DISCIPLINA DE HISTOLOGIA GERAL E DOS SISTEMAS
3ª Aula Prática – Órgãos Linfáticos – Baço e Timo
Lâmina H 04 – Baço – H.E.
O baço é um órgão linfático que fica interposto na corrente sangüínea, funcionando como um verdadeiro "filtro" para o sangue. Os macrófagos existentes nos sinusóides esplênicos possuem a capacidade de retirar do sangue partículas estranhas e as hemácias alteradas, fenômeno conhecido como hemocaterese. Em contrapartida, durante a vida embrionária, esse órgão produz células sangüíneas (hemopoiese). O baço possui apenas vasos linfáticos eferentes.
Objetivo
Visualizar a cápsula de tecido conjuntivo do baço, as trabéculas, a polpa branca (conjunto de nódulos de Malpighi), a coroa e o centro germinativo dos nódulos, a zona marginal, a artéria da polpa branca e, finalmente, a polpa vermelha, constituída de cordões esplênicos e seios esplênicos.
Descrição da lâmina
O baço possui uma cápsula de tecido conjuntivo, que possui, em alguns locais, vasos e tecido adiposo. Essa cápsula pode penetrar no órgão e formar septos de tecido conjuntivo denominados trabéculas, que podem ser visualizadas em corte transversal ou longitudinal. Pode-se visualizar, ainda, os vasos trabeculares no interior das trabéculas.
Observar os nódulos linfáticos basófilos (folículos de Malpighi) que, em conjunto, formam a polpa branca, assim denominada por apresentar um aspecto esbranquiçado devido à elevada concentração de linfócitos. Visualizar, também, o parênquima do baço ao redor dos nódulos, caracterizando a polpa vermelha.
Focalizar um nódulo linfático e identificar no mesmo as seguintes estruturas:
uma grande quantidade de núcleos de linfócitos;
a coroa (mais escura) e o centro germinativo, na periferia do nódulo e no centro do nódulo, respectivamente;
o limite entre o nódulo e a polpa vermelha, denominado de zona marginal;
a artéria da polpa branca (artéria centro folicular), envolvida por uma bainha periarterial (bainha de linfócitos T).
Observação – A artéria da polpa branca quase nunca se encontra no centro do nódulo.
Na polpa vermelha, identificar as seguintes estruturas:
Os cordões esplênicos ou cordões de Billroth - Cordões de células constituídos de linfócitos, macrófagos e plasmócitos;
Os seios esplênicos – Representados por grande quantidade de sinusóides (capilares com luz ampla, trajeto tortuoso, endotélio e lâmina basal descontínuos e que apresentam macrófagos na parede). Esses sinusóides podem conter hemácias em seu interior e podem aparecer em corte longitudinal ou transversal.
Fazendo uma comparação histológica entre baço e linfonodo, pode-se dizer que o córtex do linfonodo é análogo à polpa branca do baço e a medula do linfonodo é análoga à polpa vermelha.
Lâmina H 05 – Timo – H.E.
O timo é um órgão linfático retroesternal, localizado no mediastino superior, e próximo aos grandes vasos do coração. Ele atinge seu desenvolvimento máximo, em relação ao peso corporal, no feto a termo e no recém nascido; o órgão desenvolve até a puberdade, quando se inicia sua involução.
Objetivo
Visualizar a cápsula de tecido conjuntivo denso, os septos, o tecido adiposo e os vasos sangüíneos. Perceber a divisão do timo em lóbulos. Em cada lóbulo, visualizar o córtex, a medula com os corpúsculos tímicos com células reticulares epiteliais do tipo VI.
Descrição da lâmina
O timo possui uma cápsula de tecido conjuntivo denso com tecido adiposo e vasos sangüíneos. Esse órgão é constituído de dois lobos, que são divididos em lóbulos pelos septos, formados pela cápsula. Não existem vasos linfáticos aferentes ou eferentes no timo. Cada lóbulo possui um córtex (mais escuro) e uma medula (mais clara) e são interligados pela medula. A população de células (timócitos) no córtex é maior do que na medula, o que explica sua cor mais escura. As células que se dirigem à medula provêm do córtex, e os linfócitos que chegam ao córtex são originados na medula óssea ou no fígado fetal. No córtex as células adquirem competência imunológica e depois se dirigem para a medula, que as lança na luz das vênulas pós-capilares. Nas vênulas pós-capilares, essas células circulam pelo organismo e se localizam, principalmente, nos seguintes sítios:
bainha periarterial da polpa branca do baço;
zona paracortical ou cortical profunda dos linfonodos;
tecido linfático frouxo entre as placas de Peyer do íleo;
tecido linfático frouxo entre os nódulos linfáticos das tonsilas.
Os linfócitos T permanecem sempre transitando por essas regiões num movimento chamado de recirculação de linfócitos. No timo existem células reticulares epiteliais, macrófagos e células dendríticas (apresentadoras de antígenos). No córtex há três tipos de células reticulares epiteliais e na medula também há três tipos. Identifica-se, somente, um tipo de célula reticular epitelial, do tipo VI, localizada nos corpúsculos tímicos ou de Hassall, que caracteriza o timo e está presente na medula. Os corpúsculos de Hassall são constituídos por um conjunto de células reticulares epiteliais organizadas em camadas concêntricas e unidas por numerosos desmossomos. Admite-se que as células reticulares epiteliais que formam os corpúsculos tímicos estejam em processo de degeneração, podendo ocorrer calcificação do corpúsculo. O timo possui duas origens: suas células reticulares epiteliais originam-se das 3ª e 4ª bolsas faríngeas (do endoderma) e os linfócitos originam-se do tecido hematopoiético (do mesoderma) da medula óssea.