Economia Agr�cola no Antigo Egito
A base econ�mica do Egito fara�nico era a agricultura, principalmente o cultivo de cereais, como trigo e cevada. O trabalho nos campos era facilitado pelas cheias anuais do rio Nilo, que fertilizavam as margens de terra, tornando-as bastante produtivas. At� mesmo os nobres e outros grupos mais abastados tinham prazer em se fazer representar a si pr�prios nas tumbas, e mesmo templos, envolvidos na vida do campo, no trabalho de jardins, vinhas, terras ou na avalia��o dos produtos, junto de in�meros funcion�rios.
Os eg�pcios antigos gostavam muito de representar cenas agr�colas em em todas as formas assim  poderemos ver at� hoje p�ssaros, plantas, cenas de ca�a , pesca , cultivo , as flores e folhagens da �poca.
Os camponeses constitu�am a maioria absoluta da popula��o. Viviam em aldeias e executavam os trabalhos agr�colas nas terras que pertenciam ao Estado, �s altas camadas sociais e aos templos, entregando a seus propriet�rios excedentes da produ��o  em geral menos da metade - como imposto. Um campon�s nos tempos do Novo Reino (1550-1070 a.C.) cultivava uma �rea de cerca de 5 (aruras) (1,25 hectares), suficiente para uma fam�lia em torno de 5 ou 6 indiv�duos.
O trabalho no campo era regulado em fun��o das tr�s esta��es do ano, t�picas do pa�s, relacionadas ao ciclo do rio Nilo: Akhit - a inunda��o, de julho a novembro; Peret - a chamada ,sa�da, ou reaparecimento da terra cultiv�vel do seio das �guas - �poca da semeadura - que acontecia de novembro a mar�o; Shemu - a colheita, que acontecia de mar�o a junho. Analisada a paralisa��o das atividades agr�colas durante a inunda��o, e considerando-se que a colheita, realizada entre fins de mar�o e in�cio de junho, terminava bem antes de ocorrer a nova cheia do rio Nilo, constata-se que o ciclo da agricultura b�sica durava pouco mais de meio ano.
Note-se que no per�odo das inunda��es do Nilo, quando praticamente cessavam os trabalhos agr�colas, os camponeses eram requisitados pelo Estado para a presta��o de corv�ias ou trabalhos nas obras p�blicas, como a constru��o de pir�mides ou templos. S�o conhecidos de diversas �pocas decretos reais isentando certos grupos de camponeses desse trabalho for�ado.
Os campos de trigo e de cevada - cultivos b�sicos - sucediam-se desde os p�ntanos do Delta, ao norte, at� a regi�o da N�bia, no extremo sul. Uma vez o rio Nilo voltando ao leito normal ap�s a cheia, iniciava-se o trabalho de cultivo da terra. A primeiro tarefa dos camponeses era a aragem e semeadura da terra, antes mesmo que as �guas da inunda��o se retirassem totalmente. Esses dois afazeres ocorriam no mesmo momento. Camponeses que revolviam a terra com arados e enxadas eram seguidos de imediato de outros camponeses que lan�avam as sementes dos cereais, pisoteadas por animais (ovelhas, cabras, etc.) de modo a penetrarem no solo.
Cena de Cultivo da Tumba de Snedjem
� �poca da colheita, os talos de trigo e de cevada eram cortados pelo meio utilizando-se uma pequena foice de madeira com dentes de s�lex. Os talos eram depositados no ch�o. Feito isso, recolhiam-se as espigas em cestos, sendo transportadas � extremidade do campo. O cereal era ent�o pisoteado por bois de modo a separar o gr�o da casca, e em seguida peneirado. Era nesse momento que chegavam aos campos os propriet�rios ou seus representantes, acompanhados de um contingente de escribas, agrimensores, empregados e soldados, os quais iriam, antes de tudo, medir os campos de modo a determinar a percentagem do cereal que o campon�s deveria entregar. Os gr�os colhidos eram acondicionados em sacas denominadas de khar, com 73 litros.
A constru��o de celeiros para o armazenamento dos cereais colhidos pelos camponeses constitu�a uma grande preocupa��o dos propriet�rios das terras no Antigo Egito. Al�m de representa��es de celeiros em tumbas, conhecemos esse elemento particular atrav�s dos modelos em madeira e cer�mica depositados em tumbas - verdadeiras maquetes - al�m daqueles encontrados em antigas cidades e templos. Nos tempos no Novo Reino (1570 a 1070 a.C.) os celeiros mais comuns eram cil�ndricos, constru�dos em tijolos de barro revestidos de gesso, medindo de 1,5 m a 2,5 m de di�metro e de 3 a 5 m de altura. Escadarias davam acesso � parte superior, nas quais haviam aberturas por onde se depositavam os gr�os. No templo do fara� Rams�s III (s�c. XIV a.C.) em Medinet-Habu, na margem oeste do Nilo em frente � moderna cidade de Luxor, e tamb�m na antiga cidade de Akhetaton - hoje Tell-el-Amarna - no M�dio Egito, foram encontrados celeiros de 8 a 9 m de di�metro tendo 7 a 8 m de altura. S�ries de celeiros poderiam tamb�m ser encontradas, bem como pequenos celeiros no interior de jardins e casas.
As desgra�as do campon�s
Trecho de uma obra conhecida entre os egipt�logos como :S�tira dos Of�cios -trata-se do papiro Lansing (Museu Brit�nico,  9994), do Reino Novo,20� dinastia (1196-1070 a.C.), mas sabe-se que o texto remonta ao M�dio Reino (2040-1783 a.C.).
Deixa-me tamb�m expor-te a situa��o do campon�s, essa outra rude ocupa��o... De dia ele talha seus instrumentos agr�colas, de noite ele fabrica corda. Mesma a sua hora de descanso ele gasta no trabalho agr�cola. Ele se equipa para ir ao campo como se fosse um guerreiro. O campo ressecado est� diante dele. Ele vai buscar sua junta de bois... Passa tr�s dias procurando-a, acha-a no p�ntano. N�o acha pele nos animais, pois os chacais os devoraram... Quando chega ao seu campo, encontra-o fendido (pelo calor). Leva tempo cultivando, a serpente o persegue. Esgota a semente atirando-a ao ch�o. N�o v� sequer uma folha verde. Ara e semeia tr�s vezes com gr�o emprestado. Sua mulher procurou os comerciantes e nada achou para trocar. Agora o escriba desembarca nas margens. Ele mede a colheita. Auxiliares est�o atr�s dele com varas, e n�bios com ripas de palmeiras. Um deles lhe diz: Entrega o cereal!N�o h�! Ele � surrado sem piedade, amarrado, jogado no canal, com a cabe�a debaixo d�gua. Sua mulher � atada em sua presen�a. Seus filhos est�o em correntes. Seus vizinhos o abandonam e fogem. N�o h� cereal.
Est�tua do Deus Hapi - Deus do Rio Nilo
Um dos deuses muito conhecidos do Pante�o Eg�pcio � o deus Hapi, associado ao Rio Nilo, as inunda��es e a colheita, muito representada nas tumbas como um ser de pele esverdeada, lembrando o lodo fertilizante do Nilo ap�s suas cheias. O culto ao Deus Hapi � bem antigo acreditando-se que possam vir desde o per�odo pr�-din�stico. Textos falando sobre o Deus Hapi, foram encontrados na Tumba de Unas da 4a. Dinastia. Ele tamb�m � representado segurando plantas como l�tus e o papiro. Ele se tornou parte do pante�o de Deuses da cria��o do mundo.
V�rios hinos foram feitos em sua homenagem , com o tempo ele passou a ser identificado como Os�ris. Na ocasi�o da cheia do Rio Nilo um grande festival era realizado em honra ao Deus Hapi, e estatuetas do deus eram carregadas pelas cidades e vilas.
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