A despedida de Guevara a Fidel e a Cuba foi lida pelo pr�prio Fidel na Assembl�ia do Partido Comunista, em Havana, em 5 de Outubro de 1.965
"Fidel,
"Me recordo, nesta hora, de muitas coisas: de quando te conheci na casa de Mar�a Antonia; de quando me propuseste vir; de toda a tens�o dos preparativos.
"Um dia me perguntaram a quem se devia avisar em caso de morte
* e a posibilidade real desse fato nos chocou a todos. Depois soubemos que era certa, que numa revolu��o se triunfa ou se morre (se ela � verdadeira). Muitos companheiros ca�ram ao longo da caminhada at� a vit�ria.
"Hoje, tudo tem um tom menos dram�tico, porque somos mais maduros, mas o fato se repete. Sinto que cumpri a parte do meu dever que me ligava � Revolu��o Cubana em seu territ�rio e me despe�o de ti, dos companheiros, do teu povo, que j� � meu.
"Renuncio formalmente aos meus cargos na dire��o do partido, ao meu posto de ministro, � minha patente de comandante, � minha condi��o de cubano. Nada formal me liga a Cuba, somente la�os de outro tipo, que n�o se podem romper como as nomea��es.
"Fazendo um balan�o de minha vida passada, creio haver trabalhado com suficiente honradez e dedica��o para consolidar o triunfo revolucion�rio. Minha �nica falta de alguma gravidade � n�o ter confiado mais ainda em ti desde os primeiros momentos de Sierra Maestra e n�o haver compreendido com suficiente rapidez tuas qualidades de l�der e revolucion�rio. Vivi dias magn�ficos e senti, a teu lado, o orgulho de pertencer a nosso povo nos dias luminosos e tristes da crise do Caribe. Poucas vezes brilhou mais intensamente um estadista que naqueles dias, me orgulho tamb�m de te haver seguido sem vacila��o, identificado com tua maneira de pensar, de enxergar e de julgar os perigos e os princ�pios.
"Outras terras do mundo reclamam o concurso de meus modestos esfor�os. Eu posso fazer o que a ti � imposs�vel, por tua responsabilidade � frente de Cuba, e chegou a hora de nos separarmos.
"Saiba -se que o fa�o com uma mescla de alegria e dor: aqui deixo o mais puro de minhas esperan�as de construtor e o mais querido entre meus entes queridos... e deixo um povo que me aceitou como a um filho; isto dilacera uma parte de meu esp�rito. Nos novos campos de batalha levarei a f� que me inculcaste, o esp�rito revolucion�rio de meu povo, a sensa��o de cumprir com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que esteja - isto reconforta e cura amplamente qualquer separa��o.
"Digo uma vez mais que eximo Cuba de qualquer responsabilidade, salvo a que emane de seu exemplo. Que, se me chegar a hora final debaixo de outros c�us, meu �ltimo pensamento ser� para este povo e especialmente para ti. Que te agrade�o pelos ensinamentos e por teu exemplo, aos quais tratarei de ser fiel at� as �ltimas conseq��ncias. Que sempre me identifiquei com a pol�tica exterior de nossa revolu��o e continuo assim. Que onde quer que me fixe sentirei a responsabilidade de ser revolucion�rio cubano e como tal agirei. Que n�o deixo a meus filhos e minha mulher nada de material e n�o me culpo:  me alegra que assim seja. Que n�o pe�o nada em favor deles porque o Estado lhes dar� o suficiente para viver e educar -se.
"Teria muitas coisas para dizer a ti e ao nosso povo, mas sinto que s�o desnecess�rias, as palavras n�o podem exprimir o que eu desejava dizer; e n�o vale a pena rabiscar papel.
"At� a vit�ria sempre! P�tria ou morte!
"Te abra�a com todo o fervor revolucion�rio,

                                                                Che "
* Essa declara��o se deve porque antes da Revolu��o, Fidel perguntou a todos os revolucion�rios sobre quem avisar em caso de morte de algum deles.
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