Eis que chega o inverno. N�o sei se ele est� aqui oficialmente, mas os term�metros que indicam a qualidade do ar como ruim, apontam dez, 11 graus e os meios de comunica��o j� podem inicar os boletins di�rios com manchetes bomb�sticas que tratam das noites mais frias do ano. Os metereologistas explicar�o as varia��es t�rmicas e se estiverem de bom-humor criar�o um novo nome para um novo fen�meno, tal qual El Ni�o.

Na tarde do �ltimo domingo eu vasculhei gavetas, arrumei cds, reli cartas e perguntei se era impress�o minha ou o inverno realmente combina com nostalgia?
Talvez isto aconte�a porque as pessoas ficam presas dentro das roupas e n�o sobra nenhum outro lugar para visitar al�m da pr�pria alma. Os vidros fechados dos carros e a vontade de ficar dentro de casa impedem novas amizades, uma paquera. Alguns se arriscam em ta�as de vinho para espantar o frio, mas quando a sensa��o de m�os geladas termina � tarde demais para conseguir falar. Suponho que sem palavras n�o seja poss�vel bater um papo. A n�o ser que voc� seja mudo e possa gesticular. Mas, este n�o � um texto destinado aos mudos.

Acordar significa lembra de um monte de coisas: a �gua do chuveiro que far� o corpo ficar inerte at� se acostumar com uma temperatura mais baixa do que aquela do cobertor; o afogador do carro movido � �lcool, que n�o foi acionado na noite anterior e far� perder alguns minutos, j� que o Monza 86 n�o funcionar�; o fato de estar com pressa para n�o se aborrecer com algu�m que tem menos compet�ncia e car�ter, mas um sal�rio maior; os espirros que far�o companhia durante todo o dia, gra�as � blusa com �caros que h� muito tempo n�o sai do arm�rio; paix�es de inverno; destilados de segunda categoria.
E claro, n�o posso esquecer das festas t�picas de cada regi�o. Quando eu era um menino, o in�cio do inverno significava que as festas juninas iriam recome�ar. Morei na cidade de Carapicu�ba at� completar 14 anos e neste �poca o evento do ano era a queima de fogos no final da quermesse de S�o Pedro, padroeiro da cidade. Por�m, atualmente as aten��es da regi�o se voltam para o rodeio que acontece em Osasco.

O Estado do Texas, campe�o no ano passado em n�mero de pessoas enviadas � cadeira el�trica, ofereceu ao mundo ZZ Top, Pantera, Buddy Holly, Stevie Ray Vaughan, mas n�s acolhemos as vestes de vaqueiro, o country pasteurizado de gente como Alan Jackson e os maus-tratos aos animais, v�timas deste tipo de evento.
O prot�tipo do caub�i foi criticado em seu pr�prio pa�s de origem, visto que Hollywood fez uso desta imagem para aumentar o preconceito contra o povo ind�gena e apoiar o etnoc�dio, base da coloniza��o norte-americana. Marlon Brando, quando ganhou o Oscar de melhor ator por sua atua��o em �O Poderoso Chef�o�, fez com que uma �ndia com trajes t�picos subisse ao palco para receber a estatueta em seu lugar, como forma de declarar sua vergonha por protagonizar bang-bangs.
Travestidos de John Wayne e Natalie Wood o p�blico lota as arenas e mais parece fazer figura��o para um comercial dos cigarros Marlboro.

Quando vendem pacotes tur�siticos, os agentes de viagem indicam o Brasil para quem deseja visitar um pa�s ex�tico. Dentre as caracter�sticas que nos faz �mpar, sugiro incluirmos a coprofagia, uma de nossas especialidades.
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Luiz Alberto Carvalho, 25, estudante do 3.� ano de Jornalismo da Universidade de Santo Amaro/SP
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Pratos de merda
PENSANDO BEM...
Ter�a, 10 de maio  de 2005
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