| Eu n�o voto sim, eu n�o voto n�o. Eu voto nulo! No �ltimo artigo que escrevi para Pensando Bem... tratava do in�cio da campanha sobre o com�rcio de armas e muni��o no Brasil, e defendia a proibi��o da venda de armas, ma volto ao assunto, pois, primeiro, mudei de opini�o, segundo, j� estou de saco cheio de receber mensagens sobre o referendo do pr�ximo final de semana. Eu anularei meu voto porque esta consulta � uma piada. A gota d��gua foi um e-mail que li nesta semana sobre a defesa que o apresentador J� Soares fez do com�rcio e venda de armas de fogo e muni��o no Brasil em seu programa na Rede Globo. O J� faz parte de uma classe que n�o � a nossa e defende o direito de propriedade que herdou. Faz parte de uma emissora que explora e manipula informa��o com o objetivo de manter as coisas como est�o, de manter a concentra��o de renda nas m�os de poucos e manter uma imensa maioria na mis�ria. J� Soares defende sua Harley-Davidson e os rel�gios de ouro que j� lhe furtaram em sem�foros de S�o Paulo. O que ocorre nas ruas de cidades como as nossas � uma luta pela distribui��o de renda, conhecida em outros lugares como guerra civil. Os Estados Unidos que J� apresenta como exemplo de na��o democr�tica � o ber�o de milhares de casos que assassinatos em massa como aquele que o diretor Michael Moore apresenta no filme "Tiros em Columbine", uma cr�tica � obsess�o norte-americana por armas. Moore aborda, entre outros casos, a hist�ria dos adolescentes Dylan Klebold e Eric Harris, que pegaram as armas dos pais e mataram 14 alunos e um professor no Col�gio Columbine, onde estudavam. Ali�s, uma reportagem, se n�o me engano, exibida pelo Jornal da Record logo ap�s os estragos que o furac�o Katrina causou em New Orleans, mostra a vs�o de alguns cidad�os dos EUA em rela��o a prote��o que rev�lveres oferecem. A mat�ria abordava o aumento da visita dos estadunidenses �s lojas de armas de fogo e muni��o e entrevista v�rias pessoas que afirmavam procurar pistolas com o intuito de defender a propriedade, j� que muitos viriam da regi�o Sul do pa�s com fome e poderiam tentar roubar seus mantimentos, seus bens. Acredito que a Guerra do Iraque, ou melhor, o apoio que Bush obteve dos norte-americanos para mant�-la j� descredencia as pessoas deste pa�s como exemplos de sensatez. A proibi��o ou n�o do com�rcio de armas n�o resolve o problema da viol�ncia no pa�s. A quest�o � muito maior e mobiliza��o deveria ser contra a grana que o governo gasta para bancar o plebiscito referente a algo que na verdade, n�o decide nada. Quem usa arma para roubar n�o a compra em lojas. O desarmamento atinge quem a guarda um rev�lver em casa e acredita que isto represente uma prote��o. A revista �poca mostrou h� cerca de duas semanas que a chance da v�tima ter sucesso ao utilizar uma arma para se defender de um assaltante � m�nima. Al�m disso, quem anda armado se sente poderoso, mais forte. Um dos tios de uma amiga ficou aleijado ap�s ser atingido por tr�s tiros durante uma briga de tr�nsito. Quanto �s mensagens que rolam na Internet, dif�cil saber a verdade. Alguns e-mails vendem a id�ia que a Globo ap�ia o desarmamento, porque o governo � a favor deste id�ia e a emissora precisa de financiamento para cobrir o preju�zo que a NET causou. Outros afirmam que a mesma Globo � s�cia de uma f�brica de armas, que lucrar� muito, caso o plebiscito termine com um resultado contr�rio ao desarmamento. Assim, de acordo com estas id�ias, a Globo lucraria de qualquer forma, certo? Creio que os grandes interessados na legaliza��o do com�rcio de armas de fogo e muni��o sejam os militares, que possuem o privil�gio de manter rev�lveres em seu poder e os fabricantes deste tipo de produto. No Congresso, os grupos s�o representados pela chamada 'bancada da bala'. Eu anularei meu voto porque este plebiscito, assim como todas as elei��es no pa�s n�o mudam em nada nossa rotina. Ainda seremos assaltados por gente que anda com fac�o e rouba nossos dez paus da cerveja. Ali�s, algu�m ainda se lembra de um tal metal�rgico que n�o sabia sobre casos de corrup��o no governo, de um tal prefeito de uma cidade do grande ABC, que morreu assassinado misteriosamente. ____________________________________________________________________________________ Luiz Alberto Carvalho, 25, estudante do 3.� ano de Jornalismo da Universidade de Santo Amaro/SP ([email protected]) |
| Eu n�o voto sim, eu n�o voto n�o. Eu anulo! |
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| Ter�a, 18 de outubro de 2005 |