in Signopse - a poesia na virada do século , Belo Horizonte, Plurart's, 1995
Hugo Pontes
Pastos de pedra
aboio do ouro
raízes ruínas
restos
do nada que restou.
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Adão Ventura
Vestir a camisa
de um poeta negro
- espetar seu coração
com uma fina
ponta de faca
- dessas antigas,
marca Curvelo,
em aço sem corte,
feito para a morte
_ E acomodar
no exíguo espaço
de uma bainha
sua dor-senzala.
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Márcio Almeida
ESPANTALHO
DOS DENTES DE OURO,
ELFO VEGETAL,
ESTARDALHAÇO SECO
A DENUNCIAR O AMOR
- FOGO DE PALHA -
NO COLCHÃO RURAL.
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João Evangelista Rodrigues
antes da palavra
tudo era vago e bruto
mapa vazio
território dúbio
nada além de coisas
cores sem sentido
primavera ausente
da semente da palavra
sobreveio a luz
a voz de tudo
a raiz da palavra mundo
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Aroldo Pereira
Seus olhos socialistas não olham prá mim
Oh, doce guerrilheira, como se comporta assim?
Não sabe você que dentro de meu peito
Mora uma tempestade
Que vive angustiada
Por não saber se um dia terá oportunidade
De lhe molhar os cabelos com um pouco
Da tua água, numa linda tarde-verão
Me molhe com seus claros olhos
Oh, doce guerrilheira,
Não seja tão cruel,
As questões do coração
também tomam parte na revolução
E podem até aliviar as tensões
Dando prazer na luta inglória do dia-a-dia
Vamos fazer uma revolução no Chile
Uma revolução no Brasil
E outra no seu coração
Oh, doce guerrilheira!
E eu serei o seu 1º ministro
Para tentar normalizar
Essa mágica confusão
Que me faz estremecer
Me deixa sem razão
Me desestrutura inteiro
Toda vez que me encontro com você
Oh, doce guerrilheira!
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Wagner Torres
Entra poema e sai poema
dio,
entra ano e sai ano,
sai o ditador
entra o populista
de saia, digo,
de quebra
sai o larápio
entra o corrupto
tendo como vice
o torturador
Sai o facista
o entreguista foge
Que preguiça
desse povo!
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Verde Grande