Existem quatro caminhos para a salva��o: bala nos miolos, gilete nos pulsos, aliena��o e niilismo. Os dois primeiros s�o auto-explicativos, �geis, objetivos. Os dois �ltimos s�o puro desespero. Enquanto aliena��o � morfina, cortizona, niilismo � uma doutrina que prega a destrui��o total do modelo que conhecemos, o que permitiria a constru��o de um novo. � tolice, eu sei, mas eu imagino.

Existem mais pobres do que ricos, mais explorados do que exploradores, ent�o, por que ser� que n�o h� uma revolu��o global, mas sim focos de insatisfa��o fragmentados? � simples, o sistema que rege a sociedade � genial e permite pequenas explos�es para aliviar a tens�o e manter viva a id�ia de liberdade. Como molas-mestras deste sistema, a corrup��o e a concentra��o de renda e poder, que recebe o pomposo nome de monop�lio.

Existem, basicamente, duas formas de derrotar um inimigo no campo pol�tico: transform�-lo em caricatura, como � o caso de Eduardo Suplicy ou consquist�-lo, como aconteceu com Alo�zio Mercadante, Jos� Geno�no, Ciro Gomes e mais uma infinidade de nomes e siglas.

N�o sei porque ainda me surpreendo, mas l� nos jornais que o governo do Estado de S�o Paulo ir� instalar c�meras nas principais estradas e avenidas para fiscalizar os ve�culos e identificar aqueles que possuem pend�ncias como IPVA e licenciamento n�o quitados.
Segundo a Folha de S�o Paulo, 48% dos ve�culos do Estado apresentam documenta��o irregular. Assim, voc� pode escolher entre duas op��es: medidas paliativas ou solu��es que resolvam o problema � m�dio ou longo prazo. A primeira significa multar ou apreender e a segunda, proporcionar o aumento da renda, atrav�s de programas que priorizem o emprego e a educa��o. Mas, o que esperar de Geraldo Alckimin, brilhantemente definido pelo jornalista Jos� Sim�o como picol� de xuxu, devido a sua falta de atitude?

Ali�s, o carro chefe e um dos orgulhos da gest�o Alckimin � o programa Escola da Fam�lia, que oferece aos estudantes universit�rios uma bolsa integral em troca de trabalhos realizados em escolas aos finais de semana. N�o conhe�o nenhum estudante que consiga manter um bom desempenho ap�s ingressar no programa, visto que perdem o tempo livre, que poderiam dedicar ao descan�o e � elabora��o de trabalhos. Desta forma, um projeto mal elaborado, a escolha por um caminho f�cil apresenta-se como �nica possibilidade para aqueles que n�o podem arcar com as despesas do ensino privado, j� que as universidades p�blicas est�o reservadas aos que foram capazes de cursar o primeiro e segundo grau em escolas particulares, onde o aluno � preparado, desde seu ingresso no col�gio para obter uma vaga na USP ou PUC. A manuten��o deste quadro ganhou uma forte aliada, a progress�o continuada, sistema adotado em escolas paulistanas desde a gest�o M�rio Covas, onde o aluno n�o � reprovado, mas caso n�o atinja os objetivos estabelecidos para aprova��o em uma determinada s�rie, recebe um refor�o no ano seguinte, para que possa acompanhar os demais alunos aprovados. A id�ia de aprendizagem c�clica � boa, caso a estrutura escolar fosse s�lida, n�o faltassem professores para ministrar este refor�o, houvesse planejamento, inclusive psicol�gico para complementar a id�ia de inclus�o educacional e os profissionais recrutados para trabalhar com estes alunos n�o fossem inexperientes ou despreparados. A mudan�a do ensino superior come�a nos ensinos m�dio e fundamental.

As mudan�as nunca come�am de cima para baixo e isto inclui o mundo. Antes mesmo de tentar mudar o pa�s, � necess�rio observar os problemas que existem na sua rua, no seu bairro, no D.C.E. da sua universidade. Mudan�as d�o trabalho e isto significa que muitos desistem no meio do caminho. Mas, sempre haver� uma pedra no sapato, mesmo que seja um bandeira cinza e furada no lado sujo da cidade.
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Luiz Alberto Carvalho, 25, estudante do 3.� ano de Jornalismo da Universidade de Santo Amaro/SP
([email protected])
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Niilismo, baby!
PENSANDO BEM...
Ter�a, 17 de maio  de 2005
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