A agonia do cerrado brasileiro

A Leste, os cerrados, em ampla transição, fazem contato com as florestas tropicais do sistema de mar de morros da encosta do Planalto (Mata Atlântica). A Sudoeste, com o Pantanal Matogrossense, onde avança em muitos trechos da depressão pantaneira. A Oeste e Norte, com as formações florestais pré-amazônicas, principalmente através do cerradão. A Nordeste com a caatinga e ao Sul, no Planalto Paranaense, em contato com a Mata de Araucária e os Pampas.

Por outro lado, os cerrados se encontram em cotas altimétricas superiores as da maioria dos demais ecossistemas brasileiros e por isto mesmo, com uma componente ecológica muito mais importante, pois a àrea dos cerrados constitui-se no maior dispersor de águas do Brasil.

Em função do seu pontencial aquífero, por constituir-se no maior reservatório hídrico do Continente, enquanto dispersor de águas, os cerrados alimentam 6 das 8 maiores bacias hidrográficas brasileiras.

“Não é necessário ser especialista em ciências da terra para concluir-se que qualquer agressão aos cerrados tem respostas imediatas nos demais ecossistemas brasileiros. Dificilmente alguém pode ignorar que, ao degradar-se a parte superior do curso de um rio, o restante da bacia não fique desequilibrada”.(Ivo das Chagas, in “Ementa - Proposta para projeto de Centro de Pesquisas Ambientais e Culturais do Cerrado”; Pirapora, 1987 (mimeo).

Entretanto, a expansão das relações capitalistas de produção no Brasil a partir dos anos 60 e, atualmente, com a necessidade de preservação da Amazônia, da Mata Atlântica e do Pantanal Matogrossense, em decorrência de pressões internacionais, os cerrados vem sendo devastados, desestruturados e destruidos para reprodução do capital nacional associado ao capital internacional em terras brasileiras. (cont.)

Fonte: Manifesto Grande Sertão: Veredas
Grupo de Estudos e Ações Ambientais - GEA
Montes Claros - MG


"sendo, se diz, que minha terra, representa o elevado reservatório,
a caixa d'água, o coração branco, difluente, multivertente,
que desprende e deixa para tantas direções, formadas em caldas as enormes vias
- o São Francisco, o Paranaiba e o Grande que fazem o Paraná, o Jequitinhonha, o Doce,
o Pardo, os afluentes para o Paranaiba, o Mucuri, o Amazonas,
ou ainda - e que, desde a meninice de seus olhos d'água, da discrição dos brejos
e minadouros, e desses montes de riachinhos com subterfúgios,
minha terra é doadora plácida..."

João Guimarães Rosa in Ave Palavra




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Página atualizada em 20/09/2007. Retorne ao rio "Verde Grande"Verde Grande Page
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