Quando a leitura interessa

                                                                                                                       Por Eliete Carvalho

               Como professora de Língua Portuguesa, estou cansada de ouvir que os jovens não gostam de ler, muito menos de escrever. As reclamações parecem ser unânimes; dos pais, dos professores e até mesmo dos próprios jovens.

Na escola, são várias as tentativas para fazer os jovens lerem. Muitas vezes a escola não conhece a causa da recusa dos jovens em relação à leitura e termina impondo-a como parâmetro para incentivá-los a gostarem de ler, mas quase sempre as experiências dão erradas. Primeiro porque não é obrigando que se fará com que os jovens leiam. Segundo porque ninguém aprende a ler só porque o professor ou alguém diz: “A leitura é fundamental!”. “Leiam”! Isso em nada acrescentaria a um jovem que não foi trabalhado para desenvolver o hábito da leitura. Ninguém nasce sabendo. Também não se aprende a ler de um dia para outro. Daí a importância de se estimular a criança desde cedo a ter acesso ao livro, de preferência, livros interessantes que estimulem a imaginação e que sirvam de exemplos para o seu desenvolvimento intelectual.

Livros, revistas, jornais, poesias são excelentes fontes de leitura, mas é preciso estar em sintonia com aquilo que os jovens gostam/gostariam de ler, para que a leitura venha a se processar sem bloqueio, sempre fruto do desejo e da curiosidade. Está mais que provado que quando a leitura interessa, ao contrário do que muita gente pensa, o jovem vai além das expectativas do professor. Já presenciei muitos alunos meus devorando livros, entusiasmados com a leitura e prontos para prosseguir adiante. Quando isso acontece, é porque a leitura, na verdade, sempre esteve presente nas suas vidas. Neste caso, a leitura torna-se um prazer. É fato também que esses jovens, nos seus primeiros anos, tiveram pais que leram para eles. Por outro lado, outros com ojeriza à leitura, sem vontade, sem estímulo para ler, justamente porque muitos não aprenderam a ler ou a leitura recomendada de alguns livros não chamou sua atenção. Isso sem esquecer que os jovens da escola pública, na sua maioria, chegam à escola já desestimulados. Os pais não os acompanham, muitos são analfabetos; e outros nem se preocupam com o que venha acontecer com seus filhos.  

É muito fácil ou até cômodo dizer que os jovens não gostam de ler. Para mim, isso é um mito ou uma desculpa para fugir da realidade encontrada na grande maioria das escolas públicas de todo o país. Os jovens gostam sim de ler. O problema é que nem sempre a escola está preparada para desenvolver o hábito da leitura.

O que me parece urgente é fazer com que a leitura seja estimulada, não importa a série ou a idade, o ideal é dar condições, criar oportunidades para que os jovens entrem em contato com a leitura de bons livros, mas essa leitura jamais poderá ser solta, sem direção ou de forma aleatória. Fazer a leitura entrar na vida dos jovens não é só questão de um incentivo a mais, mas ela é uma das ferramentas importantes para o pleno exercício da cidadania.  Acho que não é jogando a responsabilidade para os jovens que escola ensinará a ler, antes é tarefa precípua dela. Assim sendo, a escola precisa tornar o ato de ler em experiências interessantes e gratificantes para busca de um leitor competente, fugindo, lógico, dos maçantes trabalhos de leitura que em nada acrescentam à vida dos jovens.

Eliete Carvalho é professora na cidade dos Palmares-PE.

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