Crônica

Que história é essa!

 

Por Eliete Carvalho

Que história é essa? Supervisão escolar na sala de aula? Acreditem. Pasmem. Supervisão mesmo não é bem o nome, o entretenimento é fiscalização escolar. É o que está acontecendo em muitas escolas por aí. Inventaram um tal “Projeto de Acompanhamento Escolar” pra fiscalizar professor. Segundo informações o objetivo do projeto é trazer melhorias para a qualidade do ensino, e o alvo não poderia ser outro: o professor.

Com o tal “projeto” (que já está sendo implementado em algumas escolas) todo professor deve ser fiscalizado na sala de aula, que é pra saber se ele está dando aula direitinho ou se está enrolando; se está usando as “novas” metodologias ou ainda se sabe ou não interagir com os alunos... e por aí vão as insanidades da chamada “nova” era educacional, que de nova não tem nada, a não ser a palavra “nova”.

O tal “Projeto”, diga-se de passagem, é, no mínimo, pífio e contraditório. Falta-lhe criatividade, embasamento teórico, ou melhor, falta-lhe mesmo é “o novo”. As práticas são as mesmas de sempre, ou melhor, as antiguíssimas ou ultrapassadas que nunca serviram ou servirão como paradigma para educação. É o “novo” revisitando o passado com mais ou menos aí uns quarenta anos de atraso.  

Mas a nova onda do momento é saber quem de fato se encaixa e quem não se encaixa no projeto. Querem saber tim-por-tim quem é quem. Quem dá aula e quem não dá. Quem está no perfil e quem não está. Todos serão fiscalizados. Estarão todos sob os olhares da fiscalização. Não adianta questionar. Professor não pensa sobre educação muito menos opina. A ordem é de cima, é de quem “entende” de educação. Os séqüitos apenas cumprem as ordens.

Santa paciência! Até que ponto o professor chegou. Ganha salário de miséria, é desrespeitado, falta-lhe condições de trabalho e ainda tem que de agüentar uns tais de “ficais” em sala de aula.  E é bom que se diga que os “tais fiscais” são professores que até outro dia estavam dentro de uma sala de aula, e que todo mundo sabe perfeitamente quais eram suas práticas. Agora querem dar uma de “entendidos” de educação, só porque estão ocupando cargos de “destaques”. É bom que se diga ainda que nenhum tem mestrado ou doutorado em educação. Então aí vão as perguntas? Fiscalizar o quê e quem? Pra quê e por quê?

O que querem mesmo é desviar a atenção do professor em relação aos reais problemas educacionais. Ninguém escuta falar em aumento de salário, as condições de trabalho são péssimas, as capacitações deixam a desejar e muitos outros problemas que deveriam estar sendo discutidos e, no entanto, não estão.

Será que tal “projeto” é coisa da Lei de Diretrizes e Bases – LDB ou será que é coisa dos Parâmetros Curriculares Nacionais? Em que paradigma ele se fundamenta? Mas isso agora pouco importa saber, é coisa do passado, professor não precisa saber disso não. Isso é deve ser mesmo coisa da chamada “nova” era da educação planetária.

 O que mais vão inventar? É esperar pra ver, professor.


Hosted by www.Geocities.ws

1