DESAFIO DA ESCOLA: ENSINAR A PESQUISAR
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O aluno pensa que pesquisou e o professor acredita que ensinou a pesquisar.
Por Eliete Carvalho
De acordo com o dicionário Aurélio, a palavra pesquisar significa “buscar com cuidado; inquirir; informar-se a respeito de; perguntar; aprofundar na busca”. São desses sinônimos que a pesquisa na escola deve se alimentar, pois investigar, procurar, averiguar e criar são desafios importantes que alunos e professores devem assumir em torno do conhecimento.
A pesquisa faz parte da vida cotidiana das pessoas. Ela está em toda parte desde uma simples olhada no relógio para uma conferida de hora, até mesmo nos grandes debates em torno da ciência. Sem pesquisa não há ciência, não há avanço tecnológico, portanto, não há conhecimento. O conhecimento é, sem dúvida, fruto de um longo trabalho de pesquisa, e é a partir dele que se chega aos grandes inventos, ás descobertas, ás novas explicações, aos conceitos, enfim á ciência.
Muito já se falou sobre pesquisa na escola, mas quase sempre as pesquisas solicitadas pelos professores nada têm a ver com ensinar a pesquisar, pois, geralmente, são dados temas para que os alunos pesquisem sem nenhum tipo de orientação nem acompanhamento; esperar-se apenas que eles copiem de um determinado livro para uma folha de papel e entreguem em uma data marcada. O professor, por sua vez, passa um visto superficial na cópia e atribui uma nota, como sendo o resultado de uma pesquisa. Os alunos muitas vezes não sabem nem o que pesquisaram, ou seja, a chamada “pesquisa” não passou de uma mera reprodução (cópia) sem ter sentido algum para os alunos, sem falar ainda que não houve aprendizagem. Infelizmente essa é a prática adotada pela escola atualmente. Os alunos saem do ensino Médio sem saber desenvolver uma pesquisa. E o que se vê comumente é que a escola não está preocupada em ensinar a aprender.
Segundo Bagno (1999:15), “os alunos acabam fazendo algum “trabalho de pesquisa” sem orientação, bom apenas para “garantir nota” e “passar”. Isso quando não encomendam os trabalhos a terceiros, pagando para se livrar da obrigação”.
É essa a situação encontrada hoje na escola. Quase não se ouve falar em ensinar a pesquisar e, quando isso acontece, a pesquisa termina tendo outra conotação, isto é, o de preencher ou substituir algum assunto que não foi trabalhado na disciplina em sala de aula. Nessa sentido, o aluno pensa que pesquisou e o professor acredita que ensinou a pesquisar.
Desse modo, qualquer trabalhinho serve desde que se cumpra com as exigências do trabalho: introdução, desenvolvimento e conclusão. Muitas vezes as introduções e as conclusões não dizem nada, mas são avaliadas. Na verdade, o aluno só está mesmo é interessado na nota. Vale até enganar o professor, pagando a outras pessoas para fazerem os “chamados trabalhos de pesquisa”. Essa prática, repetida ao longo do tempo, tem prejudicado os alunos, principalmente, porque eles ingressam na universidade sem nenhuma noção de pesquisa, e isso tem comprometido, de certa forma, os professores que trabalham com o ensino médio, como também tem gerado muita polêmica em torno da escola, no que diz respeito à forma como vem ensinando a seus alunos a tornarem-se sujeitos de seus próprios conhecimentos.
Como sabemos é papel da escola ensinar a seus alunos a serem independentes, ou seja, autônomos em relação à aquisição do conhecimento. Porém, essa autonomia tem sido deixada de lado, quando o assunto é pesquisa na escola. Os alunos terminam fazendo muito pouco e aprendendo quase nada, pois não foram preparados suficientemente para tal. Assim, o conhecimento passa despercebido, na medida em que nada se descobriu, criou e inventou.
Almeida (2000:21) “Não se avalia o que os alunos fazem, mas sua capacidade de imitar e repetir os pensamentos que estão nos livros e os dos mestres”.
Se repetir pensamentos consagrados de autores e mestres fosse considerado pesquisa, então o conhecimento estaria concluído, acabado não haveria avanço, muito menos pesquisa.
Ainda de acordo com Almeida (2000:21), “aprender fazendo, agindo, experimentando é o modo mais natural, intuitivo e fácil de aprender. Isso é mais do que uma estratégia fundamental de aprendizagem: é um modo de ver o ser humano que aprende. Ele aprende pela experimentação ativa do mundo”.
Nessa perspectiva, a escola precisa incentivar a seus alunos a aprender por si mesmos a investigar, a buscar, a pensar e a criar novas possibilidades de aprendizagens. Mas para que isso aconteça, ela necessita antes de qualquer coisa mostrar caminhos, orientar, ou melhor, ensinar a aprender.
Ensinar a pesquisar, portanto, é um projeto inovador, pois é através dele que a escola despertará nos seus alunos o desejo de aprender, além de oportunizá-los a serem sujeitos de seus próprios conhecimentos. A idéia aqui é valorizar o conhecimento enquanto fonte de pesquisa e, conseqüentemente, de aprendizagem, fator importante e indispensável à educação, como também a criatividade e a autonomia dos alunos frente aos novos desafios apontados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais.
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Eliete Carvalho é professora de Língua Portuguesa na cidade dos Palmares-PE.