| Talvez nos versos de Geraldo Vandr�, sempre t�o inspiradores, se encontre uma forma de entender o quanto � interessante a iniciativa de alguns alunos da Unisa que decidiram criar um site para os textos que eles desenvolvem no ambiente acad�mico. A mobiliza��o para a constru��o dessa comunidade virtual trar�, em pouco tempo, recompensas palp�veis para cada um de n�s - alunos, professores, pais, amigos e colegas. E, principalmente, o estreitamento de la�os cada vez mais homog�neos e menos hierarquizados. Estamos no mesmo barco, do mesmo lado do balc�o, jogamos juntos e olhamos para os desafios diante de nossas vidas. Na pior das hip�teses, a edi��o de textos com certa periodicidade - ainda que o compromisso n�o tenha de ser caracterizado como algo parecido com a press�o que existe no deadline nas reda��es - revitaliza a necessidade de estar em constante desenvolvimento, de se escrever simplesmente porque a escrita tem de ser, no nosso universo, mais do que um of�cio uma forma de prazer e, claro, de sobreviv�ncia. Estou na Unisa h� quatro anos. Aprendi muito mais do que ensinei. Bem mais... Constru� novas e verdadeiras amizades, conheci pessoas brilhantes e tamb�m aqueles que ainda est�o conformados, quase adormecidos, no pr�prio est�gio de desenvolvimento. Devo alguns obrigados, que n�o traduzem mais do que a minha gratid�o nessa atividade que mudou muito os meus valores. Os professores Ary, L�o e Eliana t�m sido fundamentais, cada um de uma forma, mas todos com a vontade de testemunhar uma vit�ria efetivamente coletiva. O fato � que precisamos desmistificar essa necessidade do jornalismo por "bad news is good news", clich� da imprensa norte-americana t�o presente nas mentes de nossos editores. O jornalista n�o � nada mais do que um cronista da realidade e este, talvez, seja o principal preceito que devemos perseguir com determina��o. Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos, Fernado Sabino, Rachel de Queiroz, M�rio de Andrade, �rico Ver�ssimo, Manuel Bandeira, Rui Barbosa, Machado de Assis e Jorge Amado formam um grupo incompar�vel, inating�vel... H� outros nomes - at� recentes - Arnaldo Jabor, Luiz Fernando Ver�ssimo, Fernando Jorge, Cl�vis Rossi e Janio de Freitas - que abrilhantam o dia-a-dia de quem tem em m�os um jornal di�rio, pe�a cada vez mais vital para o nosso desejo de colaborar no processo de constru��o de uma cidadania mais consciente (isso � pleonasmo, n�o usem!). Essa pequena galera quer apenas come�ar a colocar o pr�prio nome em evid�ncia, escrever as linhas da hist�ria de cada um e isso, por si s�, j� � suficiente para que aprendamos a admir�-los e a estimul�-los. Entre o elenco de grandes autores citados e n�s h�, claro que h�, diferen�as imensas. Olhar para as pr�prias limita��es e saber que h� um longo caminho a percorrer � uma prova de maturidade, de boa f� mesmo. De Drummond a Machado h� um universo claro de talento e compet�ncia incompar�veis para o of�cio, voca��o mesmo, coisa de quem nasceu para fazer isso, para ser refer�ncia. Nosso barato (n�o usem g�rias) � outro: queremos apenas um espa�o, ainda que virtual, entre a nossa meia d�zia, para que possamos escrever corretamente. Numa profiss�o t�o competitiva e carente de boa f�, convenhamos, � uma forma de come�ar com o p� direito, de, no m�nimo, romper com o estigma de que somos especialistas em generalidades e profissionais muito pouco abertos ao feedback t�o vital que costuma diferenciar a estagna��o da evolu��o. Obrigado a todos e parab�ns. ________________________________________________________________ Wagner Belmonte, 36, � jornalista e professor da Unisa |
| SALA DOS PROFESSORES |
| Segunda, 28 de fevereiro de 2005 |
| Esperar n�o � saber; quem sabe faz a hora n�o espera acontecer |