Refletindo a Redação
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“Aprender a escrever é aprender a pensar”
Por Eliete Carvalho
Na maioria das vezes, os alunos do ensino Fundamental saem para o ensino Médio sem saber direito redigir um bom texto ou redigem com muitas dificuldades. Por que isso ocorre? Ocorre pela falta do hábito da leitura, pois somente ela garante aos poucos a assimilação de técnicas redacionais. Muito embora, estudando-se tais técnicas ou mesmo lendo os mais variados manuais de redação, somente aprendendo a pensar e fazendo leitura constante é que se pode desenvolver algumas operações intelectuais a fim de se obter um resultado positivo na redação.
A importância da leitura, da pesquisa e da prática de escrever é, pois, considerada fundamental, sendo um processo lento, mas que aos poucos ganham vida, na medida em que a leitura passa a fazer parte do universo lingüístico do aluno. Com a leitura, por exemplo, o aluno será capaz de ampliar os diversos campos: semântico, lexical, lingüístico e ortográfico, além de escrever com clareza e coerência.
Como escrever? Não existe uma maneira fixa e acabada para esse processo. Para acontecer a melhor maneira, ou seja, expressar as idéias sobre o papel, necessário se faz planejar, estruturar e organizar as idéias para que elas ganhem corpo, isto é, vida, sentido lógico. E isso só será possível colocar em prática, se a leitura e se o ato de pensar estiverem presente na vida do aluno.
João Cabral de Melo Neto em uma de suas poesias “Catar Feijão” compara o ato de escrever com o ato de catar feijão, e ele faz isso com bastante precisão e clareza quando diz:
"Catar feijão se limita com escrever:
Jogam-se os grãos na água do alguidar
E as palavras na folha de papel;
E depois, jogar-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
Água congelada, por chumbo seu verbo;
Pois para catar esse feijão, soprar nele;
E jogar fora o leve e o oco, palha e eco".
Diante destes versos, percebemos como o ato de escrever passa por um planejamento, desde a escolha das idéias à própria arrumação do texto. O texto ganha vida na medida em que é visto como um todo. Daí a importância de se dá ênfase a coesão e a coerência, pois sem esses dois parceiros no texto tornam-se difícil escrever com precisão.
Nota-se que o autor ao falar do ato de escrever prioriza o processo de auto-correção, ou seja, todo texto necessita de revisão, uma, duas ou quantas vezes o autor achar necessário. É justamente nesse processo que o escritor tende a retirar de seu texto tudo aquilo que não serve para ele, como é o caso da repetição de idéias e de palavras, do excesso de pronomes (eu, ele, nós), das gírias, dos recados etc. Só um bom leitor será capaz de jogar fora o leve e o oco de seu texto, como bem diz João C. M. Neto.
Portanto, para escrever com eficiência é preciso ter idéias, pensar e praticar. Para isso, Ledo Ivo certa vez disse quanto ao ato de escrever: “Os melhores são os que escrevem pelo prazer de escrever”.
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Eliete Carvalho é professora na cidade dos Palmares-PE.