Cancioneiro para a Mocidade
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Cancioneiro para a Mocidade
Notação musical de Bolou Mocito
Capa e ilustrações de José Antunes
Edição do Serviço de Publicações da Mocidade Portuguesa
51 páginas

Marcha da Mocidade Esta primeira edição do "Cancioneiro" da Mocidade Portuguesa - que era utilizado nas aulas de Canto Coral - apresenta uma introdução ridícula, onde se salientam as dificuldades na realização do livrinho (um dos "grandes" "inconvenientes" foi a "comprovação da existência de várias linhas melódicas do Hino Nacional, quatro das quais impressas!"). Para evitar que o livro tivesse "dimensões descomunais", foi necessário fazer uma selecção e, "De entre as actividades da Organização, deu-se preferência à dos vanguardistas e cadetes, mormente no que respeita a desfiles".

Entre as Marchas incluídas no livro conta-se a famigerada "Marcha da Mocidade" ("Lá vamos, cantando e rindo" - ver imagem à direita), a "Marcha do Campismo ("Minhas botas, velhas, cardadas...") e a horrorosa "Angola é Portugal":

No Noroeste de Angola
O viver patriarcal
Na faina rude dos campos
Era corrente normal
Mas de um momento p'ra outro,
E de maneira brutal,
  O viver da pobre gente
Passou a ser infernal!
Hordas de vis bandoleiros,
A sôldo do terrorismo,
Assolaram as aldeias
Fazendo canibalismo.

Este manual de canto era pois um puro instrumento de propaganda do Estado Novo. Os alunos, no entanto, não apreciavam cantar estas marchas e hinos patetas. Talvez por isso a Mocidade Portuguesa fez uma outra edição, onde, para além destas músicas, se incluiram numerosas canções populares.


Cancioneiro para a Mocidade    Quando eu era pequenina
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Cancioneiro para a Mocidade
Notação musical de Bolou Mocito
Capa e ilustrações de José Antunes
Edição do Serviço de Publicações da Mocidade Portuguesa

15 Hinos e Marchas
54 Cantares e Passatempos
128 páginas

Na introdução a este novo cancioneiro, assinada por Mário de Sampayo Ribeiro, pode ler-se que a inclusão das modinhas populares "terá tido em mira dar relevo a géneros e tipos nacionais que, por assim dizer, andam votados ao desprezo, em proveito de certa música fabricada em série e popularizada à força de propaganda, que de modo nenhum traduz as predilecções genuínas da boa gente portuguesa. [...] Pretende-se começar a contribuir de algum modo para o restauro do portuguesismo das toadas que a nossa gente moça canta nas escolas e a predispor-lhe os ânimos para reagir conscientemente contra a invasão das várias modalidades de exotismo musical, que está subvertendo o mundo de hoje."

Esta introdução, quando falava da "invasão das modalidades de exotismo musical que está subvertendo o mundo", referia-se certamente à música pop-rock, de origem anglo-saxónica, que cativava muito os jovens estudantes e era muito tocada nos bailes e em alguns programas de rádio, como o famoso "Em Órbita".

Curiosamente, em 1969, o grupo Filarmónica Fraude viria a gravar, em estilo pop-rock, uma destas canções populares: o "Menino" ("Quando eu era pequenino/Acabado de nascer").

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