| Em quinze dias, duas grandes personalidades foram embora. O paranaense Waldemar Seyssel morreu aos noventa e nove anos, v�tima de pneumonia e fal�ncia m�ltipla de �rgaos, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Arrelia, advogado por forma��o, iniciou sua carreira no circo como malabarista e em 1927 tornou-se palha�o. O homem que nasceu em 1905, me fez lembrar da �nica vez que fui a um circo, pr�ximo a minha casa, em Carapicu�ba. Uma Kombi com megafone anunciava o espet�culo do Bozo e todas as crian�as da regi�o resolveram assistir. Mas, as cenas divertidas ocorreram longe do picadeiro, quando alguns garotos come�aram a jogar pipoca na cabe�a do meu pai e uma discuss�o come�ou. Depois de alguns minuitos, mudamos de lugar, mas parece que o sr. Carvalho estava predestinado a n�o ter sorte naquele domingo. Sentamos em frente � uma fam�lia da qual faziam parte dois garotos que deveriam por volta de 12 anos. Tudo ia bem, at� que um deles resolveu soprar uma l�ngua de sogra na orelha de papai e a confus�o recome�ou. Equilibristas, malabaristas e um Bozo gen�rico, diferente daquele interpretado por Luis Ricardo nas manh�s do SBT, n�o chamavam minha aten��o, ao contr�rio do bate-boca que ocorria na arquibancada. Os anos passaram, eu passei a boicotar os circos, em prostesto aos maus tratos de animais como elefantes e macacos, assim como n�o me travisto de caub�i norte-americano e n�o rumo em comitivas � Barreto, pelo mesmo motivo. O problema sou eu, que fiquei chato, ranzinza, complicado. A outra personalidade voc� n�o conhece. A �ltima grande lembran�a que tenho de n�s est� ligada a Curitiba, uma cidade muito bonita, mas t�o melanc�lica e triste quanto S�o Paulo. Lugar de belas mulheres, a capital paranaense tem como grande diferencial uma arquitetura privilegiada, como pude perceber quando assisti o Curitiba Pop Festival, no �pera de Arame. Um teatro suspenso, constru�do sobre uma pedreira, cuja estrutura foi mantida, com o acr�scimo de um lago e cascata. Da mesma forma que ocorreu no Circo do Bozo, a grande atra��o da noite n�o era nenhuma banda, mas o casal formado por um cara que fumava maconha e uma menina que o masturbava, no meio da multid�o, na nossa frente. Ap�s os shows fomos � rua 24 horas, mas s� encontramos chocolate quente e pizza fria, o que parecia um banquete em meio ao frio sulista impl�cavel. A mo�a mudou e agora ela t�m tr�s rosas. Al�m daquela tatuada na orelha, uma no colo e outra no dedo indicador, todas do lado esquerdo. Talvez tivesse algo a ver com cora��o, n�o sei. Eu amo rosas e gosto de palha�os, porque eles sabem manter a tristeza atr�s da maquiagem e do nariz vermelho. _____________________________________________________________________________________ Luiz Alberto Carvalho, 25, estudante do 3.� ano de Jornalismo da Universidade de Santo Amaro/SP ([email protected]) |
| Palha�ada, Arrelia foi embora�e a mulher com uma rosa na orelha tamb�m |
| PENSANDO BEM... |
| Ter�a, 07 junho de 2005 |