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DESENVOLVIMENTOS NA CULTURA DA ACP
Afonso H Lisboa da Fonseca, psicólogo.
LABORATÓRIO EXPERIMENTAL DE PSICOLOGIA
FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL 1996
Apresentação
“A vida inventa! A gente principia as coisas, no não saber porque, e desde aí perde o poder de continuação -- porque a vida é mutirão de muitos, por todos remexida e temperada.” - Rioblado Tartarana/Guimarães Rosa.
“Não se fabricam ´mais raízes como antigamente. E não é de hoje que essa fabricação anda complicada. Gilberto Gil, há anos declarou só gostar de uma raiz, a mandioca. A dupla Deleuze & Guattari tinha um gosto mais radical: da sua dieta filosófica todas as raízes foram cortadas; nela só entravam os rizomas, de preferência a grama. Grama mesmo, essa que todo mundo pisa e não mata. Pois a grama não tem uma raiz central, como uma árvore. Sua organização é totalmente descentralizada, totalmente anti-hierárquica. Milhares de micro-raízes ligadas em rede (é isso mesmo. Como a internet) ocupam o território de um quintal, de um quarteirão, num movimento que poderia atingir o mundo inteiro. (...) - Hermano Vianna.
Por dentro dos processos e discussões do Encontro Latino da ACP, em Maragogi, e depois, pareceu-me compreender com clareza que a comunidade da ACP buscava e inventava, de um modo bastante vivo, efetivo, e, podemos dizer, organísmico, ainda que frágil e embrionário, novas alternativas de desenvolvimento. Isto me deixou muito alegre: por sentir-me participante deste processo e, em particular, por sentir este processo como um movimento efetivamente coletivo e, pelo menos num certo sentido, espontâneo, produtivo, rico, e uma alternativa efetiva para um afrontamento das dificuldades da comunidade de praticantes da abordagem. Só o futuro, certamente, poderá dar uma última e definitiva palavra sobre o valor destes movimentos. Eles carregam em si a incerteza que tudo que é vivo e ativo carrega. Mas são uma alternativa para a qual vale a pena investir o risco de nossa ação. E, de uma forma ou de outra, temos feito isto. São valiosos, em particular, quando observamos que, depois da morte de Rogers, a comunidade de praticantes da abordagem, comunidade marcada pela falta de estrutura e pela não institucionalização -- ou por modos informais de institucionalização, alguns deles característicamente perversos --, a comunidade de praticantes da ACP, pareceu condenada a um processo de desintegração ou de degeneração. Processo que frequentemente atualizou-se, mas que foi afrontado por tendências produtivas inversas, como, por exemplo, as que gravitaram em torno do Encontro Latino Americano da ACP, que constitui-se como um efetivo núcleo de potencialização da comunidade de praticantes da ACP. O Encontro Latino é um momento marcante deste processo. Quando de seu surgimento, apoiado por Rogers, mas sem a sua participação efetiva, no início da década de oitenta, não prevíamos -- certamente por estreiteza de visão -- que ele era um processo fundamental de um tempo pós-Rogers da ACP, pelo menos para nós da América Latina. E, na sua simplicidade, a nossa própria simplicidade, para sermos realistas, assim tem sido. O Encontro Latino configurou-se como um foco potente de crítica e de desenvolvimento da ACP, de vinculação de seus membros e de sua comunidade na América Latina, constituindo-se como um significativo foco de desenvolvimento e de potencialização da cultura da ACP entre nós. Mais particularmente, funciona como um importante núcleo de socialização e de aculturação vivencial e organísmica de praticantes desta abordagem. É um movimento singular no âmbito do cenário mundial da ACP pós-Rogers. Dada a sua simples existência, dada a sua vitalidade e a sua capacidade de engendrar criativa e produtivamente a novidade no âmbito da abordagem, configurando-se como um dos legítimos herdeiros de sua cultura e de seus desdobramentos. Surgiu de dentro dos movimentos e da filosofia e posturas da abordagem, e assim se mantém, se recria e recria a abordagem. Contribuiu decisivamente para a constituição do Encontro Nordestino da ACP, e para a constituição, agora, do Forum Brasileiro da ACP, tendo potencializado o desenvolvimento de outros encontros pela América Latina. É tempo, acredito, de atentar para o fato de que, surgidos como desdobramentos naturais e consequentes dos desenvolvimentos da abordagem nas décadas de setenta e oitenta, esses encontros configuram-se como um novo momento, um novo processo de constituição e de desenvolvimento da abordagem. Trata-se de um processo que não mais centraliza-se, para bem ou mal sobre pessoas ou instituições. Evidentemente, que o trabalho cotidiano, a produção, a participação de pessoas e instituições continua como um nível fundamental. Mas os encontros caracterizam-se como um momento e instância teórico-vivenciais descentralizados e cruciais. Na medida em que polarizam periodicamente, e são constituídos, a partir da interação dos produtos e processos da atividade cotidiana de pessoas e instituições. Acolhe estes produtos e processos, cria condições de explicitação e reflexão e vivência sobre eles, e sobre as experiências pessoais e institucionais, cria possibilidades de interação teórica e existencial a partir deles, e, em sua dinâmica própria, configura-se o encontro como um potencializador destas atividades cotidianas. Potencializador privilegiado, uma vez que generosamente aquinhoado pelas benesses de Dionísio. Pois bem. Isto eu percebí muito claramente em Maragogi, como um processo bastante vivo, concreto e ativo, ainda que em seus primórdios, carecendo de muito esforço, e benesses dionisíacas, para que possa efetivamente se configurar como um processo artísticamente estável e dinâmico. Minha surpresa, e alegria também, foi constatar que algo de semelhante tortuosamente ocorre, também, no Forum Internacional da ACP. Ainda que lá de uma maneira ainda muito mais rudimentar e penosa do que no Encontro Latino e Nordestino. Sobretudo, certamente, de uma maneira muito mais inábil e tímida nas lides de Dionísio. Uma efetiva e importante desvantagem... Sei, cá comigo, que o Forum Brasileiro, guardadas as suas peculiaridades vai, neste sentido, no mesmo caminho... Alegro-me com isto e me pergunto o que é que podemos fazer para potencializar este processo e sermos por ele potencializados. Num certo sentido, não podemos fazer muito, dada a sua espontaneidade. Podemos, e certamente isto é o melhor que há a fazer, afirmar intensamente esta sua espontaneidade e vivermos a sua finitude. Que, quem sabe, talvez possa situar-se lá pelo ano 2080, se pudermos e soubermos afirmá-lo devidamente... Quando voltei do Forum Internacional da Grécia, escreví uma longa carta aos colegas da Comissão Organizadora do Forum Brasileiro da ACP. Este texto é uma adaptação daquela carta, em que eu colocava algumas idéias relativas a estes temas.
O FORUM INTERNACIONAL DA ACP Quanto ao Forum em si, nada de novo, lamentavelmente, de um ponto de vista teórico. Deste ponto de vista, a abordagem parece ter parado quando o Rogers ainda andava. Podemos destacar alguns interessantes trabalhos apresentados, que têm um valor como esforço de reflexão ou de pesquisa de seus apresentadores. Mas não podemos dizer que houve neste Forum um movimento de desenvolvimento teórico da abordagem. Acredito, entretanto, que precisamos atentar para o aspecto não só vivencial, mas especificamente cultural desses encontros, no âmbito do desenvolvimento da cultura da comunidade de praticantes da abordagem. Deste ponto de vista, acredito que podemos vislumbrar novidades. Novidades estas compatíveis com o que temos observado nos Encontros Latino e Nordestino da ACP. Ou seja: a abordagem, dando sequência e consequência a seus movimentos históricos, em particular da década de setenta e oitenta, parece assumir novas formas de desenvolvimento cultural. O que parece alvissareiro, porque estas formas de desenvolvimento cultural manifestam-se como potencialmente capazes de revitalizar a abordagem, e de reengatar um processo novo de desenvolvimento, a partir da franca deterioração, ainda em curso em muitos lugares, que desenvolveu-se desde o final dos anos oitenta e início dos anos noventa. Deixe eu me explicar melhor: Como se desenvolvia a abordagem originalmente? A partir da teorização de Rogers (que, evidentemente, tinha raízes), e do seu trabalho prático, e da teorização e trabalho prático de alguns de seus colegas e alunos. Através dos livros do Rogers, principalmente, a abordagem disseminou-se pelo mundo, processo culminado por seu trabalho, e de vários de seus colegas, em vários países. Passada esta fase, houve um desenvolvimento e uma “fermentação”, para bem ou para mal, no processo dos grupos locais da ACP. Esta fermentação, com tudo de impuro (para certos olhos) que inevitavelmente existe em todo processo fermentativo(Mas não podemos esquecer que é assim que nasce o vinho, por exemplo), esta fermentação, desenvolveu-se. E o que vemos é a convergência destes processos fermentativos para os encontros. Para o Encontro Latino, para O Encontro Nordestino, por exemplo, para Forum Internacional, e, certamente, para o Forum Brasileiro. Não podemos dizer que temos já um “precioso fermentado” deste processo, ainda que possamos sempre provar algo aqui e acolá -- afinal de contas, como diz o Riobaldo Tartarana, “a verdade não se pôe no início nem no final, mas na própria travessia”, (fala-se, até, de uma terceira margem...) Não obstante, pensar assim esclarece o que parece estar em curso, em termos de desenvolvimento da ACP. Ou seja. Não temos tido um grande desenvolvimento teórico no conjunto (ainda que o processo tenha nos possibilitado uma grande discussão dos fundamentos da abordagem), mas o processo vivencial de relação imediata, interpessoal, grupal e inter-grupal nos Foruns e Encontros tem tido um papel muito saudável no fortalecimento das comunidades da ACP, no fortalecimento destas pessoas na abordagem, na iniciação de novos colegas e na reciclagem e potencialização dos já atuantes. De modo que, se, por um lado, não temos um desenvolvimento teórico consistente e razoavelmente intenso, por outro, temos o processo vivencial intenso e interessante, em particular em termos de discussão teórica e de vivência comunitária, que tem se desenvolvido nos encontros, como focos dinâmicos, e ricos, de manutenção e de desenvolvimento da abordagem. Este processo parece precioso, e acredito que não seja muito pensar numa mutação cultural em termos do modo de desenvolvimento da abordagem. Ou seja teríamos agora, em andamento, um processo descentralizado (e organísmico?) de desenvolvimento, que enfatiza muito mais os encontros como espaços de aprendizagem teórico vivencial. Em especial, em termos das aprendizagens sutis e pessoais que envolvem o conhecimento e a prática de uma abordagem da psicoterapia, dos grupos, da educação, das relações humanas. Um processo que enfatiza os encontros como espaços de culturação -- ou seja, de desenvolvimento da cultura -- e de aculturação na cultura da ACP. Isto em contraposição com um processo anterior, mais pesadamente determinado pelo desenvolvimento teórico centralizado, e por uma política centralizada de transmissão e difusão. Processo que muito frequentemente convertia-se na viciosa dominação política dos “petit-comitês”. Teríamos agora o desenvolvimento de um processo -- para bem ou para mal (e acredito que para bem, e consequente com os princípios da abordagem) -- de um processo cada vez mais coletivizado, e descentralizado. Cada vez mais passível de ser submetido à participação e controles coletivos. Além de ser um processo pautado e movido pela riqueza do vivencial pessoal, transindividual e coletivo. Processo em que todos podem participar livremente e constituir, a partir de suas competências. Creio que este processo nada mais é do que um desenvolvimento e uma consequência natural da história da abordagem. Talvez haja até quem estranhe... Mas certamente podemos aprender com o conhecimento bronco do Riobaldo Tartarana, “A vida inventa! A gente principia as coisas, no não saber porque, e desde aí perde o poder de continuação -- porque a vida é mutirão de muitos, por todos remexida e temperada.” Pois bem. Já tínhamos observado isto nos Encontros Latino e Nordestino da ACP. E fiquei gratamente satisfeito por observar que isto certamente desenvolve-se também no Forum Internacional. No Forum, o que existe de desenvolvimento, em termos de consistência teórica, é efetivamente muito pouco. Na verdade, parece frequentemente revelar um processo degenerativo. Mas o vivencial, intercultural e de desenvolvimento da cultura da abordagem, este parece estar vivo, mesmo no Forum Internacional. Encontrar Ingleses, Holandeses, Italianos, Russos, Sul Africanos, Gregos, Norte Americanos, Mexicanos, Japoneses, Escandinavos, Turcos, Israelenses, Argentinos, Espanhóis..., numa situação vivencial, interessados nesta abordagem e delas praticantes.Trocar vivencial e dinâmicamente com eles o que a abordagem significa para eles, o que eles aprenderam, e, principalmente, o que eles estão aprendendo com e sobre a abordagem, em suas perspectivas e cotidiano particulares, é uma riquíssima oportunidade pessoal. Mas é, também, participar dos desdobramentos atuais da cultura da abordagem e ser deles participado. Esta característica e possibilidade dos encontros parece ser uma novidade em termos da ACP. Perfeitamente compatível com os seus anseios, e com os anseios de seus praticantes nas décadas de setenta e oitenta, quando se pensava que a abordagem deveria institucionalizar-se de um modo alternativo e ser cada vez mais governada por suas forças coletivas e criativas de vida. Pois bem, se assim o fôr, a abordagem esta entregue a seu processo coletivo, e, certamente podemos dizer, cada vez mais, às forças de sua tendência atualizante -- “Sucedido desgovernado...,” como dizia, e ainda diz, o Riobaldo Tartarana. Mesmo porque não há muito a que ela possa se entregar... Mas não é melhor que seja assim? Do que correr a abordagem o risco de ser controlada pela política mesquinha e esterelizante de petit-comitês, que só cuidam de parasitar os seus poderes e recursos -- que na verdade nem dela são --, em busca de seus próprios e mesquinhos fins privados, à custa dos interesses coletivos? Mesmo porque, a bem da verdade, não tem acontecido outras coisas interessantes, em termos da abordagem, nos últimos anos... e estes novos desenvolvimentos são tão interessantes e entusiasmantes...
Como os colegas que estiveram no Forum já devem ter noticiado a vocês, o próximo Forum Internacional será na África do Sul. Uma tendência interessante, na medida em que o centro de gravidade da abordagem afasta-se de seus núcleos Norte Americanos e Europeus, e corre o mundo. Deixa o “porto seguro” e vai ao mar. A realização deste Forum na África do Sul tem, evidentemente, um significado profundo, na medida em que aquele país viveu, e ainda vive, momentos intensos, ferozes e sangrentos da luta humana por reconhecimento, afirmação e defesa do humano. Espero que os próximos Foruns sejam em lugares ainda mais inesperados, como o Japão, por exemplo, a Coréia, o Vietnan, ainda que fosse extremamente interessante a possibilidade de um forum em Jerusalém... A Rússia e os países do chamado Leste Europeu também aparecem como candidatos potenciais bastante fortes, uma vez que há por lá um intenso florescimento da abordagem. Na verdade, talvez seja a região onde a abordagem floresce mais vigorosamente. Russos, Tchecos, Eslovacos, Búlgaros, Húngaros, Poloneses estiveram presentes no Forum de Leptokarya em um número significativo. Houve um interessante intercâmbio entre os Latino-Americanos e eles, com alguns encontros de debate de temas de interesses mútuos e de apresentações recíprocas. No final do Forum, diante da possibilidade de ser difícil a participação deles no Forum da África do Sul, eles decidiram criar um encontro regional da ACP na área de seus países. O processo deles no desenvolvimento da abordagem parece ser muito interessante, e certamente poderá oferecer em breve frutos valiosos. Na verdade, eles estão precisando de um encontro regional. E pudemos, os Latino-Americanos, contar para eles a nossa experiência na ACP na América Latina e na criação e desenvolvimento do Encontro Latino.
O NOSSO FORUM BRASILEIRO DA ACP. Acredito que o nosso Forum nasce de uma necessidade natural. Ele se configura como um ponto de convergência para onde podem confluir os processos naturais dos grupos locais, ao mesmo tempo em que este ponto de confluência pode funcionar como um incrível retroalimentador e enriquecedor destes processos dos grupos locais, à medida em que é por eles constituído. Estamos no fluxo vivo dos acontecimentos. Não existem modelos passados para onde possamos retornar, não existe o exemplo do desenvolvimento da abordagem numa cultura, sociedade e história e momento como os nossos. Somos inéditos . Como, de resto, tudo que é vivo é. Sobretudo, somos... E que bom que nós somos!... De modo que o desafio que nos resta é estarmos à altura deste nosso tempinho, e das gerações futuras, sermos criativos, produtivos. Isto eu acredito que estamos sendo, ainda que precariamente, às vezes. Fiquei muito impressionado com a quantidade de colegas que aderiram e que deram o seu apoio à idéia do encontro. São dezenas. O simples fato de acharem que a possibilidade do encontro é uma possibilidade interessante e rica já é um fato super significativo. Como espaço de convergência de interêsses comuns, e de diferenças, como espaço possível para o desenvolvimento da abordagem e de nós próprios, o Forum deve ser ativamente criado e cuidado como um espaço público. Ou seja, todos devemos estar atentos e ativos para que os poderes e possibilidades do encontro estejam a serviço da coletividade de seus participantes, e da comunidade de praticantes e interessados na ACP no Brasil e no mundo. Que seja um espaço que todos tenhamos o direito de constituir e vivenciar, com os nossos recursos, interesses, necessidades e histórias e competências particulares. E que este espaço não seja sugado pela mesquinharia de certo tipo de interesses particulares, que estão sempre prontos a parasitar e/ou predar, os espaços, interêsses, recursos e poderes coletivos, em seu próprio benefício privado. Frequentemente com a arma medíocre da fofoca. Estamos em um tempo em que o interesse coletivo pode defender-se já destes tipos de parasitismo e de predação. O espírito da fofoca, do compadrio (e do comadrio) não são a medida do que nós podemos, e pudemos já. Resta-me parabenizar a vocês pelo surto de vigor, criação e competência que a ARP tem representado no âmbito da ACP entre nós, do qual o Forum Brasileiro da ACP tem sido diretamente beneficiário, assim como a Comunidade da ACP no Brasil. Adoro perceber, na comunidade de espíritos que animam a criação e o desenvolvimento do Forum Brasileiro da ACP, o espírito de Maragogi.
UMA ACP MADE IN BRASIL. Quer queiramos ou não, estamos, como brasileiros, condenados a isto. Uma ACP Made in Brasil. Isto pode ser uma ACP passiva, preguiçosa, alienada de sua realidade humana imediata e, por isto da própria realidade humana, alienada da capacidade de ousar e criar de seus praticantes, fingida, macaqueadora dos modelos Norte-Americanos, Europeus, ou outros. Ou pode ser uma ACP viva, que tem no efetivamente vivido de seus sujeitos individuais e coletivos, na sua ousadia e criatividade, a matéria prima para a sua constituição, para as suas metamorfoses e transformações, para o exercício de sua criatividade e da sua produtividade. Inclusive no sentido da co-laboração com a comunidade internacional da ACP, no seu contínuo processo de desenvolvimento e de trans-form-ação. Não seria eu a dizer que não aprendemos muito com os Norte-Americanos e que não temos muito a aprender. Aprendemos muito, sim, e temos muito ainda o que aprender! Da mesma forma que aprendemos e temos muito o que aprender com Europeus, Asiáticos, Africanos, Oceaníacos... Acredito sinceramente que devemos ser agradecidos, modestos e reverentes. Mas sujeitos ativos, cri-ativos, de nossas aprendizagens, criações, de nossos meios e processos de crescimento. Sabe que a palavra dignidade tem um sentido similar ao da palavra Existência? E que ambas têm a ver com vir para fora, irromper, efetiva e ativamente, florescer, ser-no-mundo?
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