Avaliação: O dilema do professor
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Por Eliete Carvalho
Aprovar ou reprovar? Eis aqui duas questões sérias que perpassam o interior da escola no dia-a-dia da sala de aula. É com elas que o professor durante o ano letivo é obrigado a conviver para decidir sobre o avanço ou não do aluno. Mas como avaliar a aprendizagem do aluno? Essa é uma outra pergunta que mexe com a cabeça do professor na hora de tomar qualquer decisão, porém ela é pertinente se considerarmos a responsabilidade que cada um tem diante do difícil dilema que é a avaliação.
Como sabemos, avaliar o conhecimento de um aluno não é nada fácil. É, sim, uma tarefa muito árdua. Muitas vezes deixa o professor com a sensação de que ele pode cometer a qualquer momento alguma injustiça, principalmente, se os critérios de avaliação não estiverem bem definidos tanto pelo professor como também pela escola.
Para que a avaliação se processe de forma mais humana, sempre resultado de uma prática avaliativa contínua e integrante do desenvolvimento do aluno, será necessário, sem dúvida, conhecer bem do processo de ensino-aprendizagem. Será necessário ainda que o professor projete a avaliação para além da visão tradicional, visto que os Parâmetros Curriculares Nacionais objetivam uma avaliação voltada para o ser humano como um todo. Mas que postura adotar diante da pluralidade de desempenho dos alunos? Nem sempre a teoria tem uma relação intrínseca com a prática, como a que encontramos comumente na escola.
Alunos com baixos desempenhos escolares, faltosos, sem acompanhamento dos pais, que não realizam atividades, que gazeiam aulas. Esses, com certeza, deixam o professor sem saber o que fazer. Em contrapartida, temos ainda aqueles alunos que todos os dias estão presentes, que acompanham todas as atividades, com bom comportamento, mas não conseguem acompanhar o que foram propostos para eles. Nessa perspectiva, o professor tem em mãos uma delicada e difícil tarefa, afinal de contas, todos os alunos desejam passar de ano, até mesmo aqueles que faltaram quase o ano todo.
O que fazer? Reprovar? Dar outra chance?
È neste momento que ouvimos queixas de todos os lados - geralmente, dos tipos: “O aluno não quis nada com a vida”, “passou o ano inteiro só brincando”, “não sabe de nada”. È aí que entra o jogo do empurra-empurra, os professores colocam a culpa em seus alunos por não terem estudado ou não quererem nada ou simplesmente no sistema educacional; os alunos, por sua vez, ameaçados ou amedrontados colocam a culpa nos professores, como forma de retribuir o seu fracasso. Essa é a história que se repete ao longo do tempo. Parece que sempre se procurou ou procura um culpado pelo fracasso da aprendizagem.
Nos conselhos de classes, o dilema se torna maior ainda, principalmente, quando apenas o professor de língua portuguesa e matemática tem de emitir sua opinião a respeito do progresso ou não do aluno. De certa forma, coloca-se nas mãos desses professores toda a responsabilidade em relação à vida do aluno, enquanto outras disciplinas muitas vezes se ausentam ou mesmo são colocadas em segundo plano como se não fossem importantes dentro do currículo.
Sem contar que a escola apesar de todo seu esforço não tem uma prática avaliativa coerente. Isto porque o narcisismo ainda continua centrado no dia-a-dia dela. É, lógico, que isso tem levado muitos professores a acharem que a avaliação deve ser uma prática exclusiva dele. Cada um avalia como quer e o que quer. Na verdade, não há muita discussão na escola a respeito do assunto. Quando isso acontece, ela esbarra com as resistências e as desesperanças de muitos profissionais. Essa falta de debate tem levado a escola a não definir a avaliação como meta prioritária do seu projeto político-pedagógico. Ora, não sabemos como a escola avalia, não conhecemos seus critérios de avaliação, nem mesmo os pais; já os alunos não conseguem entender como a escola avalia. É, assim, que, no meu entender, a escola está deixando muito a desejar, apesar de todas as inovações pedagógicas, isto porque quando o assunto é avaliação escolar, não há o que se discutir, debater, criar, inovar, enfim, mudar.
A escola infelizmente continua avaliando de forma aleatória, na medida em que não consegue ter uma prática avaliativa capaz de superar ou ir além das barreiras e dos murros das incertezas ou dos “achismos”, coisas, inclusive, que não podem acontecer jamais no seu cotidiano.
Portanto, o dilema do professor surge de vários fatores - do despreparo da escola em não ter definido seus critérios de avaliação, do pouco conhecimento do professor em relação aos princípios pedagógicos que fundamentam a prática avaliativa, da falta de debate permanente, dos baixos desempenhos dos alunos, ou ainda da falta de projeto que viabilize uma prática avaliativa mais consciente e humanizadora.
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Eliete Carvalho é professora de Língua Portuguesa na cidade dos Palmares-PE.