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Curiosidades L�xicas - Parte 1

1) NOSSA L�NGUA PORTUGUESA: NADA MACHISTA, GRA�AS A DEUS!

Pode at� haver l�nguas n�o machistas, mas igual � nossa l�ngua portuguesa n�o h�.  Al�m de doce, suave, nossa l�ngua tamb�m � desprovida de grande dose de machismo.  Da� a cria��o de palavras aos pares, praticamente com o mesmo significado:

barraco e barraca
saco e saca
po�o e po�a (da� a pron�ncia p��a, com � fechado)
barco e barca
porto e porta

� t�o democr�tica nossa l�ngua que de algumas palavras nem definimos definitivamente o g�nero, como acontece com a palavra  PERSONAGEM, que pode ser A PERSONAGEM ou O PERSONAGEM, ou ainda com a palavra PIJAMA, que tamb�m pode ser masculina ou feminina, embora esteja se firmando a forma masculina.

2) SINCERIDADE: UMA COISA, OUTRORA,  FACILMENTE DILU�VEL

Contam os antigos estudiosos da nossa l�ngua uma deliciosa curiosidade sobre a palavra SINCERA. Segundo eles, os antigos romanos, quando queriam vender ou comprar uma casa, tinham na coluna o seu balizamento.  Se ela fosse lisinha, a casa estava em ordem, caso contr�rio...
Ent�o, os �mais espertos� (j� naquela �poca!!!!) passavam CERA na coluna, para enganar o comprador.  Ao contr�rio, os vendedores honestos diziam para o comprador:
- Pode olhar, esta coluna � SIN  CERA.
Da� o significado da palavra SINCERA:  pura, honesta, leal.  Da� surgiu a forma masculina: SINCERO.
Obs.: Adaptamos as express�es para o portugu�s atual, abstendo-nos dos casos e declina��es do latim.

3) H� COISAS ANTIGAS, MUITO ANTIGAS, COMO AS �DO TEMPO DO ON�A�

Voc� j� reparou que as pessoas mais vividas, mais velhas, quando querem dizer que alguma coisa � muito antiga, dizem:  �Isso � do tempo do on�a�?  O que isso significa, o que significa ser do tempo do on�a?  Segundo o dicionarista Deon�sio da Silva, � uma refer�ncia ao tempo de  um governador do Rio de Janeiro, capit�o Lu�s Vahia Monteiro, que governou de 1725 a 1732,  e cujo apelido era o ON�A, pessoa muito honesta e que reclamava de que todos roubavam, menos ele.   Portanto, as refer�ncias �quele tempo eram sempre voltadas, naturalmente, para os casos de desonestidade.  N�s, os modernos, n�o temos no��o do que seja isso,  pois vivemos, sui�amente,  num pa�s de honestos.

4)  VEJA COMO � DIF�CIL COLOCAR UMA CRIAN�A NO �COLO�

Voc� j� viu algu�m usar colar na cintura ou nas coxas?  Ou algu�m que tenha camisas com colarinho nessa mesma regi�o?  A gravata ficaria meio esquisita se fosse colocada, por exemplo, do umbigo para baixo. E quando se tem TORCICOLO, com certeza, n�o estamos com a cintura ou as coxas duras. Pois �: COLO (de cuja palavra nasceram COLAR,  COLARINHO e TORCICOLO) � o pesco�o.  Mas o sentido acabou sendo ampliado, j� que as m�es, quando carregam as crian�as nos bra�os e se sentam, ap�iam-nas na bacia (parte da cintura e das coxas, onde as crian�as ficam ouvindo hist�rias, ou s�o acarinhadas).
Pontanto, � melhor deixar o colo onde est� atualmente. Fica mais f�cil colocar uma crian�a a� do que no pesco�o, convenhamos.

5) VOC� EST� DESNORTEADO?!  ENT�O EST� �SEM EIRA NEM BEIRA�?

SEM EIRA NEM BEIRA. Com certeza, voc� j� ouviu essa express�o! Muitas vezes ela passa a sensa��o de que se refere a algu�m ou a alguma coisa que estejam desgovernados, sem rumo.  Mas n�o � bem isso n�o. EIRA � um peda�o de terra que serve para secar cereais. BEIRA � a parte do telhado que avan�a para fora  da casa. Ent�o, n�o ter eira nem beira significa ser um pobret�o, n�o ter moradia ou uma pequena por��o de terra. 
Nas Cidades  Hist�ricas de Minas Gerais,  o povo d� outra explica��o nada cient�fica: sob os beirais das casas, havia outras pecinhas, como uma esp�cie de meia-lua. Essas pecinhas seriam as eiras. Ter uma, duas ou tr�s carreiras dessas meias-luas determinava o padr�o econ�mico da fam�lia, a sua posi��o social. Ent�o, quando queriam se referir a uma pessoa pobre, diziam: fulano n�o tem eira nem beira.  De qualquer forma uma refer�ncia � condi��o social, � pobreza, mais especificamente.
Olha, � melhor ficar com pobret�o, mesmo porque, quando n�o se tem �onde cair morto�, j� se est� sem rumo certo, desnorteado, �sem eira nem beira�.
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Leo Ricino, Vice-Diretor da Faculdade de Letras e professor de Portugu�s da Faculdade de Jornalismo da Universidade Santo Amaro/SP
SALA DOS PROFESSORES
Quarta, 02 de mar�o de 2005
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