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GESTALT TERAPIA: Afonso H Lisboa da Fonseca, psicólogo. O
logos metódico da Gestalt Terapia é o da criação de condições inter
humanas, por parte do gestalt terapeuta, na relação com o cliente, para a
potencialização do retorno, e para o desenvolvimento da habitualidade do
retorno, por parte do cliente, ao modo de sermos da ação, da atualização
de possibilidades. Criação de condições, por parte do terapeuta, para
a potencialização do retorno do cliente ao improvisativo modo per-form-ático da ação,
da potência, e da ação, do contato,
da atualização, da interpretação fenomenológico existencial.
Ou
seja, o logos metódico da Gestalt Terapia se centra na criação de
condições para a recuperação, e para o desenvolvimento da habitualidade, na
vida do cliente, da alternância, natural e organísmica, entre
(1), de um lado, os modos de sermos da não ação, do não contato; modos de
sermos não atualizantes (como o modo reflexivo e o modo comportamental
de sermos da não ação e do não contato); e (2) do outro
lado, o nosso modo ativo de sermos, nosso atualizante,
modo contactante, que é, essencialmente, fenomenológica e
existencialmente form-ativo; no sentido do processo psicológico
compreensivo (nunca explicativo), vivencial, da formação
compreensiva de figura e fundo. Modo de sermos eminente e
especificamente performativo, performático, e atualizante. Para
entendermos o logos metódico da Gestalt Terapia, necessitamos, pois,
de uma clareza da concepção de Contato. Em especial de Contato como
característica da Ação. E necessitamos de uma clareza da concepção de Ação,
como desdobramento e atualização experimentais* de possibilidades.
Inerentes, estas possibilidades, à vivência do modo fenomenológico
existencial de sermos. Necessitamos de uma clareza de compreensão deste nosso
processo da Ação e do Contato, como processo de formação de
figura e fundo. Como um processo fenomenológico existencial,
eminentemente ativo; em que a forma emerge, e se forma, a partir da
vivência de possibilidades características, que impregnam a vivência, de
nosso modo fenomenológico existencial de sermos. E,
para entendermos o logos metódico da Gestalt Terapia, precisamos
entender a performance como o próprio processo performativo
fenomenológico existencial de atualização de possibilidades. Um
processamento sempre, eminentemente e especificamente ativo, e compreensivamente
vivido; eventualmente motor. Através do qual, a partir da
vivência de suas potências, as possibilidades, vividas fenomenológico
existencialmente, transitam de um estado de pré-compreensão, para se
constituir compreensivamente. (a)
Meramente como compreensão. Ou seja, de modo meramente compreensivo de sermos; ou (b)
na ação compreensivamente motora, ação inextrincavelmente compreensiva
e motora; ambas especificamente fenomenológicas e existenciais, naturalmente. O
Contato é característica de precisão qualitativa e expressiva da Ação.
É
a qualidade da ação que tangencia efetiva, e otimamente, e se anima, das
emergências e desdobramentos vivenciais, fenomenológico existenciais, das
potências da possibilidade vivida. E
que, ação, efetivamente, portanto, toca, inovativa e potentemente (encantadoramente), a dimensão do
mundo, das coisas, da vida: dos modos
de ser, acontecidos, coisi-ficados. Quer dizer, o contato é característica da ação, que
transita da potência do possível à dimensão das coisas, da vida, e modos de
ser acontecidos de um modo esteticamente inovativo --, engendrando e criando
o novo, a novidade. O
Contato se caracteriza, assim, na vivência fenomenológica, estésica, estética, como o tangenciamento
compreensivo ótimo da possibilidade e de seu desdobramento. Tangenciamento que permite e
potencializa a sua ótima expressão estética na ação. Eminente
e especificamente compreensiva, a Ação
se dá, desta forma, como a atualização de possibilidades especificamente
compreensiva que se constitui originariamente, e estéticamente, como processo de formação de figura e fundo
fenomenológica e existencialmente vivido. Constitui-se, desta forma a
ação, como o processo fenomenológico existencial de atualização, de
desdobramento, da potência de possibilidades. No
modo fenomenológico existencial de sermos, a possibilidade nos é dada,
anteriormente à sua plena apreensão compreensiva, como pré-compreensão.
A
partir desta condição de pré-compreensão, a partir de sua própria
força, de sua própria potência como possi-bilidade,
a possibilidade fenomenológico existencialmente vivida, fenomenologicamente,
vivencialmente, se desdobra, se atualiza -- sempre de modos pré-compreensivos, e progressivamente compreensivos, vivenciais,
fenomenológicos, existenciais. Desdobra-se vivencialmente, assim, a
possibilidade vivida, em ação, atualização, mais ou menos contactantes. Ação,
Cont-ato. Que podem
se dar, assim, como observamos, como ação e como contato, (1)
meramente ao nível da compreensão, minimamente motores: meramente
compreensivos, assim; ou (2)
que podem se dar, se desdobrar, ao nível da ação, atualização,
contato, compreensivos e motores. PERFORMANCE Todo
este per-curso vivencial, fenomenológico, e existencial,
"subjetivamente" vivido, da atualização - atualização meramente compreensiva, ou
compreensiva e motora --, todo este processo da ação, e do contato, é o
que podemos chamar de Performance. Per-cursar vivido, mais, ou menos, vívido vivido, fenomenológico
existencial; psicológico, nesse
sentido. É,
assim, um per-curso vivenciado – a performance
--, que parte da vivência da pré-compreensão da
possibilidade -- da vivência
da pré-compreensão da pré-forma, e pré-formação
compreensivas da possibilidade; da pré-formação da forma, da pré-compreensão
--, e direciona-se no sentido da compreensão, da vivência
compreensiva, da ação. Do desdobramento compreensivo
da possibilidade. Que pode ser dar de um modo meramente compreensivo, ou de um modo
compreensivo e motor. Todo
o processo -- todo ele, pré-compreensivo, e sequencialmente compreensivo, e
eventualmente motor --, é
o que podemos entender como, e chamar, de performance. Performance aí entendida, naturalmente, específica e inteiramente,
como, e do ponto de vista, da vivência fenomenológico existencial -- "subjetiva".
E, naturalmente, entendida, aí, sem nenhuma conotação quantitativa, ou de
eficiência. Mas especificamente do ponto de vista fenomenológico existencial
qualitativo, poiético. De
modo que a ação, a atualização, o contato,
são especificamente performáticos, neste sentido
vivencial; própria e especificamente fenomenológico existencial. Sentido,
vivencial, no qual a forma ativa, a
atividade da formação, se constituem,
em emergência compreensiva, a partir de um fundo pré-compreensivo. Neste
sentido, a performance pode ter qualidades de uma
performance meramente fenomenológico existencial compreensiva, ou pode
ter qualidades de uma performance que, simultânea e sinergicamente, é fenomenológica
e existencial, compreensiva e motora... Sempre improvisativa[1] Eminente
e especificamente performáticos e improvisativos, neste sentido, a atualização,
a ação, o contato --, a vivência metodológica da Gestalt
Terapia é, portanto, específica e eminentemente, performática, per-form-ativa, im-pro-vis-ativa. Na
medida em que, o que interessa do cliente é a performance da atualização das possibilidades que lhe são emergentes,
ativas, presentes e atuais na pontualidade dos momentos de sua atualidade
existencial: a ação, o contato, como performance
do desdobramento, da atualização
compreensiva, ou compreensiva e
motora, das possibilidades que lhe são emergentes. Daí
que se constitui a metodologia da Gestalt Terapia como uma Teatralização
performática das possibilidades emergentes como atualidade e atualização
fenomenológico existenciais do cliente. Num
momento, e para um, é a dor de uma perda especifica, para outro é a
configuração da insatisfação, para outro é a saudade, para outro é a
tristeza, para outro é o desespero desvairado, para outro é o desespero
manso, para outro é a dúvida, a incerteza, a vivência de finitudes, a
vivência do sem saída... CONDIÇÕES
METODOLÓGICAS Performática, fenomenológico existencial, por definição --, a partir
das pulsões e prepotências
de suas próprias possibilidades atuais --, a vivência do
cliente da Gestalt Terapia tem como potencializadoras a disposição per formaativa, a performance relacional, dialógica,
e igualmente vivida e fenomenológico existencial, de um gestalt terapeuta
fenomenológico existencial e, igualmente, performático. Para
tal, e como tal, desta forma, em seu desempenho metodológico, na dialógica
inter humana de sua relação com o cliente, o gestalt terapeuta
privilegia o modo de sermos eminente e especificamente empírico,
experimental, e poiético -- num sentido
fenomenológico existencial. Processo que se dá e desdobra de um modo eminente
e especificamente improvisativo, na
pontualidade dialógica do encontro inter humano com o cliente. Assim,
o gestalt terapeuta privilegia a sua relação inter humana
(Buber, 1982) com o cliente, a partir de uma disposição fenomenológico
existencial empírica e experimental. Disposição que privilegia,
portanto, a prêt-potência e desdobramento, pré-teórico, pré reflexivo,
do possível, fenomenológico existencialmente presentes, tanto como vivência
sua, como enquanto a vivência do cliente. E como dialógica entre
ambos. Só assim o terapeuta pode sugerir ao
cliente que privilegie, no âmbito de seu trabalho psicológico, a vivência de
seu modo fenomenológico existencial de ser. De modo que ele permita e
privilegie a vivência da emergência, e do desdobramento, das possibilidades
ativas em sua atualidade, e a atualização, fenomenológico existencial; os
seus processos de atualização, meramente compreensivos, ou
compreensivos e motores, e os seus processos de superação. Só
assim ele pode sugerir ao cliente uma disposição que é fenomenológico
existencial empírica, experimental, e poiética, com relação às
possibilidades presentes na vivência fenomenológica de sua atualidade
existencial. Só assim o terapeuta pode acompanhar e interagir de um modo interativa
e inter-humanamente dialógico, empírico, experimental, provocativo, e
poético, com o cliente. De
modo que podemos entender que -- da mesma forma que se preconiza a vivência
de um modo fenomenológico existencial performático da ação e do contato para
o cliente, na dialógica de sua inter humana inter ação com o terapeuta,
É
importante entender que esta disposição é empírica e experimental,
num sentido especificamente fenomenológico existencial, além do que
poiética, e inter humanamente dialógica. E é importante entender,
naturalmente, o que isto significa. Como
observamos, a Atualização -- dimensão humana fundamental para a
concepção e método das abordagens fenomenológico existenciais de psicologia e
psicoterapia, notadamente a Gestalt Terapia e a Abordagem Rogeriana --, a atualização se refere à ação
propriamente dita. Ou seja, ao ato, que é, especificamente, como
observamos, a vivência fenomenológico existencial de possibilidades, e do seu desdobramento performáticos. Atualidade se refere, portanto, a aquilo que é ato,
atual. Ação, atualização. Atualidade
é a qualidade daquilo que é ato.
Ou seja, a vivência que é vivência de possibilidade, e vivência do
desdobramento de possibilidade, fenomenológico existencialmente vividas. De
modo que, quando falamos de atualidade, não nos referimos a um recorte
de tempo cronométrico -- que é a dimensão do tempo coisificado, mecânico,
calculativo... Com atualidade, referimo-nos à própria vivência fenomenológico
existencial da temporalidade própria
e especificamente inerente à ação. Ou seja, inerente e
específica à atualização. A temporalidade vivencial,
fenomenológico existencial, inerente e específica, que a atualização
da possibilidade em questão, sua vivência e desdobramento, instauram e
determinam. Da
mesma forma, quando falamos de Presente, também não nos referimos a um
recorte de tempo cronométrico. Mas, especificamente, a este modo de sermos que instala e desdobra
uma temporalidade própria e específica, singular e intransferível. A
temporalidade da vivência da possibilidade e da vivência de seu
desdobramento. Vivências que se dão especificamente como ação. Que são ato-ais, atuais, portanto. O presente, na verdade, é um modo de sermos. Um modo característico
da vivência da ação. Atual, portanto. O
termo Pres-ente se refere ao modo 'não coisa' de sermos – refere-se,
especificamente, ao modo fenomenológico e existencial, dialógico, de sermos. Impregnado
este da vivência pré-compreensiva, e compreensiva, de possibilidades, e de
seus desdobramentos em ação, atualização... O
Presente se refere,
portanto, ao nosso modo atu-al de sermos, a nossa atu-alidade à ação, que é especificamente fenomenológico
existencial, e dialógica. O presente,
o nosso modo, portanto, de sermos presentes,
atuais, não é da ordem da
coisidade, não é da ordem da realidade, não é da ordem das relações de
causalidade, nem da ordem das relações sujeito objeto, não é da ordem da
utilidade; e não é, portanto, da ordem do prático, nem da ordem do pragmático.
O
presente, a atualidade, é empírico,
não teorético, num sentido fenomenológico existencial. Nem é comportamental. O
presente se caracteriza
especificamente, também, como experimental. Que é a aquiescência, e ativa
cumplicidade, com a implicação inerente a sua vivência e
desdobramento, como desdobramento da atualização de possibilidade vivida, como
desdobramento da ação. A afirmação da
afirmação, como diria Nietzsche. Poiético. No
caso da Gestalt Terapia, e das abordagens fenomenológico existenciais de
psicologia e de psicoterapia, é fundamental a consideração pelo modo poiético
de sermos. Desde
Aristóteles, temos a considerar os modos teórico, prático e poietico
de sermos. O
modo poiético de sermos diz respeito ao modo de sermos da produção criativa.
A partir da vivência fenomenal de possibilidades, e de seus desdobramentos na
ação; através do processo da vivência e atualização de possibilidades, através
do processo da ação, do contato. Os modos teórico e prático de sermos dizem
respeito a um rompimento da imediaticidade, e da implicação fenomenológico
existencial, inerentes à vivência do modo poiético de sermos.
Pré-reflexivo, pré-conceitual. Vivido, fenomenológico. Na
pontualidade da vivência, potencialmente ativa, de nosso modo fenomenológico
existencial de sermos, estamos, de imediato implicados. Somos cúmplices, de
nossas possibilidades e de nossos devires, de nossas possibilidades e
possibiltações. De nossas possibilidades e atualizações. Não ‘temos’ possibilidades e devires: somos
possibilidades e devires. Ontologicamente, fenomenológico existencialmente,
somos cúmplices, 'cumplicados', implicados, em nossas possibilidades e
devires. Podemos
nos negar, mas, ontologicamente, somos e devimos assim. Daí que a existência,
como observou Nietzsche, pode se dizer ser aquilo que se auto supera
indefinidamente. Condição que não nos ocorre em nossos modos teorético, e prático de sermos. O
modo teórico de sermos -- reflexivo, conceitual, explicativo --
se caracteriza maiormente pela ruptura desta implicação, pela ruptura da imediaticidade desta
implicação compreensiva com a possibilidade, que é característica da
pontualidade momentânea de nosso modo vivencial, fenomenológico existencial,
dialógico, de sermos. No caso do nosso modo teorético de sermos esta ruptura é
ex-plicativa, é a ex-plicação; diversa da implicação, cum-plicação, vivenciais características
da vivência fenomenológico existencial de nossas possibilidades e
possibilitações, características do modo de sermos de nossa atualidade
e de nossa atualização. A explicação
pode se constiuir como mediação conceitual, re-flexiva, teorizante. Que
se origina especificamente do afastamento do vivido, e pela re-flexão sobre
os resultados poiéticos da atualização vivencial. Rompida
assim a imediaticidade da im-plicação com vivência de possibilidade e com o seu desdobramento na ação, rompida
esta cum-plicidade com a
potência do possível e com a sua atualização, pode se
constituir e se dar a ex-plicação, a re-flexão, agora teóricas.
Impotentes, podemos dizer. Importantes em seus momentos próprios, mas que não
podem substituir a precedência e a importância ontológicas da imediaticidade
e implicatividade características da vivência poiética, do vivido
fenomenológico existencial, caracteristicamente prenhe de possibilidades e de
atualização, de possibilidades de superação. Freud
não explica? Numa abordagem
fenomenológico existencial não se explica nada. Nosso interesse é o que
acontece como e ao nível da vivência fenomenológico existencial, que é da ordem
da implicação compreensiva com o possível, com a ação e seus desdobramentos. O
prático, o modo prático de sermos, se caracteriza,
também, por uma ruptura com esta implicação,
cum-plicação, compreensiva com a
possibilidade pontualmente vivida em nosso modo fenomenológico existencial de
sermos, com a ação com a atualização. O vivido fenomenológico existencial
dialógico, que é vivência de possibilidade e de ação, atualização, dá-se em
um modo de sermos que não o modo de ser das relações de causa e efeito, da
dicotomização sujeito-objeto, e está igualmente fora do moído de sermos das
relações de utilidade, e da
funcionalidade com o acontecido. A
ação, a atualização são poiéticas. Nem teoréticas nem práticas. E se
caracterizam pela vivência presencial e implicativa da possibilidade e de
seus desdobramentos. Ainda que tenham originalidade e força estética e
criativa, ainda que revolucionem o acontecido, não têm o compromisso com a
utilidade ou com a funcionalidade, que é característico do prático, ou do pragmático. Assim,
ao contrário, podemos dizer que a ação, a atualização, o processo da
atualização de possibilidades, são característica e eminentemente despropositados,
gratuitos, disfuncionais, inúteis, mais ou menos inconvenientes, em seus
processos produtivos, poiéticos. Ainda que impregnados do gozo da
atualização, e das forças estéticas de sua orginalidade. Que implicam sempre
a superação das aporias da finitude do acontecido. Assim,
o modo prático de sermos está pautada pela utilidade e pela ação funcional,
em relação ao princípio de sobrevivência. Enquanto que o modo poiético de
sermos não é da ordem do uso e da utilidade. Orienta-se pela
superação, e não pela conservação. Da mesma forma que não é da ordem da
dicotomização sujeito-objeto, da ordem da causalidade, nem mesmo da ordem da realidade
- na medida em que é específica e eminentemente da ordem do possível e
da possibilidade; e da atualização - da realização, e
não da realidade... DIALÓGICO A
abertura para o dialógico, o privilégio da dialogicidade, “fazem parte do DNA da
Gestalt Terapia”, a partir das influências diretas da Filosofia do Diálogo
e do Dialógico, de Martin Buber. O
dialógico se refere ao modo ontológico de sermos, o modo
fenomenológico existencial, e de atualização de possibilidades. A este modo
Buber designou de Eu-Tu. E é o modo de sermos alternativo ao modo de
sermos Eu-Isso, característico da vida e do mundo coisificados, da
objetualidade, do uso, e da causalidade, da factualidade. Pois
bem, o modo Eu-Tu, dialógico, de sermos envolve a possibilidade, da relação
dialógica, Eu-Tu (1)
com a natureza não humana, (2)
na esfera da relação com os seres humanos, e (3)
na esfera da relação com o sagrado. O
modo de sermos da relação Eu-Tu pode se dar na relação com um outro
humano, com um outro de natureza não humana, ou na relação com o sagrado, ou pode
se dar na relação com a outridade do si mesmo, como a
alteridade em nós do Ser, como fonte de possibilidades. Em todos os casos, a relação
dia-lógica, a relação Eu-Tu, se constitui como um âmbito
(dia) de sentido (logos) compartilhado. Que, ainda que seja de ordem
vivencial, fenomenológico existencial, e não envolva a dicotomização
sujeito-objeto, o uso e a utilidade, e a causalidade, se constitui como uma
tensão da relação com a alteridade de um Tu. Este
âmbito de sentido, compreensivamente compartilhado, se constitui como
o dia-logos. Na esfera do humano chamamos a relação que se constitui
como dialógica inter humana de esfera inter humana do dialógico, ou da relação Eu-Tu. Todo
o processo da ação, da atualização, é dialógico. O
dialógico se dá como vivência fenomenológico existencial, que traz, em si, a
vivência da implicação com a alteridade do possível, que é um tu, e com o seu natural desdobramento.
Toda vivência e atualização vivencial de possibilidades são assim dialógicas,
na medida em que envolvem a constituição de um âmbito de vivência, de sentido
compartilhado, com uma alteridade. Caracteristicamente, os momentos da
vivência da Gestalt Terapia são momentos da vivência da implicação com a alteridade
de possibilidades e seus desdobramentos, que se constituem no modo
fenomenológico existencial, compreensivo, de sermos. No vivencial, vivemos os
outros e as nossas questões como possibilidades, como tus, que atualizamos na sua expressão, atualização. O outro é
sempre um possível, um tu. Podemos vivenciá-lo
comportamentalmente, podemos vivenciá-lo conceitualmente, como acontecido. Ou
podemos atualizá-lo, quando o
vivenciamos atualmente em sua presença, ou seja, em seu modo de ser de pré-coisa,
em nosso modo fenomenológico existencial, dialógico,
de ser. FONTES
SEMINAIS DAS ATITUDES DE CRIAÇÃO DE CONDIÇÕES PARA A POTENCIALIZAÇÃO DA PERFORMANCE
ATUALIZATIVA POR PARTE DO CLIENTE E DO GESTALT TERAPEUTA NA INTERAÇÂO
GESTÁLTICA. Como
dissemos no início, o sentido metodológico da Gestalt Terapia, de uma
abordagem fenomenológico existencial de psicologia e de psicoterapia (e isto
vale para a Abordagem Rogeriana), é o da criação de condições, para o
cliente, para a potencialização de sua performação, de sua performance
atualizativa fenomenológico existencial, no sentido do processo ontológico de
sua regeneração fenomenológico existencial e auto superação. Essas
condições, que se cristalizaram como concepção e método da Gestalt
Terapia, e, em geral, da psicologia e psicoterapia fenomenológico
existencial, vêm de uma longa tradição no desenvolvimento da Civilização
Ocidental. De um modo certamente arbitrário, podemos remontá-la aos Gregos
pré-socráticos, aos médicos hipocráticos, em seu privilegio do corpo, do
vivido e dos sentidos; e em sua busca do privilégio de um certo empirismo.
Esta tradição passa certamente por um certo Aristóteles. Aquele que se
dedicou à constituição de uma metodologia de estudo da consciência a partir
da mesma metodologia das ciências naturais. Ou
seja, uma metodologia empírica; um empirismo da consciência. A abordagem da consciência em sua
própria vivência, e não a partir de premissas teoréticas... ou práticas... Com
isso, Aristóteles cria a Fenomenologia (da tradição dita de Brentano). Brentano
resgata Aristóteles, e cria e desenvolve a sua tradição da Fenomenologia
moderna. Nietzsche resgata a perspectiva de valorização do corpo, do vivido,
e dos sentidos, dos pré-socráticos, como perspectiva de afirmação existencial,
de atualização, auto-superação, e criação. Em
certos sentidos importantes, o Expressionismo assume essa perspectiva
da vivência e afirmação da vivência fenomenoativa existencial como estilo de
elaboração e de produção artísticas. De um modo específica e
característicamente performáticos. Por
influência de todas essas vias se constitui o essencial das concepções e
método das psicologias e psicoterapias fenomenológico existenciais. Em
especial da gestalt Terapia e da Abordagem Rogeriana. Perls.
Com
toda a sua atitude expressivamente vagabunda, Perls foi, sem dúvida, tão
genial quanto ele pensava ser. Conectou mundos, mentalidades. O incrível
mundo artístico, cultural e científico de Berlin do início do Século XX ao
início dos anos 30 (a Berlin anterior à primeira e segunda guerras) --, com
Nova York dos anos 50 e 60, com a Flórida, com San Francisco, Rio de Janeiro,
São Paulo, Recife, Fortaleza, Paris, Barcelona, Madri... E o resto do mundo. E
o que trazia Perls da experiência européia? Dos momentos alegres e geniais, e
dos momentos da experiência da desagregação e do terror? Um
sentido profundo de que vida é
facilmente desperdiçada de um modo tolo. Um sentido profundo e radical de que
a vida não é para ser desperdiçada... E, seguindo a Dilthey, a Buber, a
Nietzsche, ao Expressionismo..., vida,
para ele, era a vida efetivamente vivida como atualidade e presença; vivência
originária de consciência, pré-reflexiva, pré-conceitual, nada tendo de
prática e pragmática, prenhe de possibilidades, de possibilidades de ação, e
de atualização. De criação. Parecia
trazer gravadas na testa as consígnias do Expressionismo. E do outro Fritz (o
Nietzsche): a verdade não é teórica; existência não tem dentro. ...
Pois vamos lá, experimenta-te, mas não quero ouvir falar de outra verdade que
não seja autorizada pela experiência... Qualquer problema humano só pode ter
uma solução experimentalmente... Perls
trazia profundamente marcado o sentido experimental do perspectivismo
nietzscheano, que era uma marca do Expressionismo e do meio
intelectual e artístico da Berlin daquela época. Além do mais, é como se
tivesse gritado alto e em bom som para Freud e os psicanalistas: Para o
inferno com todas as explicações !!! Podem ficar com todas elas, ou ir
juntos!!! Fritz
Perls adquiriu o sentido profundo de que, comparadas com a compreensão
característica do vivido fenomenológico existencial, impregnado de
possibilidade, de potência de ação, e atualização, de criação, as explicações
são apenas uma casca vazia, como diria Fink. Fritz obteve o sentido
profundo de que não havia ponte entre a explicação e a compreensão
(como disse Tkuan Soho, o mestre zen de Musashi, não existe explicação que
possa levar à compreensão...). E que o poder da compreensão só poderia se
dar por evidência direta, na primeira pessoa, e pelo risco vivencial empírico
da experimentação fenomenológico existencial (como dizia o professor e amigo,
o suave e sorridente Kaniki Sato, é difícil explicar a uma pessoa o gosto
de sardinha, né? Mas dá uma sardinha para a pessoa comer. E nunca mais ela
esquece o gosto...). Este
prazer pelo risco do desdobramento da possibilidade, da potência,
fenomenológico existencialmente vivida, na atualização, na ação, este prazer
pelo risco da tentação, da tentatividade, de uma empírica da compreensão, e
pela atualização experimental, esta apuração de uma perícia fenomenológico
existencial afirmativa, que já era característico do perspectivismo nietzscheano,
Fritz traz para a psicoterapia e para o trabalho psicológico com a sua
Gestalt Terapia. Nietzsche. Frederich
Nietzsche teve uma
influência profunda no desenvolvimento conceitual e metodológico das
psicologias e psicoterapias fenomenológico existenciais. Sua compreensão
profunda do valor do homem avali-ativo, da existência como intrinsecamente
avali-ativa; sua valorização do homem instintivo e artístico. O seu
perspectivismo. O seu resgate do sentido do trágico. Suas considerações sobre
o modo esquecido de ser do vivido (Nietzsche,), e sobre tudo a sua
radical disposição experimental compuseram, não só o caldo de cultura no qual
se desenvolve a Gestalt Terapia dos princípios do Século XX, mas, em
particular, importantes aspectos de suas concepções e métodos. O meio
cultural nos quais viveram e cresceram os Perls era profundamente influenciado
pela presença de F. Nietzsche, que morrera poucos anos antes. O Expressionismo,
movimento artístico que se desenvolveu na Alemanha, nos finais do Século XIX
e início do Século XX, e que influenciou profundamente a Fritz Perls, em
particular pelo teatro expressionista de Max Rheinhardt, que ele freqüentou
desde a adolescência, também foi profundamente influenciado pelas
perspectivas de Nietzsche, que começavam então a se desdobrar na Alemanha e
na Europa. De
modo que as concepções e perspectivas de Nietzsche têm um importante papel na
constituição das concepções e métodos, estilo, e ethos da Gestalt Terapia, no
sentido da constituição de condições para a performática da ação, da
atualização que ela propõe para o cliente. Buber. Os
Perls privaram de uma convivência muito próxima com Martin Buber.
Laura Perls foi aluna de Buber, e muito próxima no movimento de revitalização
da cultura Judaica na Europa, que Buber liderava, influenciado de um modo
importante pelas perspectivas de Nietzsche. As concepções de Buber eram muito
importantes para as perspectivas de uma psicoterapia fenomenológico
existencial, e são facilmente incorporadas pela Gestalt Terapia. Na última
parte de seu livro Do Diálogo e do Dialógico (Buber, 1982. pp 133-71)
Buber sumaria as condições que propiciam a relação inter humana, o inter humano,
a relação eu-tu especificamente entre humanos. E estes elementos, tais como
Buber os coloca, são extremamente importantes para as concepções e métodos da
Gestalt Terapia. A relativização da dimensão do meramente Social, e o privilégio do Inter
humano; o privilégio do ser, em relação aos modos de ser do parecer;
a presentificação do outro; a abertura em detrimento da imposição,
na relação inter humana; a conversação genuína... Todos eles
elementos fundamentais do favorecimento da momentaneidade do eu-tu inter humano. As
idéias seminais de Buber sobre o Diálogo (a relação eu-tu) e o dialógico,
o esclarecimento do papel ontológico, ontogênico, libertador e regenerador do
modo de sermos que ele chamou de relacional, eu-tu, em
alternância com o modo de sermos eu-isso, têm um papel fundamental
para as concepções e métodos da Gestalt Terapia. Last but not
least, temos a contribuição de Carl Rogers. Evidentemente
que Carl Rogers desenvolveu a teoria, o método e a experimentação de uma
outra abordagem. Mas uma abordagem igualmente fenomenológico existencial,
dialógica. Características essenciais à concepção e método da Gestalt
Terapia. Mais que isto, a potencialização da atualização é um elemento
fundamental comum à Gestalt Terapia e à Abordagem Rogeriana. Foi, ele
próprio, Rogers, profundamente influenciado não só pelas idéias da Psicologia
da Gestalt de Max Wertheimer, mas pela própria Gestalt Terapia de Fritz
Perls. Rogers
foi um experimentador profundo e original das concepções e métodos de uma
abordagem fenomenológico existencial dialógica, empaticamente compreensiva,
da terapia diádica, e do trabalho com grupos. É
certo que ele e Fritz Perls emergem de contextos distintos, formam
"panelinhas" distintas em suas abordagens, e formulam diferentes
premissas de concepção e método. Aproximam-se muitíssimo no método, já que
ambas as abordagens se configuram como metodológicas
da atualização, que se caracterizam em suas vivências
metodológicas fenomenológico existenciais, poiéticas, e não em sua teoria, ou
em uma prática. O método de Perls entendido a partir da ótica
do contato, e o de Rogers a partir do que ele chamou de Tendência
Atualizante. Têm
teorias diferentes, mas é importante observar que suas metodologias são
fenomenológico existenciais empíricas, não teorizantes, portanto. O que os
aproxima metodologicamente, da mesma forma que, não por acaso, os aproxima da
perspectiva metodológica e ética de um Brentano, de um Nietzsche, e de um
Paulo Freire. Sem
sectarismos, assim, as experiências e experimentações de Carl Rogers e seu
grupo podem ser extremamente úteis à Gestalt Terapia, e vice versa.
Evidentemente que eles têm teorias diferentes. Mas, em termos de uma
abordagem fenomenológico existencial não podemos nos ater ao teórico. É na
formulação, desenvolvimento e experimentação do método que podem ser
encontradas as identidades, e onde se encontram as grandes riquezas. Isto é
particularmente importante no que concerne ao trabalho com grupos. Por
fim, em termos da concepção e método da criação de condições para a
performance fenomenológico existencial do cliente no setting do trabalho
psicológico e psicoterapêutico, nunca é muito remontar ao empirismo
fenomenológico de Brentano. Sua contribuição é nesse sentido fundamental. E
nesse sentido não é muito dizer que a Gestalt Terapia e a Abordagem rogeriana
são abordagens brentanianas. Por
outro lado, nunca é muito mencionar, também, a mediação fundamental que se
configurou como o Expressionismo. Com algumas cautelas, evidentemente,
não é muito dizer que as abordagens fenomenológico existenciais de psicologia
e psicoterapia configuram em suas concepções e métodos abordagens
especificamente expressionistas de
psicologia e de psicoterapia. Assim,
em termos de concepção e método da Gestalt Terapia, e da psicologia e
psicoterapia fenomenológico existencial, é interessante compreender e privilegiar
a concepção de ação, a concepção de contato, a concepção de atualização,
a concepção de performance fenomenológico existencial, a concepção de dialógica,
de poiese e de experimentação
fenomenológico existencial. São
dimensões fundamentais de suas concepções e metodologias. BUBER, Martin DO DIÁLOGO E
DO DIALÓGICO. São Paulo, Perspectiva, 1982. Referências Bibliográficas. FONSECA, Afonso H L Experimentação.
PERSPECTIVAÇÕES ACERCA DA EXPERIMENTAÇÃO FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL. http://www.geocities.com/eksistencia
2008a. -- Experimentação.
Brentano. PERSPECTIVAÇÕES ACERCA DA EXPERIMENTAÇÃO FENOMENOLÓGICO
EXISTENCIAL. http://www.geocities.com/eksistencia
2008b. -- Experimentação.
Nietzsche. PERSPECTIVAÇÕES ACERCA DA EXPERIMENTAÇÃO FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL.
http://www.geocities.com/eksistencia
2008c. -- A experimentação NIETZSCHE, F. Do valor da
história para a vida. In NIETZSCHE. OS PENSADORES. São Paulo, Abril,
1985.
* Experimentais no sentido específica e
eminentemente fenomenológico existencial. Nunca no sentido da Psicologia
Experimental, ou no sentido científico. v. Perspectivações acerca da
Experimentação Fenomenológico Existencial. Experimentação. Experimentação:
Brentano. Experimentação: Nietzsche. Experimentação: Gestalt Terapia. In http://www.geocities.com/eksistencia |
[1] v. FONSECA, Afonso Dialógica e arte dramática da improvisação. Vislumbre-e-ato do possível propulsivo. Sobre o sentido e importância do improvisativo na concepção e método da Gestalt Terapia e da Psicologia e Psicoterapia Fenomenológico Existencial. in GESTALT TERAPIA FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL. Maceió, Pedang, 2005.