O Papel da Biblioteca na Contexto Escolar

                                    Se temos uma biblioteca e um jardim temos tudo (Cícero, filósofo).

                                                                                                 Por Eliete Carvalho

 De acordo com o dicionário Aurélio, a palavra biblioteca significa “coleção de livros e documentos congêneres, para estudo, leitura e consulta; móvel onde se guarda e/ou ordenam livros”. Esses geralmente são os sinônimos mais conhecidos e que já fazem parte naturalmente da nossa cultura. Mas entendemos ainda que a biblioteca é o espaço permanentemente de expansão do conhecimento, da leitura, da informação e da pesquisa, além de ser um riquíssimo apoio necessário e indispensável às atividades pedagógicas da escola.

Porém, o conceito de biblioteca escolar, ao longo do tempo, passou por várias concepções errôneas. Geralmente o que se via ou conhecia sobre biblioteca era que ela servia para qualquer outra finalidade, menos a de lugar de destaque e prioridade nas definições político-pedagógicas da escola. Devemos ressaltar ainda que ela nunca esteve de fato aliada ao trabalho da sala de aula. Outro fator importante a ressaltar é sobre o profissional que trabalha na biblioteca. Esse, por sua vez, sempre foi visto, pela escola, como um profissional sem formação pedagógica, normalmente era ou é aquele que está perto de se aposentar, os readaptados, ou então aqueles sem função dentro da escola. Essa tradição, durante anos, fez com que a biblioteca escolar caísse no descrédito, pois nada se via ou construía para torná-la capaz de atrair leitores.

Isso gerou inúmeras discussões e tem gerado ainda muita polêmica, até porque, nos últimos anos, o conceito de biblioteca se ampliou muito e, junto com ele, o conceito do profissional que atua na biblioteca. Hoje se faz necessário que o profissional tenha formação pedagógica, e que ele faça da biblioteca um espaço permanente da leitura e da pesquisa e, sobretudo, que desenvolva projetos de dinamização para que a biblioteca se projete para além de seu espaço físico, mas que se firme como o lugar de prioridades e de construção do conhecimento dentro das ações pedagógicas da escola.   

Desta forma, a biblioteca deixará de ser um espaço “morto”, sem vida onde pouco ou nada acontece, para tornar-se vivo e freqüentado, como bem diz Nunes (1987:17/22):  

"Organizar uma biblioteca é torná-la viva, agradável, funcional e capaz de ir ao encontro das necessidades dos leitores. Este conceito de organização envolve não apenas a resolução dos problemas técnicos, mas também a animação do espaço cultural e recreativo que é a biblioteca".

 "Uma biblioteca deve desenvolver hábitos de leitura e trabalho criativo, que uma vez adquiridos, acompanham o indivíduo durante toda a vida, motivando-o para utilizar os diferentes tipos de bibliotecas".

 É com esta perspectiva que a biblioteca escolar tem que ser vista e compreendida, pois falar de biblioteca sem falar de leitura e do profissional que nela atua, é a mesma coisa que falar de escola sem a presença do professor. Portanto, é imprescindível que se reconheça sua importância, pois sem um trabalho integrado da direção, coordenação pedagógica e, principalmente do professor, que é o maior incentivador da leitura e da pesquisa, tornar-se-á impossível tê-la como aliada ao processo de ensino-aprendizagem. Lembramos ainda que a biblioteca não tem a função de preencher horários vagos ou muito menos de ser depósito de livros. Neste sentido, cabe-nos redefinir o seu papel para que possa tornar-se atuante e atraente. 

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