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O Nilo � um dos rios mais extensos do mundo, percorrendo 6.696km atrav�s do nordeste da �frica. Nasce perto da linha do Equador e corre para o norte, em dire��o ao Mar Mediterr�neo. Recebendo as �guas das chuvas que caem nas suas nascentes, localizadas na �frica Equatorial e na Eti�pia, o rio Nilo provocava anualmente no Egito uma inunda��o, entre julho e novembro, depositando sedimentos que tornavam as margens de terra extremamente f�rteis, muito prop�cias para os cultivos agr�colas. O famoso viajante grego Her�doto, que esteve no antigo pa�s dos fara�s por volta do ano 450 a.C., afirmou em sua Hist�ria a c�lebre frase que define a import�ncia do rio: O Egito � uma d�diva do Nilo. Embora n�o ocorram mais as cheias naturais devida � barragem de Aswan, constru�da na d�cada de 60, os camponeses do Egito ainda hoje cultivam o solo aproveitando as �guas do rio, que se mant�m vital para a economia agr�cola do pa�s. Viajando pelo Nilo abaixo ainda podemos ver as planta��es nos mesmos moldes que os antigos utilizavam. Alguns projetos de irriga��o com bombas modernas auxiliam os agricultores locais a obterem melhores resultados de suas colheitas, permitindo que a �rea f�rtil de terra seja mais bem aproveitada. |
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Foi aproveitamento das cheias do Nilo que determinou a ocupa��o do Egito por comunidades agr�colas ( os nomos ) desde pelo menos 6000 a.C. J� nesse momento firmaram-se as bases que por s�culos acompanhariam todo o desenrolar da hist�ria eg�pcia antiga: pr�tica da agricultura como eixo da vida econ�mica e campesinato como maior parcela da sociedade. Das �guas do Nilo tamb�m prosperam at� hoje o cultivo de papiros e a olaria ( fabrica��o de tijolos e potes de barro) que ainda s�o confeccionados no antigo estilo eg�pcio , feito a m�o. |
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Os antigos eg�pcios denominavam o Nilo simplesmente de o rio. Car�ter sagrado era por�m relacionado �s cheias, consideradas como a manifesta��o de um deus, H�pi. No in�cio da inunda��o era a ele dedicado um festival, momento em que se entoavam nos templos interessantes hinos, glorificando a prosperidade do pa�s oriunda das cheias. O n�vel das inunda��es era minuciosamente registrado. Para fazer isso, constru�am nos templos o que hoje os egipt�logos denominam de nil�metros. Uma vez determinado o n�vel da cheia do rio, era poss�vel se prever o aproveitamento das terras cultiv�veis, a quantidade de cereal produzido e os impostos que sobre ele incidiriam. Uma boa colheita dependia de uma cheia adequada: muito baixa significava carestia, muito alta, devasta��o. |
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Em geral o Nilo subia de 6 a 7 metros, e o ciclo de suas inunda��es serviu de base para o calend�rio eg�pcio. Este compunha-se de tr�s esta��es com 4 meses de trinta dias cada uma, totalizando 360 dias, aos quais se adicionavam outros 5 dias complementares: Akhit, �poca da inunda��o, entre julho e novembro; Peret, a chamada (sa�da) ou vazante do rio, com o reaparecimento da terra cultiv�vel do seio das �guas, �poca de semeadura, entre novembro e mar�o; Shemu, a colheita, que acontecia de mar�o a junho. O ano novo ocorria no dia 19 de julho, in�cio da inunda��o, correspondendo com o aparecimento no c�u da estrela Sirius, chamada Seped em eg�pcio. |
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Um dos mitos eg�pcios da cria��o do mundo � o da chamada (colina primordial), sem d�vida produto da mente de humildes camponeses. Segundo esse mito, nada existia no mundo a n�o ser uma massa de �gua. Dessas (�guas primordiais), chamada Nun, surgiu um mont�culo de terra, a (colina primordial), na qual apareceu um deus, Temu, que passou a criar todas as coisas. Ora, esse mito � claramente uma observa��o das cheias feita pelos camponeses, um acontecimento que poderia ser visto todos os anos ao longo do vale do Nilo: depois da inunda��o, ao in�cio da vazante, mont�culos de terra das margens, em n�vel superior ao das �guas do rio, come�avam a aflorar; nitidamente essa terra (brotava) das �guas, suscitando nos camponeses a id�ia que o mundo todo teria se originado da mesma maneira. Alguns deuses foram entao associados ao Nilo como o deus Hapi ( abaixo ) e tambem o Deus Khum o qual acreditava-se ter moldado os seres humanos com a lama do Nilo . |
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Hino a H�pi, o deus da inunda��o do Nilo |
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Homenagem a ti, � H�pi, aquele que brota da terra, que vem para fazer viver o Egito... que inunda os campos que R� [o deus-sol] criou para fazer viver todos os animais... Senhor dos peixes, conduzes os p�ssaros migradores ao sul... Criador da cevada e que faz nascer o trigo, que abastece ricamente os templos. Se tardas a vir, as narinas se fecham, e todo o mundo fica pobre. Tu, que trazes o sustento, que � f�rtil em alimentos, que cria (todas as coisas boas)... Come�amos a cantar com a harpa em tua honra, a cantar (batendo nas medidas de gr�os) com as m�os. Um grupo de jovens o sa�da, formamos em tua honra uma prociss�o exultante... Quando surges sobre a terra h� grande alegria, pois todas as pessoas est�o contentes, todo homem recebe sua comida, e n�o h� um dente sequer que n�o tenha algum alimento para mastigar. |
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