Quarta-feira, 19 de outubro de 2005.
Olá.
Discuto hoje o artigo
do Dr. Içami Tiba. Um colega disse-me ter enviado e-mail para o Dr., que
confirmou a autoria. O Dr. Tiba está
recebendo cópia deste texto no mesmo endereço de e-mail no qual ele fez a
confirmação. Com o devido respeito,
ouso discordar.
”Mais do que com armas, é com
conhecimento que se pode fazer uma reviravolta neste país, que sobrevive,
apesar da falta de ética de parte grande dos nossos governantes.”
Concordo
com o Dr. Tiba. E é por esse motivo que voto SIM. Chega de
armas. Quero mais educação.
“Não é possível que o povo brasileiro seja mobilizado a
ir às urnas neste plebiscito - cujo sentido é ainda discutível - num momento
político de comprovados e vergonhosos ´mensalões´ e ´mensalinhos´, demonstrativos
de que boa parte dos políticos brasileiros visam mais o seu próprio bem do que
o cumprimento com honra, ética e sensatez, dos cargos para os quais foram
eleitos.”
Creio que o Dr. não sabia que o referendo
estava marcado desde dezembro de 2003.
De qualquer forma, mesmo que ele soubesse, a crise política da corrupção
não deve impedir que outros assuntos relevantes para o país sejam discutidos e
votados. E o fato de que alguns
políticos visem mais o seu próprio bem estar nada tem a ver com o assunto sob
consulta popular. Assim, neste ou em
outro momento, vamos dar nossa opinião.
“Revolta-me um governo que promove um
plebiscito, fingindo querer ouvir o povo, mas com uma pergunta capciosa. Por
que não perguntar se o brasileiro gostaria de ver sua mulher e filhos
estuprados e sua casa arrebentada porque os "maus elementos" estavam
armados e ele desarmado?”
O Dr. Tiba sabe muito bem que a pergunta
que ele propõe é desnecessária. Ninguém
quer que algo de mal aconteça à sua própria família. E a pergunta do plebiscito não necessita vir acompanhada de uma
possível conseqüência decorrente de ação criminosa. Mesmo porque, estas ações podem acontecer mesmo que o cidadão
tenha uma arma.
O que é necessário é o debate e a
informação que é levada pelas duas frentes parlamentares. E isto está sendo feito. Caberia a acusação do Dr. Tiba se o governo
impedisse qualquer forma de discussão e de propagação das idéias. E não é o caso. O governo reservou espaço nas redes de comunicação para este
saudável debate.
”Qual a diferença que existe
entre tais ´maus elementos´ que nos assaltam, armados com armas de fogo, e
outros que tendo o poder nas mãos, nos assaltam com uma caneta, nos tirando
quase três meses de cada ano trabalhado para sustentá-los, enquanto a nossa
família praticamente passa fome? O mau está no espírito das pessoas e não no
que elas têm nas mãos.”
Se o Dr. não aceita o poder das canetas,
que lute contra elas. Lutarei junto com
ele. São duas lutas independentes. Uma contra as canetas. Outra contra as armas.
E se o mal está no espírito das pessoas, é
razoável que tiremos as armas das mãos destas pessoas.
“Morre-se,
também, em números assustadores, em acidentes de automóvel. Não seria o caso
também de se fazer um plebiscito para proibição da venda de carros e
combustíveis? Tudo dependeria de como se direciona a pergunta à população: Você é contra as pessoas
continuarem morrendo ou matando por atropelamentos e acidentes de automóvel?
Então vote a favor da proibição da comercialização de carros e combustíveis.”
Remeto o Dr. ao texto que escrevi no dia
15. Para ver os textos, clique aqui. Ninguém toma um carro pensando que ao pisar
no acelerador matará outra pessoa. Já quando
se toma nas mãos uma arma, o pensamento é que ao puxar o gatilho, certamente
alguém será atingido.
“O
que me deixa indignado neste país é a absoluta falta de transparência das
autoridades. Manobras e campanhas são realizadas para ocultar a falta de ética
de nossos governantes - e nenhum país sobrevive à falta de ética, com ou sem
arma de fogo... Preocupa-me ainda,
saber quem será o grande beneficiário de mais este gasto com este plebiscito.
Muito mais útil e correto seria utilizar esta importante verba para a
educação.”
Tudo tem um custo. Talvez fosse mais econômico se decidirem
vários assuntos de uma só vez. É para
se pensar. O país está aprendendo. Estamos apenas engatinhando no aprendizado
da consulta popular. O que não invalida
o referendo. Talvez, com tanta
discussão a respeito das armas, esteja havendo um processo educacional. Quem sabe?
“O
governo, através de uma inteligente manobra de massas, mais uma vez vende ao
povo a idéia que são as armas de fogo as culpadas pela violência e, numa
eficiente estratégia de marketing, "mata dois coelhos com uma cajadada
só":
a) demonstra estar adotando providências contra a criminalidade e
b) esconde sua ineficiência e incapacidade de lidar com a situação da
violência desmedida em que se encontra nosso país;”
Não concordo com o Dr. Tiba. Não são as armas as culpadas pela
violência. As armas de fogo são usadas
por pessoas violentas. E, para eu não
correr riscos, voto pela retirada das armas.
Não quero encontrar no meu caminho alguém violento com uma arma na mão.
“Mais
que isso, o governo afasta de si a responsabilidade e a transfere ao povo,
através de uma pergunta simpática à primeira vista, e pela qual já vem fazendo
uma campanha oculta há muito tempo. Assim, no futuro, quando a violência e
criminalidade não diminuírem, sempre restará a resposta da elite política de
que a vontade do povo foi cumprida...”
Não creio no que leio quanto à
transferência de responsabilidade. Se o
governo não consultasse o povo, seria ditatorial. Porque consulta, quer eximir-se de responsabilidade. Que beco sem saída. Prefiro o governo que me consulta.
“Mais
uma vez, com a experiência de educador que tenho, reforço: Não são esses tipos
de medidas populistas que farão efeito; somente os livros, a educação a longo
prazo, e a ética - palavra em falta no vocabulário de nossos políticos - é que
poderão mudar esse Brasil.”
Concordo com o Dr. com relação à
necessidade de educação para o povo e ética para os políticos. Novamente, a decisão sobre as armas independe
destas medidas.
Até amanhã.
Ellis Feigenblatt
Terça-feira, 18 de outubro de 2005.
Bom dia.
Prometi falar sobre o desarmamento da população. Vamos lá.
Quem de fato será atingido pelo SIM? A população ordeira, certamente. Os bandidos não serão afetados. Eles não entregarão suas armas. E continuarão a obtê-las pelo contrabando, que já existe há tempos.
O maior argumento dos defensores do NÃO, é que o equilíbrio entre cidadãos e delinqüentes será rompido, e que os índices de violência aumentarão. Exemplos em outros países são citados. Os exemplos em que houve problemas são exaltados. Nada falam dos locais em que há sucesso. Conversei com um amigo holandês. Ele afirma que na Holanda as armas são proibidas e que a paz existe. Não sei dizer desde quando as armas são proibidas lá. E como será no Brasil?
Não sei.
Alguns me escrevem dizendo que são ingênuas as pessoas que acham que no Brasil dará certo. Não, não me acho ingênuo. Apenas quero tentar. Será trabalhoso. E, se tudo der errado, votarei pelo restabelecimento do comércio de armas.
Acho que teremos sucesso no Brasil. Primeiro, porque entendo que o porte de arma já é proibido. Assim, em princípio, qualquer um que anda na rua já está desarmado. Isto afeta o trabalhador que é abordado após receber o pagamento, o empresário que sai do restaurante e entra em seu carro, ou a dona de casa que chega em casa vinda da feira. Ninguém está armado. Portanto, os crimes possivelmente continuarão no mesmo nível em que já estão. Não sei se aumentarão ou diminuirão. Estou pagando para ver.
Para a segunda ponderação, farei uso de estatística fornecida pela frente do NÃO no programa Roda-Viva de ontem. Faço a ressalva porque as estatísticas fornecidas são conflitantes. Enfim, a própria frente do NÃO afirma que apenas 3,5% dos lares possuem armas. Ou seja, a chance que um gatuno tem de encontrar um lar armado com alguém preparado para repelir sua abordagem é muito pequena. Os ladrões não se intimidam com esta chance. Eles estão sempre preparados para o pior. Mesmo assim, a quantidade de assaltos aos lares não é elevada (eu sei, eu também prefiro que seja zero). Sendo já tão pequeno o número de lares que possuem armas, não vejo problema em reduzir este número a zero. Devemos votar SIM e exigir cada vez mais segurança. Nossa arma é o voto.
Por fim, quero tratar sobre a reversibilidade da votação. O fato de haver um referendo popular não significa que estaremos nos condenando para vivermos sem armas para todo o sempre. Leis são editadas e revogadas. Com a comercialização de armas não será diferente.
Se tudo der errado, e a criminalidade aumentar, o legislativo poderá apresentar um projeto de lei revogando o artigo 35. Mesmo o povo poderá apresentar projeto de lei, se assinado por um por cento do eleitorado (artigo 61, caput e parágrafo 2º). De qualquer forma, tendo havido um referendo antes, entendo que o novo projeto também deverá ser submetido à consulta popular.
É isso. Quero ver o Brasil diferente.
Ellis Feigenblatt
Segunda-feira, 17 de outubro de 2005.
Olá.
Há um texto circulando na internet, com algumas variações, e que merece ser analisado. Para ver o texto completo clique aqui. Para ver a lei do desarmamento clique aqui.
1) Porte de armas
O autor do texto interpretou de forma isolada o artigo que trata do referendo para chegar à correta conclusão de que “ninguém está mexendo em porte de arma, ele continua o mesmo”. De fato, não se está decidindo sobre o porte. Ele já está limitado no artigo 6º desde a publicação da lei, em 23/12/2003.
Tanto é assim, que aqueles muitos que quiseram devolver suas armas, precisaram antes obter uma autorização para transportá-las até o posto de recolhimento, pois de outra forma estariam cometendo um crime. Mesmo se o NÃO vencer, o porte continuará extremamente limitado, exigindo autorização da Polícia Federal.
De qualquer maneira, isto não é motivo para alguém deixar de votar pelo fim do comércio para as pessoas físicas.
2) Desarmamento
O autor prossegue afirmando que não haverá nenhuma espécie de desarmamento. Não é bem assim. Mais de 400 mil armas foram entregues às autoridades. É pouco. Muitos não entregaram, e, entre eles, todos os criminosos. A população civil está sendo desarmada. A dúvida é sabermos se isto é bom ou ruim. Voltarei a este assunto em outro dia, pois é realmente importante.
3) Importação
“Quem quiser ter uma arma vai precisar apenas (prestem ATENÇÃO!) importá-la e registrá-la devidamente no órgão competente”.
Mais uma vez o autor se engana. Ou tenta enganar alguém.
A importação exigirá autorização, que a pessoa física não conseguirá obter. Ao tentar trazer uma arma importada, a pessoa estará cometendo o crime do artigo 18. Com este argumento o autor tenta dar força para o ponto seguinte.
4) Defesa da
indústria nacional
O autor acena com um argumento que nada tem a ver com a periculosidade das armas. Trata-se da defesa da indústria nacional. Ele afirma que o Brasil ficará impedido de vender armas a outros países se o SIM vencer o referendo. Não me parece ser correta esta visão.
Pois o Brasil continuará a fabricar e vender armas. O exército, as polícias, e as empresas de segurança continuarão a adquirir armas. Além disso, existem armas de vários portes, e que nunca foram vendidas para a população. São de uso exclusivo do exército. Assim, quando falamos do fim do comércio de armas no Brasil, falamos de apenas uma parte.
Assim, não procede a análise de que o Brasil não mais venderá armas para os Estados Unidos.
5) O que é bom no Brasil
“Notaram que tudo que o Brasil tem de bom (laranjas, aviões) os grandes países querem aniquilar? “
Não bastaram os argumentos acima. O autor quer dar a impressão que isto é um movimento patrocinado por outros países. Talvez outros países até queiram que eu vote SIM. Posso assegurar que meu voto independe disto, e que eu valorizo o produto nacional.
6) Deputados
“Comprando deputados e sei lá mais quem, conseguem levar leis como essa adiante. Sempre é a mesma história, uma farsa por trás de uma questão com apelo popular e emocional para garantir interesses baixos e desonestos.”
Não são os deputados que decidirão o referendo. Seremos nós. Então, para que serve este argumento? A meu ver, o autor tenta usar a péssima imagem que os parlamentares têm para afastar-nos de uma decisão imparcial.
7) Engodos
“...todos sabem que as coisas no Brasil não são como parecem ser.”
“Mais uma vez estão enganando você.”
Desta vez, concordo com o autor. Fico feliz em saber discernir e raciocinar.
Até amanhã.
Ellis Feigenblatt
Sábado, 15 de outubro de 2005.
Bom dia.
Recebo várias mensagens sobre crimes cometidos sob o efeito do álcool, como
esta a seguir:
É um descaramento,
policiais bebem nos bares, enquanto crianças desnutridas compram pinga pra
levar pro safado do pai, ou pais.
É um a permissividade, uma falta de moral, uma coisa inaceitável.
Insisto: as grandes tragédias familiares, e os crimes estúpidos de trânsito
devem-se ao álcool, e não à arma de fogo.
Outras mensagens que recebi afirmam que
também deveria-se proibir a venda de facas de cozinha, martelos, tacos de
baseball, pois podem ser usados como armas.
Creio que um motorista que vai beber
com os amigos, no momento de ir para casa, após algumas doses de bebida
alcoólica, pensa que será capaz de chegar ao seu lar sem causar nenhum
acidente. Ele não quer causar mal a ninguém. Entretanto, certamente
não é esse o pensamento de alguém que tem uma arma na mão. Um dos
efeitos notórios do álcool é criar "coragem". Na
realidade, o efeito é baixar o autocontrole do indivíduo, reduzindo também a
velocidade dos seus reflexos, entre outros. Com isso, o descontrole do
portador da arma leva ao desastre. E nem sempre o homicídio ocorre por
efeito da bebida. Basta lembrar do juiz que calmamente voltou ao seu
carro para pegar a arma com que matou o vigia do mercado no Ceará.
Um plebiscito ou referendo sobre a proibição
da venda de álcool seria fadado ao fracasso. O brasileiro gosta de pinga
e cerveja. Assim, como a combinação arma+álcool é explosiva, e não sendo
viável a proibição do álcool, resta a proibição da arma. Continuemos com
os carros e as facas de cozinha.
Cobram-se medidas governamentais, seja para
impedir que os bandidos tenham acesso à armas, ou para a diminuição de
homicídios, ou para acidentes de trânsito. E o governo faz a sua parte.
Após a entrada em vigor do Código de
Trânsito Brasileiro em 1997, ano após ano comemoramos a redução no número de
vítimas. Na cidade de São Paulo, a proibição de funcionamento de bares
após 01:00, redundou na diminuição de homicídios e ferimentos causados
pela embriaguez. Ambas as medidas atacaram o consumo do álcool. Só
para lembrar aqueles que lutam pelas liberdades, a proibição de funcionamento
dos bares foi uma limitação ao direito de exercer atividade lícita, e a
proibição de dirigir embriagado foi uma limitação á autorização para dirigir, e
tiveram efeitos positivos.
Desta vez, o governo nos apresenta uma proposta,
pois não houve consenso entre os legisladores. Nós já conhecemos como é a
vida com armas. Quero conhecer outra. E se a experiência fracassar,
certamente a lei será revista ou o governo terá que tomar outras
atitudes. Além disso, leis não são para sempre. Elas podem ser
alteradas, inclusive por iniciativa popular.
Por fim, cuidemos primeiro das armas.
Pensaremos no álcool em um próximo momento.
Ellis Feigenblatt
Sexta-Feira, 14 de outubro de 2005.
Olá.
Recebi ontem uma mensagem "reveladora". Seguem os pontos
principais:
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1) A Globo defende o SIM porque se associou a um dos mais famosos fabricantes
de armas, a Glock. A estratégia da Globo é gerar insegurança para
vender segurança.
2) A noticia foi passada por um ex-funcionário da Globo (não identificado).
3) A Globo deve 2,7 bilhões de reais ao BNDES.
_____________________________________________________________________________________
Pensemos nos vários aspectos:
1) Suponhamos que seja verdade que a Globo associou-se à Glock. Bem, a Glock fabrica armas. Nem a Glock nem a Globo são do ramo de segurança privada. O que é mais interessante para a Glock? Vender armas ou vender serviços de segurança? Para mim é claro que nem todo mundo pode contratar uma empresa de segurança, mas que muitos têm dinheiro suficiente para comprar uma arma. Então, o que seria mais rentável para a Glock? A meu ver, vender várias armas é melhor do que vender algum serviço de segurança. Enfim, a notícia não é nada convincente. E mesmo que a Glock venha a se instalar no Brasil, tenhamos em mente que a polícia e o exército continuarão a comprar armas, o que por si só talvez justificasse a instalação de uma fábrica aqui. Consultando o site da Glock, descobri que há anos existe em Montevidéu um escritório encarregado das vendas para a América Central e América do Sul. Não há nenhuma informação sobre planos de expansões.
2) Por quê o informante não se identifica? Podemos confiar em uma notícia apócrifa? Por quê a notícia veio de um ex-funcionário? Será que isto não foi dito apenas para dar maior credibilidade à notícia?
3) Qual a relação entre uma suposta (eu não verifiquei esta informação) dívida com o BNDES e a venda de armas? Será que esta informação não é plantada (ou mesmo que seja real) apenas para indispor o leitor (mais do que já está) com a Globo e vê-la como algo demoníaco?
Enfim, a estratégia do NÃO é gerar medo. Não há argumentos concretos e lógicos para sustentar a continuação do comércio de armas.
Eu continuo defendendo o SIM.
Voltarei amanhã (ou na segunda-feira).
Ellis
Feigenblatt
Quinta-Feira, 13 de outubro de 2005.
Bom dia.
Recebi hoje e-mail com um artigo pela NÃO. Vou comentar apenas a questão dos direitos.
'O referendo não é sobre o "desarmamento", pois os bandidos não renunciarão às armas, qualquer que seja a decisão da maioria. O referendo é sobre o direito de vender e comprar, legalmente, armas de fogo. A campanha do "sim" (ou seja, do não) atenta contra a liberdade e a igualdade, os dois pilares históricos da democracia.'
O texto acima defende o direito à liberdade e à igualdade. O que o autor desconhece é que a liberdade pode ser limitada. E aqueles que transgridem os limites impostos estão cometendo ato ilícito. Assim, se a maioria da população decidir pela proibição do comércio de armas (para pessoas físicas que não apresentem um bom motivo para possuí-las), todos terão que acatar esta decisão.
Quando o autor cita o direito de igualdade, talvez ele esteja se referindo a algo do tipo "se o ladrão tem arma eu também posso". Mas o correto é que o ladrão não pode ter arma. É o ladrão que estará em desacordo com a maioria e a lei, e por isso deverá ser punido. Se o ladrão faz errado, seja pelo porte ilegal de arma, seja pelo roubo em si, eu não pretendo me igualar a ele.
Enfim, na discussão sobre os direitos, esquece-se de dizer que ao direito da liberdade de defesa se opõe o direito à vida. Qual direito é maior? Qual deverá ser privilegiado? Em minha opinião, o direito à vida prevalece. O autor tem todo o direito de defender o seu patrimônio, desde que não ponha em risco a vida alheia. Armas de fogo me colocam em perigo. Votarei SIM.
Ellis
Feigenblatt
Quarta-Feira, 12 de outubro de 2005.
Recebi uma consulta (de alguém que não conheço) sobre o desarmamento (veja lá em baixo), e gostaria de repassar minha resposta a todos.
Bom dia, xxxxx.
Que bom você se interessar pelo assunto. Espero que você tenha paciência
para ler o que eu escrevi.
Tenho certeza que o referendo não foi feito para abafar o mensalão. A lei
conhecida como Estatuto do Desarmamento tramitou durante muitos anos no
Congresso Nacional. Ela iniciou como o projeto de lei PLS292 de 1999, de
autoria do senador Gerson Camata, do PMDB/ES. A lei foi aprovada,
e foi publicada em 23/12/2003, quando entrou em vigor. Leia
especialmente o parágrafo primeiro do artigo que proíbe a comercialização de
armas:
---------------------------------------------------
Art. 35. É
proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território
nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6º desta Lei.
§ 1º Este dispositivo, para entrar em vigor, dependerá de aprovação mediante referendo
popular, a ser realizado em outubro de 2005.
--------------------------------------------------
Assim, veja que a data para o referendo estava prevista há quase dois anos,
sendo que a data exata foi escolhida pelo TSE.
Não se pode dizer que o desarmamento resolverá a criminalidade. Sua
finalidade não é essa. É impedir acidentes com pessoas que não sabem
manusear armas, e também prevenir que um marido perca a cabeça e descarregue o
revólver em sua esposa. Você deve ouvir, e não é de hoje, relatos de
acidentes com crianças que vão à casa de um amiguinho, e esse amiguinho quer
lhe mostrar o "brinquedo" do pai. Esse é o real objetivo do
estatuto.
E mesmo que fosse para conter a criminalidade, ninguém tem a ilusão que este é
o único caminho. As armas compradas legalmente e que terminam na mão de
bandidos são apenas uma pequena parcela de seu armamento. O tráfico de
drogas tem armas pesadas, como granadas, metralhadoras e outra de uso exclusivo
do exército. Estas armas chegam por contrabando, não são vendidas em
lojas. Mas, certamente, os ladrões pé-de-chinelo não mais terão acesso às
pequenas armas que tomam das pessoas de bem.
A contenção da criminalidade passa por outros caminhos, que, tenha certeza, não
estão descuidados pelas autoridades. Você deve ter visto notícias sobre a
construção de vários presídios pelo país afora. São muitos. É para
abrigar a crescente população carcerária. O Alckmim periodicamente
faz distribuição de novas viaturas no Vale do Anhangabaú. O que
demonstra que outras atitudes estão sendo tomadas.
Os argumentos usados pelos adeptos do NÃO são emocionais e não têm bases
científicas. Se você quiser discutir algum argumento em particular,
escreva-me. Especificamente com relação ao possível aumento de ousadia
dos ladrões ao saberem que a população está desarmada tenho a seguinte opinião:
1) O estatuto já está em vigor desde dezembro de 2003, e as regras para
aquisição de armas dificultaram a sua aquisição.
2) Os jornais noticiam que as lojas que vendem armas estão, desde então,
reclamando da queda abrupta das vendas.
3) As autoridades apreendiam 40 mil armas ilegais por ano, e havia uma
estimativa de que 80 mil armas seriam devolvidas. Pois já foram
devolvidas mais de 400 mil armas.
Nem por tudo isso acima a criminalidade aumentou neste último ano e meio.
Pelo contrário, a estatística mostra que o número de mortes por armas de fogo
diminuiu. Que é justamente o objetivo da lei. Afinal, dinheiro e
patrimônio se recupera com trabalho, uma vida não.
Para terminar, você deve estar cansada, saiba que eu votarei SIM pela proibição
do comércio de armas. E, sinceramente, espero ter te convencido a votar SIM
também.
Abraços,
Ellis
-----Mensagem original-----
De:
Enviada em: quarta-feira, 12 de outubro de 2005 09:29
Para: [email protected]
Assunto:
oiee eu sou a xxxxx recebi um e-mail q vc escreveu gostaria de lhe
perguntar umas coisas se vc naum se importar´. Vc naum acha que esse
referendo promovido pelo governo esteja abafando o caso Mensalão?!! E q se o
governo estivesse mesmo preocupado com a violência iriam investir mais na
polícia?! O q me parece é que eles estão agindo superficialmente somente pra
dar a impressão de que faz algo.Igual fizeram com as cotas pra negros e o
Prouni, ninguém teve a ideia de investir na educação publica. Me desculpe se
te incomodei ou algo do tipo, mas gostaria de saber se vc q é a favor do
desarmamente tem alguma nova ideia sobre isso, pq eu realmente naum tenho.
obrigada