| O c�u polu�do n�o permite que eu veja as estrelas ou a lua, e num apartamento com vista para a parede de um pr�dio sujo tenho a sensa��o de que esperan�a n�o passa de nome de pizzaria ou novela. Durmo no �nibus e acordo com a TV que exibe canais fora do ar. O prato est� no ch�o, o copo est� vazio e os comprimidos para dormir acabaram. Faz calor no inverno e eu odeio meu emprego. Amores mal resolvidos, jornais e revistas sem assunto espalhadas pelo ch�o. Nos programas de celebridades as coisas parecem ser t�o f�ceis. Ter um projeto significa eu n�o tenho nada a oferecer. O primeiro beijo, os primeiros pelos, a primeira espinha e a primeira vez que eu vi uma mulher gozar. Posso contar nos dedos as fotografias que eu guardo, mas n�o posso fugir das imagens vivas na mem�ria. De Beethoven aos Replicantes, tudo parece chato, um t�dio desgra�ado. Qualquer canal, qualquer emissora, qualquer p�gina amarela. A vida � fr�gil e eu n�o o culpo por desistir dela e resolver morar numa casa de repouso. Nome bonito para uma situa��o terr�vel. Celulares fora do ar, telefones temporariamente fora de servi�o. Self service, fast foods, workaholics, cigarettes and alcohol. Lan house e web cam. O amor � lindo, mas a conex�o � uma bosta. N�s precisamos de uma boa dose de f�. Ao meu lado, um cara fantasiado de protagonista da Malha��o, com topete e gel beija uma garota com jeitinho de aluna da Unip. Ere��es �s 09h 14min, mas o sistema n�o funciona. Cat�licos, protestantes, esp�ritas, ateus, camel�s, motoristas de �nibus, motoristas de caminh�o, motoboys, m�gicos, equilibristas, pirofagia nos sem�foros. Repentistas, guitarristas, pagodeiros, rappers, punks. O grande problema em ser egoc�ntrico � n�o delegar nada a Deus, inclusive a culpa pelas coisas terem falhado. _____________________________________________________________________________________ Luiz Alberto Carvalho, 25, estudante do 3.� ano de Jornalismo da Universidade de Santo Amaro/SP ([email protected]) |
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| Ter�a, 24 de maio de 2005 |