| Estamos na segunda semana do m�s de agosto, �poca de cachorro louco e hidrofobia que escorre sob os p�s. Nesta �poca do ano os sentimentos s�o uma confus�o total. Num balan�o dos �ltimos meses, lembro que fumei maconha e fiz amor, mas n�o gostei muito da erva, porque s� senti fome. O gasto com pratos de massas foram maiores do que os gastos com o quarto e as bebidas. Fora a irrita��o da garganta e uma sensa��ozinha de relaxamento �nfima. Eu esperava muito mais. Foi por esta merda que o Planet Hemp foi preso? Que bosta! No �ltimo final de semana eu experimentei uma sensa��o espiritual. Justo eu, que sempre dividi os religiosos em charlat�es e imbecis. Foi no lugar mais improv�vel do mundo. Um centro de umbanda. Incr�vel do que os negros s�o capazes. Eles inventaram o rock, inventaram o jazz, inventaram o samba, inventaram o hip hop, aprenderam a lidar com for�as esperituais e mesmo assim ainda s�o humilhados e discriminados. Como um povo t�o forte se submete a isso? Quando obtiver esta resposta eu tamb�m saberei porque existem mais pobres do que ricos e ainda assim h� um dom�nio tranquilo por parte da minoria. Era um corredor dividido em duas partes. A parte frontal, onde ficavam as pessoas sentadas em bancos ou em p�, e um espa�o de uns 100 metros, onde cerca de 20 pessoas vestidas de brancos come�aram a cantar e dan�ar. Em determinada altura, algumas se retorciam e come�avam a emitir sons estranhos. Isso significa que elas recebiam um esp�rito. De repetene, minha irm�, que fora apenas fazer uma consulta, fuma e bebe batida de c�co. Ela detesta cigarro. Mas, a entidade com a qual lida gosta. Lindas can��es, lindas coreografias, muita luz. Mas, nada de novo pra mim, at� que eu conversei com uma garota bel�ssima chamada Jana�na. Ela era o meio para a mensagem que o esp�rito de um baiano chamado Severino tinha a revelar. E depois que ele deus os passes, eu me senti muito bem. Nunca procurei nada, sempre desconfiei de tudo, nunca acreditei em intermedi�ros, mas algo diferente aconteceu. Sem que eu procurasse. Ainda ando repleto de d�vidas e vazios, mas h� algo novo no ar. Dias estranhos, de drogas, religi�o e feridas que eu causo. O mal-estar de ser a navalha, ao inv�s da carne deve servir para que eu aprenda a perdoar, a compreender, a dizer a verdade, ao inv�s de poupar. A dor faz parte do jogo. Agora eu entendi e espero n�o esquecer nunca mais. ____________________________________________________________________________________ Luiz Alberto Carvalho, 25, estudante do 3.� ano de Jornalismo da Universidade de Santo Amaro/SP ([email protected]) |
| Maconha e umbanda |
| PENSANDO BEM... |
| Ter�a, 09 de agosto de 2005 |