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Eleito com grande apoio popular, o presidente Lula decepciona, n�o por fazer um governo catastr�fico, mas sim por perder a oportunidade de imprimir mudan�as mais profundas, principalmente na forma de administrar. Se algum representante da situa��o vencesse as �ltimas elei��es, seria natural a manuten��o do sistema organizacional imposto por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Mas, a vit�ria de Lula sobre Serra parecia deixar claro que n�o era este o desejo dos eleitores brasileiros.

Dentre as derrotas governamentais, a pior delas foi o elogio de FHC e Pedro Malan, seu Ministro da Fazenda, ao sistema utilizado pelo atual l�der da pasta, Ant�nio Palocci. N�o poderia haver configura��o mais clara de que a pol�tica econ�mica anterior foi mantida.

Por�m, o maior advers�rio do Partido dos Trabalhadores � o pr�prio PT, que ao expulsar representantes descontentes de sua bancada (Heloisa Helena, Luciana Genro, Jo�o Fontes e Bab�), mostrou os primeiros sinais de intransig�ncia. Logo a seguir, surgiu o projeto para cria��o de um conselho que fiscalizasse as atividades da imprensa. A medida nasceu ap�s a divulga��o de den�ncia contra Waldomiro Diniz (bra�o forte de Jos� Dirceu), acusado de negociar propina com bicheiros em troca de favorecimento na concorr�ncia para explora��o de jogos patrocinados pela Caixa Econ�mica Federal.

Com esta pol�itca equivocada, o Governo gerou antipatia, perdeu apoio e ofereceu de bandeja uma arma � oposi��o: o argumento de que a administra��o Lula n�o prima por atitudes democr�ticas.

Diante da press�o, a base governista mostrou os primeiros sinais de desuni�o e sofreu duas derrotas significativas. Severino Cavalcanti venceu o candidato petista, Luiz Eduardo Greenhalgh, na elei��o para a presid�ncia da C�mara dos Deputados, e o nome indicado por Lula para a presid�ncia da Ag�ncia Nacional do Petr�leo, Jos� Fantine, foi rejeitado.

H� duas semanas, mais uma vez a pol�tica governamental mostrou uma insensibilidade �mpar ao tratar a quest�o da corrup��o que envolve os Correios e o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) . A revista �Veja� apresentou uma reportagem em que o ex-chefe do Departamento de Contrata��o e Administra��o de Material dos Correios, Maur�cio Marinho, negociava propina com empres�rios interessados em participar de licita��o junto a empresa e  exigia R$ 400 mil do ent�o presidente do IRB, L�dio Duarte, em troca de sua indica��o para o cargo, que ocorreu atrav�s do PTB. Segunda a revista, Marinho negociaria em nome de Roberto Jefferson, presidente do PTB carioca, partido que faz parte da base de apoio do PT.

Bastava que os aliados agissem rapidamente e se posicionassem a favor de uma investiga��o, algo capaz, inclusive, de esvaziar a quest�o. Mas, ao contr�rio, a crise cresceu quando o governo prontificou-se a liberar R$ 400 milh�es em pagamento de emendas para conquistar apoio de deputados e impedir a aprova��o da instala��o de uma Comiss�o Parlamentar de Inqu�rito (CPI).

At� ent�o, a decis�o seria entre perder e perder. Ou o Pal�cio do Planalto liberava o valor e consquistava apoio pol�tico (mas, arranhava sua imagem junto a popula��o), ou adotava uma postura de quem nada teme e ficaria exposto aos ataques advers�rios, atrav�s da instaura��o de uma CPI.

Em meio ao tiroteio, na �ltima segunda (dia 06), Roberto Jefferson resolveu dilatar a ferida. Em entrevista ao jornal �Folha de S�o Paulo�, Jefferson afirmou que o Partido dos Trabalhadores pagava uma �mesada� de R$ 30 mil para obter apoio de representantes do PP e PL.

O governo petista frusta pela confian�a que muitos depositaram nesta que parecia ser a grande possibilidade de transformar a administra��o federal em algo transparente. Se existia alguma d�vida, n�o h� mais nenhuma. O PT age como qualquer outro partido, inclusive quanto aos artif�cios do Lobby e da propina.

IRB e suas fun��es

Um dos �rg�os envolvidos na den�ncia de corrup��o que pode resultar em CPI,  o Instituto de Resseguros do Brasil � uma sociedade mista (administrada pelos setores  p�blico e privado), que oferece seguros � seguradoras. Assim, quando uma seguradora fecha um contrato num valor maior que sua capacidade financeira (caso de grandes empresas, condom�nios, galp�es industriais, etc), ela necessita que parte do risco fique a cargo de uma resseguradora.

Fundado em 1939, durante o governo de Get�lio Vargas, o IRB foi respons�vel pelo mon�polio do setor de resseguro at� 1996, quando o Congresso permitiu que outras empresas investissem no setor. Com isto, a raz�o social do grupo mudou para IRB � Brasil Resseguros.
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Luiz Alberto Carvalho, 25, estudante do 3�.ano de Jornalismo da Universidade Santo Amaro/SP
([email protected])
POL�TICA
Quarta, 08 de junho de 2005
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