Textos Beláfrica

 

BELAFRICA E OS AFRODESCENDENTES.

Afrodescendencia quer dizer algo mais

 

Afonso H Lisboa da Fonseca, psicólogo.

 

Já se falou de Brasil como uma BelIndia. Ou seja, um país que é continente para populações com qualidades e níveis de vida similares aos da Bélgica, convivendo com populações com níveis e qualidades de vida similares aos piores da Índia. A analogia é boa, para representar as discrepâncias absolutas das desigualdades no Brasil. Sua utilidade é limitada, todavia, por se ter usado a Índia para a metáfora. Na verdade é a África que, tanto metafórica quanto historicamente, caracteriza o extremo pobre do Brasil. E o Brasil é uma BelÁfrica. Bélgica e África, nos extremos de suas desigualdades, nos processos de sua constituição, na criação, reiteração e manutenção de seus mecanismos de dominação e de exclusão.

De modo que não é só em termos de caracterização dos extremos das discrepâncias das desigualdades no Brasil que o Brasil é uma BelÁfrica. Na verdade, a própria constituição do Brasil, a própria constituição das desigualdades no Brasil, a própria constituição das estruturas das dominações, das exclusões, no Brasil, se dão, e se reproduzem, na tensão da colonização da África pela Europa, em particular; e na tensão de outros colonialismos sobre a África. É essa tensão que resulta no que pode ser representado pela expressão BelÁfrica. De modo que é esta tensão colonialista, e de dominação, de exclusão, da Europa sobre a África que se reproduz em grande parte no Brasil, e se perpetua como um colonialismo Europa-África, dentro, e na constituição, do Brasil.

A África no Brasil envolve o Negro Sudanês, oriundo da África Sudanesa Subssaariana; envolve, também, o Mouro, e o Berbere, o Árabe, e o Judeu, da África do Norte, do Magreb, e do Saara, para aqui emigrados, ou aqui miscigenados, dispersados ou reconstituídos. Especificamente Africanos, Afrodescendentes genuínos estes: mas Saarianos, Magrebinos, e Norte Africanos, diferentemente do Sudanês Subssariano, emigrado cativo, e escravizado.

Na colonização, e na constituição do Brasil, na constituição dos mecanismos da exclusão: a África participa com os seus mais ou menos mestiços sobressaarianos,* os Mouros, os Berberes, Semitas, os Mamelucos, do Norte Africano. Que se agregam, já no Brasil, com os Ameríndios Pré-Cabralinos, constituindo os Mamelucos Brasileiros.** Re-mestiços estes, desta forma – remestiçados, --, com o Indígena, Mamelucos. E que passam, freqüentemente, por Caboclos, como se fossem mestiços de Branco Europeu com Ameríndio. Os Sudaneses, Negros, Subsaarianos, imigrados como cativos, e escravizados. E que também são mestiçados com o Branco Europeu, constituindo os Mulatos --, entre os quais despercebidamente se contam, frequentemente, Berberes e Mouros.... E os Cafusos: mestiços de Sudaneses, Negros, entre os quais certamente se contam Mouros e Berberes, com Ameríndios.

 

A compreensão do Brasil envolve a superação de alguns antolhos ideológicos. Antolhos esses que colaboram com a composição, e com a imposição, de imagens caricatas do país e da sociedade Brasileira, de acordo com uma variedade de interesses de poderes coloniais; ou de interesses de dominação internos.

Retirados esses antolhos ideológicos, é meio óbvio reconhecer que o Brasil se constitui originariamente de Europa -- Portugal, Espanha, Itália, França --, África, e Ameríndia. Nem sempre fica muito claro, todavia, em que dimensões esta constituição do Brasil se dá, na violenta intersecção histórica colonial entre Europa e África. Intersecção esta que, violentamente, se envolve com o Ameríndio, na constituição originária do Brasil. Nem sempre fica muito claro as culturas coloniais de extermínio, de dominação e de exploração, que se envolvem na colonização, dominação e exploração da África; e, a seguir do Brasil. E que, ainda hoje, atuam, de formas mais ou menos modificadas, ou mais ou menos preservadas. De um modo geral, não fica clara a participação dos vários elementos étnicos e culturais, em particular Africanos, envolvidos nesses processos.

De modo que, para fugir ao caricatural e ao estereotípico, para fugir à carência de conteúdo, na compreensão do Brasil, é fundamental o aprofundamento de uma compreensão da contribuição da África. Contribuição Africana, especificamente; e contribuição alienígena, vinda de fora para a África, trazida por seus diversos colonizadores e exploradores, contribuições estrangeiras e africanizadas. Tanto em termos étnicos, demográficos, como em termos culturais. Em termos de cultura colonial na África, e em termos de cultura colonial especificamente Africana.

Naturalmente que é necessária, também, para uma compreensão histórica do Brasil, uma melhor compreensão do elemento Europeu, e do elemento Ameríndio. Mas avulta a importância de uma melhor compreensão da África. Em função de seus significados étnicos e culturais intrínsecos, e em função de seus significados específicos não só como intersecção cultural, mas igualmente como intersecção de culturas de dominação, e de culturas coloniais. Aspecto fundamental quando queremos pensar e compreender as culturas coloniais, e as culturas de dominação no Brasil.

Para entender, em particular, que, não obstante a seminal contribuição, econômica, genética, étnica e cultural, dos Sudaneses (Negros) da África Subssaariana, preados, e imigrados cativados e escravizados, é imprescindível, e irrecusável, incontornável -- para a compreensão da sociedade, das culturas e histórias do Brasil, inclusive para uma adequada contextualização e compreensão dos AfroSudaneses --, uma compreensão do deserto Africano do Saara, de sua geografia, de seus povos, histórias e culturas. E das áreas de influências de suas dinâmicas históricas, comerciais e culturais... Da mesma forma que é imprescindível uma compreensão do Magreb al-Aqsa (extremo Norte Ocidental da África, em grande parte o atual Marrocos, segundo a designação dos antigos geógrafos Árabes), e do Norte da África (Tunísia, Argélia, Egito...). De sua geografia, de seus povos, histórias e culturas. E, igualmente, evidentemente, uma compreensão da geografia, povos, histórias e culturas do Sudão, da África Subssaariana, África Negra.

É muito importante considerar e compreender a penetração da África pelo colonialismo. Desde os Fenícios, passando pelos Gregos, Romanos, Árabes, Ibéria e Norte Europeu.

E as relações, em geral pouco harmoniosas, da geografia, dos povos, histórias e culturas do Magreb, do Norte da África, e do Saara, com os povos e culturas Sudanesas da África Subssaariana.

É fundamental entender o Saara, de Norte para Sul, de Sul para Norte; de Leste para Oeste, de Oeste para Leste. Não simplesmente como um tremendo e poderoso obstáculo geográfico. Mas, fundamentalmente, e, sobretudo, como a via de comunicação e de transporte que ele foi, e é, na na vida e na colonização da África; na operacionalização do ataque às riquezas e povos da África Subssaariana; nas iniquidades.

Também, para compreender a história e as culturas do Brasil, é fundamental considerar a Moura Andaluzia, meio Africana, meio Árabe, meio Européia, meio Judia, meio Cristã. Excetuando os Cristãos Europeus remanescentes do Império Romano, a Andaluzia era Moura, Mouros eram, inclusive, os Judeus que a constituíram. O paradigma era a condição do príncipe Mouro que lhe deu início, fugindo, para, e pelo, Saara, ao massacre da dinastia de sua família, em Damasco, filho de pai Semita, Árabe, e de mãe Berbere, do Deserto do Saara. Na sua fuga, transita pelas terras do povo de sua mãe, e atravessa os estreitos, em direção a Europa, se estabelecendo em Córdoba, e fundando a Andaluzia, como a civilização de tolerância em que, por oito séculos, Árabes, Judeus e Cristãos foram cidadãos de uma mesma e tolerante sociedade.

 

Originalmente, o colonialismo na África veio pelo Mediterrâneo. Com os Fenícios; e, a seguir, com Gregos e Romanos. Não se pode negligenciar o imemorial assédio ao Litoral Oriental, Índico, por Indianos, Árabes, e Chineses.

Com os Árabes -- os Judeus lhes eram então associados --, de um modo igualmente imemorial, mas intensificado a partir do Século VII, o assédio veio, progressiva e inexoravelmente, pelo Saara. Conquistando e colonizando o litoral Oriental – a Azânia, colonizando o Norte, e o Magreb, invadindo e colonizando o Saara. E preparando, e efetivando, o ataque ao coração da África Subssaariana.

Os Árabes colonizaram grande parte da África. Constituíram no Saara, e em suas margens Setentrional e Meridional, uma rica rede de tráfico comercial caravaneiro, e uma rede de entrepostos, e de postos de apoio, que funcionavam como empórios, e pousos de descanso das caravanas.

Não tardou a Ibéria e Itália, e em seguida o Norte Europeu – França, Holanda, Inglaterra, a Bélgica --, se interessarem pelos “mistérios”, riquezas, almas, e corpos, da África Subssaariana, e criarem suas redes de comércio colonial.

O tráfico de gente Sudanesa cativa, destinada ao trabalho escravo, sempre se deu, milenarmente, nos sentidos transsaarianos, como todo o comércio. Ou seja, das margens Sul do deserto do Saara para as margens Norte; e das margens Sul para o Nordeste do deserto Africano. E daí para a Europa, Península Arábica, Golfo Pérsico e Índia.

Com o desenvolvimento das colônias européias Sul, e Norte, Americanas, o tráfico de gente passou a se organizar e efetivar, também, e de um modo importante, em sentidos transatlânticos. Da África para o Ocidente, agora; da África para as Colônias, Sul e Norte Americanas da Europa.

Dentre outras, no sentido transsaariano a moeda era o sal e o ouro, o escravo, a noz de cola (que depois dá na Coca-Cola...). No sentido transatlântico, a moeda era o fumo, a cachaça, a farinha de mandioca, o açúcar.

Como resíduos de milênios de comércio, colonização, civilização, exploração e barbaridades contra a África, se foram criando povos, etnias...

Como tipos étnicos limites da África, temos, num extremo, ao Norte, os Líbios, termo que significa brancos. E, no outro extremo, ao Sul, os Sudaneses, Negros, da África Subssaariana.

Povos nômades do Deserto e de suas adjacências, temos os Berberes. Povos responsáveis pela designação européia de Berberia à região do Norte da África. Designação que logo se corrompeu em Barbaria, e em Bárbaros. Berbere, na verdade, significa os homens, em sua própria língua...

Os Berberes, desde sempre, se miscigenaram com os Sudaneses, Negros, da África Subssaariana. De modo que temos Berberes de cor de pele variando desde os de pele clara, até os de pele intensamente Negra.

Os Árabes, em suas históricas investidas comerciais e coloniais, se miscigenaram com os Berberes. Dessa miscigenação de Árabes com Berberes se constituíram os Mouros. Um tipo étnico de grande prevalência na África, e que se transportou para o Brasil primitivo, e compõe grande parte de nossa população, especialmente nas regiões iniciais da colonização, como Pernambuco, Bahia, Alagoas...

Descendente do Berbere, assim como do Árabe, o Mouro pode, portanto, variar também na cor de pele; desde os de pele clara, até os de pele intensamente Negra.

Como os Árabes, os Judeus, os Ibéricos, os Italianos, e os Norte Europeus --, os Mouros e os Berberes estiveram, também, profundamente envolvidos nos negócios do colonialismo e da colonização na África e no Brasil. Nos negócios do Ouro, do Sal, do marfim, da noz-de-cola, da preação, da escravização, do tráfico de cativos, nos negócios do açúcar, do trabalho escravo; da administração, e das milícias, nos engenhos e nas fazendas, já no Brasil.

De modo que, se Ibéricos, Italianos, Árabes Ibéricos e Andaluzes, Judeus Ibéricos e Andaluzes, Norte Europeus, vêm a constituir os germes da população e da cultura brasileiras; junto com os Sudaneses escravizados, e os Ameríndios; igualmente vêm a constituir germes da população e da cultura brasileiras, também, os Berberes, e os Mouros, os Árabes e os Judeus do Norte da África, do Saara e do Magreb. E não apenas os Ibéricos, os Italianos, e os Europeus do Norte, Árabes e Judeus da Ibéria, da Andaluzia, da Itália, ou do Norte Europeu, Sudaneses da África Subssaariana e Ameríndios.

É importante observar que, com a decadência da Andaluzia, com o ataque dos reinos Cristãos da Europa, e com o ataque do fundamentalismo Islâmico Magrebino, com a decadência e destruição da Andaluzia e com a Diáspora Andaluz, da mesma forma que com a colonização Ibérica das Ilhas Atlânticas da África: Madeira, Canárias, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde..., um significativo contingente de população Andaluz migrou, e se estabeleceu no Norte da África, no Magreb e nas Ilhas Atlânticas. De onde importantes contingentes passam historicamente para o Brasil. Como é, certamente, o caso de João Fernandes Vieira, líder da resistência e da supressão da ocupação holandesa do Nordeste do Brasil, proveniente da Ilha da Madeira. A influência desta origem específica de João Fernandes Vieira em seu papel na expulsão das tropas e governo Holandês do Nordeste do Brasil ainda está certamente por ser comentada – Lisboa já se compunha, covardemente, com os Holandeses, a despeito dos interesses do Brasil e da população Brasileira. E, efetivamente, mandou prender João Fernandes Vieira, quando este se rebelou contra o governo e exércitos Holandeses. No que foi obstada pelos exércitos Pernambucanos da restauração. Este contingente de imigração proveniente das Ilhas Atlânticas, de origem Andaluz, ou não, é significativamente heterogêneo, em termos étnicos e culturais, com relação ao contingente europeu, Lusitano, Hispânico, Italiano, e Norte Europeu.

A imigração da Andaluzia tem assim uma grande importância na constituição da cultura e da sociedade Brasileiras. Essa imigração decorre da decadência e destruição da Andaluzia. Vem da Andaluzia, diretamente, Sul da Espanha e de Portugal, e é potencializada pela expulsão da Espanha, e tentativa de conversão forçada, por decreto real em Portugal, de Árabes e de Judeus. Parte da população da Andaluzia emigrou para o Norte da África, para o Magreb, e para as Ilhas atlânticas de colonização Ibérica. Daí vem também parte da imigração Andaluz para o Brasil.

De modo que temos a considerar mais devidamente, na constituição originária da população Brasileira, a participação de um contingente étnico de população e cultura Andaluzes; e um contingente Africano, de Berberes e de Mouros; assim como de Árabes e Judeus Africanos, oriundos na verdade de toda a África, mas em particular da África do Norte, do Magreb, e do Saara.

Em termos culturais, e em termos de cultura de colonização, e de dominação, é importante considerar que existe um certo “olho do furacão”. Ou seja, a constituição, na África, de uma cultura de interface colonial e de dominação. Que envolve elementos, étnicos e culturais, tanto Europeus, como Norte Africanos, Magrebinos, Saarianos e mesmo Sudaneses, Africanos. Todos a serviço da colonização, da dominação, e da exploração das riquezas da África, da preação de Sudaneses, e de sua escravização.

O traficante Muçulmano Negro de escravos, ou o “Pombeiro” – africano Negro que fazia a preação de Sudaneses, o Português, o Espanhol, ou o Judeu, ou Árabe, africanizados e a serviço da colonização, parecem tipos bem representativos do tipo autóctone desta cultura colonialista de interface. Da mesma forma que o Mouro ou o Berbere empregados, administrativa, comercial ou militarmente pela colonização Ibérica, Italiana ou Européia, de um modo geral, são exemplos significativos e importantes desta cultura colonial e de dominação de interface entre a Europa e a África.

E, naturalmente, o Europeu, o Judeu, ou o Árabe, recém emigrado, ou há gerações já na África. O importante é que esta cultura de interface colonial se constitui na África, e conta com a participação de elementos Europeus, ou Africanos. Os Europeus descendentes, nascidos já, e criados, em solo Africano. É interessante, e certamente importante, observar que muito de Europeu, Lusitano ou não, que vem para o Brasil, não é exatamente Europeu, mas partícipe privilegiado desta cultura Africano Européia de interface colonial.

É importante considerar, neste sentido, que, na África, o Europeu não é simplesmente um Europeu, ou seja, o Europeu “in natura”. Mas um Europeu africanizado na interface de cultura Européia e Africana colonial e de dominação. Cultura esta que envolve, de modos mais ou menos integrados, elementos Europeus e elementos Africanos, elementos de colonização Árabe, elementos de colonização Moura, Berbere, e mesmo Sudanesa. De modo que, nessa condição, o Europeu, ou as sua gerações descendentes, não tem simplesmente o que lhe restou de cultura e civilização Européias, mas se acultura nessa cultura de interface européia africana colonial, e de dominação.

Da mesma forma, igualmente, o Africano partícipe desta cultura africana colonial de interface, seja ele Magrebino ou Norte Africano, Sudanês, Saariano, Berbere ou Mouro, não é simplesmente o que ele é, ou seja, simplesmente Africano, Berbere, Mouro, ou Sudanês... De modos significativos, ele se aculturou numa cultura colonialista e de dominação européia-africana de interface. Tanto nos usos, utilidades e práticas coloniais, como enquanto empregado desta cultura colonial.

Cremos assim que confunde, com relação ao tipo de colonizador original do Brasil, o fato de que numericamente ele não é simplesmente um Europeu... Mas um Europeu Africanizado; ou um Africano europeizado... Com as sua respectivas e características culturas mestiças, seja em termos étnicos, seja em termos de cultura colonialista e de dominação.

A produção de Cana de Açúcar, a produção de açúcar, a preação e a escravização, o trabalho escravo, em particular a gestão violenta de todos eles, trouxeram para o Brasil os elementos étnicos e culturais desta violenta cultura de interface colonial e de dominação. São todos esses elementos constituintes de nossas forças e mazelas. E certamente que, quando procuramos compreender a sociedade brasileira – a violência e a corrupção endêmicas, por exemplo... --, não os podemos deixar ausentes. Ao lado da particular violência colonial metropolitana, e da violência das classes dominantes, no Brasil independente.

Capítulo interessante, e essencial, certamente – do ponto de vista do conhecimento --, é o de entender, na constituição da sociedade e da cultura Brasileiras, os padrões e as minundências de como a violência metropolitana colonial, e a violência das classes dominantes, além de sua violência intrínseca, instrumentalizaram, e instrumentalizam, de modos mais ou menos institucionais, e estruturais, a violência desta cultura colonial de interface européio africana, no Brasil, e a própria violência dos Norte Africanos, Magrebinos, Saarianos e Sudaneses. Da mesma forma que instrumentalizaram, e instrumentalizam, a violência indígena, e a cabocla, a mameluca e cafusa.

É de surpreender, talvez, porque o Brasil não é um país mais violento... Mas se quisermos entender, e enfrentar efetivamente a tremenda violência que já temos, precisamos considerar esses elementos da constituição da sociedade e da cultura Brasileiras.

 

 

BOVILL, Edward W THE GOLDEN TRADE OF THE MOORS. Princeton, Markus Wiener Publishers, 1958.

COSTA E SILVA, Alberto da A MANILHA E O LIBAMBO. Rio de Janeiro, Nova fronteira, 2002.

 

 

 



* Observar que o deserto do Saara divide a África como uma faixa, de Leste para Oeste, de Oriente para Ocidente. A região meridional da África, abaixo do Saara é a chamada África Subssariana. Composta, de um modo geral, pela planície Africana, e pela Floresta Tropical: o Sudão: Terra dos Negros, já na designação dos Gregos. Historicamente, o Sudão se divide, no sentido Norte Sul, em Sudão Oriental, e Sudão Ocidental. Tendo como limite intermediário o Lago Chade, no atual Chade. A região Setentrional, acima do Saara, se divide em sub regiões diversas, como faixas paralelas entre o deserto e o Mediterrâneo, constituindo territórios do Marrocos, da Argélia, da Tunísia e do Egito, terninando a Oriente, no importante Golfo de Áden, já no Oceano Indico, entre a Somália e o Iêmen. Toda a Costa Oriental da África, no Índico, era a chamada Azânia. A região do extremo Ocidental, na Costa Atlântica, constituída principalmente pelo Marrocos, é o chamado Magreb Al-Acsa da geografia Árabe. Ver a monumental obra do grande africanólogo Brasileiro, Alberto da costa e Silva, A MANILHA E O LIBAMBO. Pode ser consultado também o ensaio Fonseca, Afonso, Saara, em http://www.geocities.com/eksistencia/saara.html.

** Ver o meu ensaio: Quem são afinal os Mamelucos do Brasil? Em http://www.gocities.com/eksistencia/mamelucos052508.html

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