| Na semana passada, na formatura dos alunos que conclu�ram o curso em 2004, o Professor �dson, homenageado pelas turmas, falou sobre um dos clich�s que mais inspiram a imprensa brasileira (e mundial) da segunda metade do s�culo passado em diante: o jarg�o �bad news is good news�, ou seja, not�cia ruim � not�cia boa. Por que ser� que a not�cia ruim virou, paradoxalmente, algo bom do ponto de vista editorial? O que leva a opini�o p�blica a uma busca desmedida por cautela diante daquilo que � ou pode vir a ser amea�ador? Os psic�logos seriam os mais indicados para dar a resposta, mas creio que o meu colega acertou em cheio quando questionou a nossa responsabilidade social. Qual � e deve ser o compromisso mais elementar dos profissionais dessa sociedade da informa��o, dos metal�rgicos dessa ind�stria global? Afinal de contas, por que o jornalismo tem se tornado ref�m de estrat�gias comerciais ou, numa toada extremista, da venda do p�nico coletivo? A resposta � complexa e n�o quero ousar tentar busc�-la (quantos verbos!). Mas h� algo errado no jornalismo brasileiro, especialmente na tev� aberta. Chega a ser gritante a diferen�a entre a programa��o a cabo, mais customizada, e aquilo que acompanhamos nos canais que contemplam a premissa de informar e entreter. O problema � a fus�o da informa��o com o entretenimento, como aconteceu na transmiss�o do Oscar, pela Globo. A transmiss�o da cerim�nia come�ou atrasada porque era importante cumprir os compromissos comerciais com os patrocinadores do BBB5, sim, daquele cativeiro coletivo, invasivo, que viola a intimidade das pessoas que se prestam ao papel de cobaias monitoradas. H� tr�s semanas, a capa da Veja, a revista mais conceituada do Pa�s tratava dos feitos e desfeitos de uma novela � Senhora do Destino � que atinge m�dicos 45 milh�es de brasileiros, um em cada quatro!!! A trama que exp�e mais uma vez o percal�o da intr�pida luta do bem contra o mal, mocinhos e bandidos, vil�es e her�is, virou capa da maior revista semanal deste pa�s. �, mais uma vez, discutir o sup�rfluo em detrimento do essencial. E que direito n�s temos em imaginar que somos, como pauteiros da realidade cotidiana, capazes de pensar pelos outros, decidir por eles ? Quem nos deu o aval para esse julgamento sum�rio, t�o precipitado e aparentemente equivocado? A ind�stria de novelas, parte de um staff televisivo que virou produto-exporta��o, pode at� projetar a cultura brasileira em outras terras. A Escrava Isaura foi parar na China. Terra Nostra virou sucesso no Velho Continente e por a� vai... O problema central � que, quase sempre �e l� se vai uma contradi��o � a novela funciona como um poderoso ant�doto para o despertar da consci�ncia coletiva. Roberto Damatta, quem diria!, participou do Doming�o do Faust�o para falar da trama que envolve a personagem Nazar� que, claro, ganhou direito a ser tema de comunidade no Orkut. Mas nada se compara ao que fez o jornal Agora, sempre t�o inovador. Na cr�tica sobre o filme Ray, o di�rio popular (popularesco) cita que o cantor participou ativamente da produ��o do filme e, antes de morrer, VIU ALGUMAS CENAS de sua biografia. Ray Charles era cego e n�s todos estamos, no m�nimo, m�opes diante de expedientes que vendem o p�o para, subliminarmente, oferecer o circo. Erros dessa magnitude mostram o longo caminho de gest�o da qualidade que o jornalismo tem a trilhar. Convenhamos: ningu�m segura este pa�s e n�o como n�o se ufanar por ele. _________________________________________________________________________________ Wagner Belmonte, 36, � jornalista e professor da Universidade Santo Amaro/SP |
| SALA DOS PROFESSORES |
| Segunda, 07 de mar�o de 2005 |
| O pior cego... |