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PERSPECTIVAÇÕES
ACERCA DA EXPERIMENTAÇÃO FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL 1 O Experimental em Psicologia
e Psicoterapia Fenomenológico Existencial Afonso H Lisboa da Fonseca, psicólogo
ESCOLA EXPERIMENTAL DE
PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL Internet: [email protected] http://www.terravista.pt/fernoronha/1411 2000 O homem
aprende que viver significa ousar, e a vida torna-se possível como
experiência. Eugen Fink Devolver à existência a sua
independência, a sua indeterminação e, por conseguinte, o seu caráter de
empreendimento audacioso. Para o desenvolvimento da
concepção e prática, e para o esclarecimento, das Psicologias e Psicoterapias
Fenomenológico existenciais -- para fazermos jus ao trabalho de seus
pioneiros, e aqui me refiro particularmente à Gestalterapia e à Psicologia
Centrada na Pessoa --, parece da maior importância resgatar e desdobrar no
âmbito de seus contextos particulares as noções especificamente
fenomenológicas e existenciais de Experimentação e de Interpretação.
Estas noções aparentemente subjazem de um modo muito importante e
central à fundamentação filosófica, concepções e métodos destas abordagens.
Ainda que eventualmente não tenham sido desta forma explicitadas. Podemos dizer,
e certamente é interessante que digamos, que estas são abordagens
especificamente experimentais.
Ainda que isto nem sempre fique muito claro, e nem sempre tenha sido
devidamente explicitado por seus pioneiros. Num outro trabalho*, abordei a questão da interpretação. Quero aqui,
experimentalmente, tecer algumas reflexões, e oferecer algum material, com
relação a uma compreensão entre nós da concepção de Experimentação. Duas vertentes de
constituição da noção fenomenológico existencial de experimentação de que carecemos parecem interessantes. Duas
vertentes relativamente diferenciadas no seu desenvolvimento histórico e
conceitual, mas que se tocam. Elucidar a comunidade de onde estas vertentes
poderiam ter emergido, e o sentido desta raiz, parece ser um interessante e
rico desafio para psicólogos e psicoterapeutas fenomenológico existenciais.
Elucidar, em particular, a concepção da filosofia e da psicologia como
empirismos fenomenológicos da consciência, ciências naturais fenomenológico
existencialmente experimentais. Uma dessas vertentes, é
oriunda especificamente da Fenomenologia e da Psicologia Fenomenológica: da
tradição de Brentano. A outra germina e desenvolve-se no âmbito da Filosofia
da Vida de F. Nietzsche. Estas abordagens são naturalmente diferentes e
irredutíveis, cada uma com as suas particularidades. Mas não seria exato se
não admitíssemos que elas também importantemente se aproximam, que elas têm
importantes e interessantes parentescos. Histórica e conceptualmente,
Brentano e Nietzsche se aproximam. São cronologicamente contemporâneos,
geográfica e culturalmente contemporâneos. Quero crer que, mais que isto,
compartilham perspectivas epistemológicas profundas, oriundas das
perspectivas dos filósosofos pré-socráticos, do empirismo aristotélico, e do
reflorescimento da filosofia de Aristóteles no século XIX, como dimensão
fundamental dos confrontamentos das perspectivas alternativas com a
predominância do Idealismo, na Alemanha. O sentido da vertente que
provém da tradição de Brentano, ainda que negligenciado, é, evidentemente,
fundamental para a concepção e método, experimentais, das psicologias e
psicoterapias fenomenológico existenciais. Em particular, na sua
contraposição alternativa à noção objetivista, organicista e mecanicista de experimentação da Psicologia
Experimental. A contribuição da tradição de Brentano é desta forma
fundamental na elucidação da natureza específica destas abordagens
fenomenológico existenciais e, em particular, dos conflitos e distorções que
elas desenvolveram, a partir da sua elaboração e crescimento no meio
objetivista e pragmático da cultura Norte Americana. É importante notar, pois,
que Brentano e os seus seguidores, aí incluídos, naturalmente, os pioneiros
da Psicologia da Gestalt, cuidam do desenvolvimento de uma perspectiva
especificamente fenomenológica do experimento,
da experimentação, do experimental, em psicologia; para
contrapor-se, exatamente, à perspectiva experimental fisiologista,
mecanicista, psicofísica de Wundt, nos seus estudos da consciência e no
desenvolvimento de sua Psicologia Experimental. Na verdade eles cuidam de
criticar o experimentalismo caracteristicamente wundtiano, e de desenvolver
uma abordagem da consciência e dos fenômenos psíquicos mais compatível com a
natureza destes, abrindo espaço para uma concepção e contextualização
especificamente fenomenológica do experimental em psicologia. Ora, é exatamente a
concepção psicológica de Wundt que prospera no meio da cultura norte
americana, assim como prosperara em todo o mundo, a despeito do
desenvolvimento igualmente contemporâneo da psicologia de raiz
fenomenológica. Algum tempo depois, é a
própria semente da Fenomenologia de Brentano, através da influência da
Psicologia da Gestalt, da psicoterapia fenomenológico existencial que vai ser
plantada neste meio. Psicologias de raiz européia, e desdobradas nos EUA por
um Maslow, por um Rollo May, por um Rogers, por um Perls, e outros... Se entendemos a dualidade da
existência, em termos da concepção de experimentação e do experimental (1) de
uma concepção especificamente fisiologista e mecanicista, e (2) de uma
perspectiva especificamente fenomenológica e existencial, e entendemos o
amplo predomínio da primeira no meio da psicologia e da cultura norte
americanas, não é difícil entender como a concepção fenomenológica e
existencial do experimento e do experimental foi sendo, desde o início, e até
os dias de hoje, mesclada, confundida, distorcida, substituída, pela
concepção fisiologista e mecanicista, com a consequente perda de
originalidade e de substância especificamente fenomenológica e existencial
das psicologias e psicoterapias fenomenológico existenciais. Coadjuvado todo
este processo pela forte influência do Comportamentalismo no âmbito da
Cultura da Psicologia Norte Americana. Um momento particularmente
curioso, e lametável, deste processo é quando Perls[1]
e outros grandes gestalterapeutas norte americanos[2]
criam uma "figura" no mínimo curiosa do ponto de vista da
epistemologia e da filosofia da vida, quando entendem a Gestalterapia como um
"comportamentalismo
fenomenológico"... Estavam,
acredito, cedendo a pressões culturais e acadêmicas, e fazendo concessões,
inadimissíveis, de um ponto de vista da epistemologia e de filosofia da vida
de onde emergia a sua abordagem. Seduzidos, possivelmente,
pela a idéia da modificação de
comportamento, inerente à
prática do comportamentalismo, em sua crítica a modelos idealistas, mas
negligenciando que a mudança paradoxal,
que desdobra-se através da prática da experimentação e da interpretação
fenomenológico existenciais gestálticas é, especificamente, modificação de comportamento, não de
cunho comportamentalista, mas de cunho especificamente fenomenológico
existencial. Seria, talvez necessário que se desdobrassem todos os Anos 60, e
a experimentação do desenvolvimento da Gestalterapia, para que ficasse claro
o sentido especificamente fenomenológico existencial da mudança
comportamental em Gestalterapia e Temos a argumentar a favor
dos pioneiros o fato de que, não obstante propugnarem pelo desenvolvimento de
abordagens fenomenológico existenciais, conheciam muito pouco de
Fenomenologia, que era então escassamente conhecida no meio da Psicologia. Neste sentido, a
Gestalterapia e as psicologias e psicoterapias fenomenológico existenciais
não têm muito a aprender como comportamentalismo, e têm muito a perder com a
confusão e distorção de seus eixos epistemológicos e axiológicos. A concepção especificamente
fenomenológica e existencial de experimentação
é tão vitalmente fundamental para as psicologias e psicoterapias
fenomenológico existencias, que a sua distorção configura, a meu ver, uma
irreparável degeneração de seu núcleo conceitual e prático. E é este processo
que temos em muito vivenciado no que concerne à concepção e prática dessas
abordagens. Parece interessantemente prioritário, assim, elucidar, definir,
resgatar e afirmar, esta concepção. Daí a importância de resgatarmos e
afirmarmos a crítica brentaniana da experimentação da Psicologia
Experimental, e resgatarmos as bases que ele desenvolve de uma noção
especificamente fenomenológica, de experimentação,
assim como as suas concepções e enfoques metodológicos no trato com a
consciência e com os processos psíquicos. A outra vertente de
concepção da noção fenomenológico existencial de experimentação é a vertente com que somos brindados pela
Filosofia da Vida de Fredrich Nietzsche, e que configura-se no seu
perspectivismo e na sua perspectatividade, perspectivismo e
perspectatividade, característicos e fundamentais, da verdade e dos valores. Não podemos afirmar com
precisão em que ou onde, a perspectiva que eclode na concepção brentaniana
compartilha origens com a perspectiva que emerge na filosofia de Nietzsche.
Seria interessante elucidar a questão. É interessante observar nerste sentido
que, como em Nietzsche, todos os pioneiros da Psicologia Fenomenológica, além
de raízes fincadas na filosofia, tinham raízes consistentemente deitadas na
arte, e em especial na música. Assim era o caso de Hermann Lotze (1817-1881),
de Franz Brentano (1838-1917), de Carl Stumpf (1848-1936), Cristhian von Ehrenfels (1859-1932) e
outros, que, invariavelmente, utilizavam a perspectiva musical ou artística
como fundamental referência em seus estudos, ou eram eles mesmos artistas,
além de filósofos e/ou psicólogos. A arte, e a música em particular,
adquirem, como sabemos, um lugar supremo na vida e na perspectiva e
perspectatividade experimental nietzscheana. A Filosofia de Nietzsche, e,
evidentemente, a sua noção de experimentação,
perspectivação e perspectatividade, são igualmente rejeitadas, de um modo
geral, no âmbito da cultura e da psicologia norte americanas. Esta rejeição
decorre de fatores culturais, em especial decorrentes de conflitos da cultura
anglo-saxã e judaica com a cultura germânica, e da cultura anglo-saxã com a
cultura da Europa continental. Decorre, em particular, de conflitos
religiosos destas culturas com a filosofia da vida de Nietzsche, de cunho
fortemente anti-religioso e crítico da tradição religiosa de nossa
Civilização Ocidental. Sabemos que a cultura norte
americana, e sua psicologia, são fortemente marcadas pela perspectiva
religiosa. Ora, é exatamente neste meio que vai desenvolver-se a semente de
uma psicologia e psicoterapia fenomenológico existenciais --, profundamente
marcadas nas suas origens e inspiração original pela influência da
experimentação perspectivativa, característica exatamente da filosofia da
vida de Nietzsche, filosofia não religiosa e anti religiosa. De modo que esta
concepção nietzscheana de experimentação,
e a influência de Nietzsche vão ser fortemente rejeitadas, às vezes a um
nível fóbico, por amplos segmentos da psicologia e psicoterapia norte
americanas. Inclusive, pasmemos, por segmentos da própria psicologia e
psicoterapia de raiz fenomenológico existencial que então se desenvolve,
e busca, ainda hoje em dia,
desenvolver-se... Psicologia esta desenvolvida importantemente a partir do
perspectivismo e das perspectivações nietzscheanas. A influência de Nietzsche, e
em especial a sua concepção de experimentação,
seu perspectivismo e a sua perspectatividade,
são fundamentais e centrais para a concepção, método, e promoção dos efeitos,
das psicologias e psicoterapias fenomenológico existenciais. Escamoteá-los
significa escamotear fundamentos da originalidade destas abordagens. Ainda
hoje, amplos segmentos da psicologia e psicoterapia fenomenológico
existencial norte americanas tentam fazer isto; e desta forma buscam a
perseguição um fantasma, que seria a concepção destas abordagens sem o
concurso da noção nietzscheana de experimentação, sem o seu perspectivismo,
sem a sua perspectatividade, sem a sua genealogia, sem a sua
transvaloração, sem a sua filosofia da
vida. A nosso ver, a intuição dos
pioneiros destas abordagens foi profundamente marcada pela influência destas
noções e perspectivas nietzscheanas, ainda que, por problemas e limitações
próprias e por problemas e limitações próprios do seu tempo, não tenham eles
explicitado adequadadmente e desdobrado conceitualmente estas noções no
âmbito de suas concepções. As perspectivas
nietzscheanas chegavam-lhes de todos os lados, e de um modo muito
interessante e forte. Seja pela disseminação da filosofia do Fritz Nietzsche, no âmbito da filosofia,
da psicoterapia, da psicologia; seja pelos efeitos que esta produzia no meio
intelectual em que viviam; ou, particularmente, no meio artístico, como a sua
poderosa influência, sobre o Expressionismo, que exerceu, por sua vez, uma
influência decisiva sobre os psicólogos da Gestalt, e, em especial, sobre o outro Fritz, o Fritz Perls. Cumpre-nos, acredito, não
aderir à perseguição e tentativa da criação de fantasmas, mas resgatar a
intuição original dos pioneiros, e livres de amarras, problemas e distorções
suas e de seu tempo, que lhes tolhiam, dispondo de conhecimentos e
instrumentos de que eles não dispunham, cumpre-nos desdobrar e explicitar
adequadamente o cunho especificamente fenomenológico
existencial experimental das
psicologias e psicoterapias fenomenológico existenciais. |
PERSPECTIVAÇÕES ACERCA DA EXPERIMENTAÇÃO FENOMENOLÓGICO
EXISTENCIAL 1
O Experimental em Psicologia e
Psicoterapia Fenomenológico Existencial
Afonso H
Lisboa da Fonseca, psicólogo

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EXPERIMENTAL DE PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL
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2000
PERSPECTIVAÇÕES ACERCA DA EXPERIMENTAÇÃO
FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL 1
O Experimental em Psicologia e
Psicoterapia Fenomenológico Existencial
Afonso H
Lisboa da Fonseca, psicólogo
O homem
aprende que viver significa ousar, e
a vida torna-se possível como experiência.
Eugen Fink
Devolver à existência a sua
independência, a sua indeterminação e, por conseguinte, o seu caráter de
empreendimento audacioso.
Eugen Fink
Para o
desenvolvimento da concepção e prática, e para o esclarecimento, das
Psicologias e Psicoterapias Fenomenológico existenciais -- para fazermos jus ao
trabalho de seus pioneiros, e aqui me refiro particularmente à Gestalterapia e
à Psicologia Centrada na Pessoa --, parece da maior importância resgatar e
desdobrar no âmbito de seus contextos particulares as noções especificamente
fenomenológicas e existenciais de Experimentação
e de Interpretação. Estas noções
aparentemente subjazem de um modo muito importante e central à fundamentação
filosófica, concepções e métodos destas abordagens. Ainda que eventualmente não
tenham sido desta forma explicitadas. Podemos dizer, e certamente é
interessante que digamos, que estas são abordagens especificamente experimentais. Ainda que isto nem sempre
fique muito claro, e nem sempre tenha sido devidamente explicitado por seus
pioneiros.
Num outro
trabalho*, abordei a questão da interpretação. Quero aqui,
experimentalmente, tecer algumas reflexões, e oferecer algum material, com
relação a uma compreensão entre nós da concepção de Experimentação.
Duas
vertentes de constituição da noção fenomenológico existencial de experimentação de que carecemos parecem
interessantes. Duas vertentes relativamente diferenciadas no seu desenvolvimento
histórico e conceitual, mas que se tocam. Elucidar a comunidade de onde estas
vertentes poderiam ter emergido, e o sentido desta raiz, parece ser um
interessante e rico desafio para psicólogos e psicoterapeutas fenomenológico
existenciais. Elucidar, em particular, a concepção da filosofia e da psicologia
como empirismos fenomenológicos da consciência, ciências naturais
fenomenológico existencialmente experimentais.
Uma dessas
vertentes, é oriunda especificamente da Fenomenologia e da Psicologia
Fenomenológica: da tradição de Brentano. A outra germina e desenvolve-se no
âmbito da Filosofia da Vida de F. Nietzsche. Estas abordagens são naturalmente
diferentes e irredutíveis, cada uma com as suas particularidades. Mas não seria
exato se não admitíssemos que elas também importantemente se aproximam, que
elas têm importantes e interessantes parentescos. Histórica e conceptualmente,
Brentano e Nietzsche se aproximam. São cronologicamente contemporâneos,
geográfica e culturalmente contemporâneos. Quero crer que, mais que isto,
compartilham perspectivas epistemológicas profundas, oriundas das perspectivas
dos filósosofos pré-socráticos, do empirismo aristotélico, e do reflorescimento
da filosofia de Aristóteles no século XIX, como dimensão fundamental dos
confrontamentos das perspectivas alternativas com a predominância do Idealismo,
na Alemanha.
O sentido da
vertente que provém da tradição de Brentano, ainda que negligenciado, é,
evidentemente, fundamental para a concepção e método, experimentais, das
psicologias e psicoterapias fenomenológico existenciais. Em particular, na sua
contraposição alternativa à noção objetivista, organicista e mecanicista de experimentação da Psicologia
Experimental. A contribuição da tradição de Brentano é desta forma fundamental
na elucidação da natureza específica destas abordagens fenomenológico
existenciais e, em particular, dos conflitos e distorções que elas
desenvolveram, a partir da sua elaboração e crescimento no meio objetivista e
pragmático da cultura Norte Americana.
É importante
notar, pois, que Brentano e os seus seguidores, aí incluídos, naturalmente, os
pioneiros da Psicologia da Gestalt, cuidam do desenvolvimento de uma
perspectiva especificamente fenomenológica do experimento, da experimentação,
do experimental, em psicologia; para
contrapor-se, exatamente, à perspectiva experimental fisiologista, mecanicista,
psicofísica de Wundt, nos seus estudos da consciência e no desenvolvimento de
sua Psicologia Experimental. Na verdade eles cuidam de criticar o
experimentalismo caracteristicamente wundtiano, e de desenvolver uma abordagem
da consciência e dos fenômenos psíquicos mais compatível com a natureza destes,
abrindo espaço para uma concepção e contextualização especificamente
fenomenológica do experimental em psicologia.
Ora, é
exatamente a concepção psicológica de Wundt que prospera no meio da cultura norte
americana, assim como prosperara em todo o mundo, a despeito do desenvolvimento
igualmente contemporâneo da psicologia de raiz fenomenológica.
Algum tempo
depois, é a própria semente da Fenomenologia de Brentano, através da influência
da Psicologia da Gestalt, da psicoterapia fenomenológico existencial que vai
ser plantada neste meio. Psicologias de raiz européia, e desdobradas nos EUA
por um Maslow, por um Rollo May, por um Rogers, por um Perls, e outros...
Se
entendemos a dualidade da existência, em termos da concepção de experimentação
e do experimental (1) de uma concepção especificamente fisiologista e
mecanicista, e (2) de uma perspectiva especificamente fenomenológica e existencial,
e entendemos o amplo predomínio da primeira no meio da psicologia e da cultura
norte americanas, não é difícil entender como a concepção fenomenológica e
existencial do experimento e do experimental foi sendo, desde o início, e até
os dias de hoje, mesclada, confundida, distorcida, substituída, pela concepção
fisiologista e mecanicista, com a consequente perda de originalidade e de substância
especificamente fenomenológica e existencial das psicologias e psicoterapias
fenomenológico existenciais. Coadjuvado todo este processo pela forte
influência do Comportamentalismo no âmbito da Cultura da Psicologia Norte
Americana.
Um momento
particularmente curioso, e lametável, deste processo é quando Perls[3]
e outros grandes gestalterapeutas norte americanos[4]
criam uma "figura" no mínimo curiosa do ponto de vista da
epistemologia e da filosofia da vida, quando entendem a Gestalterapia como um "comportamentalismo
fenomenológico"... Estavam,
acredito, cedendo a pressões culturais e acadêmicas, e fazendo concessões,
inadimissíveis, de um ponto de vista da epistemologia e de filosofia da vida de
onde emergia a sua abordagem.
Seduzidos,
possivelmente, pela a idéia da modificação
de comportamento, inerente à
prática do comportamentalismo, em sua crítica a modelos idealistas, mas
negligenciando que a mudança paradoxal,
que desdobra-se através da prática da experimentação e da interpretação
fenomenológico existenciais gestálticas é, especificamente, modificação de comportamento, não de
cunho comportamentalista, mas de cunho especificamente fenomenológico
existencial. Seria, talvez necessário que se desdobrassem todos os Anos 60, e a
experimentação do desenvolvimento da Gestalterapia, para que ficasse claro o
sentido especificamente fenomenológico existencial da mudança comportamental em
Gestalterapia e em Psicoterapia Centrada na Pessoa, e a diferenciação deste
sentido do antgo sentido comportamental.
Temos a
argumentar a favor dos pioneiros o fato de que, não obstante propugnarem pelo
desenvolvimento de abordagens fenomenológico existenciais, conheciam muito
pouco de Fenomenologia, que era então escassamente conhecida no meio da
Psicologia.
Neste
sentido, a Gestalterapia e as psicologias e psicoterapias fenomenológico
existenciais não têm muito a aprender como comportamentalismo, e têm muito a
perder com a confusão e distorção de seus eixos epistemológicos e axiológicos.
A concepção
especificamente fenomenológica e existencial de experimentação é tão vitalmente fundamental para as psicologias e
psicoterapias fenomenológico existencias, que a sua distorção configura, a meu
ver, uma irreparável degeneração de seu núcleo conceitual e prático. E é este
processo que temos em muito vivenciado no que concerne à concepção e prática
dessas abordagens. Parece interessantemente prioritário, assim, elucidar,
definir, resgatar e afirmar, esta concepção. Daí a importância de resgatarmos e
afirmarmos a crítica brentaniana da experimentação da Psicologia Experimental,
e resgatarmos as bases que ele desenvolve de uma noção especificamente
fenomenológica, de experimentação,
assim como as suas concepções e enfoques metodológicos no trato com a
consciência e com os processos psíquicos.
A outra
vertente de concepção da noção fenomenológico existencial de experimentação é a vertente com que
somos brindados pela Filosofia da Vida de Fredrich Nietzsche, e que configura-se
no seu perspectivismo e na sua perspectatividade, perspectivismo e
perspectatividade, característicos e fundamentais, da verdade e dos valores.
Não podemos
afirmar com precisão em que ou onde, a perspectiva que eclode na concepção
brentaniana compartilha origens com a perspectiva que emerge na filosofia de
Nietzsche. Seria interessante elucidar a questão. É interessante observar
nerste sentido que, como em Nietzsche, todos os pioneiros da Psicologia
Fenomenológica, além de raízes fincadas na filosofia, tinham raízes
consistentemente deitadas na arte, e em especial na música. Assim era o caso de
Hermann Lotze (1817-1881), de Franz Brentano (1838-1917), de Carl Stumpf
(1848-1936), Cristhian von Ehrenfels
(1859-1932) e outros, que, invariavelmente, utilizavam a perspectiva musical ou
artística como fundamental referência em seus estudos, ou eram eles mesmos
artistas, além de filósofos e/ou psicólogos. A arte, e a música em particular,
adquirem, como sabemos, um lugar supremo na vida e na perspectiva e
perspectatividade experimental nietzscheana.
A Filosofia
de Nietzsche, e, evidentemente, a sua noção de experimentação, perspectivação e perspectatividade, são igualmente
rejeitadas, de um modo geral, no âmbito da cultura e da psicologia norte
americanas. Esta rejeição decorre de fatores culturais, em especial decorrentes
de conflitos da cultura anglo-saxã e judaica com a cultura germânica, e da
cultura anglo-saxã com a cultura da Europa continental. Decorre, em particular,
de conflitos religiosos destas culturas com a filosofia da vida de Nietzsche,
de cunho fortemente anti-religioso e crítico da tradição religiosa de nossa
Civilização Ocidental.
Sabemos que
a cultura norte americana, e sua psicologia, são fortemente marcadas pela
perspectiva religiosa. Ora, é exatamente neste meio que vai desenvolver-se a
semente de uma psicologia e psicoterapia fenomenológico existenciais --,
profundamente marcadas nas suas origens e inspiração original pela influência
da experimentação perspectivativa, característica exatamente da filosofia da
vida de Nietzsche, filosofia não religiosa e anti religiosa. De modo que esta
concepção nietzscheana de experimentação,
e a influência de Nietzsche vão ser fortemente rejeitadas, às vezes a um nível
fóbico, por amplos segmentos da psicologia e psicoterapia norte americanas.
Inclusive, pasmemos, por segmentos da própria psicologia e psicoterapia de raiz
fenomenológico existencial que então se desenvolve, e busca, ainda hoje em dia, desenvolver-se...
Psicologia esta desenvolvida importantemente a partir do perspectivismo e das perspectivações
nietzscheanas.
A influência
de Nietzsche, e em especial a sua concepção de experimentação, seu perspectivismo e a sua perspectatividade, são fundamentais e centrais para a concepção, método,
e promoção dos efeitos, das psicologias e psicoterapias fenomenológico existenciais.
Escamoteá-los significa escamotear fundamentos da originalidade destas
abordagens. Ainda hoje, amplos segmentos da psicologia e psicoterapia
fenomenológico existencial norte americanas tentam fazer isto; e desta forma
buscam a perseguição um fantasma, que seria a concepção destas abordagens sem o
concurso da noção nietzscheana de experimentação, sem o seu perspectivismo, sem
a sua perspectatividade, sem a sua genealogia, sem a sua transvaloração, sem a sua filosofia da vida.
A nosso ver,
a intuição dos pioneiros destas abordagens foi profundamente marcada pela
influência destas noções e perspectivas nietzscheanas, ainda que, por problemas
e limitações próprias e por problemas e limitações próprios do seu tempo, não
tenham eles explicitado adequadadmente e desdobrado conceitualmente estas
noções no âmbito de suas concepções.
As
perspectivas nietzscheanas chegavam-lhes de todos os lados, e de um modo muito
interessante e forte. Seja pela disseminação da filosofia do Fritz Nietzsche, no âmbito da filosofia,
da psicoterapia, da psicologia; seja pelos efeitos que esta produzia no meio
intelectual em que viviam; ou, particularmente, no meio artístico, como a sua
poderosa influência, sobre o Expressionismo, que exerceu, por sua vez, uma
influência decisiva sobre os psicólogos da Gestalt, e, em especial, sobre o outro Fritz, o Fritz Perls.
Cumpre-nos,
acredito, não aderir à perseguição e tentativa da criação de fantasmas, mas
resgatar a intuição original dos pioneiros, e livres de amarras, problemas e distorções
suas e de seu tempo, que lhes tolhiam, dispondo de conhecimentos e instrumentos
de que eles não dispunham, cumpre-nos desdobrar e explicitar adequadamente o
cunho especificamente fenomenológico
existencial experimental das psicologias e psicoterapias fenomenológico
existenciais.
* DA FONSECA, Afonso H L - O SENTIDO DO INTERPRETATIVO
[1] PERLS, F ............in FAGAN, SHEPARD, GESTALTERAPIA. TEORIA, TÉCNICAS E APLICAÇÕES.
[2] Cf. ZINKER, Joseph - THE CREATIVE PROCESS IN
GESTALTHERAPY, pp.
* DA FONSECA, Afonso H L - O SENTIDO DO INTERPRETATIVO
[3] PERLS, F ............in
FAGAN, SHEPARD, GESTALTERAPIA. TEORIA, TÉCNICAS E APLICAÇÕES.
[4] Cf. ZINKER, Joseph - THE CREATIVE PROCESS IN GESTALTHERAPY, pp.