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Ensaios
experimentais de psicologia ambiental BOSQUEJOS DE CATEGORIAS
AMBIELOGIA Afonso H Lisboa da Fonseca, psicólogo. O ponto de vista ontológico
fenomenológico existencial, como de resto em toda a psicologia e psicoterapia
fenomenológico existencial, enseja a abertura de todo um campo de atitude, de
um campo conceitual, e metodológico, em psicologia
ambiental. Psicologia Ambiental que passa assim a se constituir
especificamente como uma psicologia
ambiental ontológica e fenomenológico existencial dialógica. Este ponto de vista ontológico,
fenomenológico existencial, permite que possamos apreender o Ambiente-e-a-nós-próprios como um ser
íntegro, ser no mundo, dialógico, na originalidade e indissociabilidade de
sua implicação, na vivência de sua ontológica fenomenológico existencial.
Esboçamos ensaísticamente as possibilidades de alguma fundamentação desta psicologia ambiental fenomenológico existencial
dialógica no ensaio O Ambiente
somos nós, e no ensaio Objetivismo
e ambienticídio. [1] A partir deste ponto de vista de uma
psicologia fenomenológico existencial dialógica, podemos esboçar e constituir
experimentalmente um conjunto articulado e original de categorias de psicologia ambiental, que pode nos
auxiliar na compreensão e afirmação de nossas pertinências e relações
ontológicas enquanto seres ambientais,
e que pode nos auxiliar a denunciar os modos de violência e de violentação
das condições destas pertinências e destas relações, e os modos das harmonias
ambientais das quais fazemos parte, e às quais podemos constituir
sustentavelmente. Da mesma forma que pode nos auxiliar na constituição de
alternativas metodológicas de concepção e de método em psicologia ambiental. A partir da compreensão e da
afirmação desta nossa ontológica pertinência e cabimento ambientais,
intrínsecos ao ponto de vista fenomenológico existencial dialógico, e ao
ponto de vista da psicologia ambiental fenomenológico existencial, podemos
constituir as premissas de uma ética ambiental. Ética ambiental esta que é
eminente e especificamente estética, existencialmente afirmativa, a partir
das premissas da Fenomenologia, do Existencialismo, e da Filosofia da Vida; e
a partir da própria qualidade íntegra e dialógica do ser ambiental que vivencialmente,
fenomenológico existencialmente, dialógicamente constituímos ontologicamente.
Da mesma forma que podemos constituir as premissas de uma pedagogia e de um
manejo ambiental ontológico, estética e ambielogicamente fundamentado. FENOMENOLOGIA
AMBIENTAL A Fenomenologia, o Existencialismo, a
Filosofia da Vida, a Dialógica apontam para dois modos de sermos que nos
constituem enquanto humanos. O modo de sermos ontológico. E um modo de sermos ôntico. Na experiência do modo ôntico de sermos -- modo de sermos como
coisa, ao qual Buber, por exemplo,
designou como eu-isso --, sujeito e
objeto se dicotomizam, e se contrapõem, reificando-se, no limite, como sujeito em si, e objeto em si; definidas em si uma subjetividade e uma
objetividade ideais, não vivenciativas. Um mim mesmo, e um eu mundo
reificados, e cristalizados, enquanto coisas, que em suas extremizações se
enrijecem, e se impermeabilizam. Falece a dialógica do ser no mundo, o
movimento em direção, e a partir de uma alteridade radical com a qual estamos
ontologicamente implicados. Esse modo de sermos, a que Buber designou como
eu-isso, é naturalmente constiuinte do ser que somos. A sua prevalência e enfraquecimento
da alternância com o modo ontológico de sermos, aparta-nos, e aparta o mundo,
ainda que nunca de um modo excludente, da condição de nosso modo ontológico
de ser. Na medida proporcional assim em que,
progressivamente, se fragilizam a vivência de possibilidades e o
desdobramento de possibilidades, inerentes e intrínsecos ao nosso modo
ontológico de ser, fragiliza-se a consciência e a motricidade especificamente
ativas, criativas, na medida em que o a vivência de possibilidades, e do
desdobramento de possibilidades constituem o que chamamos de ação. A ação
pode se dar como vivência meramente compreensiva, ou como vivência
compreensiva e motora. Mas, necessariamente no modo compreensivo de sermos, a
ação, a interpretação compreensiva, é vivência do modo de sermos da potência,
da vivência de possibilidades, e da vivência do desdobramento de
possibilidades. Da estesia, estética, e da poiese, como criação fenomenológico existencial, ontológica, dialógica. A experiência do modo ôntico de
sermos -- no qual se constituem tanto o nosso modo teorético de sermos, como
o nosso modo comportamental, e pragmático -- se caracteriza, assim, pelo fato
de que neste modo de sermos não vivenciamos possibilidade, e o seu desdobramento,
no que chamamos de ação, de atualização, de interpretação compreensiva,
performação e performance fenomenológico existenciais dialógicas. Vale dizer que, na vivência
predominante do modo ôntico de sermos, também, a mente progressivamente tende a se reificar, como uma mente em
si; destacada e contraposta a um corpo
em si, igualmente desprovidos da vivência compreensiva da potência do
possível, da possibilidade, e da ação compreensiva, ou compreensiva e motora.
A alienação do ambiente e alienação do corpo se implicam recíproca e
necessariamente. Na sua momentaneidade, este modo ôntico, eu-isso, de sermos faz parte do que somos; ou seja, é uma
dimensão, também, da ontologia de nós mesmos. Só se caracterizando como
problemático em suas extremizações, e instalações, quando prescreve e impede
a alternância com o modo ontológico,
vivencial, fenomenológico
existencial, eu-tu, de sermos. O modo
ontológico de sermos -- comum a todos nós, enquanto humanos, em
alternância com o modo ôntico de sermos --, ainda que freqüentemente
desvalorizado, ou mesmo negado, ou mal entendido no âmbito de uma civilização
tecnológica, pragmática, e comportamental, é o modo ontologicamente
originário de sermos, dele deriva o modo ôntico de sermos; e o retorno
existencialmente cíclico a ele permite-nos, sobretudo, assim, a vivência da ação, a partir da vivência
do possível e do desdobramento do possível, que lhe é exclusiva, e própria. Este modo ontológico de sermos tem características
muito peculiares, eventualmente desconcertantes, no âmbito de nossa
civilização, inconvenientes; mas características, e condições de
possibilidade de nossa ação, de
nossa criação. Quer seja a um nível
e numa modalidade meramente psicológica,
meramente compreensiva; quer seja
ao nível e numa modalidade psicológica, compreensiva,
e motora. Dentre as mais fundamentais
características deste modo ontológico, eu-tu, de sermos, destaca-se, pela intencionalidade, a sua condição como
um modo de sermos no qual se dissolve a dicotomia sujeito-objeto. De forma
que no modo ontológico de sermos tendemos a um tipo característico de
vivência em que superamos esta dicotomização. Ainda que a vivência de nosso modo
ontológico de sermos seja uma forma de vivência na qual não vigora a
dicotomia sujeito-objeto, neste modo de sermos vigora caracteristicamente a
dualidade da dialógica eu-tu, na
qual nós mesmos e o ambiente se nos damos como alteridades radicais, e
ativas, necessariamente implicadas, numa dialógica, como dia-logos. A dimensão deste modo ontológico de
sermos não se dá como nosso modo reflexivo de sermos, como o modo teorético
de sermos. Ela se dá especificamente como vivência,
ou seja, é pré-reflexiva, pré-conceitual, pré-teorética. Da mesma forma que é
pré-comportamental, e pré-pragmática. Ou seja, ainda que constitua as bases
sobre a qual pode se desenvolver a teoria, é ele mesmo um modo momentaneamente
pré-teórico de sermos; ainda que constitua as bases do comportamento, e da
utilidade e da funcionalidade, é ela mesma, em si, na qualidade própria de
sua vivência, pré-comportamental, pré-prática, pré-pragmática. Uma característica fundamental assim
dos momentos da duração deste modo ontológico de sermos – do modo ontológico
de sermos ambientais --, é a de que, enquanto duram, eles são caracteristicamente
despropositais.
Ou seja, o modo de sermos de sua vivência é um modo de sermos no qual
não vigoram as relações de causa e efeito – a causalidade --, e a utilidade:
o uso e a utilidade. Neste modo de sermos estamos vivencialmente impregnados
de possibilidades, e, caracteristicamente, o que vivenciamos são as
possibilidades que se apresentam, e se impõem, e o seu desdobramento criativo
e poiético, no que chamamos de ação. As possibilidades têm uma
potência e um sentido próprios, e somos a vivência de sua potência e do seu
sentido. Podemos viver ou recusar a possibilidade, e o seu desdobramento; ou
podemos vivenciá-la e navegar o seu
desdobramento, mas este processo da vivência da possibilidade e de seu desdobramento
é eminente e especificamente desproposital; não é do modo de sermos no qual vigoram as relações de causa
e efeito, e a utilidade. Caracteristicamente, pois, o modo
ontológico de sermos, enquanto eminentemente impregnado de possibilidade, e
de possibilitação, se configura como sendo, naturalmente, da ordem da
potência do possível, e de seu desdobramento; o que faz com que ele não seja
da ordem do real, da realidade, do realizado. Já que a vivência de possibilidade
e de possibilitação, e a experiência da realidade, se contrapõem antinomicamente
como modo de sermos. A vivência ontológica, eu-tu, a ação, a criação – poiese --, é da ordem da vivência de
possibilidade, e da vivência do desdobramento de possibilidade, é atualidade
e atualização, e, ainda que seja da ordem da realização, não é da ordem da
realidade. O ambiente
pode se dar quer seja ao modo
ôntico, ou ao modo ontológico de sermos. O ambiente pode se dar existencial,
ou não existencialmente. Mas em sua raiz, em seu caráter originário, como o
ser de tudo, no ser no mundo, o ambiente é própria e especificamente vivência
ontológica. Grosso modo, esse modo de sermos que
podemos chamar de ontologicamente ambiental,
pode ter várias designações ao nível da ontologia. É o modo de sermos a que
Dilthey chamou de vivido, vivência (erleben, erlebeniss,
ambas as palavras se referindo a vida,
Leben). Guardando a especificidades
de cada referencial, é o modo de sermos dialógico,
a que Martin Buber chamou de eu-tu;
o modo de sermos que Heidegger designou de ontológico; que Husserl designou de lebenswelt... Este modo de sermos a que podemos
designar de ontológico, é, assim, o
modo de sermos no qual vivenciamos a indissociabilidade de sermos ambientais, a integridade entre nós
mesmos e o que entendemos por meio
ambiente, a integridade do ser do qual fazemos indissociavelmente parte,
e que podemos assim chamar de ambi-ente.
Neste modo de sermos, estamos indissociavelmente implicados, com o ambiente, e como ambiente, somos, nesse modo de sermos, ambientais. De modo que, como observamos,
ontologicamente, e ontologicamente
ambientais, não temos uma objetividade, nem uma subjetividade em si, para
que possamos constituir o ambiente como objeto, e a nós próprios como
sujeitos de um ambiente predominantemente objetivo, causalmente manipulável
em sua essência, pragmático e pragmatizável. Ainda assim, o ambiente se dá
como, e dispõe da, e desdobra, permanente e infinitamente a alteridade
radical de um tu em cujo mistério,
e na dialógica com o qual, implicamos e estamos implicados. A partir das premissas dessas
perspectivas podemos bosquejar experimental e especulativamente as categorias
de uma tal psicologia ambiental fenomenológico existencial. Comentamos
algumas a seguir. AMBIENTE Ambiente
é o conceito
fundamental em psicologia ambiental fenomenológico existencial dialógica. Não
se trata do ambiente no sentido
ôntico do senso comum. Em sua qualidade específica e originária, o ambiente é concebido na dimensão de
sua vivência ontológica, fenomenológico existencial dialógica. Assumimos toda
a implicação da vivência ambiental
ontológica fenomenológico existencial, na qual, pela sua característica intencionalidade, o ambiente não se
destaca como objeto, numa dicotomia sujeito-objeto, mas se dá numa correlação
tão intrínseca, característica do modo de sermos a que Buber designa como
sendo da relação eu-tu. Para a qual
não tem sentido conceber um dicotomia sujeito-objeto em relação ao ambiente,
ou seja, não faz sentido conceber um ambiente em si, ou um sujeito Assim, o ambiente, efetivamente, não é o que se nos dá, no nosso modo
ôntico, eu-isso, na experiência de nosso modo de sermos como coisa. O ambiente, ou o sermos ambientais, a nossa intrínseca ambiência (v.), só nos é dada em nosso modo ontológico, fenomenológico existencial
dialógico de sermos. Esse modo de sermos, o sermos ambientais, fenomenológico existenciais
dialógicos, é todo ação. Ação
meramente psicológica, digamos: ação
meramente compreensiva; ou ação
compreensiva e motora. Na medida em que, nesse modo de sermos,
fenomenológico existencial, ontológico, dialógico, somos abertura para a
vivência da potência de possibilidades, que se desdobram -- no que entendemos
como poiese, interpretação
fenomenológico do existencial, interpretação compreensiva. Ação. De modo que o ambiente como vivência, especificamente o ambiente como vivência de ação, ontológico, é diferente do ambiente como coisa, ôntico, – o ambiente como acontecer, como acontecimento,
é diferente do ambiente como acontecido.
No ambiente como ação estamos incontornavelmente implicados, o
ambiente como ação é afirmação
ontológica, o ambiente como ação
dá-se como relação eu-tu. Da mesma forma que não é do modo de sermos da
dicotomia sujeito-objeto; o ambiente como ação está fora do modo de sermos
(eu-isso) da relação de causa e efeito. O ambiente como ação dá-se como vivência, modo vivencial de sermos,
que não é da ordem do modo de sermos da relação de causalidade, da relação de
causa e efeito. A vivência do sermos ambientais,
não sendo do modo de sermos da dicotomização sujeito-objeto, nem do modo de
sermos da causalidade, animada e impulsionada pela vivência de possibilidade
e do desdobramento de possibilidade, é, assim, própria e especificamente, desproposital; na medida em que a
ação: interpretação fenomenológico existencial compreensiva: compreensão:
poiese, é, própria e especificamente, desproposital.
Ainda que plenamente consciente, e criativa, no sentido artístico,
fenomenológico existencial, dialógico, dionisíaco,
do termo. O ambiente como ação, o ambiente em
sua vivência ontológica -- evidentemente disponível a qualquer ser humano, na
medida em que esteja disponível para este modo vivencial e ontológico de ser
--, é, assim, vivência corpo-ativa; não é abstração: é corpo, vivido, sentidos;
é estésico, é estético, é per-feito,
ou gravita para a per-feição --
enquanto modo performático,
fenomenológico existencial per-form-ativo, de fazer poieticamente, a
partir da vivência e desdobramento do pulso do possível (que ainda pulsa, todavia...). É o ambiente presente, o ambiente como acontecer.
O presente é o modo de sermos de pré-coisa, que se caracteriza pela atualidade, ou seja, por ser ato, ação, que se dá ao modo de sermos, ontológico, de pré-coisa, de
pré-ente: presente. No “meio ambiente” como coisa, na experiência de nosso modo ôntico de sermos, o ambiente pode
se constituir como realidade objetiva, como realizado, pode se constituir
como realidade – e não como possibilidade, e desdobramento de possibilidade, não como ação. O “ambiente” neste modo de sermos não é implicação
ontológica. Assim, o ambiente neste modo de ôntico de sermos pode se
constituir como um meio ambiente teórico: conceitual, explicativo; como um
meio ambiente técnico, ou como um meio ambiente prático, pragmático; ou como
um meio ambiente comportamental. É da ordem do acontecido, e não da ordem do acontecer.
E pode ser manipulado objetivamente, negativamente, segundo uma concepção de
uma sua utilidade, e não do desfrute de sua atualização, como desfrute da
atualização de nós próprios. O ambiente
não é um ecossistema, não é um sistema casa, no qual vivemos enquanto
seres biológicos. No íntimo de nosso ser, no íntimo de nossa vivência
ontológica, fenomenológico existencial, mediada pelas culturas de nossa
pertinência, existe entre nós e o ambiente uma correlação tão intrínseca, que
é anterior a qualquer possibilidade de dissociação, e apenas suscetível à
dialógica. Não faz sentido, assim, neste modo de
sermos, falar de dissociação. Assim, a idéia de ecossistema, a idéia de eco-logia
não dá conta de nosso logos ambiental – o sentido que efetivamente
vivenciamos como ambiental. A
rigor, e originariamente, não vivemos numa oikos, que seria o ecossistema. Mas somos ontologicamente, na
essência de nosso ser, que é vir a ser, ambientais;entes
ambientais, abertos ao ser do ambiente como ser a que somos propriamente
pertinentes: pertencemos de um modo
indissociável, ainda que eminentemente dialógico -- de relação, o que quer
dizer implicação, com uma alteridade radical --, pertencemos a um ser que
envolve e imbrica o meio ambiente e o que entendemos como nós próprios
enquanto sujeitos. Parece, portanto, que, apesar do seu romantismo, teremos
que abrir mão ou relativizarmos a palavra ecologia;
ou pelo menos o seu conceito, num sentido fenomenológico existencial e
dialogicamente ontológico. AMBIÊNCIA/AMBIENTIDADE Ambiência/ambientidade é a qualidade vivencial do modo de
sermos ontológicamente ambientais. Ou
seja, o modo fenomenológico existencial, dialógico, de vivência, de sermos
ambientais. AMBIENTAÇÃO/ AMBIENTATUALIZAÇÃO/
AMBIENTATIVIDADE/AMBIENTATUALIDADE A ação
é especificamente inerente ao modo ontológico, fenomenológico existencial
dialógico, de sermos. Na medida em que a ação é a vivência, compreensiva, do
desdobramento de possibilidades, e todo este modo é apenas vivência do
desdobramento de posibilidades. Assim, este modo de sermos é todo ele
ação, é todo ele movimento, acontecer e acontecimento, na medida em que está
todo ele, em sua duração sempre cíclica e momentânea, impregnado de possibilidade
e de possibilitação; ou seja, de desdobramento de possibilidade, no que
entendemos por ação, no sentido
fenomenológico existencial dialógico. A ação é o que entendemos por interpretação fenomenológico existencial
dialógica. Que é ontológica, e compreensiva. Interpretação compreensiva, na medida em que a vivência deste
modo ontológico de sermos é toda ela da ordem da compreensão. Este modo compreensivo de sermos é da ordem da implicação, diverso do modo de sermos
ôntico da explicação, da mesma
forma que diverso do modo comportamental de sermos, e do modo prático de
sermos. De forma que a momentaneidade da
vivência ambiental fenomenológico existencial dialógica, ontológica, é, todo
ela, ação; vivência compreensiva, implicativa, de atualização de
possibilidades, no âmbito de sua duração. A qualidade própria da ação no âmbito
da vivência ambiental, meramente compreensiva, ou compreensiva e motora,
implicativa, é o que entendemos como ambientação,
como ambientação, ambientatualização,
como ambientatividade, como ambientatualidade. DISAMBÊNCIA/DISAMBIENTIDADE A
Ambiência, a Ambientidade (v.) é ontológica, é logos constituinte de nosso ser. Faz
parte do modo de sermos e do que somos enquanto humanos, no que temos de mais
essencial e originário. É cíclica e ambiguamente vivenciada, na medida em que
se constitui no modo ontológico, fenomenológico existencial dialógico de
sermos, na alternância natural e cíclica entre este modo de sermos e o modo
ôntico e coisificado de sermos. A Disambiência/Disambientidade
resulta de dificuldades ambientais, a partir das quais se torna difícil a
vivência alternante da momentaneidade cíclica de nossa vivência ambiental
ontológica. Dificuldade de vivência da momentaneidade cíclica do modo
ontológico de sermos. Esta dificuldade na vivência do ambiente em sua
vivencia ontológica originária é o que entendemos por Disambiência/Disambientidade. Estas dificuldades podem ser
momentâneas, ou duradouras, da mesma forma que a disambiência/disambientidade. DISAMBIENTAÇÃO/ DISAMBIENTATUALIDADE
/ DISAMBIENTATIVIDADE. A ação, a atualidade, a atividade, no
âmbito da experiência da Disambiência,
na Disambientidade, é a Disambientação, a Disambientatualidade, Disambientatividade.
É a ação ambiental impotente, não atualizante
da potência de possibilidades, na medida e em proporção direta em que a disambiência impede a vivência do modo
de sermosda ambientidade como
vivência do modo ontológico de sermos ambientais, que permite a ação
ambientativa, potente, a partir da vivência de possibilidades e do
desdobramento de possibilidades. DESAMBIÊNCIA/DESAMBIENTIDADE
A ação
ambiental, ou a vivência ambiental
ativa, é afirmativa, desproposital, hemenêutica, poiética, performativa,
estética, per-feita (enquanto modo
vivenciativo de fazer). Dá-se na vivência ambiental de nosso modo fenomenológico
existencial de sermos, como desdobramento, atualização, das possibilidades
que inerentemente nos impregnam, na duração dos momentos deste modo de
sermos. A disambiência/disambientidade
se constitui a partir de dificuldades na relação ambiental, e se
caracteriza como ação e vivência problemáticas (im-per-feitas) no sermos ambientais. A permanência da disambiência conduz e modela a Desambiência/Desambientidade,
ou seja: não apenas uma dificuldade de vivência ambiental propriamente, mais ou menos transitória, ao modo
ontológico de sermos, mas uma progressão e cronificação do ambiente como
objeto, e uma visão meramente objetiva, utilitária, pragmática do ambiente;
ou uma visão meramente conceitual dele. Na Desambiência, na
verdade, cresce uma aversão à vivência do ambiente em sua propriedade
ontológica, fenomenológico existencial dialógica; e se instala uma
experiência meramente teórica, e aversiva, do ambiente; ou uma perspectiva
utilitária, mera ou predominantemente pragmática, e/ou comportamental,
fundadas no ressentimento e no ideal ascético,. Por exemplo, o homem e a cultura
coloniais Brasileiros, geograficamente alienígenas, e impulsionados por
fortes determinantes econômicos e culturais, desenvolveram uma relação
alienígena, disambiental e desambiental, com a Mata Atlântica, e
na verdade com todas as matas. Interpretaram as matas em termos de que
deveriam e devem ser necessariamente destruídas e aniquiladas. Eventualmente
com uma postura pragmática, objetivista, que prosperou, na ausência e repressão
de uma relação ontológica com o ambiente, que permitisse o desenvolvimento de
uma sociedade e cultura ambientais. Esta condição, disambiental, e
desambiental, do homem e da cultura coloniais Brasileiras pode ser melhor
entendida quando contrastada com a atitude e cultura ambientais dos insurgentes Cabanos
de 1832-64, da região do Litoral, Mata, e Agreste, do Norte de Alagoas, e do
Sul de Pernambuco. [2]
O termo Cabanagem, dado à
insurreição, deriva de cabanas, das
cabanas que os Cabanos construíam nas
matas, e que eventualmente se congraçavam O livro Utopia Armada, de Dirceu Lindoso, faz um importante registro e
interpretação não só da Cabanagem
enquanto insurgência, mas, em particular do ambiente e cultura ambienciais
e ambientativos Cabanos. A cultura ambiencial Cabana se desenvolveu, e
evoluía em oposição e numa direção oposta à desambientidade da cultura colonial imperial e sesmeiro
escravista. DESAMBIENTAÇÃO/
DESAMBIENTATUALIDADE/ DESAMBIENTATIVIDADE A Disambiência/Disambientidade
mal resolvida implica na Disambientação/Disambientatualidade/Disambientatividade;
e a permanência nela conduz à
Desambiência/Desambientidade. A Desambiência/Desambientidade
se caracteriza pela Desambientação/Desambientatualidade/Desambientatividade.
Que configuram o caráter “ativo” da Desambiência.
Na verdade a Desambientação não é efetivamente ação. Na medida em que este
modo de sermos ambientais se
caracteriza como uma perda da capacidade para a vivência ambiental
ontológica, com a perda da própria vivência ontológica do sentido de
co-pertinência ambiental. Dá-se por uma tendência à evitação e aversão ao
modo de sermos ontológico, fenomenológico existencial dialógico, somente no
âmbito do qual a vivência, que nos é potenciamente inerente, de intrínseca
co-pertinência ambiental, e ambientativa é possível. Só no modo ontológico de
sermos a ação, a ambientação é possível, na medida em que apenas nesse modo
de sermos vivenciamos possibilidades, que vivencialmente, compreensivamente,
se desdobram, no que entendemos como ação. A disambientidade se constitui de um modo niilista de sermos,
resultando em ressentimento, em culpa e em ideal ascético, segundo a formulação de Nietzsche, reativamente
característicos, já que a ação da potência do possível, da vontade de
possibilidade, é reprimida. O ambiente desvitalizado, objetificado, passa a
ser objeto privilegiado do ideal ascético, do ressentimento e da culpa,
resultando no que póderíamos chamar de ideal
ascético ambiental, em ressentimento
ambiental, em culpa ambiental.
Raízes privilegiadas da tendência para a predação
ambiental, para a destrutividade ambiental. De modo que a Desambientação,
característica da Desambientidade,
não é propriamente ação, mas reação, decorrente da repressão do
modo ontológico, potente (de possibilidade) de sermos, e da potência de
possibilidades, e do desdobramento de posibilidades, da ação, efetivamente,
que é inerente e espontânea a sua vivência. PREDAÇÃO
AMBIENTAL A predação
ambiental é a atividade de destruição ambiental. Funda-Se numa atitude de
alienação ambiental, disambientidade, pela dificuldade, ou incapacidade, mais
ou menos momentâneas, para a vivência ontológica do ambiente, resulta então o
ambiente, em seu caráter e modo ontológico, caráter e modo de vivência
ontológica, depreciado, indesejável, minimizado, ameaçador... A condição
decorre e implica em niilismo, e em
suas variedades de ressentimento de culpa e ideal ascético, com a
desvalorização da ambientidade,
vingatividade, violência ressentida, destrutividade contra o ambiente,
constituído então como coisa, isso,
fora da vivência ambiental; como inconveniente, como objeto, como utilidade.
A atitude resulta de uma postura de negação da vida de um modo geral, em sua
vontade de possibilidade, conforme mostrou Nietzsche, e que ao contrário de
uma ética da afirmação e da superação de si, se esmera na constituição do
outro como ruim, na constiuição de si por comparação como bom, e no empenho
na destruição do outro na sua constiuída “ruindade”. O ambiente, a
ambientidade, assim, o potente outro constituído como ruim, e objeto de
vingança e de destrutividade. Nesta dinâmica, o ressentimento se volta contra
o próprio ressentido, como Nietzsche observou, que agora não só constitui o
outro como ruim, mas passa a se constituir a si próprio pejorativamente, como
imprestável. É interessante observar que, a partir
da ótica da integridade dinâmica e dialógica fenomenológico existencial
ambiental, a predação ambiental é como um tipo de auto agressão, similar ao
padrão das agressões auto-imunes do corpo. Metaforicamente, podemos pensar a
predação ambiental como Ambieticídio. PRESENTE
AMBIENTAL/PRESENTIDADE AMBIENTAL O presente,
pres-ente, é o modo de sermos de
pré-coisa, o modo de sermos ontológico, fenomenológico existencial dialógico.
É a temporalidade ontológica, fenomenológico existencial, que tem como
critério o tempo particular da possibilidade e de sua atualização. Ou seja, o
presente está caracterizado ação, pela atualidade, ou seja, pela vivência de
possibilidade e do desdobramento de possibilidade. No que concerne à
ontológica vivência ambiental fenomenológico existencial dialógica é que
podemos nos referir ao presente, à presentidade ambiental. PRESENTIDADE
AMBIENTATIVA/PRESENTE AMBIENTATIVO Assim, o que é característico do presente, e o presente ambiental, como vivência fenomenológico existencial
dialógica, é o ser ele inteiramente impregnado de possibilidade, e, portanto,
de desdobramento de possibilidade; que se dá como possibilitação, como ação,
como atualidade, como interpretação fenomenológico existencial, compreensiva,
como performação, como performance. De modo que a ontológica vivencial
ambiental fenomenológico existencial é eminente ativa, em sua qualidade
própria ambiental. A isto entendemos como presentidade
ambientativa, como presente
ambientativo. De um modo sumário e experimental,
podemos assim propor um conjunto de categorias articuladas que podem sugerir
e participar de um universo categorial de uma psicologia fenomenológico
existencial dialógica. Como vimos, estas categorias se fundam e se originam
na categoria fundamental desta psicologia que é a concepção fenomenológico
existencial dialógica de ambiente,
como vivência ontológica ambiental fenomenológico existencial dialógica,
enquanto modo ontológico de sermos. O ambiente
assim, se dá no modo compreensivo de
sermos, e não ao modo explicativo,
teorético, ou comportamental. E, entendido como vivência, compreensiva,
é, como toda vivência, impregnado de possibilidade e de desdobramento de possibilidade.
Desdobramento este que se configura como ação, como interpretação compreensiva, fenomenológico
existencial; como atualização, como performação, e performance fenomenológico
existencial. De modo que o ambiente,
o ser ambiental que somos, na momentaneidade
ontológica de nossa vivência fenomenológico existencial dialógica, é,
específica e eminentemente, ação, atualização. Dá-se como acontecer, e não como acontecido. E é da ordem do presente — o nosso modo fenomenológico
existencial dialógico de ser de
pré-coisa, no qual é possível, e se dá, a ação. E não da ordem do acontecido, da dimensão da coisidade,
da dimensão do modo de sermos da realidade, o modo impotente de sermos. De
cuja predominância resulta o niilismo, o ressentimento, a culpa e o ideal
ascético, que, no caso, se manifestam como predação e destrutividade
ambientais. Bibliografia de Referência. BUBER, M., EU E TU. DELEUZE, G., NIETZSCHE E A FILOSOFIA. HEIDEGGER, M., SER E TEMPO. LINDOSO, D., UTOPIA ARMADA. |
[1] Fonseca, Afonso O Ambiente somos nós e Objetivismo e ambienticídio. Disponíveis em http://www.geocities.com/eksistencia.
[2] LINDOSO, Dirceu, UTOPIA ARMADA, , Civilização Brasileira, 1982.