Um quadro em branco, um vazio misturado com o g�lido sil�ncio. Surgem as cores, as misturas de cores que se confundem em um emaranhado de linhas. A imagem come�a a ganhar forma e seus tra�os mais fortes e marcantes ficam sobrepostos a uma paisagem insignificante. Uma silhueta que anda perto da perfei��o.

Os olhos fechados, a boca, as m�os, as pernas e p�s. Cria-se uma identidade. O vento comanda o movimento de seus cabelos enquanto o pincel marca o tempo da lenta m�sica, suave e relaxante: a sua respira��o.

Seus dedos se movem e seus olhos refletem delicadamente a luz do dia pela primeira vez. Um olhar assustado por encontrar o desconhecido, que se tranq�iliza ap�s o primeiro piscar.

Sua boca produz as palavras que s�o jogadas ao ar, que reconectam o desconexo. A brincadeira das palavras continua. Elas v�m e v�o, se perdem e se acham, est�o � procura de seu par. As palavras em casais, agora andam em linha reta.

Nossas m�os se juntam, se encaixam, foram feitas uma para a outra. Ela se levanta e pede para dan�armos juntos. Nossos corpos flutuam acima do ch�o, conduzidos pela harmonia das notas, a mesma m�sica. Uma sensa��o que nos obriga a fechar os olhos, os corpos ganham uma s� forma. Um ser �nico.

O primeiro degrau traz o desequil�brio, os corpos hesitam. O primeiro rel�mpago traz o come�o do fim, os pingos da chuva invadem a janela e encontram a tinta fresca do quadro. As cores se misturam, desta vez, sem controle. Seus olhos ficaram manchados. J� n�o se v� entre eles. Some sua boca, seu nariz, seu rosto, sua imagem. Irreconhec�vel.

Confundem-se as vozes, m�sica e vento: a disson�ncia.
O quadro perde-se em um tom sombrio, obscuro. Sem formas nem significados.

Enquanto eu olho parado e continuo a culpar a chuva.

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            Eduardo Vieira, 20, estudante do 3.� ano de Jornalismo da Universidade de Santo Amaro
                                                                                                   ([email protected])
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Formas, palavras e sensa��es
Pensando Bem....
Quarta, 13 de abril de 2005
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