A Leste, os cerrados, em ampla transição, fazem contato com as florestas tropicais do sistema de mar de morros da encosta do Planalto (Mata Atlântica). A Sudoeste, com o Pantanal Matogrossense, onde avança em muitos trechos da depressão pantaneira. A Oeste e Norte, com as formações florestais pré-amazônicas, principalmente através do cerradão. A Nordeste com a caatinga e ao Sul, no Planalto Paranaense, em contato com a Mata de Araucária e os Pampas.
Por outro lado, os cerrados se encontram em cotas altimétricas superiores as da maioria dos demais ecossistemas brasileiros e por isto mesmo, com uma componente ecológica muito mais importante, pois a àrea dos cerrados constitui-se no maior dispersor de águas do Brasil.
Em função do seu pontencial aquífero, por constituir-se no maior reservatório hídrico do Continente, enquanto dispersor de águas, os cerrados alimentam 6 das 8 maiores bacias hidrográficas brasileiras.Entretanto, a expansão das relações capitalistas de produção no Brasil a partir dos anos 60 e, atualmente, com a necessidade de preservação da Amazônia, da Mata Atlântica e do Pantanal Matogrossense, em decorrência de pressões internacionais, os cerrados vem sendo devastados, desestruturados e destruidos para reprodução do capital nacional associado ao capital internacional em terras brasileiras. (cont.)
Fonte: Manifesto Grande Sertão: Veredas Grupo de Estudos e Ações Ambientais - GEA Montes Claros - MG
"sendo, se diz, que minha terra, representa o elevado reservatório, a caixa d'água, o coração branco, difluente, multivertente, que desprende e deixa para tantas direções, formadas em caldas as enormes vias - o São Francisco, o Paranaiba e o Grande que fazem o Paraná, o Jequitinhonha, o Doce, o Pardo, os afluentes para o Paranaiba, o Mucuri, o Amazonas, ou ainda - e que, desde a meninice de seus olhos d'água, da discrição dos brejos e minadouros, e desses montes de riachinhos com subterfúgios, minha terra é doadora plácida..."
João Guimarães Rosa in Ave Palavra
