocci e do presidente da Caixa Econômica Federal,
Jorge Mattoso. Indagaram se a revista não deveria responder criminalmente pelo
crime de quebra de sigilo bancário, a exemplo do que o MPF fará contra Palocci,
Mattoso e outros que concorreram para o delito.
QUESTIONAMENTOS – Juridicamente, a revista Época não pode ser alvo de nenhuma ação criminal, pelo simples fato de não haver tipificação de crime para quem divulga os dados, apenas para quem efetua a quebra ilegal do sigilo. Mas isso apenas na seara criminal. Civilmente, o atingido pode acionar a revista cobrando por perdas e danos morais e materiais que julgar ter sido vítima em decorrência da divulgação do extrato bancário ilegal.
QUESTIONAMENTOS – Quanto à prática jornalística, recorremos à mestra Adísia Sá, a quem pedimos que nos orientasse nesses questionamentos e que mais uma vez nos ensinou:
“Carissimos.
Não aceito a tese de que os veículos de comunicação também agiram de maneira ilegal ao publicarem o extrato bancário do Francenildo e por quê penso assim? Pelo que ouvi na CBN, um filho de assessor do Ministro da Fazenda seria jornalista da revista Época – e a ele o pai teria passado este documento violado.
Considerando que o jornalista ao encaminhar à sua editoria (ou direção de redação) matéria com o referido documento teria – em pleno gozo de seu direito profissional – guardado sua fonte em sigilo (quem sabe, até passado ao seu superior de redação?). Onde o crime? Os demais veículos de comunicação , ao publicarem o extrato, tomaram como "Fonte" a própria Revista Época responsável pela divulgação. Onde o crime?
Crime praticou quem violou o sigilo bancário do Francenildo, com a desculpa de que havia movimentação suspeita... Ora, direis. Movimentação suspeita, só porque o proprietário da conta era um caseiro? Coincidentemente, o caseiro – personagem central – do escândalo da Mansão de Brasília...”
ABORDAGEM
– O assunto que movimentou a cena política nas últimas semanas na imprensa foi o
pronunciamento do deputado estadual Paulo Duarte (PSDB), que levou a público a
denúncia de que um dos 46 deputados estaduais estaria sendo partícipe de esquema
com quadrilha de pistolagem. A maioria da mídia local interpretou que o
parlamentar tucano falava, implicitamente – alguns até deixaram no ar
explicitamente – de seu colega de partido Francisco Cavalcante.
ABORDAGEM – Ocorre que em nenhum momento Duarte havia citado Cavalcante. Apenas pelo fato de não ter se referido ao colega tucano, houve a interpretação de que isso seria um sinal de que ele estaria se referindo ao delegado que se elegeu deputado. Infelizmente, mais uma vez a imprensa local preferiu dar uma abordagem e deixou de fora outros elementos, optando pela superficialidade.
ABORDAGEM – Paulo Duarte referiu-se ao fato do Ministério Público Estadual ter denunciado à Justiça a ex-prefeita de Limoeiro do Norte, Arivan Lucena, como autora intelectual do assassinato do radialista Nicanor Linhares, crime ocorrido no interior da Rádio Vale do Jaguaribe, naquele Município, no dia 30 de junho de 2003, quando da gestão de Arivan. O marido da ex-prefeita, desembargador federal José Maria Lucena teve os autos da investigação do MPF – por se tratar de um magistrado federal a titularidade de qualquer ação cabe ao Ministério Público Federal – sobre o caso e sua provável participação enviados para o Superior Tribunal de Justiça, foro constitucional encarregado de julgar desembargadores federais nos crimes comuns. Por conta disso, em maio de 2004, o ministro Paulo Galotti determinou a quebra do sigilo bancário e telefônico do desembargador e da então prefeita de Limoeiro do Norte, além de outros indiciados, mediante pedido feito pelo MPF, que investigou o caso através do inquérito 429.
ABORDAGEM – Da tribuna da Assembléia, Paulo Duarte expôs o fato de que uma juíza havia procurado a ele e à presidência da Casa para denunciar a participação de um deputado estadual numa trama para lhe prejudicar. A magistrada havia atuado no caso do assassinato do radialista. O presidente do Poder, Marcos Cals, confirmou ter recebido a juíza, mas disse que precisava de mais elementos para instaurar qualquer procedimento para apurar provável participação de um dos legisladores em irregularidades.
ABORDAGEM – O fato é que, segundo consta, um parlamentar da Assembléia teria conduzido um dos presos envolvidos no homicídio, da cidade de Juazeiro até Fortaleza, para que prestasse depoimento perante uma instituição pública. Tomado o depoimento, o mesmo foi enviado – documento original impresso e disquete único com o arquivo – para a autoridade pública cabível. Depois disso, não se sabe porquê cargas d’água, o parlamentar, um proeminente advogado e um jornalista teriam conduzido o preso até um cartório na cidade de Pacajus, onde foi feito um registro das declarações do detido, segundo as quais teria sido pressionado e coagido para que oferecesse a primeira versão do que contou sobre o crime, desmentindo tudo o que já havia declarado em juízo.
ABORDAGEM – Em sua fala, Paulo Duarte referiu-se apenas ao tal parlamentar estadual e um jornalista. Nas matérias sobre o fato, em toda a mídia local, nenhuma referência foi feita à menção da participação de um jornalista no discurso do deputado. Curiosamente essa parte do discurso não foi objeto de registro nas matérias publicadas. Por qual motivo a imprensa local silenciou frente às palavras do parlamentar? A chegada da TV Assembléia não vai influenciar apenas na conduta dos deputados estaduais, que com o decorrer do tempo ficarão mais “espertos” para esse “big brother” no qual foram inseridos, mas também a imprensa. Agora o cidadão terá como comparar o que ocorreu na sessão do Poder com as matérias da mídia. Caso não atentem que isso poderá colocar por terra suas reportagens ou provocar questionamentos quanto à abordagem dada, sofrerão as mesmas críticas os veículos de comunicação que teimarem em contar uma outra história – ou pela metade –, bem como seus profissionais.
PÉROLA
– Essa foi publicada no jornal O Povo, edição do dia 29/03, em matéria assinada
por Nicolau Araújo, sobre seqüestros executados com dados das vítimas colhidos
na Internet: “Criado no início de 2004, pelo engenheiro do Google, o turco
Orkut Büyükkokten, o banco de dados tem como objetivo a promoção de uma rede
social para ajudar a seus membros a novos relacionamentos. No Brasil, o Orkut,
que ganhou o significado de "enciclopédia livre", chegou somente em abril de
2005. Tempo suficiente para nos tornar o país com maior número de membros no
sistema, com aproximadamente nove milhões de perfis, mais de seis vezes em
relação aos Estados Unidos, que possuem 1,4 milhão de perfis”. Na verdade, o
Orkut chegou ao Brasil em 2004 e não em 2005.
JULGAMENTO – Na coluna Política (jornal O Povo), edição do dia 28, sobre os últimos episódios envolvendo o governo federal, o titular do espaço, Fábio Campos, escreveu: “Vale a pena acreditar no País em que o depoimento de um caseiro derruba o mais poderoso ministro da República. Palocci mentiu seguidamente e cometeu um crime. Mentiu quando disse que não freqüentava a mansão feliz. Cometeu um crime ao aceitar a quebra do sigilo bancário de um cidadão. Nunca o ministro condenou o ocorrido. Ontem, Jorge Mattoso (até o fechamento do texto ele ainda presidia a Caixa) contou à Polícia Federal que, na noite do dia 16, colocou o extrato da conta do caseiro Francenildo em um envelope e que foi até a casa do então ministro Palocci no Lago Sul. Matoso será indiciado. Os fatos levam a crer que Palocci, o mandante, também deverá será. Se acontecer assim será imenso o prejuízo político-eleitoral do presidente que colocava a mão no fogo por seu dileto ministro. Sem Palocci, que funcionava como um escudo, estão escancaradas as porteiras para a oposição atacar Lula frontalmente”.
JULGAMENTO – Ora, não há qualquer prova material da presença de Palocci a “mansão feliz”, mas apenas choque de depoimentos do caseiro e de um motorista com o do agora ex-ministro da Economia. Os dois dizem que Palocci freqüentava o local, o ex-ministro nega. Prova testemunhal contra prova testemunhal. Infelizmente pela forma como a maioria pessoas presta depoimento de acordo com seu interesse próprio, não no interesse de evidenciar a verdade dos fatos, não se pode dizer que o caseiro e o motorista estão falando a verdade e Palocci mentindo, tampouco o contrário. Diferentemente no episódio da quebra ilegal de sigilo bancário do caseiro, onde está configurado o crime que obviamente teve autor ou autores. Mas também não há elementos para que o colunista conclua que o ex-homem forte do governo Lula tenha sido o mandante. Saber do fato e cometer irregularidade por omissão é uma coisa, autoria intelectual é outra. Infelizmente existe uma figura extremamente danosa na imprensa que é a “presunção de culpa”, quando a lei explicita exatamente o contrário.
JULGAMENTO – O paradoxal é que o mesmo colunista escreveu na mesma coluna: “O histórico mostra inabilidade dos petistas no Governo. O caso do caseiro estava praticamente resolvido com a decisão do Supremo que proibiu o depoimento na CPI dos Bingos. Ia ficar a palavra do caseiro contra a palavra do ministro. Mas o próprio Palocci fez a bobagem. Viu o extrato bancário e avaliou de cara que os valores na conta tinham a oposição por trás. Liberou a informação para a imprensa. Deu tudo errado. Acossados, os petistas tendem a cometer erros”. O episódio da quebra ilegal do sigilo do caseiro não implica, necessariamente, mentira por parte de Palocci, ao negar ter estado na polêmica mansão. Também não há elementos para afirmar que o ex-ministro tenha sido o responsável pela liberação da informação para a imprensa. Uma vez obtido o extrato ilegal, este poderia ter sido repassado à revista Época por qualquer um dos que tiveram acesso ao documento. E foram muitos. Há uma diferença entre cometer ilegalidade por omissão e por execução do delito. Como jornalista o colunista sabe a extrema dificuldade em “segurar” informação que já se ficou sabendo por terceiros. Quase impossível.
JULGAMENTO – Nesse episódio todo não houve, curiosamente, um questionamento crucial: se o empresário Eurípedes Soares da Silva é, de fato, o pai biológico do caseiro Francenildo dos Santos Costa. O empresário assumiu ter feito o depósito dos R$ 25 mil na conta do suposto filho ilegítimo e ser seu pai biológico. Mas não há nenhuma prova documental de que a razão do depósito seria, de fato, um presente de pai para filho. A lei brasileira protege o sigilo bancário do cidadão, mas também assegura-lhe o direito de não produzir provas contra si, portanto, não está obrigado a realizar, por exemplo, exame de DNA para documentalmente provar ser o pai biológico do caseiro. Também não existe informação se há um histórico de depósitos na conta do caseiro feitos pelo suposto pai, e caso não haja, não se sabe por qual motivo somente agora, quando o filho ilegítimo ganhou as manchetes num dos mais delicados episódios de crise do governo Lula, resolveu dar o dinheiro ao caseiro. O crime de quebra de sigilo bancário deve ter seus responsáveis identificados punidos pela Justiça, mas não se pode apontar os holofotes apenas para uma parte da história. Para que não haja nenhum tipo de dúvida também tem de ser iluminada a outra ponta. Para que se veja o que realmente existe nesse ponto escuro.
CARTA –
Semana passada, descontente pelo fato da determinação de dois repórteres da
sucursal em Brasília da revista IstoÉ, o editor de política da sucursal
brasiliense, Luiz Cláudio Cunha, enviou uma carta para Carlos José Marques,
diretor-editorial da revista. O texto está disponível no sítio do Observatório
da Impensa <http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=374IMQ004>
e revela dados bastante curiosos com relação à revista e sua conduta editorial.
Muitas das observações feitas pelo editor merecem ser alvo de reflexões e podem
servir de analogia à realidade local. Escreveu Luiz Cláudio: “Vivemos tempos
muito estranhos, em que as coisas que precisam ser ditas ficam escamoteadas,
camufladas, sussurradas, caladas. Nada se reclama, nada se critica, para
preservar amigos, cargos, salários, posições, espaços de poder, enquanto o
jornalismo vai se diluindo e dissolvendo na sua incapacidade de autocrítica. Não
sou de freqüentar boteco, nem de extravasar minhas mágoas em mesa de bar,
Marques. Prefiro ganhar a guerra resistindo, pensando e escrevendo. Sem mágoa,
nem ressentimento, prefiro escancarar aqui – com a ajuda do Observatório da
Imprensa – uma discussão que, na nossa restrita área de influência, ficaria
confinada às conversas pouco conclusivas que envolvem só os personagens
diretamente interessados (...)”.
CARTA
– Continua o texto: “(...) A crise econômica, o custo do papel, a retração
dos anunciantes, a concorrência da TV, o surgimento da internet e outros
quesitos geralmente justificam a recorrente onda de enxugamentos nas redações de
jornais e revistas, nivelando por baixo salários e profissionais. Esta é uma
dura realidade, que não é nova nem parece prestes a acabar (...)”. Depois de
contextualizar, o jornalista discorre: “Neste quadro recessivo, que inquieta
patrões e assusta empregados, é natural o surgimento do ‘jornalismo de
resultado’ e seus profetas – os executivos moderninhos que prometem redações
baratas, revistas idem, amenidades muitas e reflexão zero. Apostam no padrão do
leitor que consome mas não pensa, no perfil Homer Simpson que se satisfaz com o
atendimento às suas demandas meramente consumistas, do estilo shopping center
que simboliza o templo de devoção da classe média e seus periféricos. Para este
tipo de leitor, com tanto a comprar e tão pouca disposição para ler, o jeito é o
modelito USA Today, o jornalão fast food destes tempos midiáticos para uma
leitura rápida, calórica e saborosa como um Big Mac. Assim, nossas semanais
sofrem cada vez mais a tentação de atender a este novo mercado emergente,
abdicando de sua função primordial: o texto mais consistente, mais abrangente,
para refletir e ponderar (...)”.
CARTA – O perfil traçado não se restringe apenas às revistas, mas a todos os meios de comunicação. É fato que as empresas de comunicação encontram-se num sistema capitalista, mas cada vez mais os jornalistas têm deixado de pensar e atuar como jornalistas e têm se tranformado em executivos. O “perfil Homer Simpson”, tão apregoado pelo jornalista William Boner como caracterização do telespectador do telejornal que edita e apresenta, o Jornal Nacional (Globo), infelizmente é o conceito que mais amplamente se difunde no meio pelos próprios profissionais de imprensa.
CARTA – Continuou o texto: “(...) A estética vale mais do que a essência. A forma se impõe ao conteúdo. O texto curto confina os detalhes. A foto, espelhada e escancarada, come os espaços de uma informação cada vez mais estrangulada. Tudo induz uma leitura ligeira, quase leviana, para não afrontar o relógio e a agenda do nosso leitor tão apressado. E, em vez de procurar saciar a fome de informação e conteúdo, a revista sucumbe e se submete à magra dieta jornalística que ela diz ser exigência do leitor moderno. Alguém está enganando alguém neste jogo”. A imagem bastante corrida, takes rápidos, a sonora monossilábica e grotescamente editada são os ingredientes dessa fórmula no telejornalismo. Há, de fato, uma assimilação cada vez maior entre jornais e revistas, com formas que cada vez mais caminham para a comunhão.
CARTA – Luiz Cláudio aborda o fato da matéria sobre o caseiro Francenildo dos Santos Costa, feita por ele, ter sido modificada, de modo que fossem retirados os nomes do ministro Palocci e do assessor de imprensa Marcelo Netto, um dos implicados de participação na quebra do sigilo bancário. “Silêncios assim, inexplicáveis, é que incomodam tanta gente que, como o filósofo Millôr Fernandes, acha que jornalismo é oposição – o resto é armazém de secos e molhados.(...)”. Hoje o pensamento dominante no jornalismo é de que o jornalismo é situação, principalmente se é para melhorar a situação financeira.
CARTA – Luiz Cláudio segue revelando uma série de distorções jornalísticas, expondo a maneira anética como a revista na qual ainda trabalha – ele se pergunta porquê ainda não foi demitido –, dentre elas a publicação de fotomontagens sem indicação de que seria uma, inserção de frases não proferidas em entrevistas pelos entrevistados e até “clonagem de capas”. Mas o fecho da carta se dá com três postulados atribuídos ao diretor-editorial agravado, que teriam sido explicitados em reuniões com os editores e repassados às equipes, apelidados pelo missivista de “jóia”. A primeira: “Não gosto de suíte". O jornalista faz comparações bem humoradas se esse postulado fosse adotado por publicações pelo mundo, alertando que vários acontecimentos históricos poderiam não ter existido – ou certamente não teriam existido –, como o Caso Watergate.
CARTA – Segundo postulado, ou “jóia”: “Não quero preto, nem pobre na revista". Novamente, em maravilhoso tom jocoso, o jornalista faz comparações e indagações sobre o discriminatório conceito – ou melhor, preconceito – do diretor-editorial. “Sua visão estreita e preconceituosa ignora o fato de que o Brasil se estende além dos prédios modernosos, de vidro espelhado, da opulenta Avenida Paulista”, escreveu. A terceira “jóia”: “Não gosto de política", e Luiz Cláudio relembra que da política depende a organização da sociedade, ressaltando que “devemos sempre pensar e agir, pela via do bom e relevante jornalismo, para que se faça a melhor política e se exclua do meio os maus políticos que a degradam, como ferramenta fundamental da democracia e da liberdade”.
CARTA – As jóias estão bem presentes na mídia local. A superficialidade que jornais televisivos e impressos dão aos assuntos abordados, bem como a efemeridade e a aversão à suíte são a tônica. Muitos dos assuntos “morrem” na primeira publicação, voltando à baila apenas se algo muito, mas muito extraordinário acontecer ou algum interesse assim decidir. Incrível a forma como os meios de comunicação discriminam preto e pobre. Eles não aparecem nos programas de entretenimento – exceto alguns, que optam pela ridicularização do trash como forma de deboche –, não ocupam as capas dos caderninhos coloridos dos jornais impressos, nem aparecem sequer espremidos entre vídeo-clipes. A visão é de que Fortaleza termina nos limites dos bairros nobres e que se deve focalizar e fotografar apenas os rostinhos bonitinhos, brancos, bem cuidados que permeiam shoppings e festas em locais com ingresso caro. Mas pretos e pobres têm cadeira cativa nos programas policiais, que são pródigos em expor essas pessoas e se calarem se o personagem é um branco mauricinho ou patricinha que agiu fora da lei.
AMARELÃO
– O colunista Alan Neto (O Povo) é pródigo em bajular figuras do meio esportivo,
empresarial e político. Quando a situação exige crítica e ele não consegue não
tocar no assunto, utiliza a surrada estratégia de despersonificar o assunto.
Trata-se de uma estratégia para não ser acusado de ignorar o fato, mas também
não melindrar quem não deseja contrariar. Dessa forma, no melhor estilo “para
não dizer que não falei em flores”, o colunista optou por “criticar sem
criticar”.
AMARELÃO – No episódio em que havia a possibilidade do jogo entre Ceará x Icasa, dia 30/03 no estádio Castelão, ser disputado com portões fechados pelo fato da Secretaria Estadual do Esporte e da Juventude (Sejuv), responsável pelo estádio, ter se manifestado por recusar aceitar os ingressos de papel confeccionados pela Federação Cearense de Futebol (FCF), alegando que somente aceitaria ingressos com tarja magnética, escreveu em sua coluna, daquele dia: “CAVALO DE BATALHA O FUTEBOL CEARENSE adora fazer um cavalo de batalha. Um minúsculo grão de areia, transforma-se numa gigantesca montanha. O de agora é por conta do ingresso de papel para a decisão de hoje entre Ceará e Icasa. A SEJUV, que administra o Castelão, resolveu engrossar o caldo. Alegando não ter sido informada, oficialmente de nada e sentindo-se marginalizada radicalizou. Só aceita o ingresso de papel se o Ministério Público se responsabilizar. Brincadeira tem hora. Este precedente já foi aberto em outra ocasião. Caso contrário ameaça fechar os portões do Castelão para o torcedor e a partida ser realizada sem a presença de público. Pode? Ora se o Ministério Público aconselhou que o jogo saísse do PV para o Castelão, sem tempo hábil para a confecção dos ingressos o jeito foi apelar para a fórmula do papel. Uma solução emergencial. Criou-se uma celeuma tão grande que este jogo de empurra-empurra só será definido hoje. Acreditem, é verdade. Enquanto isso o torcedor, que é o maior cliente e devia ser respeitado, que fique esperando a solução do impasse. Por estas e outras baboseiras como estas o futebol cearense se não existisse precisava ser inventado. Vão plantar batatas”.
AMARELÃO – Escreveu sobre o assunto sem tocar no principal personagem de toda essa pendenga: o secretário Lúcio Bonfim. Ele era o único que o colunista deveria ter mandado plantar batatas. Preferiu a frase na terceira pessoa do plural. Não havia “vocês” ou “eles”, mas “ele”, que Alan Neto não citou. A Sejuv não pensa, não toma decisões, mas seu titular.
SILÊNCIO – Falando nesse assunto, não foi apenas o colunista que agiu dessa forma. Toda a imprensa esportiva (?) local fechou os olhos, a boca e fez ouvidos de mercador para o fato. Uma série de fatos envolvendo o secretário Lúcio Bonfim e o Ceará Sporting foram cuidadosamente colocados sob o mais “sonoro” silêncio. Lúcio estava decidido a não aceitar os ingressos para o jogo do Ceará contra o Icasa, o que faria a partida ser disputada sem a torcida nas cadeiras superiores e inferiores. O titular da Sejuv é conselheiro do arqui-rival alvinegro, o Fortaleza, tendo sido, inclusive, flagrado pelas câmeras de TV na arquibancada do estádio quando da transmissão do jogo entre o tricolor e o Ceilândia, válido pela Copa do Brasil e disputado em Brasília. Sua identificação com o Fortaleza é muito forte.
SILÊNCIO
– Segundo consta, Lúcio também foi o autor do pedido para que a Polícia Militar
retirasse uma faixa colocada pela torcida do Ceará, onde criticava o senador
Luís Pontes, o vice-governador Maia Júnior e outros políticos do PSDB cearense
que torcem pelo Fortaleza acusando-os de prejudicar o alvinegro. Qualquer
cidadão seja ele integrante ou não de um partido político ou governo tem todo o
direito de torcer pelo time que quiser. Da mesma forma que todo cidadão tem o
direito constitucional de expressar sua opinião. O que Lúcio Bonfim, com a ação
da PM fez foi a condenável censura. Agiu como se o Castelão fosse sua
propriedade. Ele pertence ao contribuinte cearense, torça ele por que time for.
Muito provavelmente o titular da Sejuv não teria agido da mesma forma se a
torcida tricolor colocasse uma faixa parabenizando as mesmas pessoas agravadas
pelos alvinegros. Infelizmente o então comandante da PM, Deladier Feitosa, não
soube explicar porquê a corporação que comandava havia retirado exclusivamente a
faixa com críticas a políticos do PSDB. Muito simples: já havia decidido
disputar cadeira na Câmara Federal exatamente pela sigla tucana. Nada foi
divulgado pela “combativa e isenta” imprensa esportiva local.
DIFERENÇA – Não obstante a forma como a imprensa esportiva (?) local ignora o assunto, mas a atuação do árbitro gaúcho Leonardo Gaziba no jogo Ceará 1 x 0 Fortaleza reforçou e mostrou de vez como a arbitragem local é péssima. Gaziba simplesmente teve uma atuação impecável. Como não poderia deixar de ser, os auxiliares – os antigos "bandeirinhas" –, que eram locais, mantiveram a escrita e tiveram atuação sofrível. Felizmente Gaziba mostrou personalidade e apitou com independência. Mas com certeza a crônica esportiva não vai aborda o assunto. Pelo contrário, puxarão ainda mais o saco da Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol (CEAF) e seu presidente, coronel Afrânio Lima.
DESRESPEITO – Na semana passada a TV Verdes Mares colocou chamada no ar da transmissão da partida entre Ferroviário x Fortaleza, mas acabou não exibindo o jogo. A emissora não tinha ainda a autorização das duas equipes para a transmissão. Resultado: o Fortaleza não concordou com o transmissão e nem com a alteração do horário – inicialmente marcada para as 20:30h do dia 29/03, o jogo teria que começar às 21:45h para se encaixar na grade de programação da TVVM. Não transmitiu a partida e não deu qualquer satisfação ao telespectador. Nem tocou no assunto posteriormente. Desrespeito total.
PARA
REFLETIR –
A experiência da nossa fraqueza e o
reconhecimento de que agimos mal, é algo que humilha. Quando à fraqueza se une o
orgulho, o engano pode chegar a extremos patológicos: não se conforma com uma
modesta justificação, mas incomoda-se com a verdade, com os que lhe dizem a
verdade, ou com os que a vivem. (Juan Luis Lorda)
ATUALIZAÇÃO N.º 313 - 10/04/2.006
LAPSO?
– Na última sexta-feira, dia 07/04, nenhum jornal impresso trouxe anúncio
parabenizando os jornalistas pelo transcurso da data dedicada à categoria,
patrocinado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce).
A Entidade simplesmente não se manifestou publicamente sobre a data
comemorativa. Não se sabe ter sido um lapso de memória – o que não seria difícil
e demonstra a pouca importância que sua diretoria vem dando ao conjunto da
categoria – ou uma ação deliberada – o que implicaria a mesma coisa –. Nem mesmo
o Sindicato que tem a função institucional de defender seus direitos parabenizou
os jornalistas, seus mantenedores. Aliás, o único anúncio felicitando os
profissionais do jornalismo por seu dia foi publicado pelo Sistema Jangadeiro de
Comunicação. Nem mesmo a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, que é
jornalista, parabenizou seus colegas de profissão. A categoria, penhoradamente,
agradece ao Sindjorce e a todos que simplesmente ignoraram a data.
TV
ASSEMBLÉIA – Semana passada houve a inauguração da TV Assembléia, emissora
pertencente ao Legislativo Estadual, que transmitirá as atividades legislativas
e, esperamos, programação educativa. Não obstante seja, sem dúvida, um
instrumento para que o eleitor fiscalize o parlamentar no qual depositou sua
confiança e voto, muitos questionamentos precisam ser feitos sobre a atuação da
mais nova emissora de TV do Estado. Principalmente quanto à sua conduta ética.
TV ASSEMBLÉIA – Emissora de TV é uma concessão do Poder Público e tem funções estabelecidas pela Constituição. Na transmissão dos trabalhos legislativos, funciona, sem dúvida, como um auxílio para o eleitor acompanhar o desempenho não apenas daquele que elegeu, mas do Legislativo como um todo. Ocorre que a TV Assembléia pode ser utilizada como instrumento de promoção pessoal, atuando como uma emissora defensora de interesses corporativistas. Isso não é difícil de acontecer. O processo de instalação da emissora começou de maneira errada, a partir do momento em que seus cargos foram preenchidos através de nomeação, uma vez que são comissionados. Ou seja: a presidência optou por não realizar concurso público exatamente para que a equipe lhe seja duplamente subordinada, pois não possuem vínculo algum com o Poder e sua permanência estará condicionada ao humor do dirigente ou sua permanência no cargo.
TV ASSEMBLÉIA – Há uma dúvida se a TV Assembléia vai conseguir fazer jornalismo ou funcionará apenas como instrumento de promoção de parlamentares. Difícil não imaginar que a emissora vá optar pela exposição da versão oficial dos fatos, em vez de atuar com independência. Vale lembrar que a TV além de ser uma concessão pública é mantida com o dinheiro do contribuinte cearense, não pode ser utilizada para promoção pessoal de políticos. Basta que se veja na cobertura da cerimônia de inauguração, onde as perguntas feitas aos entrevistados eram basicamente a mesma e sempre na intenção de que fosse proferida uma declaração de enaltecimento ao presidente da Casa, Marcos Cals, por ter implantado a emissora.
TV ASSEMBLÉIA – O tempo se encarregará de demonstrar se a TV vai ter uma atuação jornalística ou funcionará como uma extensão da assessoria de imprensa da presidência e dos demais parlamentares, mas analisando-se o que preliminarmente foi mostrado, as expectativas quanto a essa última hipótese não ocorrer são nada alentadoras. O contribuinte precisa ficar atento para que seu suado dinheiro não seja despejado numa emissora utilizada para fazer propaganda de político. Com o detalhe de que o a TV Assembléia transmite canal aberto, ou seja, adversamente das demais emissoras legislativas, não precisa que o cidadão seja assinante de TV paga para sintonizá-la, podendo captar sem problemas.
TV ASSEMBLÉIA – Infelizmente a TV Legislativa, da Câmara Municipal de Fortaleza, já atua dessa forma, como meio de divulgação da presidência e dos demais vereadores. Para isso, a Justiça Eleitoral já está atenta. A juíza eleitoral Sérgia Miranda já externou publicamente sua preocupação de que a emissora seja transformada num palanque político. Não será surpresa se a Justiça Eleitoral suspender as transmissões das sessões durante o mesmo período que durar a quarentena dos candidatos que possuem programas de rádio e TV. Afinal, se os profissionais de imprensa candidatos a cargos eletivos são impedidos de exercerem sua profissão nos sessenta dias que antecedem a eleição, sob a argumentação de que se beneficiariam em virtude de sua profissão em relação aos demais candidatos, os deputados estaduais também se enquadram na mesma situação.
TV ASSEMBLÉIA – Na primeira situação em que a emissora tenha que se dividir entre cumprir o mister jornalístico e atender aos interesses corporativistas da Assembléia, o telespectador – mais do que isso, o contribuinte – verá qual é a real intenção do Poder com a emissora. Caso opte pela segunda opção, sacramentará a disposição que vem demonstrando. Seja como for, a emissora já mostrou que não se preocupa em abrigar falsos profissionais: as reportagens repetitivas da cobertura da solenidade de inauguração foram feitas pela falsa profissional Kezya Diniz.
AGRESSÃO – Há duas semanas houve um grave acontecimento no Congresso Nacional. No hall de entrada um parlamentar agrediu verbalmente, de maneira bastante acintosa, outro colega, chocando a todos que presenciaram a cena. Aos gritos e proferindo os mais pesados impropérios e adjetivos, um senador destratou um deputado federal. Os que assistiram a deplorável cena, além de se chocarem com a postura deselegante e nada recomendável a um senador da República, tiveram um choque ainda maior ao saberem que a razão da baixaria promovido pelo senador: o deputado federal, filiado ao PFL, havia declarado em entrevista à uma emissora de TV, que considerava o tucano José Serra um candidato mais competitivo do que Geraldo Alckmin – ainda não havia sido feita a opção pelo agora ex-governador de São Paulo como candidato tucano à presidência –.
AGRESSÃO
– Foi o bastante para que o senador – filiado ao PSDB – se descontrolasse ao
encontrar o pefelista. Abertamente simpático à candidatura Alckmin, o senador
deu vazão à sua veia autoritária, arrogante e prepotente frente a um colega de
parlamento que não comungava com sua opinião, e dera uma declaração
absolutamente normal num regime democrático. Por aqui esse episódio sequer
chegou a ser divulgado, nem com uma mísera notinha no canto inferior da página
de um jornal impresso ou numa nota coberta – ou descoberta mesmo – em
telejornal. O agredido foi o deputado federal Pauderney Avelino (PFL-AM).
AGRESSÃO –
Um agravante maior – se é que pode haver – deve-se ao fato do descontrolado
agressor ser o presidente do PSDB, o senador Tasso Jereissati. O deputado
amazonense somente viu agora o que o povo cearense tem conhecimento há décadas:
a forma autoritária, arrogante e prepotente como se porta o parlamentar
cearense. Provavelmente confundindo o Congresso Nacional com as casas políticas
locais, onde comumente impõe seu despotismo, o senador externou sem reservas sua
truculência. Pauderney, atônito e chocado, limitava-se a pedir que o senador se
acalmasse.
AGRESSÃO – O fato é que esse episódio acabou por despertar uma posição de não conversar sobre aliança com os tucanos enquanto não houver um pedido de desculpas. Essa posição é defendida, inclusive, pelo presidente do PFL, o também senador Jorge Bornhausen. Melhor que esperem sentados. Tasso não é o tipo de pessoa que se desculpa por nada que faça, tampouco o PFL possui dignidade suficiente para que esse incidente atrapalhe sua trajetória fisiologista. Mas as negociações ficarão um pouco complicadas.
OMISSÃO – O revoltante é a forma omissa como a mídia local se portou quanto à ocorrência. O assunto não foi divulgado por nenhum meio de comunicação. Sequer houve uma mísera citação. Tudo para não confrontar o todo-poderoso Tasso I e único – tomara, pois dois seria uma carga demais para o Ceará suportar – e não o desapontasse, aborrecesse, chateasse. Incrível como a subserviência – seja por força de relação direta de emprego ou temor indireto – da imprensa local, salvo raríssimas exceções, tem sido a tônica há tempos. Não se contesta quem tem a caneta na mão, quem possui a chave do cofre. Não é dessa forma que se faz jornalismo.
GIGOLÔ
– Em alto e bom som, além de límpida imagem, o deputado estadual Moésio Loyola
(PSDB) chamou os colunistas sociais de “gigolôs da sociedade”. Não se referiu
especificamente a nenhum(a) deles, generalizou. Apesar da expressão um tanto
quanto pesada, metaforicamente ela é corretíssima.
PÉROLA
I – Num flash sobre a decisão do campeonato cearense de futebol, a repórter
Mariana Sasso apareceu defronte à sede do Ceará Sporting, onde havia uma grande
concentração de torcedores em busca de adquirir o ingresso para a contenda (é o
novo!). A moça falava exatamente sobre o grande número de pessoas na fila,
momento em que chega perto de uma torcedora e sapeca a inteligentíssima
pergunta: “você está em busca de comprar ingresso para a decisão?”. Não,
Pedro Bó, a garota estava na fila para assistir a missa.
PÉROLA II – Da mesma moça, sobre a escolha dos melhores do campeonato cearense: “radialistas e jornalistas esportivos vão votar para escolher o melhor jogador, o artilheiro, o goleiro menos vazado...”. Escolher artilheiro e goleiro menos vazado através de voto? Não seria mais prático recorrer aos gols marcados e não sofridos para isso?
PÉROLA III – Essa foi proferida pelo dublê de narrador esportivo e falso profissional Irismar França. Durante a transmissão do jogo Fortaleza x Ceilândia, um repórter falou: "Irismar, quero mandar um abraço para a torcida Leões do Orkut". Aí o moço falou: "Leões do o quê?". "Do Orkut", reforçou o repórter. "Onde fica isso?", perguntou o desinformado falso profissional.
APCDEC – Promete mudar a
Associação dos Cronistas Esportivos do Ceará (APCDEC), há 20 anos nas mãos de
Aderson Maia. Hoje, segunda, 10, haverá eleição da nova diretoria. São dois
candidatos: Sebastião Belmino e Luiz Carlos Amaral.
JORNALISTAS – Mesmo não tendo o que comemorar, foi positiva a festa do Dia do
Jornalista, sexta-feira, dia 07/04, na casa de forró Kukukaia. Muita gente. Por
lá: Mozarly Almeida, Lauribetrto Braga, Paulo Tadeu, Luciano Luque, Inês
Aparecida, Conceição Rodrigues, Telma Costa, dentre outros.
JORNALISTAS – Muito bem feita a nota da ACI saudando O Dia do Jornalista publicada nos três jornais de Fortaleza. Por sinal, a Associação Cearense de Imprensa está conseguindo voltar a ter prestígio perante a sociedade. O problema é que foi muito tempo abandonada pelos próprios associados. 184 profissionais de imprensa já voltaram a contribuir com a Entidade. Aliás, ACI foi a única entidade classista da Imprensa que publicou nota alusiva à data. O Sindjorce passou em branco.
TRADUÇÃO – Curiosa a forma como os meios de comunicação locais têm traduzido a troca de bicadas dos tucanos locais, com a participação dos “neo-socialistas” Ciro e Cid Gomes. A briga do presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati, com o governador Lúcio Alcântara nada mais é do que a tentativa de imposição da vontade do senador tucano, que quer o atual chefe do Executivo fora do cargo para que o vice, Maia Júnior assuma e conduza a máquina pública durante a campanha. O senador já definiu que não quer Lúcio como candidato ao governo e deseja seu partido apoiando o ex-prefeito de Sobral, Cid Gomes. O governador engrossou o pescoço e não aceitou a imposição, fincando pé para disputar a reeleição. Apostou na briga com o godfather tucano.
TRADUÇÃO – A situação é bem clara, mas para não melindrar interesses – inclusive os próprios – a mídia local prefere não entrar nessa seara. O caixa da viúva é o motivo da discórdia dos bípedes emplumados de bicos grandes. Tasso quer continuar impondo seus preferidos goela abaixo dos tucanos, enquanto Lúcio engrossa o pescoço – poderia engrossar também a voz, mas isso seria complicado – porquê não quer largar o osso e tentar a reeleição. A discussão pública interessa ao senador, pois parte para cima do governador que, murista até a medula, dificilmente vai entrar em rota de colisão de maneira explícita. Como não é candidato a nada esse ano, o presidente nacional do PSDB não teme respingos do quebra-pau em si. Caso o governador consiga força suficiente para ser o candidato do partido, o senador vai para o quem for podre que se quebre: vai liberar a bancada que lhe é fiel – ainda, pois vamos ver quais deputados vão preferir ficar contra quem tem a chave do cofre em ano de eleição – para que a CPI das licitações seja instalada. Sabe que Cid Gomes será seu candidato paralelo e se beneficiará com isso. Enquanto isso jornais e telejornais continuam dando uma visão míope da coisa.
CAMPANHA – A imprensa esportiva (?) local tem se esmerado para passar a idéia de que o campeonato cearense de futebol de 2006 foi o melhor dos últimos anos. Não, não foi. Pode ser comparado ao desastrado campeonato de 2004, onde não houve campeão e o tapetão deu o título ao tricolor do Pici, em decisão questionável, ou ao de 1992, onde a bagunça acabou colocando o pebol alencarino na história do futebol brasileiro, ao serem declarados quatro campeões. O atual campeonato certamente vai ter desdobramentos. O tapetão, sem dúvida, será acionado. Além disso, a novela sobre o jogador Clodoaldo foi uma lengalenga que encheu e colocou em situação complicada o Tribunal de Justiça Desportiva.
CAMPANHA – O TJD não julgou o caso do atleta alvinegro, acusado pelo tricolor de ter assinado dois contratos. Houve uma briga interminável na Justiça Esportiva, com o STJD da CBF intervindo nas ações da Federação Cearense de Futebol, a Justiça Trabalhista restabelecendo a lei e mostrando que é, de fato, quem decide, etc. Resultado: o jogador passou praticamente o campeonato todo sem poder jogar, tendo sido liberado apenas no segundo jogo da semifinal. Isso sem falar na arbitragem, que – não obstante a forte campanha para poupar o presidente da Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol (CEAF), coronel Afrânio Lima – teve um desempenho abaixo do ridículo. Sem falar nas denúncias abafadas de que Afrânio também responde pela arbitragem no Futebol de Salão, cuja Federação é dirigida pelo presidente do conselho diretor do Fortaleza, Sílvio Carlos.
CAMPANHA – O desempenho da CEAF e seu presidente foi “enaltecido” pela mídia esportiva mesmo com as partidas finais sendo dirigidas por árbitros de fora do Estado, exatamente pelo fato dos sopradores de apito locais não terem condições de atuar. Cada vez mais a torcida – ainda que em ritmo muito lento – está percebendo que a maioria esmagadora da imprensa esportiva local é formada, na verdade, por torcedores com microfones e canetas na mão. A reação pode ser notada nos estádios: cada vez se vê menos torcedores com rádios.
MERECIDO – O Ceará Sporting Club sagrou-se campeão estadual numa merecida conquista. A torcida alvinegra "coloriu" o estádio Castelão de preto e branco. Tal qual o Fortaleza Esporte Clube fez em 2000, foi a vitória do tostão contra o milhão, parafraseando a campanha feita por Jânio Quadros à presidência, no final da década de 50. Foi uma lição também aos "profissionais de imprensa" (?) locais que atacaram de videntes, em previsões dignas desse bando de charlatões que infestam a Cidade e sujam os postes com sua propaganda, prometendo adivinhar tudo em troca do dinheiro dos incautos. Que aprendam com a lição e deixem de ser torcedores com microfone e caneta na mão. Com um time bem mais modesto do que o arqui-rival o Ceará fez da determinação o fator preponderante para superar a diferença do elenco milionário do tricolor do Pici. As partidas finais – apitadas por árbitros de fora do Estado, coincidentemente os gaúchos Leonardo Gaciba e Carlos Eugênio Simon – mostraram de vez que a arbitragem local não tem condições de dirigir nem jogo de várzea. À imensa nação alvinegra nossos parabéns.
CORREIO
ELETRÔNICO – Do
nosso ilustre internauta Paulo Roberto Medeiros Braun <[email protected]>
recebemos a seguinte mensagem:
"Lamentavelmente, mais uma vez, o Presidente da OAB-CE, Hélio Leitão, marca com retrocesso ato de sua pífia administração.
Com o incêndio ocorrido no Fórum Clóvis Beviláqua, ao invés de pleitear, como de direito, um novo espaço para sediar a SALA DA OAB/CRIME, preferiu o acanhado Presidente acabar com a SALA DA OUVIDORIA DA OAB-CE, importante conquista de nossa classe, e que funcionava como PONTO DE APOIO bem como “caixa de interlocução” entre a OAB, Advogados e administração do Fórum Clóvis Beviláqua.
O Presidente Hélio Leitão pontua, mais uma vez, negativamente na sua administração, pois ao invés de conquistar um novo espaço, fecha a OUVIDORIA para abrir a SALA DA OAB/CRIME ( trocou seis por meia dúzia).
Na próxima eleição, DIGA NÃO AO LEITÃO!
PAULO ROBERTO MEDEIROS BRAUN
EX-OUVIDOR DA OAB-CE"
RESPOSTA – Trata-se de uma observação à qual o presidente da OAB-CE precisa responder. Precisa posicionar-se, ainda, sobre a suposta participação de advogados com a quadrilha de clonadores de cartões, presa há algumas semanas em vários estados, com base principal no Ceará.
PARA
REFLETIR –
"Se um dia tiver que escolher
entre o mundo e o amor... Lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas
se escolher o amor, com ele conquistará o mundo."
(Albert Einstein)
ATUALIZAÇÃO N.º 314 - 17/04/2.006
QUEDA – Os números do Ibope estão apontando para uma queda acentuada na
pontuação da programação local da TV Jangadeiro. Outrora campeão isolado, o
programa Barra Pesada, no período em que disputa com os demais programas
policiais do horário, fica em terceiro lugar, perdendo para o Cidade 190 (TV
Cidade) e o Comando 22 (TV Diário). Durante os minutos em que bate de frente com
os dois programas, essa tem sido sua posição.
QUEDA
– Não obstante a equipe limitadíssima que possui – exceto honrosa exceção e que
não é privilégio apenas dele – o Barra Pesada vem fazendo um jornalismo policial
mais “clean” do que seus concorrentes, que têm desrespeitado o termo de
ajustamento de conduta assinado com o Ministério Público Federal e mostrado
cenas explícitas de violência. Semana passada, por exemplo, o Cidade 190 mostrou
cenas de um homem morto por atropelamento, onde pedaços do corpo ficaram
espalhados pelo asfalto. Apelação total.
QUEDA – Nos demais horários a pontuação da TV Jangadeiro também não está nada bem, em nada lembrando momentos passados, onde ocupava a segunda colocação e ameaçava tomar a liderança. Difícil dissociar, por exemplo, a imagem de seu jornalismo com chapa branca. A situação pode ser momentânea, mas também pode refletir uma situação de marasmo na qual se inseriu nos últimos tempos.
PROPAGANDA
– O procurador regional eleitoral, Oscar Costa Filho solicitou que fossem
retiradas do ar inserções do horário gratuito partidário que trazia
parlamentares e pré-candidatos. Oscar alegou que se tratava de propaganda
subliminar e irregular, uma vez que isso somente será permitido após as
convenções estaduais e a liberação por parte da legislação eleitoral. O problema
é que Oscar fecha os olhos para a propaganda praticamente explícita que o
apresentador do programa Cidade 190 (TV Cidade), Edson Silva, faz não apenas no
programa, mas principalmente nos showmícios que promove nos finais de semana –
juntamente com o deputado federal Moroni Torgan (PFL) – e nas publicidades em
jornais impressos, travestida de anúncios do programa. Edson já se declarou
pré-candidato ao governo do Estado pelo PFL.
OMISSA
– A imprensa esportiva (?) local vem se omitindo quanto a um fato no episódio do
assalto praticado contra integrantes de torcidas organizadas, dirigentes de
Ceará e Fortaleza e funcionários da Sejuv, ocorrido antes do jogo final do
campeonato cearense, onde homens armados invadiram o Castelão sem problemas e
realizaram o assalto: caso a Sejuv – administradora do estádio – seja
considerada culpada por não ter tomado a precaução necessária para movimentar
grande soma de dinheiro – foram roubados quase R$ 100 mil – o contribuinte
cearense não pode arcar com mais esse prejuízo. O Ministério Público Estadual
tem que entrar com uma ação de regresso para que o titular da Sejuv, Lúcio
Bonfim, ressarça os cofres estaduais.
CORREIO
ELETRÔNICO
– Sobre o assunto supracitado, recebemos do ilustre internauta Paulo Rocha <[email protected]>
a seguinte mensagem:
"Fortaleza, 16de Abril de 2006.
Com base nas noticias divulgadas a respeito do assalto ocorrido no Castelão – quando os ladrões levaram quase R$ 100 mil – cheguei à conclusão que o Secretário Lúcio Bonfim tem padrinhos (não só o Vice-Governador) poderosos na alta cúpula do Governo do Estado, que o mantém no cargo apesar das seguidas “kacas” que ele tem cometido.
Descuidar da segurança do estádio Castelão na semana em que todos sabiam que ali seriam centralizados os recursos (mais de meio milhão de Reais) provenientes da venda de ingressos para a partida final do campeonato cearense, foi mais um ato irresponsável cometido pelo afilhado do Sr. Maia Júnior.
Pegando um gancho no comercial de uma lâmina de barbear, na nebulosa gestão do Secretário Lúcio Bonfim, a primeira fez tchan..., a segunda tchan, tchan ..., e a terceira tchan, tchan, tchan...
Traduzindo: A primeira foi à utilização de ingressos vencidos – autorizada pelo Secretário da SEJUV –por ocasião da partida final do campeonato cearense de 2005. Como o jogo era entre o “TJD - Tricolor da Justiça Desportiva”, time do qual ele é Conselheiro e um time sem torcida na capital (ICASA de Juazeiro) ficou tudo em casa.
A segunda foi o escandaloso repasse de verba pública para a organização de competições de federações inadimplentes por meios de outras entidades. Ele, Secretário, não só defendeu a triangulação como disse que a medida era “legal” e “moral”.
Voltando ao assalto ocorrido no CASTELÃO – a terceira irresponsabilidade do Sr. Bonfim - a questão que se levanta é a seguinte:
1)se na sede dos dois clubes (Ceará e Fortaleza) – entidades privadas - existiam policiais militares garantindo a segurança, por que será que o Secretário da SEJUV não solicitou ao Comando da Policia Militar, garantia para o CASTELÃO?
2) Baseados em que garantias SEJUV e FCF entregam dezenas de milhares de ingressos para serem vendidos pelas torcidas uniformizadas?
3) Por que o equipamento que emite os cartões magnéticos (ingressos) fica em poder do Fortaleza Esporte Clube e não com a Federação Cearense de Futebol, ou até mesmo (apesar da falta de credibilidade do executivo da pasta) com a SEJUV?
Quem tiver as respostas para os questionamentos acima, favor enviá-las para a Assembléia Legislativa, onde os nossos “nobres” deputados fingem que fiscalizam e controlam os atos do Poder Executivo.
Paulo Rocha"
RESPOSTA – Nada se pode acrescentar ao irreparável, irretocável e oportuno comentário do nosso internauta.
MANOBRA
– O governo estadual está jogando pesado para sepultar a Comissão Parlamentar de
Inquérito solicitada para ser instalada na Assembléia Legislativa, com o intuito
de apurar denúncias de irregularidades nas dispensas de licitação por parte do
Executivo. Mais de 45% das compras e contratos de prestação de serviço do
governo estadual foram feitos sem licitação, ferindo a lei 8.666/93. Um número
alarmante e que esconde por trás – e pela frente – uma prática que precisa ser
investigada.
MANOBRA – Desde 2004, por exemplo, o Conselho Penitenciário Estadual condenou a contratação, sem licitação, da Cooperativa Nacional de Administração Penitenciária (Conap), para administrar alguns presídios. O Conselho considerou irregular a empresa assumir funções privativas do Poder Público, como segurança por exemplo, e recomendou a imediata rescisão do contrato com a Conap e a imediata licitação para contratação de empresa para prestar o serviço. Até o momento, nada foi feito para sanar essa excrescência.
MANOBRA – Além da administração de presídios, o governo também contratou sem licitação empresas para a prestação de serviços de segurança. Justamente áreas onde figura como partícipe de empresas contratadas sem licitação o deputado federal Leo Alcântara (PSDB), filho do governador Lúcio Alcântara. O Executivo e sua base parlamentar vêm fazendo de tudo para evitar a instalação da CPI. Os últimos episódios ocorridos na Assembléia, entretanto, deixaram ainda mais claro que o governador teme essa investigação assim como vampiro foge da cruz.
MANOBRA
– A primeira manobra para esfriar o assunto e esvaziar a CPI foi tomada pela
presidência da Assembléia, que enviou para a Procuradoria da Casa o requerimento
e esperou, pacientemente, por mais de um mês pelo parecer. Quando foi exarado,
obviamente, confirmou a expectativa: posicionou-se pelo arquivamento do
requerimento, alegando que não havia um fato específico citado no documento para
sua instalação. Argumento pueril, com um texto que mais parecia ter saído da
Procuradoria Geral do Estado. Mas o pior ainda estava por vir.
MANOBRA – O presidente da Assembléia, Marcos Cals, fica sempre repetindo aos
quatro cantos que é um regimentalista. Pode ser, mas também não deixa de ser um
político governista, filiado ao mesmo partido do governador, o PSDB, e que
possui interesses paroquiais. Evidentemente o presidente acatou o conveniente –
para o governo – parecer, determinando o arquivamento do requerimento. Mas o
pior ainda estava por acontecer: imediatamente ao término da leitura do parecer,
um grupo de seis deputados apresentou requerimento contra a decisão do
presidente, pedindo que o parecer fosse submetido ao plenário.
MANOBRA – A manobra tinha a clara intenção de sepultar de vez a CPI, impedindo, inclusive, que a oposição apresentasse recurso. Regimentalmente, se o recurso fosse acatado, o parecer confirmado pelo plenário, não haveria como a oposição apresentar um novo recurso. O episódio deixou claro que o teor do parecer já era de conhecimento dos governistas antes de ser lido em plenário. O recurso já estava preparado, esperando apenas o término da leitura e foi assinado por deputados contrários à instalação da CPI.
MANOBRA – Tratou-se de mais uma incoerência de parlamentares daquela Casa, como Fernando Hugo (PSDB) e Pedro Uchoa (PSL), por exemplo, que sempre se pronunciaram publicamente contrários à instalação da CPI e assinaram o recurso contra a decisão do presidente de arquivar o pedido da Comissão. Era preciso que o recurso fosse apresentado pela própria bancada governista e votada a toque de caixa. Mas a estratégia não deu certo. Pelo menos em parte. Durante horas oposição e situação travaram uma queda de braço que culminou com outra manobra, dessa feita pelos oposicionistas, que esvaziaram o plenário e derrubaram a sessão.

MANOBRA – Ora, se não existe nada de errado nas dispensas de licitação do
governo, por qual motivo a bancada situacionista e o próprio Executivo – que
vivem apregoando nada haver de errado – não querem a instalação da CPI? Porquê o
imbróglio das dispensas de licitações irregulares atingirá diretamente Lúcio
Alcântara e seu pimpolho, além de outras figuras proeminentes na sociedade
local. Tão logo o recurso foi submetido à presidência, a oposição anunciou que
também iria entrar com outro recurso no prazo regimental de três sessões,
gerando uma questão de ordem do líder do governo, Adahil Barreto, para que
outros recursos versando sobre o assunto não fossem considerados.
MANOBRA – O regimento da Assembléia é omisso quanto à duplicidade de apresentação de recursos a decisões da mesa diretora. A bancada governista apelou para o procedimento quanto aos projetos e requerimentos, valendo a cronologia para sobreposição de validade aos subseqüentes. Durante horas houve uma acirrada discussão e, pelo falta de quorum, a questão de ordem não foi votada, sendo adiada para essa semana. A intenção da ala situacionista é clara: sepultar a CPI e evitar que o assunto continue rendendo. Pode-se notar como os políticos direcionam suas ações e falas de acordo com seus interesses paroquiais: ferrenhos defensores de instalação de CPI no Congresso Nacional, os tucanos deitaram falação contra a instalação da CPI das dispensas de licitação. Por outro lado, ferozes partidários em evitar a instalação dessas comissões no âmbito legislativo federal, os petistas se pronunciaram pela instalação da CPI.
MANOBRA –
Vários fatores, entretanto, são incontestáveis: o parecer emitido pelo
procurador José Leite Jucá é extremamente incoerente com anteriores e atende
plenamente aos interesses do Executivo e, por conseguinte, da presidência da
Casa; o parecer foi divulgado previamente para a bancada situacionista, para que
elaborasse o recurso e o apresentasse instantaneamente ao final da leitura do
parecer em plenário; a manobra da bancada governista, apesar de regimental, é
execrável do ponto de vista da transparência dos gastos públicos; a oposição
cochilou e permitiu que essa situação fosse quase concretizada. Caso a
Assembléia realmente sepulte a CPi das licitações, a disputa passará para o
âmbito do Judiciário.
IDENTIDADE – Qual PSB está na iminência de se coligar com o PT e mais alguns
partidos ditos de esquerda para a disputa do governo do Estado? O que segue a
linha de oposição ao governador Lúcio Alcântara ou os que fazem ferrenhamente a
defesa do chefe do Executivo na Assembléia, como os deputados Mauro Filho e
Francisco Aguiar? Enquanto o pré-candidato Cid Gomes faz algumas declarações de
efeito – mas sem cunho de veracidade – contra a administração estadual, parte da
bancada de seu partido se esmera na defesa do governo.
IDENTIDADE – Esse é o PSB que a prefeita Luizianne Lins deseja para compor a chapa para as eleições de outubro? Ou será que ela ainda não percebeu que Cid Gomes reeditará algo que acontecia durante a ditadura militar, onde os militares apresentavam várias candidaturas, abrigadas no mesmo partido – mesmo estando em vigor então o bipartidarismo – quando não conseguia compor chapa única com os caciques locais, surgindo as figuras da Arena 1, Arena 2, etc.? Enquanto isso o presidente estadual do PSB, vereador Sérgio Novais, assiste omissamente a essa demonstração de incoerência partidária.
PÉROLA I – Essa foi proferida pelo narrador Gomes Farias (Rádio Verdes Mares
AM), durante a transmissão do jogo Ceará x Paysandu, onde um “toró” desabou
sobre a Cidade: “com os microfones que nós colocamos no gramado vocês podem
observar a intensidade da chuva que está caindo”. Observar a intensidade da
chuva pelo rádio???
PÉROLA II – O colega do narrador, o falso profissional Jurani Parente, também contribuiu na mesma jornada esportiva. O moço lascou essa: “a torcida chega ao estádio debaixo de uma forte chuva”. Ora, e a torcida poderia chegar por cima de uma forte chuva?
PARALELO – O apresentador Silvino Neves (TV Diário), mesmo não sendo homem de
muitas posses, aparece como sócio em duas emissoras de rádio, a Fundação de
Radiodifusão Educativa Nossa Senhora Milagrosa, no município de Maracanaú e
outra emissora com o mesmo nome na cidade de Sobral. Um patrimônio razoável para
quem leva vida de assalariado.
CARO
– A Prefeitura de Fortaleza, através do Instituto de Pesos e Medidas de
Fortaleza (IPEM) celebrou contrato com a Sobralnet, situada na cidade de Sobral
– evidentemente – para prestação de serviços de acesso à Internet com provedor,
banda larga, velocidade 256kbps. Como se não fosse já estranho esse tipo de
serviço prestado por uma empresa do município da Zona Norte, o preço também é
questionável: R$ 100,00 mensais por um contrato de um ano, com opção de
prorrogação pelo igual período, com reajuste no percentual do IGP-M em caso de
prorrogação, no valor das mensalidades. Ainda houve um custo de R$ 150,00 de
instalação. O problema é que o serviço poderia ser contratado por um valor bem
inferior e a uma empresa local.
DISPOSIÇÃO – A Prefeitura de Fortaleza cedeu a servidora Maria do Socorro Firmino Mota, guarda municipal, em disposição ao Tribunal de Justiça do Estado, com lotação no Fórum Clóvis Beviláqua. Detalhe: sem ônus para a origem, o que significa que os proventos da servidora continuarão sendo pagos pelo munícipe. Geralmente esse tipo de ação administrativa – que apesar de legal é questionável – ocorre com ônus para o órgão destinatário ou com o devido reembolso ao órgão cedente. Mas estranhamente isso não foi incluído no ato administrativo de cessão.
CARO – A Prefeitura também firmou convênio – através da Secretaria Municipal de Educação e Assistência Social (Sedas) e do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) – com o Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Fortaleza (CDPDH), para a capacitação de 100 (cem) lideranças comunitárias, por um valor de R$ 200 mil, o que representa um custo de R$ 2 mil por cada. Valor muito caro e que o sacrificado contribuinte não tem clareza de qual critério esse recurso está sendo despendido e, principalmente, sua necessidade urgente para dispensa de licitação.
PARA
REFLETIR – “Se o mundo te odiar, lembre-se que eu fui odiado primeiro” (Jesus
Cristo).
ATUALIZAÇÃO N.º 315 - 24/04/2.006

PROCAPUI
– O deputado estadual Osmar Baquit (PSDB) pronunciou-se, no dia 19/04, em
plenário sobre o depoimento do advogado Atílio Paracampos, dado á CPI que
investiga grupos de extermínio, dado sob sigilo na noite do dia anterior. Baquit
levou parte do teor do depoimento do deputado para expor denúncia de doação de
dinheiro para a campanha do candidato petista ao governo em 2002, José Airton
Cirilo. Com uma cópia de uma atualização do Em Off na mão, o deputado estadual
Pedro Uchoa (PSL) também pronunciou-se sobre o depoimento do advogado. Segundo
Baquit e Uchoa, o advogado denunciou um esquema de corrupção e vários outros
crimes envolvendo o empresário Marcial (Mike) Gerald Layani, dono das empresas
Procapuí e Iglomar, que foram responsáveis por um rombo de milhões de dólares no
Ceará, em outros estados e até outros países.
PROCAPUI
– Os parlamentares enfatizaram uma possível doação feita por Mike ao petista
José Airton Cirilo, quando da campanha deste para o governo do Estado, nas
eleições de 2002. Obviamente, atendendo seus interesses particulares de atacar a
oposição e contemplar os anseios do governo estadual, da qual transformou-se em
defensor ferrenho. Mas a história é muito maior do que os deputados
explicitaram. Inclusive na sua temporalidade, uma vez que o assunto veio à baila
somente três anos após o Em Off ter começado a divulgar notícias sobre o
assunto.
PROCAPUI – A história da Procapuí se inicia há alguns anos, no município de Icapuí, onde se instalou. Recebeu benesses e incentivos do Poder Público Municipal, mas não foi o único. No mesmo intento e para a mesma atividade – carnicicultura – foi beneficiado o empresário Jesus Peres. A Prefeitura de Icapuí desapropriou dois terrenos, ambos localizados na Barra Grande, um de dois milhões de metros quadrados, entregue à Mike e outro de 745 mil metros quadrados, entregue ao empresário Jesus Peres, que em 2002 ofereceu até jantar de apoio ao então candidato ao governo pelo PSDB Lúcio Alcântara. Para a criação de camarão em cativeiro, Jesus Peres instituiu a empresa Mares Ltda. (CNPJ 04.058.546/0001-54), sediada na rua Antônio Ciríaco, 1192, 1° Andar, Sala 01, no Centro de Icapuí, que tem como sócios Manuel Hing Man Way – que, apesar do nome, é português – e residente em São Paulo; Cristiane Peres, filha de Jesus Peres e a empresa Maryford Investments Limited, sediada em Gibraltar.

PROCAPUÍ – A
Mares também é uma das empresas investigadas e apontadas pela Procuradoria da
República no Estado do Ceará de participar do esquema de desvio de dinheiro
destinado à compra de merenda escolar da Prefeitura de Fortaleza, episódio no
qual resultou na cassação do deputado Sérgio Benevides (PMDB), genro do
ex-prefeito Juraci Magalhães, em cuja gestão aconteceu o desvio. Jesus Peres fez
doações à campanha do atual governador. O imbróglio da Procapuí, Iglomar, Mike
Layani e seus colaboradores é algo muito maior do que o deputado expôs ou supõe
saber. As ligações escusas do empresário com políticos são muito mais
ramificadas.
PROCAPUÍ
– Na prestação de contas do então candidato José Airton, da eleição de 2002,
constam 32 cheques com doações feitas pelo empresário norte-americano de origem
israelense. A ligação do empresário com o meio político local, entretanto,
iniciou-se bem antes. A atividade que explorava precisava de licenças do Ibama e
da Semace. Do primeiro órgão federal, quando do governo FHC, com o objetivo de
conseguir benesses, Mike doou dinheiro para a campanha do deputado federal
Vicente Arruda. O deputado tinha no comando do Ibama no Ceará seu sobrinho,
Romeu Aldigueri – primo do primeiro secretário da Assembléia, Gony Arruda –. Por
ocasião da vitória de Lula, o Ibama mudou de mãos, daí passando para a área de
atuação de José Airton – que indicou para o comando o ex-vereador de Icapuí,
Francisco Camundo – mas a Semace, no governo Lúcio Alcântara, passou para as
mãos de Aldigueri, que acabou por continuar o sistema de favorecimento em troca
de doações à campanha do tio.
PROCAPUÍ
– A ligação de Mike com tucanos também excedeu a área dos organismos públicos de
controle do meio ambiente. Sob a promessa de liberação de um empréstimo do BNDES
e de um visto de permanência no País, o empresário intermediou a compra de
tilápias criadas na fazenda do senador Luiz Pontes (PSDB). Outro que também teve
contato com o empresário foi o hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado
(TCE) e ex-deputado estadual pelo PSDB Teodorico Menezes. Para este último o
empresário doou dinheiro para a campanha do filho, Teo Menezes, que concorreu à
Assembléia. O empréstimo nunca foi concedido.
PROCAPUÍ – O elo de ligação entre o senador Luiz Pontes e José Airton foi a vereadora Fátima Lacerda, que apesar de ser irmã do petista é filiada ao PSDB e ligada politicamente ao senador. Um inquérito instaurado pela Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF) tomou o depoimento de diversos implicados, dentre eles o próprio empresário. O inquérito foi instaurado a partir de queixa-crime apresentada por Josef Anavian e Leyla Anavian – respectivamente tio e mãe do empresário –, além de Ruth Zahabian, lesados em milhões de dólares, enviados para a constituição da empresa Procapuí. No dia 18/10/2005, foi tomado o depoimento do contador Sérgio Maria Nobre Othon Sidou, que trabalhou na empresa de carnicicultura. Em seu depoimento, o contador declarou que encontrou uma série de irregularidades, como ausência de documentos contáveis e saques sem comprovação.
PROCAPUÍ – No mesmo dia depôs Michael Oliveira Donnely, que trabalhou como gerente administrativo da Procapuí e que Mike Layani lesava os sócios e o fisco federal. Segundo Michael, em maio de 2005 o Banco Central solicitou explicações sobre operações de câmbio, além de faturas de exportação não pagas pelo importador, ressaltando que não tinha como regularizar a situação da empresa por ter constatado um débito de US$ 1,5 milhão, da G.F. Higgins com a Procapuí. Essa empresa era a responsável pela venda do camarão da empresa de carnicicultura no exterior. Denunciou, ainda, operações irregulares de câmbio feitas por Mike, apontando o doleiro conhecido como Zezé, que sempre apanhava dinheiro com o empresário norte-americano.
PROCAPUÍ – Também prestou depoimento na DDF o inspetor aposentado da Polícia Civil cearense Gonçalo Alves Camelo, que fazia a segurança e também atuava como motorista de Mike. O ex-policial revelou que seu patrão apanhava dinheiro com o doleiro Zezé, no escritório deste, localizado na avenida Dom Luiz, e em seguida fazia mais saques no Bank Boston – onde trabalhava Michael Donnely antes de ir para a Procapuí – , levando toda a soma para o empresário João Eudes, na sede da empresa deste, a Eudes Automóveis. Ainda prestou depoimento a advogada Eunice Leal Oliveira, que era gerente administrativa da Procapuí. Ela assinou cheques das empresas Procapuí e Iglomar, dados em garantia de mútuos financeiros para a compra de imóveis. Foram os cheques 001885 – da conta da Procapuí – no valor de R$ 450 mil e 000078 – da conta da Iglomar – no valor de R$ 62,1 mil, ambos assinados no dia 18/11/2003. Em seu depoimento na DDF, no dia 09/06/2004, a advogada admitiu ter assinados os cheques por força de procuração substabelecida por Mike Layani. O empresário Flávio Gondim, também do ramo de exportação de mariscos, atribuiu ao empresário norte-americano e à advogada a responsabilidade pelo rombo de milhões de dólares deixado com investidores locais e estrangeiros.
PROCAPUÍ – Evidentemente que a atitude dos deputados Osmar Baquit e Pedro Uchoa, de tornarem público um depoimento tomado em sigilo na CPI do grupo de extermínio, se deveu ao interesse particular de atacar a oposição na Assembléia e, de quebra, desviar a atenção da mídia e da CPI para o principal personagem da CPI, o empresário Deusmar Queiroz, proprietário da rede de farmácias Pague Menos, um dos mentores e financiadores do grupo de extermínio cuja chefia é atribuída ao major PM Ernani Castro. Por isso a CPI foi aditivada com investigações sobre os crimes do setor de exportação de mariscos e contras as mulheres na Região do Cariri: para pulverizar as atenções e evitar desgaste do empresário e das farmácias Pague Menos.
PROCAPUÍ – Mas a CPI, muito provavelmente, não irá se aprofundar no esquema da empresa Procapuí. Principalmente por envolver petistas, tucanos e até socialistas. Mike doou, em 2002, milhares de camisetas para a campanha de uma candidata a cargo majoritário, hoje filiada ao PSB. Muitos políticos, dos mais variados matizes, receberam doações do empresário norte-americano. Certamente os interesses políticos farão sepultar o ímpeto dos que quiserem apurar a intrincada rede de ilícitos encabeçada pelo empresário.
PROCAPUÍ – O jornal Diário do Nordeste publicou matéria no dia 20/04 sobre o pronunciamento dos deputados do PSDB e do PSL. Três anos depois do Em Off ter abordado o assunto pela primeira vez. O DN, entretanto, distorceu os fatos envolvendo Josef e Leyla Anavian, citados como financiadores das ações de Mike. Na verdade o casal de irmãos enviou o dinheiro para a constituição da Procapuí com o intuito de colher os lucros da empresa. O empresário é que utilizou o dinheiro – mais de US$ 6 milhões, equivalendo hoje a R$ 14 milhões mas em torno de R$ 18 milhões quando do golpe – para as atividades ilícitas. Quando a fonte secou, passou a captar recursos no meio empresarial local, através de pequenos, médios e grandes investidores, que emprestaram dinheiro com a promessa de remuneração acima da paga pelo mercado.
PROCAPUÍ – Nesse esteio, pessoas como o empresário Philipe Paul Brooke emprestou R$ 200 mil e o ex-diretor administrativo da Marquise, Pedro Henrique Albuquerque, R$ 500 mil. Aliás, como garantia de pagamento da quantia disponibilizada – à qual acabou por não receber – Albuquerque recebeu o prédio onde está instalado o escritório dos advogados que co-geriram a Procapuí junto com Mike Layani, localizado na avenida Alberto Sá, nas Dunas. O jornal O Povo inicialmente ignorou o fato e somente um dia depois publicou matéria referindo-se ao esquema Procapuí, e no dia seguinte à isso publicou uma entrevista com o advogado Atílio Paracampos. Nos arquivos do Em Off os internautas poderão se inteirar, passo a passo, do desenrolar da história que somente agora a mídia local está abordando.
PROCAPUÍ – O inquérito feito pela DDF foi encaminhada à 1ª Vara Criminal. Há indícios de crimes de evasão fiscal, corrupção ativa, formação de quadrilha, estelionato, defraudação, etc. Alguns são da alçada do Ministério Público Federal, mas outros são competência do MP Estadual. Cabe agora ao promotor da 1ª Vara Criminal oferecer denúncia à Justiça. Não pode deixar de dar uma satisfação à sociedade e cumprir seu dever institucional. Também é necessário tomar providências para que o empresário norte-americano não fuja do País. Ultimamente Mike vinha atuando no mesmo ramo na cidade de Santos, litoral de São Paulo.
HOSPITAL
– Não se sabe por
conta da agitação política dos últimos dias – discussão com seu correligionário
Tasso Jereissati, tentativa da oposição de instalar a CPI das dispensas de
licitação, etc. – o governador Lúcio Alcântara acabou por ser conduzido a um
hospital no feriado de 21/04. Ao local acorreram diversos secretários estaduais.
Os que estiveram no hospital revelaram que o governador queixava-se de dores no
peito. Mas tudo não passou de um susto.
AMARELOU – A coluna eletrônica “Gente de mídia”, publicada no blog do jornalista Nonato Albuquerque <www.antenaparanoica.blogger.com.br> trouxe a seguinte nota, semana passada: “1 - Quem é Quem - É incrível, mas esse personagem do José Horácio, do ator Luiz Fernando Guimarães, de "Minha Vida Nada Mole", não faz lembrar alguém conhecido? Falastrão, mutreteiro, enrolão, cheio de dívidas, mas sempre passando a imagem de quem anda por cima da carne seca?”. Primeiro, o personagem se chama Jorge Horácio, e não José. Segundo, amarelou ao não dizer quem da cena midiática local se encaixa no perfil traçado: o falso profissional Walney Haidar, apresentador do risível programa Must, da TV Diário.
AMARELOU
– Quem também amarelou foi o repórter da TV Cidade Cristian de Carli, que, em
matéria sobre a CPI que investiga grupo de extermínio, disse que estava sendo
investigada a ação de um grupo de extermínio formado por policiais militares, “a
serviço de uma rede de farmácias”. Caso não tenha sido censura da própria
emissora – afinal, a rede de farmácias é a Pague Menos, a maior do Estado e
anunciante de peso – foi, pior, autocensura. Seja qual das duas tenha sido,
ambas são deploráveis.
LEVANTAMENTO
– Segundo levantamento feito pela Comissão de Fiscalização do Sindicato dos
Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce), mais de cem pessoas
exercem a função de jornalista em Fortaleza sem o possuir amparo legal, ou seja,
o registro profissional. Somente no link de falsos profissionai, o Em Off tem
listado quase isso ou mais. O Sindjorce informa que os números não incluem as TV
Verdes Mares, Diário e União, além da Rádio Verdes Mares. Caso o levamentamento
tivesse incluído essas empresas, com certeza o número dispararia.
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LEVANTAMENTO
– A Comissão chegou ao número de 140 ilegais no jornalismo. Apontou como empresa
campeã nesse ilícito ranking o jornal Diário do Nordeste, com 45 falsos
profissionais, seguindo de perto – fungando no cangote mesmo – pelo jornal O
Povo, com 44 falsos profissionais. Em terceiro vem a TV Cidade, com 19; quarto a
TV Jangadeiro, com 12; quinto o jornal O Estado, com 8; em sexto a TVC com 6;
sétimo a Rádio O Povo/CBN, com 5 e em último a sucateada e quase extinta Rede
TV!, com 3.

LEVANTAMENTO
– Certamente se fossem incluídas as TV Diário, União e Verdes Mares o número
aumentaria significativamente. Na primeira, os “estagiários” predominam no
jornalismo, na segunda, não há nenhum jornalista em seus quadros. Na terceira,
também não são poucos os ilegais do jornalismo. O Sindjorce apregoa que acionará
judicialmente os que não tiverem registro profissional e, conseqüentemente,
exercerem ilegalmente o jornalismo. Não fará mais do que sua obrigação, mas é
uma ação bastante atrasada e que já foi divulgada, com igual publicidade e
ênfase, por gestões passadas, mas de nenhum resultado prático e efetivo.
LEVANTAMENTO – O Sindjorce não informa, por exemplo, o andamento dos processos que já foram instaurados contra falsos profissionais do jornalismo. Há anos o Sindicato vem convivendo com as redações abarrotadas de estudantes em estágios fajutos e falsos profissionais, numa tolerância omissa e revoltante. A Entidade precisa se posicionar mais firmemente na luta contra esse bando, pontuando firmemente sua posição e seu conceito sobre essas pessoas. Concomitamente com a representação à Delegacia Regional do Trabalho (DRT), que o Sindjorce anunciou que irá fazer, precisa, urgentemente, apresentar queixa-crime contra essas pessoas na Delegacia de Defraudações e Falsificações. Exercício ilegal de profissão é contravenção contra a organização do trabalho, tipificada e com pena cominada. Ou o Sindjorce parte para o confronto ou essa será apenas mais uma jogada para a platéia.
PITONISA
– No dia 19/04 o comentarista Alan Neto resolveu dar uma de pitonisa e fez a
seguinte previsão no programa Jangadeiro Esporte Clube (TV Jangadeiro), sobre o
jogo que o Fortaleza teria naquele dia com o Atlético Mineiro, pela Copa do
Brasil: “somente uma hecatombe tira a vaga do Fortaleza hoje à noite”. O
tricolor cearense havia ganho a primeira partida por 2 x 0, em Belo Horizonte.
Por causa disso o comentarista achou que o Fortaleza já estava com a vaga
assegurada. Mas não foi isso que aconteceu.
PITONISA – A previsão de Alan furou, o tricolor – que podia perder até por um gol que ainda assim se classificaria para a próxima fase da Copa do Brasil – acabou tomando uma doidinha de 3 x 1 para o galo mineiro. Resultado: a hecatombe aconteceu. O moço poderia ter dormido sem essa e, mais, não ter acordado com toda a torcida tricolor bufando de raiva dele. Por osmose recebeu os respingos da frustração da torcida pela eliminação e foi tachado de “pé frio”.
PÉROLA
I – Essa está um pouco atrasada, mas vale a pena: em matéria com a equipe do
Fortaleza, após o jogo no qual o time perdeu o tão sonhado tetracampeonato para
o arqui-rival Ceará, o repórter Celso Tomaz, do Jangadeiro Esporte Clube (TV
Jangadeiro), mandou essa pergunta para o goleiro Maizena: “Porquê o
Fortaleza não ganhou o campeonato?”. O goleiro olhou para o repórter com
uma expressão que traduzia bem a reação dele com a pergunta, mas com essa
expressão respondeu: “porque não ganhou a partida”. Não contente, o rapaz
ainda emendou sapecando essa: “e o quê faltou para o Fortaleza ganhar a
partida?”. Fazendo um esforço sobrenatural, o goleiro, com a expressão de quem
já estava quase perdendo o controle conseguiu ainda responder: “fazer gols”.
PÉROLA
II – Essa foi proferida pelo Tosco... ôps, Bosco Farias, durante a transmissão
do jogo Brasiliense x Ceará, pela TV Verdes Mares, dia 22/04: "O Arlindo
chutou e a bola foi descaindo". Nossa, o que seria esse verbo
“descair”?
PÉROLA III – Mais uma do narrador, na mesma transmissão, ao perceber que havia se enganado de jogador: “falta para o Brasiliense. Falta do Leanderson... cometida pelo Jobson”. Falta de um cometida por outro? Falta espírita?
PÉROLA IV –
Título de matéria publicada na edição do dia 19/04 do jornal Diário do Nordeste:
“PSOL
Partido prepara o seu próprio
plano”.
Ué,
e o partido prepararia o plano de uma outra agremiação política?
CORREIO
ELETRÔNICO – Essa pérola foi enviada pelo internauta Tito Oliveira
<[email protected]>:
"Em entrevista concedida a uma emissora de rádio local, o "turbinado" jogador Maurilio procurando se defender da acusação de ter feito uso da substância proibida salbutamol, quando atuava pelo Clube do Remo do Pará, saiu-se com essa:
'Como tenho bronquite asmática, faço uso do remédio "aerolin" que crianças e até mulher gestante com gravidez usam'."
ILEGAL
– O deputado estadual Heitor Férrer (PDT) enviou para eleitores, via correio, um
jornal com informações sobre seu desempenho parlamentar. O problema é que o dito
cujo não tem jornalistas responsável. O parlamentar deveria ter mais respeito
para com a categoria e com seus eleitores também. O rapaz é acadêmico do curso
de Direito da Unifor, mas dá um exemplo de sua falta de preparo ao infringir a
lei e publicar informativo sem jornalista responsável. Lamentável.
PARA
REFLETIR – "O mal de quase todos nós é que
preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica". (Norman
Vincent)