O Angra lança em
setembro seu mais novo Cd intitulado FIREWORKS. Em uma conversa
com o guitarrista Rafael Bittencourt, ficamos sabendo um pouco
mais sobre esse novo registro da banda, tournes, a entrada do
novo produtor e muito mais. Confira.
FIREROCK
- Vocês sempre mudam algo na sonoridade do Angra de um
lançamento para o outro, o que os fãs da banda podem esperam
para o Fire Works, vai existir alguma mudança significativa em
relação ao Angels Cry ou ao Holy Land?
RAFAEL
- Basicamente o Fire Works é uma mistura desses dois álbuns, no
Holy Land ouve um certo amadurecimento musical e técnico que
nós incorporamos a esse disco, por outro lado, a gente tentou
resgatar o peso, o lado crú e as bases do Heavy Metal que
apresentamos no Angels Cry.
FIREROCK
- Vocês irão continuar incorporando a mistura de sons
brasileiros que apareceu no Holy Land?
RAFAEL
- No Fire Works esse tipo de som vai aparecer bem pouco, a idéia
é fazer como no Angels Cry a exemplo do que aconteceu na faixa
Never Understand, onde esses elementos já apareciam porém de
uma forma mais sutil.
FIREROCK
- Esse será um disco conceitual com foi o Holy Land?
RAFAEL
- Dessa vez, teremos temas diversos.
FIREROCK
- Porque vocês resolveram mudar de produtor para esse novo
álbum?
RAFAEL
- Nós ouvimos muitas críticas, tanto de fãs, quanto da
gravadora e imprensa especializada sobre o resultado sonoro, das
mixagens e do direcionamento dado ao Angra desde o começo.
Era
muita definição no som e pouco peso, outro fato era de que o
nosso som era muito calcado em teclados e arranjos
orquestrais, e muitas vezes esses teclados cobriam nossas
bases e ao vivo o som tinha um arranjo totalmente diferente,
então, nós gravamos algumas faixas ao vivo e o pessoal acabou
gostando mais.
Nós
procuramos um produtor que fosse tirar da gente essa sonoridade
de banda mesmo, e que deixasse um pouco de lado esses recursos
tecnológicos.
FIREROCK
- Quando vocês optaram pelo Chris Tsangarides, que é um
produtor que trabalhou com bandas famosas e de peso como o
Helloween, Black Sabbath, Judas Priest, entre outros... a
intenção era de trazer mais peso a banda?
RAFAEL
- Dentre muitos outros nomes de produtores cogitados estava o do
Chris, e todos levavam para uma linha mais pesada.
O
nosso outro produtor era alemão, e esse sendo inglês nota-se
que ele tem uma cabeça bem mais aberta sobre a audição das
músicas, ele procura numa música, bem mais a emoção dos
músicos do que cada detalhe técnico envolvido. Então, esse
disco ficou bem mais cru, pesado, talvez até mais simples,
porém, surtiu mais efeito pra nós.
Esses
foram os fatores que nos fizeram optar por ele, além do que, ele
é um cara que ajudou a escrever a história do heavy metal,
porque ele é uma das primeiras pessoas com experiência em
gravar duas guitarras pesadas. A banda já estava amadurecida o
suficiente para procurar um cara como esse.
FIREROCK
- Como foram as gravações no Abbey Road?
RAFAEL
- No Abbey Road só foram gravadas as orquestras, porque lá eles
tem uma estrutura muito boa e salas grandes para esse tipo de
gravação. A bateria e o baixo foram gravados no Metropolis, que
hoje em dia é um dos melhores estúdios da Inglaterra, as
guitarras foram gravadas em dois outros estúdios.
FIREROCK
- Segundo sua opinião, o Angra está bem mais amadurecido, você
acha que ao longo desse amadurecimento, a banda adquiriu mais
fãs?
RAFAEL
- Bom, ao meu ver, até que seja lançado o Fire Works, o número
de fãs é o mesmo que a gente conquistou com o Holy Land, agora
nós estamos prontos pra conquistar mais.
FIREROCK
- Todo mundo sabe da dificuldade das bandas brasileiras em,
conseguirem penetrar no mercado americano, que tipo de atitude
vocês vão tomar pra entrar nesse mercado, se é que vocês o
farão?
RAFAEL
- Nós tivemos inúmeras propostas de gravadoras muito pequenas
lá dentro, e o EUA por ser um mercado gigantesco, ele é bem
segmentado, fora as multi nacionais, existem inúmeras gravadoras
pequenas lá. Nós temos recusado propostas dessas gravadoras
pequenas, e estávamos esperando algo um pouco maior. Agora,
estamos assinando contrato com uma gravadora de médio porte,
chamada Century Media.
Essa
é a única providência que a gente tem tomado para estar lá, o
EUA tem um mercado muito modista, e que se modifica muito e,
muito rápido, tanto que cada vez mais esse mercado se diferencia
de qualquer outro no mundo, eles são muito auto-suficientes, é
um planeta à parte do resto do mundo, e eles tem uma cultura de
não aceitar muito bem o que é estrangeiro, existe um certo
preconceito.
FIREROCK
- Existe uma certa frustração de ser chamado para tocar em
alguns lugares com as características dos americanos, e não
serem recebidos de uma forma calorosa?
RAFAEL
- Nós nunca estivemos nos EUA pra saber, mas isso pode acontecer
até mesmo na Europa, por exemplo, nós agora iremos fazer uma
tourne com o Stratovarius, e em alguns países onde eles são
mais conhecidos, eles serão headline, por outro lado, países
onde nós somos mais conhecidos, nós é que sermos headline,
isso é muito comum acontecer lá. Mesmo quando nós fizemos
aquela tour com o Virgen Steele, em alguns lugares nós éramos
recebidos com 'fogos de artifício' e outros que a gente tinha
que ajudar os roadies a carregarem as coisas, porque não tinha
quem fizesse isso.
Isso
é muito normal, e faz parte do histórico da banda para se criar
uma base forte, e até adquirir novos fãs, porque se o cara não
te conhece direito, e vai no seu show, assiste uma apresentação
bem feita e de qualidade, ele vai na loja e compra o CD, e se o
disco corresponder, acaba virando um fã da banda.
FIREROCK
- Vocês já tem algo programado em relação as tournes? Como é
que será a divulgação e promoção do FIRE WORKS?
RAFAEL
- Nós já estamos trabalhando na divulgação deste disco dando
entrevistas. Nós iremos fazer o lançamento na Virgen Megastore
em Paris dia 4 de setembro, onde estaremos nós cinco, fazendo o
que eles chamam de "show case", depois disso, iremos
separadamente a alguns outros países para fazer lançamentos
menores. Quanto ao Brasil, não iremos fazer algo muito
grandioso, como festa de lançamento, será somente mídia mesmo.
Voltando
da França, nós vamos dar inicio as tournes, começando pelo
Brasil, isso deve acontecer até dezembro, e então iremos pro
Japão, talvez Coréa também, e em janeiro e fevereiro a tour é
na Europa.
FIREROCK
- Existem rumores da participação do Angra na próxima edição
do Monsters of Rock brasileiro, isso está confirmado?
RAFAEL
- Durante o Monsters passado, nós havíamos feito um acerto
verbal com a organizadora do evento, e resolvemos que o Angra
participaria do próximo, porém, não nos foi comunicado nada
ainda, na verdade eu acho que nós não participaremos, afinal
já tá muito em cima da hora e eu não sei nem se nós todos
vamos estar aqui no Brasil, mas eu iria gostar bastante se
acontecesse, afinal o lançamento do disco iria ser de uma forma
bem legal.