| Em 2 de abril de 2005 morria o polon�s Karol Wojtyla. Mal o pont�fice polaco deixava o mundo dos vivos para ocupar o seu lugar no para�so � como certamente acreditam os crist�os � j� se faziam ouvir especula��es acerca de quem ocuparia seu posto no poderoso Vaticano. Logo se come�ou a especular com nomes � diversos, at� latino-americanos � e especialmente um deles ganhou for�a. O nome era o do cardeal alem�o Joseph Ratizinger. 17 dias depois da morte de Wojtyla, a especula��o se tornou uma realidade inconteste. O alem�o Ratzinger � ex-combatente nazista na Segunda Guerra � se tornava o novo papa e sepultava as esperan�as de muitos fi�is que esperavam um resultado mais progressista do Conclave dos Cardeais Cat�licos, iniciado logo ap�s a morte de Jo�o Paulo II. A grande quest�o: era realmente poss�vel emergir do Conclave cat�lico um papa progressita? E a resposta � certamente n�o. O polon�s Wojtyla ao longo de seu pontificado iniciado em 1978 tratou praticamente de aniquilar com um certo estupor progressista da Igreja Cat�lica. Uma das obras da administra��o de Wojtyla foi substituir gradativamente os cardeais donos de id�ias liberalizantes por defensores de id�ias conservadoras, portanto o resultado do Conclave de 19 de abril de 2005 n�o deveria ser motivo de espanto. Os cardeais chamados de �progressistas� pela grande m�dia durante os dias que se seguiram ao vel�rio de Wojtyla n�o passam de meros conservadores. Durante o seu pontificado o polon�s Wojtyla combateu o pluralismo, o relativismo moral, as missas consideradas relaxadas e a postura da igreja de proximidade da esquerda pelo mundo. � fato que o papa polaco procurou estabelecer o di�logo com as outras religi�es � visitou mesquitas, sinagogas, etc � por�m foi de pouqu�ssimo di�logo com os seus l�deres. Reprimiu duramente expoentes do Conc�lio Vaticano II como Edward Schillebeecky e Hans Kung, bem como expoentes da teologia da liberta��o como o frei brasileiro Leonardo Boff. Extremamente centralista, Wojtyla centralizou o poder ao ponto dos bispos serem chamados a Roma apenas para receber ordens. Tal atitude lembrou os anos de Pio XII � o chamado papa de Hitler, devido a sua liga��o com o nazismo � ou mesmo o monarca franc�s Lu�s XIV, o rei Sol, aquele que afirmava ser ele mesmo o Estado. Condenou a guerra de George W. Bush � que diz guerrear em nome da liberdade � mas fez a guerra contra a liberdade de express�o dentro da Igreja. Na vis�o do santo padre o dever dos crist�os era amar uns aos outros e n�o lutar para transformar suas vidas na Terra. Apoiou e foi entusiasmadamente apoiado pela Opus Dei � organiza��o da extrema direita cat�lica � ao ponto de canonizar o seu fundador Jos� Maria Escriv�. N�o se pode definitivamente desprezar o fato de Jo�o Paulo II ter vindo da Igreja polonesa caracterizada pelo extremo conservadorismo e anticomunismo. O anticomunismo de Wojtyla foi uma grande arma utilizada contra o governo do PC polon�s no fim dos anos 80. Dizem at� mesmo que o papa polaco foi aliado da CIA na luta pela desestabiliza��o do regime comunista da Pol�nia que realmente cairia anos depois. A Igreja de Jo�o Paulo II, assim como a de Ratzinger � a Igreja que apresenta ao mundo uma vis�o monol�tica, ou seja, n�o h� espa�o para a escolha. Tal forma de ver o mundo se manifestou sem d�vida alguma como j� foi minuciado aqui, nos processos expurgos dos progressistas, as teologias do Conc�lio Vaticano II e aos membros da teologia da liberta��o. Estes eram praticamente hereges, ou seja, aqueles que se recusavam a partilhar da estabilidade institucionalmente. Da�, as puni��es estabelecidas a todos eles � um exemplo muito categ�rico foi a condena��o ao sil�ncio ao qual foi submetido o frei Leonardo Boff. Sendo assim, a ascens�o de Ratzinger ao poder m�ximo da Igreja Romana � vale lembrar que o cardeal alem�o, a mando de Wojtyla, ocupava o cargo de chefe da Congrega��o para a Doutrina da F�, ou seja, a vers�o moderada do tribunal do Santo Of�cio (Inquisi��o) � n�o surpreende (ou n�o deveria surpreender) de forma alguma. Mais do que isso, demonstra que Roma mais do que nunca busca afirmar seus dogmas, apesar de um certo verniz modernizante. Busca o poder e estar ao lado daqueles que exercem o poder contra as transforma��es que de fato encaminham os homens a se humanizar. Exerce o papel que sempre exerceu: ser a guardi�-mor da aliena��o religiosa. No dia da morte do papa polaco eu conversava com um amigo � curiosamente na PUC/SP � e ele me afirmava o seguinte: �Vamos ter saudade de Jo�o Paulo II !� Parece que meu caro amigo tinha raz�o diante das primeiras manifesta��es de Ratzinger a frente da Igreja Romana. � s�. ________________________________________________________________________________________ Marcelo Squinca da Silva � mestre em Hist�ria Social pela PUC/SP, Doutorado em Hist�ria Social pela PUC/SP e professor adjunto da Faculdade de Comunica��o Social da Unisa/SP |
| SALA DOS PROFESSORES |
| Ter�a, 14 de junho de 2005 |
| Sentiremos saudade de Jo�o Paulo II? |