RECRIANDO A METÁFORA MÁGICA OU REINVENTANDO A SUA MAGIA Afonso H Lisboa da Fonseca, psicólogo LABORATÓRIO
EXPERIMENTAL DE PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL São Paulo
Pro outro de todos e de cada um de nós, que continuamente conspira contra o enclausuramento de nós próprios na mesmidade e normalidade cotidianas. Juro que a terra será ("Zumbi", Nascimentos Memórias do Fogo Eduardo Galeano) "A
história tem a realidade
atroz de um pesadelo; a
grandeza do homem
consiste em fazer obras
belas e duráveis com a
substância real deste
pesadelo. Ou, dito de
outro modo: transformar o
pesadelo em visão,
liberar-nos, mesmo que
por um só instante, da
realidade disforme por
meio da
criação. Estou no mato... Uma pequena estrada, uma ladeira que sobe acompanhando o aclive de um pequeno morro. Uma estrada que parece Ter sido feita por um trator, bordas bem delineadas, parecendo recém construída. Mato dos dois lados, chão de barro amarelo avermelhado. Sua forma caprichada contrasta com os seus lados, mato à direita, uma encosta; à esquerda, uma ribanceira coberta por uma vegetação fechada. Verde... É uma estrada onde nunca estive antes... Perco o equilíbrio e caio na ribanceira... Vou rolando por dentro do mato, por entre árvores... Não é somente uma ribanceira, é um precipício, ainda que o seu declive não seja muito acentuado... Não é mato, também... O mato encobria o precipício e uma floresta tranquila. Parece uma floresta de clima temperado! Esquisito... seria mais natural que fosse uma floresta tropical! ... É um lugar tranquilo... as árvores são espaçadas, o chão não é coberto por mato, mas por folhas caídas... Há sombra, o sol aparece filtrado por entre as copas. Rolo velozmente por entre as árvores... mas não me machuco: além de rolar, ao invés de cair, me protege o fôfo tapete de folhas... A sombra da floresta... parece mais um bosque... o tapete de folhas... a tranquilidade... tudo isto é perceptível enquanto rolo velozmente por entre as árvores... Vou rolando, rolando, pela encosta do precipício, veloz, mas sem cair de uma forma abruptamente vertical... não me machuco... Rolo até chegar ao sopé do precipício/morro... Diante dele, uma enorme região plana... a perder de vista... branca... vazia... ampla... de areias sulcadas. Não há vegetação, nem seres vivos, só areia. Areia do fundo do mar, ainda molhada. É uma imensa praia, formada quando a maré recua, na maré seca. Quando a maré está cheia, ela é coberta pelo mar... Caminho pela areia, afastando-me do sopé onde caí... Sigo pela areia, que na maré cheia é o fundo do mar, em direção a praia. É quase como se estivesse caminhando em um planeta desconhecido... Avisto uma pequena cidade litorânea... Para ela me dirijo, para sua praia, vindo "de dentro do mar". Chego à areia branca e seca. Daí, entro na cidade... Caminho por suas ruas... É uma cidade de praia, pequena e simples... Ruas de barro em sua maior parte; uma ou duas, apenas, com calçamento de pedras... Procuro um lugar para ficar... Encontro uma pequena hospedaria... Tenho nesta cidade uma amiga... Fico por algum tempo algumas horas na hospedaria... Saio em seguida para encontrar a minha amiga... Ficamos juntos por algumas horas... Jogamos cartas, possivelmente, e tomamos um café... Está na hora de voltar para o lugar de onde eu vim... Minha amiga acompanha-me até a praia... Faz-me companhia e vai despedir-se de mim... Caminhamos pelas ruas da cidadezinha... Ultrapassamos a faixa de pouco caso e desleixo de esquecimento que seria a separação, a transição, entre a zona urbana e a praia das pequenas cidades litorâneas; criação na cabeça e na cultura dessas cidadezinhas que lhes permite manter a curiosa ilusão, um certo sonho que perpassa a vigília, de não serem litorâneas. De serem cidades do interior, entre montanhas de encosta verde, quando o seu cotidiano é o de serem pacífica, visceral, esquecida e alegremente litorâneas e mar. Talvez, por serem inapelavelmente devassadas por sua fraterna contiguidade com o mar, um certo anseio pela segurança e circunscrição determinada das cidades do interior... Talvez a necessidade, somente, de mudança de ares, de ambiente, diante da condenação de serem litorâneas, inevitavelmente devassadas pelo infinito que vem do mar... Chegamos à beira do mar... A maré havia enchido enquanto eu estive na cidade; está agora secando, já quase no final do ciclo. O dia está acabando de nascer, também... céu, mar e dia prateados... bonito e calmo, placidez da maré morta chegando lentamente ao fim do ciclo de sua vazante. Não é um dia daqueles que nascem fortemente alaranjados no tempo do verão quente; é um dia de tempo bom, mas desses que nascem acinzentados, prateados, consequência, talvez, de que a escuridão ainda não se foi de todo. Por trás de uma nuvem, o sol começa a refletir-se no mar... prateado incandescente... placidez de todo o mundo a transformar-se... Por sugestão da menina que está comigo, ela parece que sabe mais do que eu, busco com uma certa curiosidade e excitação, no meio do mar, o lugar de onde vim... Só aos poucos, percebo, através da difusa transparência de uma bruma, na linha do horizonte, o mar já bem baixo, e para minha surpresa e admiração: uma grande cadeia de montanhas... Bonita, imensa e graniticamente compacta, surpreendente, majestosa de uma forma simples, como as coisas da natureza. Uns picos mais altos, outros mais baixos; uns como pontas contra o céu, áreas de contornos curvos e suaves... Preciso esperar um pouco mais, até que a maré se vá por completo, para que eu possa retornar, caminhando pela areia, para o lugar de onde eu vim... Voltarei enriquecido pela visão que tenho daqui, agora, daquele lugar. Só daqui eu poderia vê-lo na sua amplitude e totalidade. Parecia-me antes uma pequena estrada, apenas, subindo um morro, com vegetação de ambos os lados. Sei agora que aquela estrada se situa naquela cadeia de montanhas dentro do mar mar que quando seca deixa a descoberto, na areia úmida e dura, uma imensa região plana montanhas que lembram o tamanho, a paz e o sadio mistério do Himalaia, mas que não chegam a ser tão grandes... E esta curiosa amiga? Uma amiga que vive num mundo tão diferente, ainda que não tão distante como pareceria, mas tão íntima e silenciosamente amiga; que me conhece e entende tão profundamente e pode expressar isto sem dizer uma palavra... O sonho fala de um retorno. Mesmo assim ainda que a imagem geográfica do fundo do mar visível numa ampla região, depois da maré vazante, me seja muito familiar, imagem de lugares significativos para mim, com os quais sempre tive contato próximo desde a infância - , não se trata de um retorno geográfico. Sinto nitidamente no sonho o significado de um retorno existencial. Não fosse isto irreconciliavelmente dualista, e não fosse o si mesmo um impossível destino de retorno, e eu diria que tratava-se de um retorno a mim mesmo. Como indicou Perls, as gestalten que compoem a gestalt do sonho são essências existenciais. O sonho é uma metáfora essencial de nosso momento momentum existencial. É o outro e necessário pólo de uma contradição com o estado de vigília. Negatividade essencial deste estado, não existe, entretanto, senão em íntima articulação com ele. Sonho e vigília são intrinsecamente necessários. Uma necessidade contraditória, interna, essencial. O sonho que nasce da vigília, da mesma forma que esta nasce daquele, é uma negação dela. É negatividade porque constitui-se numa lógica e numa linguagem antagônicas a lógica e à linguagem explicitadas na normalidade da vigília. Ao mesmo tempo, entretanto, em que é negação, o sonho é uma metáfora essencial, um epígono, da vigília e do momento essencial da pessoa. Assim, na representação fiel e re/criação da atualidade existencial da pessoa, o sonho é, também, negação de si enquanto meramente sonho. Representando a totalidade do momentum existencial da pessoa, o sonho é uma metáfora mágica. Já como metáfora ele é mágico: ao engendrar-se no e com o fluxo de-ser-e-de-não-ser que engendra a realidade e a vida, o que é característico de toda metáfora. Mas é mais mágico e metafórico, ainda, com relação à normalidade da vigília, porque nele são critérios fundadores a íntima e indissociável interpenetração contínua e solidariedade entre finitude e infinitude, entre sagrado e profano, a espontaneidade e a liberdade da alegoria, que são restritas ao cotidiano da vigília. O sonho não é idealista. É intimamente realista. Apenas, integra radicalmente (tomando pela raiz) o fato de que não é fácil (possível?) representar a realidade com os elementos que são consensualmente próprios a ela. E o sonho, ainda que prive de sua intimidade, não tem cerimônias para com o consensual. Como metáfora do momentum existencial da pessoa, o processo do sonho lança mão de todos os recursos e potencialidades do real, na metaforicamente mágica unidade da multiplicidade de suas articulações possíveis, para construir-se como síntese pluricontraditória capaz de representar a tensão entre os diversos antagonismos e dimensões deste momento, com as tonalidades de suas nuances e com as direções, dadas e utopicamente possíveis, de seus vetores. Da tensão entre urgência, limite e possibilidade, o sonho constitui-se, fielmente, em sua totalidade, como uma síntese contraditória representativa da totalidade contraditória de nossa atualidade existencial, no fluxo do nosso processo de ser. É a contínua representação e fabricação da utopia possível de nós próprios. Para isto, é necessário superar o padrão e a pretensão de finitude da normalidade que, diante do dado, só admite a sua estreita faixa de possibilidades dadas. Integrar o fato de que, se não somos infinitos, no mínimo, contemplamos inexorável e essencialmente a infinitude em nossa existência, de todas as dimensões do nosso ser, e com ela lidamos, quer seja através da forma particular que adquire o nosso misticismo e religiosidade, quer seja através da mera contemplação do mistério do mundo. E o sonho faz ouvidos moucos para a prescrição da normalidade que nos pretende coagir a não levar isto em consideração. E constitui-se, à revelia, como uma figura de nossa atualidade existencial inextrincavelmente entranhada no infinito, como fundo que lhe dá contexto, que lhe confere sentido e que nela imiscui-se até, e particularmente, as nuances mais microscópicas e difusas. Desta íntima articulação entre o dado pela realidade e o possível, no infinito de nós próprios, no fluxo de atualização de nossa existência, o sonho é cotidiana representação e construção de significado, em suas tonalidades mais essenciais. Sintaxe e semântica da libertação, é todo vazado contraditoriamente: é contradição (e, como tal, intimamente articulado) com a vigília; é totalidade contraditória, ao constituir-se como síntese de finito e infinito, de temporalidade e intemporalidade, de sagrado e profano, de atualidade e utopia possível, de realidade e sonho, enfim, para representar o significado vivo das dimensões e da tensão da multiplicidade de polaridades, da pluralidade de diferenças, que constituem o nosso momentum existencial essencialmente cambiante, dinâmico, criativo, fluído como função das relações entre nós próprios e o mundo. Como a nossa existência no e com o mundo que se dá na dinâmica de interação de nossos pólos contraditórios, da multiplicidade de nossas diferenças, com as diferenças do mundo, de onde engendra o seu movimento e libertação - , o sonho é essencialmente contraditório ao representar da construção e recriação, superação, de nós próprios. Cada elemento do sonho caracteriza-se essencialmente por constituir-se como uma atividade de negação e por ser, por outro lado, negado na articulação com os outros e na sua inserção na dinâmica da totalidade. Cada um se constitui como uma dada essência existencial , representando e desdobrando uma dada dimensão e a totalidade de nossa atualidade existencial. Do tênue processo secretado entre as particularidades de limites e possibilidades, na dança entre nossas urgências e os recursos possíveis no campo de nossas relações com nosso meio, surge cada uma de obras primas oníricas, subproduto da arte de nossas vidas, que nos dá a nós próprios como seu produto/processo mais acabado. Desta forma, o sonho é o contínuo resgate de nossa sanidade. O cotidiano da norma nos nega: só admite no processo de constituição de nós próprios e de resolução de nossa atualidade existencial uma estreita faixa do que efetivamente somos e podemos. O sonho nos resgata da normalidade do cotidiano, ao projetar a atualidade de nossa existência contra a sua matriz infinita, mobilizando assim o nosso possível na resolução de nossas questões existenciais. Constitui-se fundamentalmente, assim, numa linguagem peculiar que integra as nuances de infinito de cada dimensão particular, a espontaneidade da dança entre crescimentos e possibilidades, o sagrado impregnado no profano. Tudo isto, proibido no cotidiano da normalidade, é o que constitui a matéria prima do sonho e a chave de sua linguagem, sintaxe e semântica de libertação. Enganamo-nos, entretanto, ao pensar que o sonho é meramente uma atividade própria do sono. A atividade onírica, o onirismo, perpassa a vigília sob a forma de devaneio, da fantasia, da criação; no seu alegre atormentado embate com ela o onirismo desempenha o seu papel de invenção dos caminhos de nossa libertação, de invenção de nós próprios e do mundo que nos diz respeito. Acredito que o modelo de compreensão e de recuperação do sonho como instrumento de libertação de nossa criatividade, na resolução de nossas questões existenciais, desenvolvido por Perls possibilita-nos estas interpretações. Para Perls, o sonho é essencialmente uma projeção de nós próprios, nas várias dimensões e polaridades de nossa atualidade, com nossos conflitos precocemente abortados, com nossas dimensões alienadas, estereotipias, etc. Trabalhar o sonho como instrumento de crescimento é criar condições para uma reidentificação com dimensões alienadas e para uma reorganização e reintegração criativa de dimensões em conflito. De tal forma que possamos reincorporar a nossa energia potencial e alienada, e a nossa espontaneidade no fluxo de desdobramento e resolução da nossa existência. Acredito, não obstante, que neste modelo está implícito muito mais do que o levamos em consideração. Parece claro que o trabalho com sonhos é essencialmente uma atividade pedagógica. De uma pedagogia insólita, sem dúvidas, para os padrões da realidade consensual (e é neste insólito que reside o seu potencial). Trata-se de uma pedagogia da linguagem do sonho. Trata-se de habilitar-nos para uma integração vivencial do fato de que a linguagem do sonho não é, apenas, a linguagem do sonho, mas a linguagem de nós próprios, de nosso próprio ser, de nossa espontaneidade, de nossos poderes, criatividade, da unidade de nosso processo de ser na multiplicidade e diferença de nós próprios e do mundo e, porque não dizê-lo, do infinito. Uma linguagem inerente a nossa existência, contra a qual insurge-se como pólo contraditório a normalidade da vigília a normalidade da cultura e que isola-se radicalmente do sonho, no onirismo, sua última e inexpugnável cidadela, como um esquisito e estranho funcionamento de nós próprios, de um outro de nós próprios. O trabalho com sonhos nos remete a uma busca de desalienação, de resgate e integração dessa linguagem no cotidiano, de tonificação do onirismo uma contraposição dele, como na dança, com a normalidade de tal forma que possamos nos desintoxicar das coações desta e reinventá-la, capacitando-nos para integrar a totalidade e a espontaneidade de nosso ser no fluxo do processo de resolução de nossa existência. Resgatar no cotidiano da vigília a linguagem do sonho significa reintegrar no nosso funcionamento, no fluxo do processo de nossa ação e reflexão, a totalidade contínua, criativa e espontânea de nosso processo de ser, em contraposição à compartementalização obsessiva da normalidade, da cultura. Significa a dissolução do absoluto dos limites de cada uma das gaiolas ou da grande gaiola em que a normalidade encerra o nosso ser. Significa a restituição, a partir do livre interjôgo da multiplicidade de nossas diferenças, das polaridades de nossas contradições, do movimento do imediatamente dado, no estabelecido, com a alegria de um trem (no sentido mineiro) que começa a andar. Resgatar, no cotidiano da vigília, a linguagem, o padrão de ser do sonho é recuperar na vigília intoxicada de padrões de repetição e previsibilidade, de doentias certezas o processo da sanidade do nosso ser implícito no sonho, é restaurar o movimento da tensão entre nossos pólos antagônicos, a potencialidade da infinitude de cada detalhe, escondida por detrás de sua finitude aparencial, a ressonância sagrada de cada uma das dimensões do profano, a imprevisibilidade da criação passional criação de nós próprios e do mundo, no campo de nossas articulações em contraposição à certeza tóxica do padronizado e do previsível, do sempre anacrônico status-quo. É recuperar a intuição e diga-se de passagem a fascinação da outridade de nós próprios, que, ao nos libertar da monótona e tóxica repetição de nossa mesmidade, nos devolve ao mundo do vivo, liberta-nos para a fluidez do funcionamento do nosso ser na tensão (tesão?) entre nossas necessidades, possibilidades e limites, na interação com o mundo, no processo de reinvenção de nós próprios e do mundo que nos diz respeito. Creio serem estas dimensões e possibilidades fundamentais do contexto que emoldura o modelo de trabalhos com sonhos desenvolvido por Perls. Fundamentos que jamais se pode tecnologizar, na medida em que demandam como critério de utilização uma atividade compatível com a natureza do sonho. Uma atividade de natureza tal que possibilite a quem a desempenha uma impregnação de si por esta linguagem onírica, de forma a poder seguir-lhe os fluxos e intuir-lhe os volteios de limites que impregnam-se de infinitude e o livre processo de afirmação, constituição e reconstituição em cada uma de suas dobras. Uma atividade portanto que, qualitativamente heterogênia, não pode reduzir-se à atividade técnica, com seus padrões pré-programados, previsíveis e repetitivos. Ainda que a perspectiva técnica possa, eventualmente, servir como um ponto de partida referencial a partir do qual desdobra-se a imprevisibilidade simples e sublime de todo um universo de reconstituição, vivência e integração na vigília de uma metáfora mágica e da reinvenção de uma certa magia libertadora, que nos remete à realidade concreta de nós próprios, sob a dominância das necessidades de objetivação/construção de nossa essência humana e sob o influxo de nossas possibilidades, no campo de relações entre nós mesmos e os recursos do mundo que nos diz respeito. BIBLIOGRAFIA GALEANO, Eduardo, NASCIMENTOS MEMÓRIAS DO FOGO (I), Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1983. PERLS, Fritz A ABORDAGEM GESTÁLTICA E TESTEMUNHA OCULAR DA TERAPIA, Rio de Janeiro, Zahar, 1977. PERLS, F., GOODMAN, P., HEFFERLINE, R. GESTALTHERAPY Excitment and Growth in the Human Personality, London, Penguin Books, 1983. WHITMAN, Walt FOLHAS DAS FOLHAS DA RELVA São Paulo, Brasiliense, 1983.
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