Simplesmente n�s mesmos!

� verdade, em uma recente troca de e-mails com meu companheiro de coluna e amigo, chegamos a uma nem t�o brilhante conclus�o, mas algo nos incitou e l� vamos n�s nessa nossa incans�vel perda de tempo escrevendo, escrevendo e achando que com algumas palavras tudo mudar�...

Mas eu creio, as palavras s�o poderosas e fazer uso delas � tamb�m um talento, h� at� um relato b�blico sobre os talentos...

Precisamos encontra-los dentro dessa nossa imensa capacidade de milh�es de coisas, dessa criatividade divina, porque n�o h� t�o somente outra explica��o para esp�cies que mais parecem pintadas a m�o de peixes, por exemplo, esse � o dom criativo que nem s� o homem tem, mas somente o homem pode reconhecer.
�Caras�, �Contigo�, �Tititi� e at� �7 dias com voc� (essa eu confesso que nunca tinha ouvido falar at� um amigo meu chamar minha aten��o)... N�o, n�o vou falar sobre a vida alheia, nem tampouco desperdi�ar minhas escassas linhas criticando o perfil editorial de nenhuma delas...

Ser� que s�o os talentos humanos apenas reconhecidos quando expostos na m�dia? Ser� que t�o somente os mais talentosos � que tem espa�o? E como medir esses talentos? Eu acredito que o ser humano � �nico em intelig�ncia, criatividade e habilidade, e sempre somos apontados como tal, outro dia mesmo lendo um coment�rio de um vereador sobre a nova proposta do rod�zio na cidade de S�o Paulo de proibir os ve�culos de determinadas placas circularem durante 24 horas, essa nossa habilidade foi usada contra n�s �os brasileiros s�o criativos, v�o arrumar uma sa�da!� afirmava o vereador.

N�s precisamos sim arrumar uma sa�da, uma sa�da de emerg�ncia para um novo pa�s, para uma verdadeira democracia, ou quem sabe para o pal�cio da Rainha da Inglaterra, onde casamentos como os de contos de fada, escondem a pobreza e mis�ria que assola boa parte do mundo e tem mais destaque na m�dia � claro!

Precisamos usar nossos talentos!! A mulher precisa usar toda sua habilidade pra ser m�e, funcion�ria, esposa, �sobreviver�, mas n�o precisa de habilidade para ser cidad�, n�o existe tempo para luxos...

O oper�rio precisa de habilidade e tem que usar todo o seu talento para acordar �s 5 da manh� e enfrentar trens e �nibus lotados para encarar a lei da mais valia e nem imaginar o que isso significa na vida dele, apenas contemplar o carro importado do seu patr�o e admira-lo...
Mas o empres�rio precisa usar seus talentos tamb�m, precisa lidar com juro alto, pol�tica monet�ria, a��es, destemperos da economia mundial, suscetibilidade do governo, altos impostos...
O estudante precisa usar a sua habilidade m�xima, afinal � jovem, tem energia, isso implica sair de casa sem ver os pais, e voltar pra casa sem ver os pais, mas � claro que existem os que est�o fora dessa realidade, s�o os famosos �filhinhos de papai� eles precisam de habilidade pra colar nas provas, pegar o diploma da faculdade e ser indicado pra ocupar o cargo de gente talentosa, simplesmente porque ele possui o famoso Q. I (Quem indica!).

No final das contas os que parecem ter mais talento, s�o os que fazem muito pouco uso de suas habilidades...e as capas da �Caras�, �Contigo� e etc...servem mesmo pra mostrar as habilidades dos fot�grafos...

� compreens�vel que emissoras e editoras explorem a falta de conte�do, primeiro, porque assim vendem a imagem de um pa�s democr�tico, onde n�o existem tra�os de preconceito e exclus�o, onde todos, inclusive aqueles com pouca instru��o podem vencer. Segundo, porque exemplos de constesta��o induzem ao pensamento, que induz � queda de audi�ncia.

No s�bado assistia ao �Altas Horas�, programa capitaneado por Serginho Groismann, na Rede Globo, que convidou o vencedor do �ltimo Big Brother para uma entrevista. Era constrangedor o esfor�o que ele fazia para parecer inteligente, pronunciar as palavras corretamente, mostrar qu�o articulado era. Nitidamente tentava agradar ao m�ximo, segundo os conceitos que definimos como capazes de dizer que algu�m � �culto�.  Tentar tornar-se o mais pr�ximo daquilo que o Mercado busca � uma grande tolice, pois ele quer mesmo � ser surpreendido, ser pego de supresa por novas id�ias.

O selo de qualidade que a visibilidade das revistas, dos jornais e principalmente da televis�o propiciam � sedutor, por isso sempre almejamos o caminho r�pido. Com sorte voc� pode conseguir um emprego de boneco falante num programa pretensamente voltado �s mulheres.

Voc� tenta entrar em casamentos, equilibra pratos nos l�bios, diz que tem diversos projetos e �vai estar escrevendo um livro�.

As gravadoras tem anunciado preju�zo e apontam a pirataria como culpada, mas a for�a e a organiza��o de selos independentes rouba p�blico das majors. Pessoas que, gra�as � internet, tem acesso � informa��o de modo mais f�cil, r�pido e podem adquirir o �lbum diretamente do artista, sem a necessidade de intermedi�rios.

A melhor forma de mudar o meio � emplacar o plano 'b', colocar em pr�tica aquilo que aprendemos sobre venda, compra e lucro, desde que sejam frutos de uma id�ia administrada por n�s.

Se um homem tamb�m se avalia pela quantidade de hist�rias que ele tem para contar, creio que o trajeto a ser percorrido n�o � f�cil, muito pelo contr�rio, � arduo, principalmente para aqueles que n�o conseguem esquecer quem s�o e de onde vieram. N�o se engane, isso n�o tem nada a ver com doa��es de cestas ao lugar humilde onde voc� nasceu e foi criado. Tamb�m n�o est� ligado ao fato de voc� ter uma hist�ria triste sobre uma inf�ncia pobre. Alguns nascem e morrem pobres e eu n�o falo de grana. Outros, entram para a hist�ria. N�o para aquele contada por especiais encartados em revistas, porque esta n�o � a �nica. Existe a oficial e a oficiosa, existe aquela que serve para que voc� tenha seu rosto estampado em camisetas e aquela para s� interessa � voc�, aquela que lhe garante morrer com a certeza de acreditar nas coisas que deixou.
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Luiz Alberto Carvalho ([email protected]) , 25, e Livia Maria Cappellari ([email protected])
s�o estudantes do 3�.ano de Jornalismo da Universidade Santo Amaro/SP
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Nem celebridades, nem an�nimos
PENSANDO BEM...
Ter�a, 12 de abril de 2005
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