O caso do Miguel

 Objetivo:  diálogo entre as pessoas

 1ª parte:     a) leitura em pequenos grupos

                   b) comentário sobre o relato

                   c) O que diz para nós o caso do Miguel ? Quem é Miguel ?

 O caso de Miguel 1ª parte:

         Miguel é um artista, solteiro de boa aparência, 33 anos de idade.
Eis a seguir como foi percebido por diversas pessoas, no dia X.

 a)     Relato da mãe:

“Miguel levantou correndo, não quis tomar café, não ligou para o bolo que eu havia feito especialmente para ele. Só apanhou cigarros e fósforos. Não quis botar o cachecol que eu dei. Disse que estava com pressa e reagiu com impaciência a meus pedidos para se alimentar e se abrigar. Ele continua sendo uma criança que precisa de atendimento, pois não reconhece o que é bom para si próprio”.

 b)    Relato do chofer de taxi:

“Hoje de manhã apanhei um sujeito que eu não fui muito bem com a cara dele. Estava de cara amarrada, seco, não queria saber de conversa. Tentei falar de futebol, sobre política, sobre tráfego e sempre me mandou calar a boca, dizendo que tinha de se concentrar. Desconfio que ele é um cara subversivo, desses que a polícia anda procurando ou um desses sujeitos que assaltam taxistas, para roubar. Aposto como andava armado. Fiquei louco para me livrar dele”.

 c)     Relato do garçom da boate:

“Ontem a noite ele chegou aqui acompanhado de uma morena bem bonita, por sinal, mas não deu a mínima para ela. Passou o tempo todo olhando para tudo que era mulher  que chegava. Quando entrou uma loira de vestido colante, me chamou e queria saber quem era.Como eu não conhecia, não teve dúvidas: foi na mesa dela falar com ela. Eu disfarcei e passei pôr perto e só pude ouvir que ele marcava um encontro às 9h da manhã, bem nas barbas do acompanhante dela! Sujeito peitudo.... Eu também dou minhas voltinhas, mas esse foi demais”

 

d)    Relato do zelador do edifício:

“Ele não é muito certo da bola, não. Às vezes finge que não vê ninguém. As conversas dele a gente não entende e ele é parecido com um parente meu que enlouqueceu. No dia X de manhã chegou até falando sozinho. Eu dei bom dia e ele me olhou com um olhar estranho e disse que tudo no mundo era relativo, que as palavras não eram iguais para todos e nem as pessoas. Me deu um puxão na gola e apontou pra uma senhora que passava e disse que cada um que olha pra ela via uma coisa diferente. Disse também que quando ele pintava um quadro aquilo é que era realidade. Dava risadas. Está na cara que ele é lunático.”

 e)     Relato da Faxineira:

“Ele anda sempre com um ar misterioso. Os quadros que ele pinta a gente não entende. Quando ele chegou, na manhã do dia X, ele me olhou meio enviesado e eu tive um pressentimento que ia acontecer alguma coisa ruim. Pouco depois chegou a moça loira. Ela me perguntou onde encontrava ele. Eu disse. Daí um pouco eu ouvi ela gritar e eu acudi correndo. Abri a porta de supetão e ele estava com uma cara furiosa olhando para ela. Chorei de ódio. Ela estava no divã e no chão tinha uma faca. Eu saí gritando ASSASSINO!  ASSASSINO !

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