| 1967 1 de Janeiro Pela manh�, sem discutir o assunto comigo, Monje disse que ia partir e que apresentaria sua ren�ncia aos l�deres do partido. � tarde reuni todo mundo e lhes expliquei a atitude de Monje, anunciando que (ent�o, sem o apoio do PCB) nos unir�amos a todos os que querem fazer a revolu��o. An�lise do M�s de Janeiro Como esperava, a atitude de Monje foi (...) traidora (...). O partido est� lutando contra n�s, n�o se� at� onde ir�o, mas n�o nos far�o parar. As pessoas mais honestas estar�o conosco. 26 de Fevereiro Segu�amos pelo Rio Grande. Benjam�n caiu na �gua. N�o sabia nadar. A corrente era intensa e o foi arrastando. Depois ele desapareceu. Assim tivemos nosso batismo de morte de uma maneira absurda. An�lise do M�s de Fevereiro A narcha se cumpriu bastante bem, por�m foi manchada pelo acidente que causou a morte de Benjam�n. Os �ltimos dias de fome debilitaram o entusiasmo. A pr�xima etapa ser� de combate e decisiva. 23 de Mar�o �s 8 e tanto, Coco chegou correndo para informar que um pelot�o do ex�rcito tinha ca�do em nossa armadilha. O resultado final foi, at� agora, tr�s morteiros de 60 mil�metros, dezesseis Mauser, dois Bz, tr�s Usis, um 30, dois r�dios, botas, etc., sete mortos, catorze prisioneiros s�os e quatro feridos, mas n�o conseguimos capturar v�veres. 24 de Mar�o Mandei Inti falar pela �ltima vez com os prisioneiros e coloc� -los em liberdade, tirando todas as coisas que nos servissem, menos as dos dois oficiais, com quem se falou em separado e sa�ram vestidos. 28 de Mar�o As r�dios seguem saturadas de not�cias sobre as guerrilhas. Estamos rodeados por 2.000 homens num raio de 120 quil�metros e o cerco se fecha, complementado por bombardeios com Napalm; temos umas dez, quinze baixas. �s 16 horas chegaram sete homens da Cruz Vermelha, dois m�dicos, v�rios militares sem arma. N�s os autorizamos a seguir. 10 de Abril No meio da manh� chegou muito agitado o Negro, avisando que vinham quinze soldados rio abaixo. Logo chegaram as primeiras not�cias com um saldo desagrad�vel: o Rubio estava ferido de morte. E morto chegou ao nosso acampamento: com uma bala na cabe�a. O fogo durou uns segundos, ficando sobre o terreno um morto e tr�s feridos, mais seis prisioneiros. 11 de Abril O total de baixas do inimigo: dez mortos, entre eles doias tenentes, trinta prisioneiros, um major e alguns suboficiais, o resto soldados. 15 de Abril Os norte - americanos anunciam que o envio de assessores � Bol�via corresponde a um velho plano e n�o tem nada a ver com a guerrilha. Talvez estejamos assistindo ao primeiro epis�dio do novo Vietn�. 25 de Abril Dia negro. Resolvemos fazer uma emboscada no caminho de acesso ao acampamento. Pouco tempo depois apareceu a vanguarda, que, para nossa surpresa, estava integrada por tr�s pastores alem�es com seus guias. Sobre o flanco do ex�rcito come�ou um fogo intermitente. Ao produzir -se um "cessar - fogo", mandei que Urbano ordenasse a retirada, mas ele veio com a not�cia de que Rolando estava ferido; trouxeram -no logo depois, j� exangue, e morreu quando se come�ava a dar -lhe plasma. Uma bala lhe havia partido o f�mur e toda a rede neurovascular; se foi em sangue antes de poder atuar. Hav�amos perdido o melhor homem da guerrilha e, naturalmente, um de seus pilares. An�lise do M�s de Junho Os pontos negativos s�o: a impossibilidade de fazer contato com Joaquim e a perda gradual de homens, cada um dos quais constitui uma derrota grave ainda que o ex�rcito n�o o saiba. Tivemos dois pequenos combates no m�s; ocasionando ao ex�rcito quatro mortos e tr�s feridos, a guiar -nos pelas suas pr�prias informa��es. As caracter�sticas mais importantes s�o: 1 - Continua a falta total de contatos, o que nos reduz agora aos 24 homens que somos, com Pablo ferido e a mobilidade reduzida. 2 - Segue -se sentindo a falta de ades�o camponesa. � um c�rculo vicioso: para conseguir essa incorpora��o, necessitamos exercer nossa a��o permanente em um territ�rio povoado e, para tanto, necessitamos de mais homens. 3 - A lenda da guerrilha cresce como espuma; j� somos os super - homens invenc�veis. 7 de Julho Minha asma est� aumentando. 14 de Julho O governo boliviano se desintegra rapidamente. Pena n�o termos mais cem homens neste momento. |
| Continua��o do 'Di�rio de Che na Bol�via' |